
(Foto: Rui Mendes/Divulgação)
Lendária banda do ABC paulista, a Nomade Orquestra prepara-se para um lançamento de mais um álbum ao começar a mostrar seu Terceiro Mundo a partir desta sexta-feira, quando lançam o single “Peixeira Amolada & Quebra Queixo” pela gravadora nova-iorquina Nublu Records e o antecipam em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. A banda traz novidades na formação e além de Guilherme Nakata, Ruy Rascassi, Marcos Mauricio, Beto Malfatti, Marco Stoppa, Bio Bonato, Luiz Galvão e Victor Fão, o grupo agora conta com o percussionista Raphael Coelho e a saxofonista Ana Eliza Colomar, que entram na big band dispostos a explorar sonoridades não-ocidentais que são sempre postas sob o rótulo terceiro-mundista, temática do disco. A primeira música do novo disco tem ênfase na música brasileira ao ser conduzida por um violão, estética sonora pouco explorada pelo grupo. Ouça abaixo: Continue

À frente de sua Unidade, o guitarrista paraense Saulo Duarte foi um dos responsáveis por impregnar a sonoridade nortista no pop brasileiro deste início de século, mas quando saiu em carreira solo, ainda em 2018, resolveu explorar o universo da canção e do violão para descobrir uma musicalidade que o levasse para além do trabalho que o estabeleceu no cenário independente brasileiro, com o disco Avante Delírio, de 2018. Agora ele prepra sua volta ao seu instrumento de origem e para o ambiente sonoro que o consagrou ao lançar, nesta quinta-feira, “Labareda”, mais uma faixa de seu próximo álbum, batizado de Digital Belém, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. A canção, feita em dupla com a baiana Larissa Luz, enfatiza a temática do próximo trabalho, “que tem como premissa misturar elementos eletrônicos e digitais aos ritmos paraenses e latino amazônicos”, me explica por email, reforçando a presença de beats, samplers e sintetizadores, que aproximam o disco da sonoridade tradicional, de nomes como Aldo Sena e Raimundo Soldado, e contemporânea, de soundsystems e aparelhagens, que está produzindo ao lado do compadre Lucas Martins.
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As atrações de música no mês de maio no Centro da Terra encerraram nesta terça-feira, quando o duo (I)miscível, formado por Guilherme Marques e Amilcar Rodrigues, recebeu o contrabaixista Marcelo Cabral para explorar novas fronteiras musicais a partir de uma sessão de improviso livre que, como é característica do trabalho do duo, busca novas sonoridades a partir das já estabelecidas por seus instrumetos. Enquanto Amílcar reveza-se entre o trompete, o trompete piccolo e o bombardino, Guilherme buscava detalhes e nuances de uma bateria desconstruída enquanto Cabral ia para além das quatro cordas de seu instrumento, usando tanto o corpo, quanto arco e pedais para deformar seus timbres característico, numa apresentação que ia da quietude à expansão, com direito ao público assistindo a tudo no próprio palco.
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O encerramento da temporada Cosmofonias de Romulo Alexis nesta segunda-feira no Centro da Terra foi apoteótico, quando chamou seu compadre Wagner Ramos, que, com Romulo, forma o duo Rádio Diáspora, para uma versão intensa dessa formação, chamada de Ensemble Cachaça!, que contou ainda com o trombone de Allan Abbadia, o contrabaixo de Clara Bastos, a voz e o berimbau de Paola Ribeiro e o sax de Stefani Souza. O sexteto partiu de momentos soturnos e silenciosos para picos de estridência e dissonância, quando timbres graves e agudos se encontravam canalizados pelo trompete e bateria do duo proponente do encontro, com direito a instrumntos de sopro desmontados para buscar novas sonoridades e um berimbau tocado com arco, além da voz livre e espacial de Paola. A última de quatro intensas noites de improviso e exploração musical foi um encerramento desnorteador.
