
Sherlock, a melhor série policial da atualidade, finalmente começou a produção de sua terceira temporada, como avisou a própria BBC em sua página do Facebook (estampando a foto acima com a carismática dupla Benedict Cumberbatch, Sherlock, e Martin Freeman, Watson). E as boas notícias não param por aí: Cumberbatch confirmou ontem ao site Radio Times que a série terá mais uma quarta temporada, ao contrário do que era previsto originalmente, encerrando a série nos três episódios de uma hora e meia desta temporada. Isso me lembra que eu não escrevi sobre o grande barato desse novo Sherlock Holmes…

Falei outro dia de como o David Chase pode voltar a visitar os Sopranos no tempo em que o pai do Tony era o bambambam de Nova Jérsei e esqueci de linkar essa paródia que o Saturday Night Live fez outro dia:
O Paulie tá incrível.

Ramon achou o pôster da próxima temporada enquanto segue sua contagem regressiva – e eu aproveito para linkar o vídeo dessa versão cantada para a música-tema do seriado (o instrumental “A Beautiful Mine“, do produtor RJD2), que eu não conhecia. Gravado em 2010, esse mashup do tema com a letra de “Nature Boy” convenceu o Judd Apatow a chamar Allison Williams, que canta esta versão abaixo a ser uma das protagonistas do seriado-hype Girls.


Minha coluna no Link de hoje é um comentário – sem spoilers – sobre a segunda temporada de Black Mirror, que cada vez torna-se mais importante.

O ‘Além da Imaginação’ do novo século digital
Black Mirror: série pode ser melhor produção de TV no ano
Há meio século, quando a televisão era novidade, o formato seriado foi um dos primeiros a propor uma linguagem típica da nova mídia, diferente de programas de auditório e de notícias que imitavam fórmulas consagradas no rádio. A nova mídia já havia se consolidado em lares norte-americanos e logo invadiria as salas de estar pelo mundo. A caixa luminosa e falante aos poucos descobriu as maravilhas da fita gravada, transmitindo pequenos filmes semanalmente para um público que ainda se acostumava ao novo aparelho e à sua linguagem.
O seriado imitava a fórmula narrativa das peças de teatro que já havia sido absorvida pelo cinema e, nos anos 1950, foi adaptada para a televisão. A principal diferença era o fato de que a TV, muito mais do que o cinema e o teatro, falava com milhões de pessoas ao mesmo tempo. Então era preciso diluir a produção para que as histórias fossem simples – e atingir cada vez mais gente.
Mas, há 50 anos, um contador de histórias começou a mexer neste formato. Depois da consolidação do seriado, ele passou a ser submetido a novas possibilidades – e um dos primeiros a puxar a mudança foi o escritor e roteirista Rod Serling. Cansado das restrições que sofria devido aos patrocinadores, resolveu partir para a ficção científica. E assim criou The Twilight Zone (A Zona do Crepúsculo, como bradava seu título original em inglês), conhecido no Brasil como Além da Imaginação.
O seriado aproveitava a novidade que era a TV para propor novos dilemas e situações pitorescas ao cogitar mudanças absurdas ou surreais em cada novo episódio. Histórias com meia hora de duração (chegaram a ter uma hora, mas só na quarta temporada) retratavam perfeitamente o clima da época.
O início dos anos 60 estava ensanduichado entre a década de 50 – que viu a ascensão da classe média norte-americana ao mesmo tempo em que se vivia a paranoia anticomunista, traduzida em histórias de horror e ficção científica – e o nascer do novo decênio, que, ainda sob a sombra da Guerra Fria, assistiu a mudanças nos direitos civis e no tratamento à mulher, além da popularização de substâncias de expansão da consciência e de celebridades em escala global.
Vivemos hoje uma época parecida com o início dos anos 60. A novidade não é mais a TV, mas a internet. Passamos já da fase de deslumbramento com o fato de estarmos em contato com o mundo inteiro instantaneamente. Mas… cadê o nosso Além da Imaginação?
Está na TV – mas ainda não passou na TV brasileira, nem tem previsão, como confirmei com a assessoria de imprensa do canal inglês BBC por aqui. Black Mirror, criado por Charlie Brooker, já comentado neste espaço, teve sua segunda temporada exibida mês passado. São só três curtos episódios, mas que pegam na veia – e no estômago – quando usam, como Além da Imaginação, nossa relação com novas tecnologias e mídias como metáfora para nos atentar para problemas que nos afligem em escala aparentemente menor.
Não vou contar as histórias nem as surpresas (e são muitas) dos episódios Be Right Back, White Bear e The Waldo Momento, mas insisto que merecem atenção, pois talvez sejam a melhor produção na TV em 2013 até agora.
O ano começou há dois meses, mas vai ser difícil alguém tirar este trunfo do seriado de Brooker. Ele aborda temas como política, violência, alienação, amor, marketing, justiça, inteligência artificial, relações familiares, vingança, morte, reality show, mercantilização da experiência humana, parques temáticos e televisão. Tudo filtrado por TVs de plasma enormes, telefones portáteis, redes sociais, transmissões ao vivo, vida digital e avatares. Talvez só não seja perfeito porque não foi criado para a própria nova mídia, como o Além da Imaginação era em seu tempo.
Mas, por outro lado, como assistir a um programa de TV inglês que só foi exibido oficialmente em seu país? Quem sabe, sabe.

Imagina…

O melhor comediante na ativa na televisão está preparando seu novo especial…
Tudo bem que o trailer pega a mesma lógica do trailer do Comediant, do Seinfeld – mas eu já falei como um dos grandes baratos da série que Louie toca na TV é a forma como ele usa Seinfeld como base para a sua, não? Não falei? Um dia eu falo.

Mas, para não perder a deixa, a Disney confirmou que, além da trilogia dos próximos Episódios VII, VIII e IX, irá produzir filmes com histórias de personagens da série na paralela – como os famigerados webisódios cogitados pelas séries na década passada, só que numa escala macro, afinal estamos falando não é apenas a maior franquia pop da história do cinema, como da marca que reinventou Hollywood para este século. Mas o CEO da Disney Bob Iger não falou sobre quais personagens e em que épocas esses filmes se passariam, o que levou um monte de fãs a pirar em possibilidades tão diversas quanto um filme meio 007 com Boba Fett como protagonista, um outro de máfia com o submundo controlado por Jabba, um de guerra do ponto de vista do Império, as aventuras de Han Solo e Chewbacca antes de conhecer Luke ou o treinamento Jedi do jovem Yoda. Mas não custa lembrar que o único filme não-canônico da série até hoje são as aventuras dos Ewoks na lua de Endor de Caravana da Coragem e a outra vez que os personagens foram utilizados com os mesmos atores além dos seis filmes oficiais foi no fatídico e até outro dia negado por George Lucas especial de natal de Guerra nas Estrelas para a emissora CBS, que contou com uma festa de natal da família de Chewbacca, entre outras coisas ainda mais rídiculas – veja abaixo. Mas veja até o fim – é impagável.


E a cobra morde o próprio rabo: o infame Batman Feira da Fruta deu origem a uma série de quadrinhos em que diferentes ilustradores brasileiros recriavam o surreal episódio da série dos anos 60 com os avacalhados diálogos brasileiros da dublagem da clássica versão. E agora vem o Danilo Martins e sincroniza as páginas da HQ com o áudio do vídeo original, dando outra dimensão para um marco do humor pátrio adolescente. Saca só aí embaixo: