
Hm?

Liv conversou com o criador dos Sopranos, David Chase, sobre seu novo filme (que ele considera apenas “OK”, Not Fade Away), sua primeira obra desde que encerrou a aclamada série da HBO, em 2007. Na entrevista, ela aproveitou para, inevitavelmente, cair do assunto principal da carreira do produtor e diretor, a vida e o trabalho do carismático Tony Soprano, e além de comentar a possibilidade de voltar àquele universo, mas em outra época (“Às vezes penso em fazer um preâmbulo dessa história. Algo sobre o pai do Tony Soprano e a juventude do Tio Júnior. Não descarto essa possibilidade”), Chase também foi categórico para voltar a afirmar sobre o que acontece no enigmático final de sua obra-prima:
“Eu sempre digo que, para mim, há um final fechado.”
Ele fala mais sobre isso na entrevista (neste link), contando alguns possíveis spoilers. Mas, convenhamos, a série da HBO terminou há mais de cinco anos e desde antes de seu estarrecedor último episódio, já era considerada um dos grandes feitos da televisão na história recente. É item obrigatório no cardápio de qualquer um que queira se considerar sintonizado com seu próprio tempo, aquele momento em que a produção cultural norte-americana começou a ser mais intensa na televisão do que no cinema. Por isso, não sei se dá pra falarmos em spoilers de Sopranos a essa altura do campeonato.

Dito isso, aproveito a deixa para falar sobre o final da série. Se você ainda não a assistiu, meta o rabo entre as pernas e vá fazer o seu dever de casa. Esqueça os pré-conceitos que você pode ter sobre uma “série sobre a máfia” e embarque em uma jornada emocional de um macho alfa em estado bruto, estremecido pela mudança de época que vivemos – tudo isso com direção, elenco, roteiro e trilha sonora afiadíssimos, e momentos de muita tensão emocional. É muito sintomático que, na abertura das três primeiras temporadas, o World Trade Center apareça visto do retrovisor para, depois do atentado em 2001 (que aconteceu quatro dias antes da estréia da quarta temporada da série), sumir do horizonte de Tony Soprano à medida em que ele sai de Nova York rumo à sua Nova Jersey, no início de cada episódio. Sopranos não é uma história sobre crime organizado e valentões do mal que fazem parte do funcionamento da sociedade moderna, mas sobre a crise desta sociedade, sobre como as tensões que vieram com o novo século estremeceram alguns conceitos básicos de cada um de nós, tanto individualmente quanto como civilização.
Não por acaso a série começa com a ida de Tony Sopranos à psicóloga, às escondidas, pois poderia pegar mal para sua reputação. Sim, é um preceito idêntico ao infame Máfia no Divã, mas tratado com doses excessivas de realismo, principalmente no que diz respeito às relações familiares. É uma questão mais ou menos parecida com a de Freaks and Geeks (contemporânea de Sopranos), mas o ponto de vista adulto é assumido no primeiro plano e não numa infantilização dos dramas da maturidade (Freaks and Geeks se passa em 1980 e fala da adolescência dos adultos que a produziram, na virada do século). A carga dramática ajuda a pesar para diferentes lados, seja nas relações que misturam família e trabalho ou na violência crua da rotina no crime, enquanto assistimos à ascensão de um jovem player rumo ao trono do crime organizado na costa leste dos EUA.
A partir de agora, vem os spoilers. Por isso, se você não assistiu à série, volte depois.
Todo mundo lembra da TV Macho da TV Pirata, mas…

…e essa dos Trapalhões, aí embaixo?

E a vinda do Daft Punk parece que vai ser mais rápida que imaginamos: no fim de semana eles soltaram esse comercial de 15 segundos no Saturday Night Live…
Bruno linkou uma versão esticada dos 15 segundos e, olha, promete…

Ouçam só:

E Prince aos poucos começa a mostrar seu novo trabalho e sua nova banda, 3rd Eye Girl, formada apenas por mulheres. Em uma apresentação no programa do Jimmy Fallon nessa sexta, ele tocou a nova “Screwdriver” e a clássica “Bambi” (de 1979!) (veja abaixo) e confirma que sua nova fase é bem puxada na guitarra elétrica. Segue mestre!

E é claro que os Simpsons não iam ficar fora dessa…

Falta pouco mais de um mês para começar a sexta temporada de Mad Men e o Ramon está contando os dias de tanta fissura. Aproveitando pra transformar a maluquice em produção, ele está fazendo uma contagem regressiva lembrando dos melhores momentos da série (como o final da primeira temporada ou uma festinha bem específica na temporada mais recente). Óbvio que contém spoilers, é só uma maneira de fazer os fãs relembrarem os bons tempos da série e também de fazer os atrasados começarem a assistir este clássico moderno.
Não sou dos maiores fãs da série e não acho que ela pertença a um escalão específico da TV no século 21, elite frequentada por nomes como The Wire, a Life on Mars inglesa e Sopranos. Como Breaking Bad, a saga de Don Draper ainda não figura neste rol pois é uma obra em aberto e um final apenas regular pode comprometer completamente o todo de uma série (que o digam Lost, Fringe, A Sete Palmos e Battlestar Galactica). Por enquanto, a série segue sendo um exercício estético cinco estrelas, uma ousada narrativa num ritmo muito mais lento que a média atual e um crítico comentário aos costumes de uma época que, de alguma forma, reflete muito nosso presente – mas não é tão profunda pois é ancorada em um protagonista sem a complexidade de um Tony Soprano ou de um Walter White, que esbanja carisma e personalidade, mas cuja angústia e o sofrimento interior são quase nulos. Pode ser que Mad Men culmine justamente com a descoberta da importância emocional do próprio Don Draper, que não parece se importar com as vidas de seus familiares e colegas de trabalho. A última cena da temporada mais recente parece acenar neste sentido, com o protagonista finalmente cedendo as rédeas do controle absoluto e descobrindo o prazer de se envolver emocionalmente num gesto quase trivial, mundano.
Por isso, como Ramon, espero com esperança pela estréia da sexta temporada.
Breaking Bad e The Wire… Repita comigo: Breaking Bad e The Wire.
