
O quanto a ascensão da extrema-direita neste início de século 21 está ligada à popularização das redes sociais? Na nova edição de nosso programa sobre política internacional, eu e Tomaz Paoliello conversamos sobre como esta não é uma novidade recente e falamos sobre como novas tecnologias, em diferentes momentos da história do século passado, ajudaram a reforçar noções radicais de conservadorismo político que acabaram gerando diferentes formas de fascismo em vários países do mundo e como isso também está ligado ao crescimento de religiões xiitas que rezam na mesma cartilha desta corrente política troglodita.
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Casa cheia para assistir à mutação que o Glue Trip está se impondo a partir deste seu décimo aniversário. O grupo liderado pelo paraibano Lucas Moura contou com a direção musical de Zé Nigro (produtor do disco mais recente do quarteto, Nada Tropical) para amarrar canções de seus quatro discos (três álbuns e um EP) de forma linear e coesa no espetáculo 10 Anos de Psicodelia, que o grupo apresentou nesta terça-feira, no Centro da Terra. A apresentação faz o Glue Trip pensar em sua própria sonoridade a partir desta primeira década. O resultado foi um mergulho lisérgico em canções que bebem tanto da música eletrônica quanto da MPB dos anos 70 ao mesmo tempo em que o tempo todo convulsionam uma transformação musical que parte do envolvimento dos quatro músicos com seus instrumentos, fazendo as canções funcionarem como territórios musicais passíveis de exploração improvisada em conjunto. É o pleno processo psicodélico, quando os horizontes se expandem e deixam os instrumentistas libertos nestes novas camadas atmosféricas em formação. É aquele momento em que a música brasileira funde-se com o jazz, que o rock psicodélico aos poucos se metamorfoseia no rock progressivo e que os limites e gêneros musicais parecem desaparecer. Lucas (guitarra), Pedro Lacerda (bateria), João Boaventura (teclados) e e Thiago Leal (baixo) estão debulhando seus instrumentos e o entrosamento conjunto contagia o público. Resta saber o que a banda pode fazer a partir daí…
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Há um ano a mestra Joni Mitchell pegou a todos de surpresa quando ressurgiu ao vivo em pleno festival de Newport, o clássico evento anual de folk music em que apareceu pela última vez em 1969. Há duas décadas sem fazer shows e recuperando-se de um aneurisma no cérebro que sofreu em 2015, ninguém esperava vê-la ao vivo em público, embora ela já tivesse puxado algumas sessões de música em casa como forma de se reabilitar, em eventos que chamava de Joni’s Jam. Pois exatamente há um ano, uma das maiores nomes da canção norte-americana reapareceu em carne e osso num show surpresa realizado num domingo. Era 24 de julho de 2022 e a mera aparição de Mitchell em público já seria motivo de festa, mas quando ela segurou uma apresentação de mais de uma hora e treze canções, todos – presentes no evento ou quem soube depois – sabiam que a história havia acontecido naquele momento. Tanto que ela lança na próxima sexta-feira Joni Mitchell at Newport, que já estava em pré-venda pela gravadora Rhino. E um aperitivo da apresentação foi publicado esta semana, mostrando nossa musa cantando a imortal “Summertime” – assista abaixo, além de ver o setlist deste show: Continue

“O samba e o choro são bem constituintes da origem do meu enredo”, Maria Beraldo arrematou (bem, como ela mesma constatou) no meio de sua terceira noite no Centro da Terra, quando apresentou ao lado de Rodrigo Campos um amplo repertório de sambas, de clássicos da velha guarda a hits do pagode dos anos 90. Só os dois no palco, tomando uma cervejinha, cada um com um instrumento em diferentes momentos – Beraldo ia do cavaquinho ao clarinete ao violão enquanto Rodrigo ia do violão ao repique ao cavaquinho, numa roda a dois que teve momentos terrenos e sublimes. Da primeira música que Maria aprendeu ao cavaquinho (“Apaga o Fogo Mané”, de Adoniran Barbosa) à “Minha Missão” de João Nogueira, o repertório foi costurado por Chico Buarque (“Bom Tempo” e uma versão maravilhosa para “Dois Irmãos”), Exaltasamba (“Gamei”), Só Pra Contrariar (“Inigualável Paixão”) e Dona Ivone Lara (lembrada na maravilhosa “Tendência”, que Maria aproveitou para revelar qual é o tema da terceira lição de sua banda, o Quartabê). Os dois ainda tocaram duas inéditas que compuseram juntos, duas de Rodrigo Campos (“Firmeza?!” e “Batida Espiral”), mas o ponto nevrálgico da apresentação foi exatamente no meio quando emendaram “Lindeza” de Caetano Veloso (você conhece, “coisa liiiiindaaa…”) com “Recado À Minha Amada” do Katinguelê (você também conhece, “lua vai…”) mostrando que o samba segue samba não importa de onde ele venha.
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Inaugurando a nova temporada do meu programa de entrevistas Bom Saber em grande estilo, com a presença do mestre Guto Lacaz. Um dos grandes artistas plásticos brasileiros, Guto mistura arte e ciência em suas obras, que acontecem no papel ou em performances memoráveis. Conversei com o Guto sobre arte, cultura e criatividade, além de falar sobre seus projetos recentes, incluindo uma homenagem a um de seus grandes ídolos, Santos Dumont.
