Trabalho Sujo - Home

Video

O primeiro show do ano dos Pelados, minha banda indie brasileira favorita, aconteceu nesta quinta-feira no Fffront e a sensação de ver um grupo de amigos afiados tanto musicalmente quanto em termos de empatia num ambiente minúsculo repleto de fãs é dessas energias que me ajudam a seguir a longa estrada da vida. Focando todo seu repertório nas músicas de seu segundo disco, o excelente Foi Mal, o quinteto paulistano fez a laje do clube da Vila Madalena sacudir em músicas tortas e retas, entre baladas e faixas pra dançar, todas cantadas pelo público em êxtase por estar compartilhando da sensação que descrevi no início. O show, como sempre, chega ao auge quando eles cantam o hino composto para essa situação, a épica “Yo La Tengo na Casa do Mancha” que fez todo mundo gritar o refrão, que pede justamente pra gritar e ser gritado. Showzão!

Assista abaixo: Continue

Embora percebido como um rapper ou MC por usar o canto falado, sempre vi Edgar mais como um artista da palavra do que propriamente fruto da cultura hip hop, embora ela esteja presente em sua obra. Isso torna-se finalmente evidente com o single de seu novo trabalho, que estreia nesta sexta-feira e que ele antecipa o clipe em primeira mão para o #trabalhosujo (assista à íntegra lá no site). O artista de Guarulhos fala que “Original de Quebrada”, feito em parceria com o produtor Nelson D., tem uma sensação de volta às raízes. “Esse disco representa para mim um ponto de chegada e ao mesmo tempo um ponto de partida, é como reconectar os dois como um ouroboros, quando a cobra morde o próprio rabo, sabe?”, explica o poeta. “Ele também é um marco, checkpoint na contemporaneidade do meu trabalho, que foi acusado várias vezes de ser distópico, futurista, mas acho que nesse disco o calendário tá ajustado e ele é totalmente do presente. E também um pouco do passado, porque tem bastante memórias e andar pelas vielas da favela é foda”, lembra Edgar, que voltou a morar na favela no período da pandemia. O novo disco, ainda sem data de lançamento, é marcado pelas colaborações com outros produtores: além de Nelson D., ele também trabalhou com os paulistanos Nakata e Kazvmba, os cariocas d’Os Fita, o francês Dang e o inglês Jammz.

Assista abaixo: Continue

Bem bonita a apresentação que Nina Maia fez no Bona nesta quarta-feira, para celebrar o lançamento de seu novo single, “Amargo”, que chegou ao público nesta quinta. Apresentando o mesmo espetáculo Inteira que mostrou há dois meses no Centro da Terra, ela dividiu sua apresentação em duas partes. Na primeira, cantando sozinha acompanhada apenas de bases pré-gravadas, ela soltou a voz em canções densas e complexas, deixando o lado mais intenso e palatável para quando trouxe os músicos que convidou ao palco – e desta vez, além de Valentim Frateschi no baixo e Thalin na bateria (além dela mesma no teclado), ela contou com o violinista Thales Hashiguti, que deu uma nova dimensão à apresentação. Segura de si e de suas próprias (novas) canções, ela não teve dificuldades em deslizar nas bases instrumentais e mostrar a força de sua voz grave e seu domínio cênico cada vez mais firme.

Assista abaixo: Continue


(Foto: Leon Rehman/divulgação)

Burilando seu primeiro disco desde o ano passado, a cantora e compositora Nina Maia dá mais um passo nessa jornada ao lançar o single “Amargo” nesta quinta-feira, antecipando o clipe com as imagens que fez quando estive em Majorca, na Espanha, onde a música foi gravada, em primeira mão para o Trabalho Sujo. A faixa consagra sua parceria com a amiga e violoncelista Francisca Barreto ao mesmo tempo que aponta os rumos para este primeiro disco, que será produzido ao lado de Yann Dardenne. “‘Amargo’ reafirma minha faceta de compositora, em que trato da possibilidade de criar uma canção que orbite em volta de um sentimento específico, uma sensação específica, e fazer isso seja, de alguma forma, direta e ao mesmo tempo aberta à interpretação”, me explicou Nina num áudio, “nesse sentido ela é muito próxima desse lugar de investigação sobre mim mesma e de todas essas situações e sentimentos que vão aparecendo na vida. Ela é um pouco o pé no chão, uma base minha que existe, a da canção.” Ela apresenta-se nesta quarta-feira, no Bona, quando mostra mais músicas deste futuro trabalho (mais informações aqui).