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Eis o trailer de Frank Miller: American Genius, documentário sobre um dos maiores nomes da cultura pop estadunidense que será lançado nos EUA neste mês de junho. Autor, desenhista, roteirista e diretor, Miller é um dos maiores nomes da história do quadrinho mundial e seu talento não apenas revolucionou o formato super-herói como abriu a porta para autores que ajudariam a evolução da mídia que ele começou no início dos anos 80 (principalmente a safra britânica puxada por Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison e Mark Millar). Ao reinventar primeiro o Demolidor e depois o Batman com obras definitivas, ele mudou a cara do formato nas duas últimas décadas do século passado, tornando-a adulta e distópica numa época em que isso parecia impossível e, principalmente, bem sucedida comercialmente. A partir de graphic novels como o Cavaleiro das Trevas, Elektra Assassina e Batman: Ano Um, ele criou uma nova fase para os quadrinhos como fez sua ponte definitiva com o cinema, parindo outras obras que em pouco tempo tornariam-se marcos comerciais de Hollywood, como 300 e Sin City, este último dividido em dois filmes que dirigiu ao lado de Robert Rodriguez. Sua ida para o cinema o colocou na cadeira de diretor da adaptação do clássico Spirit para a telona. O documentário é dirigido por Silenn Thomas, que além de produtora de seus filmes é a diretora executiva da empresa que controla a carreira do artista, que deu a seguinte declaração ao jornal Hollywood Reporter: “A origem do documentário vem de várias fontes e fãs que nos incitaram a documentar esse grande gênio americano que recentemente sobreviveu a uma experiência de quase morte”, conta a produtora. “Quando iniciamos esse processo, Miller estava apenas começando sua recuperação e tinha um claro desejo pela vida, um desejo de recuperar anos de ‘tempo perdido’ e promover a sua identidade artística. Antes da pandemia, Miller voltou a viajar e a trabalhar em uma série de novos projetos. Quanto mais o acompanhávamos nessa jornada, mais descobríamos sobre a arte de fazer histórias em quadrinhos. Foi e continua a ser um mundo inspirado por mulheres, artistas, escritores, artesãos e um grupo global de fãs ávidos e espertos. Este filme é para eles; para se tornar parte e explorar ainda mais o funcionamento interno de seu ídolo e sensei, Frank Miller.” O documentário conta com entrevistas com Neal Adams, Robert Rodriguez, Jessica Alba, Jim Lee, Zack Snyder, Stan Lee, entre outros. Assista ao trailer abaixo: Continue

Passo fundamental na consolidação da carreira solo de Neil Young, sua apresentação no teatro da BBC no dia 23 de fevereiro de 1971, em Londres (que só foi exibido no dia 26 de abril), tinha enorme parte de seu repertório ainda inédita, incluindo músicas que hoje são clássicos do cantor canadense, a maioria do disco Harvest, que só seria lançado em 1972 (como “Out On The Weekend”, “Old Man”, “Cowgirl In The Sand”, “Heart Of Gold” e “A Man Needs A Maid”). Do repertório exibido no programa original, que pode ser visto abaixo na íntegra, apenas “Don’t Let It Bring You Down” e “Dance Dance Dance” já haviam sido lançadas. “Journey Through The Past”, por exemplo, só viria a público décadas depois, mesmo com uma trilha sonora que levava seu título (mas não a trazia no repertório). O site Sugar Mountain, especializado nos setlists do velho bardo, lista que outras músicas foram tocadas naquela apresentação e, tirando “The Needle And The Damage Done”, que entrou em Harvest, todas as outras quase entraram no disco de 72, mas só surgiram oficialmente em discos ao vivo e coletâneas que o autor lançou ainda nos anos 70 (como “Love In Mind”, “I Am A Child” e “There’s A World”). Além destas, só “Tell Me Why”, que também não foi exibida, já havia sido lançada. Fica então aí uma senhora lacuna na discografia de um autor obcecado pelo próprio completismo. Assista abaixo à apresentação e compare os setlists original com o que foi transmitido: Continue

A terceira apresentação da temporada Cosmofonias que Romulo Alexis está realizando no Centro da Terra foi feita em parceria com o núcleo Leviatã e aconteceu nesta segunda-feira, quando o trompetista reuniu-se ao lado de Edbras Brasil, Inès Terra, Thayná Oliveira e Sarine para uma sessão de improviso intensa, que começou com momentos solo de cada um dos instrumentistas – Thayná abrindo a noite entre os sussuros e seu violoncelo, entregando para os synths e percussões de Sarine, passando para o tamborim e canto de terreiro de Edbras e as texturas improváveis da voz de Inês, além do próprio trompete do anfitrião -, culminando em uma celebração conjunta, quando timbres e tempos se encontravam e se entrelaçavam em uma cama musical ao mesmo tempo experimental e familiar.