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Este fim de semana viu a segunda edição do espetáculo Conjunto Nordeste, idealizado pelo produtor Duda Vieira e pelo maestro Regis Damasceno, no Sesc Pinheiros. Se a primeira, realizada em junho do ano passado, priorizou novos nomes da música nordestina – reunindo um elenco estelar formado por Alessandra Leão, Almério, Flaira Ferro, Getúlio Abelha, Larissa Luz, Luiz Lins, Otto e Potyguara Bardo -, esta segunda preferiu voltar para as raízes e celebrar artistas da região que estão aí há tempos – mas sem tirar o pé da contemporaneidade. Este foi representado por Josyara, que abriu a noite com sua voz e violão estupendos encantando corações que estavam, em sua grande maioria, esperando os veteranos da noite. Depois foi a vez de Ednardo, aos poucos recuperando sua voz depois de um problema de saúde, mas com carisma intacto, fazendo todos cantar “Enquanto Engoma A Calça”, “Pavão Mysteriozo” e “Terral” (e não teve como não dar uma choradinha nessa hora), seguido de Hyldon, que brincou com o fato de ninguém lembrar que ele era baiano (“do polígono da maconha”, riu, reforçando que foi “parceiro do Tim Maia e vizinho de Raul Seixas, sou um sobrevivente!”), e emendar os hits “Dores do Mundo”, “Na Sombra de Uma Árvore” e inevitavelmente “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda”. A estrela da noite foi a gigante Anastácia, eterna alma gêmea de Dominguinhos, que lembrou, no show de domingo, que seu companheiro e parceiro morrera há exatos dez anos, e aproveitou a oportunidade para reforçar que discorda da lógica que brasileiro não tem memória, citando aquele espetáculo como prova disso, antes de passear pelos sucessos “Sanfona Sentida”, “Amor Que Não Presta Não Serve Pra Mim” (bolero eternizado por Angela Maria) e “Tenho Sede”. Os quatro foram acompanhados por uma banda dirigida por Régis, que alternava-se entre a guitarra e o violão de doze cordas, e ainda contava com Danilo Penteado (tocando sanfona, teclado, cavaquinho e violão), Charles Tixier (tocando percussão e sampler), Magno Vito (no contrabaixo) e Alana Ananias (na bateria). Os quatro voltaram tocando “Só Quero um Xodó” e mostrando que este formato tem vida longa. Que venha o próximo!
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Linda a apresentação que Marcelo Cabral fez neste sábado na galeria São Paulo Flutuante, ali na Barra Funda. Apenas com sua voz e seu violão – sem nenhum tipo de amplificação, como são as apresentações na galeria – Cabral usou seu disco de canções Motor como ponto de partida para passear por seu repertório melancólico e intimista, puxando tanto músicas que foram gravadas por outros intérpretes quanto inéditas compostas durante a pandemia. Vale ficar de olho nas Sessões Flutuantes da galeria, sempre tem coisa boa.
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Mais uma vez Roger Waters volta-se ao seu passado no Pink Floyd para dar continuidade à sua carreira, mas em vez de ficar apenas nos espetáculos ao vivo, ele preferiu recriar o clássico Dark Side of the Moon em uma versão solitária. E estreia a cara de seu Dark Side of the Moon Redux com uma versão lenta, grave e quase soturna de “Money”, lançada nessa sexta-feira, para antecipar o lançamento do disco que sairá no meio deste semestre. “O Dark Side of the Moon original parece de alguma forma o lamento de um ancião sobre a condição humana”, explicou o autor do disco em uma declaração, “mas Dave, Rick, Nick e eu éramos tão jovens quando o fizemos e quando você vê o mundo ao nosso redor, é claro que a mensagem não ficou. É por isso que eu comecei a considerar o que a sabedoria de um octagenário poderia trazer para esta versão reimaginada.” O disco sai em outubro e já está em pré-venda. Ouça a nova versão de “Money” abaixo: Continue

Em mais uma edição do meu programa sobre música brasileira Tudo Tanto, chamo a maravilhosa Ava Rocha para falar sobre seu disco mais recente, Nektar, que acaba de ser lançado depois de ter sido gestado desde antes dos anos pandêmicos. Álbum sensível e multifacetado, o quarto disco da cantora carioca (que será lançado ao vivo no próximo dia 30 de julho, no Sesc Pinheiros) é o motivo para conversar com Ava sobre criação, inspiração e racionalização de processos sensíveis, que conta como o disco foi concebido entre viagens, pandemia e profundas reflexões individuais sobre ser artista.
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Showzaço do Mundo Livre S/A nesta quinta-feira no Cine Joia. O grupo liderado por Fred Zeroquatro aproveitou o gancho dos 30 anos do mangue beat para revisitar canções da Nação Zumbi – e não só as com Chico Science, mas também algumas da fase sem o clássico vocalista – e retomar algumas de suas próprias pérolas. E ao reunir “Musa da Ilha Grande”, “Meu Esquema”, “Mistério do Samba”, “Bolo de Ameixa” e tantos outros clássicos que infelizmente não estão tão presentes em nosso dia-a-dia como deveriam a uma formação consistente, o Mundo Livre S/A atravessou quase duas horas fazendo o público cantar tudo junto. Melhor do que eu esperava.
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