Assista ao clipe abaixo: Continue

Nesta terça-feira, Rômulo Froes inaugurou a curadoria que está fazendo no Sarau, o minúsculo bar do recém-inaugurado Pulso Hotel, quando chamará grandes nomes da música brasileira contemporânea para apresentar-se à meia luz para um público bem reduzido. Além de anunciar que nomes como Jadsa, Josyara, Alice Caymmi e Maurício Pereira, entre outros que estarão nas próximas terças, ele contou com a melhor abertura possível, por conta do trio Metá Metá. E com Juçara, Kiko e Thiago desfilando seu já clássico repertório não tem erro, né? Os três hipnotizaram o público em versões ainda mais discretas dos hits de seus três discos, além de puxar versões clássicas que fazem para Jards Macalé, Douglas Germano e, claro, “Trovoa”, de Maurício Pereira. E terça que vem tem Ava Rocha com o Chicão! Imperdível!

Assista abaixo: Continue

Plena transição

A apresentação que o grupo Orfeu Menino fez nessa terça-feira no Centro da Terra, flagrou-os começando a tatear o próprio repertório enquanto deixa o passado de versões pra trás, sem deixar as referências de jazz brasileiro de lado. O grupo começou com uma música da vocalista Luiza Villa, passou por interlúdios bolados pelo jovem maestro Pedro Abujamra, uma canção do baixista João Pedro Ferrari e inspirados solos tanto de Pedro, quanto do guitarrista Tomé Antunes e do baterista Tommy Coelho. No percurso, passaram por “Estrada do Sol” (Tom Jobim e Dolores Duran) e “Beijo Partido” (Toninho Horta), antes de mexer em uma versão mais jazz da primeira composição desta nova leva, “Pega Mal”. Tá ficando bonito…

Assista abaixo: Continue

O líder do Tangolo Mangos mostrou nessa primeira segunda-feira de abril no Centro da Terra a promissora carreira solo que tem pela frente. Ao desbravar desfiladeiros musicais bem diferentes do rock de sua banda, Felipe Vaqueiro mostrou que, mais que exímio músico e compositor, mistura essas duas qualidades em uma só, fazendo seu instrumento soar como continuação de sua voz e vice-versa (me sopraram Moraes Moreira depois da apresentação, tem muito a ver). E por mais que sua apresentação tenha contado com ótimas participações ao chamar Sophia Chablau e o percussionista de sua banda, Bruno “Neca” Fechine, para dividir o palco, foram nos momentos solitários no palco que Vaqueiro mais brilhou, mostrando o completo domínio de suas canções que ao mesmo tempo esbarram no seu jeito extrovertido e atrapalhado ao conversar com o público, tornando a noite ainda mais leve. Vai longe!

#felipevaqueironocentrodaterra #felipevaqueiro #centrodaterra2024 #trabalhosujo2024shows 52