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Fotos: Barbara Monfrinato
Fim de semana intenso graças à segunda edição do C6Fest, que mais uma vez aconteceu no parque do Ibirapuera, consertando um problema da edição anterior, quando não era possível circular entre os diferentes palcos do festival. O problema foi que, devido à reforma que está sendo feita na marquise do palco, o percurso entre os dois palcos que antes era direto agora exigia que você desse uma longa volta para chegar do outro lado do evento. E assim o festival dividiu-se entre prós e contras: uma boa escalação com gente de todo mundo mas poucos artistas brasileiros (que sempre são deixados naqueles horários ingratos); uma boa estrutura mas com pouca assistência ao público (sinalização? Área de informações? Água gratuita?) e aquele ingresso salgado que se por um lado nos faz comemorar a facilidade de chegar perto do palco, por outro nos lembra que o festival em si é uma enorme área VIP. Ainda houve problemas com a capacidade da tenda ser menor que a do palco principal, o que fez muita gente ficar de fora do set dos 2ManyDJs. Mas as apresentações compensaram esses perrengues (mesmo divididas entre palcos preto – puxando pro neo soul – e branco – puxando pro indie velho): a vocalista do Xx Romy derreteu o público com seu house sofisticado, a cantora Raye mostrou que tem a faca e o queijo na mão pra se tornar uma das próximas grandes cantoras (presença de palco, liderança nata, carisma impecável e que voz!), Jaloo e Gaby Amarantos fizeram bonito em show conjunto, Ayra Starr eletriziou o público e Paris Texas se jogou na galera, entre outras boas apresentações. Mas o filé do fim de semana pode ser sintetizado em cinco shows: Soft Cell, 2ManyDJs, Fausto Fawcett, Cat Power e Pavement.
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Ava Rocha incendiou o Inferninho Trabalho Sujo nessa sexta-feira ao subir sozinha no palco do Picles em quase duas horas de apresentação. Ela começou só com a voz, puxando pessoas para o palco para participar de seu ritual enquanto emulava percussão e pedia palmas do público e logo foi cercada por outras pessoas – amigos, conhecidos ou não – que transformaram a apresentação solitária numa celebração coletiva, que por vezes virava puro delírio (como quando o baixista Klaus Sena subiu na batera e puxou “Joana Dark”) por outras tornava-se introspecção pura (como quando ela pegou a guitarra e fez todos cantarem seus hits como “Você Não Vai Passar” e “Transeunte Coração”). Perto do fim, ela chamou seu tecladista Vini Furquim para passar algumas músicas de seu disco mais recente Néktar, fechando uma noite histórica. E depois eu e Fran encerramos o inferno astral desta última com a discotecagem mais bizarra que fizemos nos últimos tempos. Tudo estranho, mas deu tudo certo.
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O projeto mais ambicioso de Francis Ford Coppola existe e começa sua história pública nesta edição do festival de Cannes. Megalópolis é um daqueles clássicos malditos projetos cinematográficos que andava mais no campo das ideias do que mundo real, que por diferentes motivos nunca parecia realizar-se. Idealizado desde que o diretor norte-americano encerrou sua fase de ouro no final dos anos 70, quando terminou Apocalypse Now, seu épico sobre o fim do império norte-americano à luz da queda do império romano parecia ser um destes inúmeros filmes que entram para a história do cinema sem nunca terem realmente acontecido, como o Napoleão de Kubrick, O Idiota do Tarkovsky, o Leningrado de Sergio Leone, o Montanhas da Loucura do Del Toro, o Kaleidoscope de Hitchcock, o Em Busca do Tempo Perdido do Visconti, o Gershwin do Scorsese, o Batman: Ano 1 do Aronofsky, o Gênesis do Bresson, o Super-Homem do Tim Burton, o Duna do Jodorowsky, a Liga do Justiça do George Miller, Kill Bill 3 ou a biografia do Howard Hughes que o Nolan ia dirigir com o Jim Carrey. Só a simples materialização de um filme considerado literalmente lendário já é digno de palmas – e se seu realizador é ninguém menos que Coppola, as palmas deveriam se estender por horas. Aos 85 anos, o lendário diretor que redefiniu o cinema norte-americano ganha uma aposta que todos achavam que ele já havia perdido, mesmo que perca dinheiro com o filme – e o fato de ter colocado centenas de milhões de dólares do seu próprio bolso na execução da obra também é outro fato digno de nota. Leve em conta que ele fez isso numa idade que todos acham melhor parar de trabalhar, mostrando seu compromisso com a arte e com a própria obra. Mesmo que o filme seja uma bomba, ele já é motivo para comemorarmos: lendas podem acontecer mesmo quando prometidas há muito tempo. Aí você dá uma olhada nas cenas e no texto do trailer que ele lançou e…
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