Assista abaixo: Continue

Corações ao alto

Ao começar a apresentação com “Fim de Festa”, do clássico disco que reuniu Itamar Assumpção e Naná Vasconcellos, a banda convocada por Fernando Catatau para celebrar o cancioneiro romântico brasileiro no espetáculo Pra Falar de Amor, que aconteceu no Sesc Pinheiros neste sábado, mostrou que não estava pra brincadeira. Um time de músicos, autores e intérpretes que pertence à nata da música popular contemporânea escancarou o teste de DNA que prova que sua musicalidade descende deste cânone que une uma parte importante da produção cultural brasileira do último século mas que não é visto como tal. A gênese desta celebração começou ainda no ano passado, quando Fernando fez algumas apresentações intimistas levantando este repertório que atravessa a própria genealogia de suas canções. E foi esperto ao manter esse clima mínimo mesmo com uma banda grande num palco tão amplo como a sala Paulo Autran. O minimalismo dos arranjos e das vozes contrastava com os sentimentos rasgados nas interpretações originais e com o visual da apresentação, em que as luzes de Cris Souto (que pareciam vir de Oz) equilibrava-se perfeitamente com as cores fortes do figurino de cada um e as imagens épicas projetadas por Isadora Stevani, que também assinava a direção de arte da noite. No palco, Catatau puxava um grupo que trazia Ava Rocha, Curumin (entre a bateria e o violão), Jasper, Bruno Berle, Paola Lappicy, Clayton Martin e Beatriz Lima que deslizaram por canções que rasgavam o corpo por dentro fazendo verter lágrimas, seja de paixão ou de fossa, sempre afundando aquele aço frio no peito dos ouvintes enquanto cutucava nosso subconsciente com músicas de Raul Seixas (“A Maçã”) Roupa Nova (“Bem Maior”), Roberto Carlos (“Amor Perfeito”), Jards Macalé (“Sem Essa”), Joanna (“Tô Fazendo Falta”), Djavan (“Um Amor Puro”), Lulu Santos (“Certas Coisas”), Eliane (“Amor ou Paixão”) e Alcione (“Você Me Vira A Cabeça”), colocando cada um dos integrantes no centro emotivo daquelas canções, além de passear pelo próprio repertório, sempre com outro intérprete cantando suas músicas, como “Quero Dizer”, “Solidão Gasolina”, “Transeunte Coração” e “Completamente Apaixonado”. A noite terminou num momento épico revisitando o momento mais romântico do repertório de Catatau, quando todos revisitaram a clássica “O Tempo” do Cidadão Instigado antes de encerrar a noite com “Hackearam-me”, do baiano Tierry, eternizada por Marília Mendonça. Foi de chorar – e tem que ter mais!

Assista abaixo: Continue

Eis mais uma faixa do disco-tributo que a gravadora Light in the Attic está fazendo em homenagem ao nosso herói Lou Reed. Depois de chocar a todos colocando ninguém menos que Keith Richards para regravar “I’m Waiting for the Man”, agora é a vez de Angel Olsen cair de boca em outro clássico do Velvet Underground. Ela gravou sua versão de “I Can’t Stand It” ao lado do compadre Maxim Ludwig, com quem dividiu uma turnê pelos EUA no ano passado. A música tornou-se pública no lançamento do primeiro e desconhecido disco solo de Lou Reed, lançado em 1972, mas já fazia parte do repertório do Velvet Underground desde 1968, embora só tenha sido lançada oficialmente pela banda na coletânea póstuma VU, de 1985. A versão é pesada e leva o rock do grupo para um lugar quase caricatural, flertando com o glam fantasmagórico do filme Rocky Horror Picture Show sem precisar cair na caricatura. Coisa fina.

Ouça abaixo: Continue

E por falar em Talking Heads, saiu mais uma faixa do tributo que a distribuidora A24 está promovendo em homenagem ao mitológico Stop Making Sense, filme-show do grupo nova-iorquino que foi remasterizado para ressurgir nas telas de cinema. E depois do Paramore regravando “Burning Down the House” e do aceno que Miley Cyrus fez para “Psycho Killer” num show privado (talvez indicando que toque a faixa neste disco-tributo), agora foi a vez de Lorde mostrar sua participação em Everyone’s Getting Involved: A Tribute to Talking Heads’ Stop Making Sense. E a cantora neozelandesa levou “Take Me to the River”, versão que o grupo liderado por David Byrne fez para um clássico do reverendo Al Green, para um território ao mesmo tempo pop e minimalista, como lhe convém, mas sem perder o apelo soul das duas encarnações anteriores da canção.

Ouça abaixo: Continue