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Goma-Laca, o filme, vem aí

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Nesta sexta-feira agora, Ronaldo e Eugênio lançam o filme Goma-Laca aqui no Trabalho Sujo. O filme registra o processo de arranjo e gravação do disco que o maestro Lettieres Leite gravou com Juçara Marçal, Russo Passapusso, Karina Buhr e Lucas Santtana em cima de músicas brasileiras que so foram registradas em discos de 78 rotações por minuto (falei do projeto em uma das minhas primeiras colunas na Caros Amigos). ” o filme é um olhar sobre o processo de criação e gravação do disco, Goma-Laca – Afrobrasilidades em 78 Rotações”, explica Eugênio. “A ideia de documentar foi do Ronaldo, que dizia que não poderíamos deixar de registrar o encontro do maestro Letieres Leite com os músicos Marcos Paiva, Hercules Gomes, Gabi Guedes, Sérgio Machado e cantores Lucas Santtana, Russo Passapusso, Juçara Marçal e Karina Buhr. E não deixamos. Quis registrar tudo que via, tudo que acontecia, mas sem atrapalhar o fluxo de criação da banda. Precisava em pouco tempo ganhar confiança dos músicos para que pudesse registra-los em momentos íntimos. Foram quatro dias testemunhando um encontro mágico e único.” Ronaldo também escreveu sobre o encontro no site do projeto.

O trailer está aí:

Filmei o show desse disco, que aconteceu no ano passado (Russo não pode vir e Duani o substituiu):

O fim dos Supercordas

Foto: Beatriz Ribeiro de Sena

Foto: Beatriz Ribeiro de Sena

A notícia já estava meio no ar e os mais próximos da banda já sabiam o que os cariocas dos Supercordas oficializaram neste sábado em sua página no Facebook: o fim de suas atividades. A data escolhida foi a de de aniversário de lançamento de seu primeiro álbum, o já clássico Seres Verdes ao Redor, e a despedida não macula a amizade dos quatro integrantes, que seguem trabalhando com música, mas deixaram um senhor legado tanto para o rock independente brasileiro quanto para nosso cânone psicodélico. Abaixo, a íntegra da nota de adeus:

Hoje, dia 26 de novembro de 2016, faz exatamente dez anos que lançamos nosso primeiro LP com um concerto memorável no Centro Cultural São Paulo.

Desde então, nos mantivemos rodando o Brasil, fazendo shows, gravações, filmagens, experimentos, conhecendo novas bandas, fazendo novas amizades e nos apaixonando.

Todas as pessoas que acompanharam a banda neste tempo puderam ver o quanto fomos felizes fazendo tudo isso, e o quanto fomos transparentes e comprometidos com a cultura alternativa.

Nunca fomos o tipo de grupo que “estoura” e atinge grandes públicos em pouco tempo, construímos nossa historia com perseverança e em desencontro aos caminhos mais fáceis do mercado musical.

É complexo se manter como uma “entidade underground” por tantos anos. E é cada vez mais difícil estarmos abertos e disponíveis à experiência da viagem roqueira e da nossa criação musical em grupo, ainda que estejamos vivendo um ponto alto da nossa trajetória em muitos aspectos.

Acreditamos, então, ser um bom momento para anunciar que estamos encerrando nossas atividades como Supercordas.

Continuaremos tocando nossos demais projetos, e outros que ainda estão por vir.

Nunca deixaremos de existir através da música e militar em defesa de toda esta doideira que é sonhar.

Ficam aqui intensos raios de psicodelia e amor para todas e todos que nos acompanharam nesses 13 anos, pelo carinho e pela recepção. E para todos que pela banda passaram ou com ela trabalharam e contribuíram com música e dedicação, particularmente: Regis Argüelles, Eduardo Ps, Katia Abreu, Kauê Ravaneda, Sandro Rodrigues, Rodrigo Lariú,Pamela Leme, Francine Ramos, Ynaiã Benthroldo, Luccas Villela, Marcelo Callado, Caca Amaral, Wil Son, Giuliano Gerbasi, Gui Jesus Toledo e Bernardo Pacheco.

Abaixo, dois shows da banda que filmei, o da primeira edição do Fora da Casinha…

…e o show que fizeram ao lado dos Boogarins no início deste ano.

Grande banda.

BaianaSystem no Coquetel Molotov: “Junto, junto!”

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BaianaSystem fez um dos melhores shows que vi este ano no festival Coquetel Molotov no Recife: Russo endiabrado, grave batendo pesado, participação da Larissa Luz e a plateia completamente entregue à banda. Filmei quase tudo, aumenta o som:

Ah Deerhoof!

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Eis os vídeos que fiz da eletrizante apresentação da banda norte-americana no Sesc Pompéia.

Foi demais!

Como foi o Coala Festival 2016

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Não consegui pegar os shows do início, cheguei no final da Céu e consegui ver Cícero e Marcelo Camelo, BaianaSystem (arrasador) e Karol Conká, seguem os vídeos a seguir. Festival redondinho, que só pecou pelo som e pela falta de sinalização nos arredores, mas de resto, tudo ótimo. São Paulo precisa de mais eventos assim:

A volta dos Pin Ups!

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No meio do show de despedida que o Pin Ups armou no final do ano passado, a banda paulistana percebeu que aquele não poderia ser sua última apresentação. “Último show… em São Paulo”, corrigiu a baixista Alê, já pensando nas outras cidades em que aquele show poderia se repetir. Com anos a mais de estrada, todos estavam tocando melhor do que no auge da banda, matar a saudade no palco traduziu-se como entrosamento quase cossanguíneo e eles estavam tocando emum equipamento (o do Sesc Pompeia) muito superior do que a grande maioria dos que tiveram que usar em sua carreira. Mas o principal motivo da indecisão sobre aquele ser o último show foi emocional: além da entrega da banda, o público – mais jovem do que eles esperavam – recebeu o ícone ancestral do indie brasileiro de braços abertos.

Aí o que seria o ponto final da banda evoluiu para alguns shows em cidades que o grupo já havia tocado, incorporando Adriano Cintra como quarto pin up no lugar da integrante original Eliane (que hoje mora na Inglaterra), mas logo eles estavam falando em compor músicas novas, em relançar os discos antigos digitalmente e em vinil e resolveram assumir que estavam de volta. Prevendo disco novo no início do ano que vem, o grupo está armando a volta em grande estilo ainda para esse semestre. Conversei com o guitarrista Zé Antônio sobre os próximos passos da banda renascida.

O fim e a volta

A entrada de Adriano

Indie Brasil: ontem e hoje

O relançamento da discografia

E a Eliane?

Shows?

Quatro vezes Kate Tempest

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Já acompanhava a carreira de Kate Tempest, mas do ponto de vista dos discos, tanto que elenquei seu Everybody Down como um dos meus discos favoritos de 2014. Mas seu trabalho vai muito além da música – ela é poeta, dramaturga e escritora, tem o completo domínio da palavra, seja escrita ou falada. Pude acompanhá-a de perto durante sua primeira vinda ao Brasil, primeiro durante a Flip, em que trabalhei pela terceira vez consecutiva cuidando das mídias sociais do evento. Lá pude vê-la em três momentos: o primeiro deles no sarau de abertura da festa literária, quando ela recitou seu épico “Brand New Ancients”, após ser apresentada pela mestra de cerimônias Roberta Estrela D’Alva:


Kate Tempest – “Brand New Ancients”

Depois foi quando ela participou da mesa O Palco é a Página, ao lado do poeta carioca Ramon Nunes Mello (que segurou bem a onda do lado dela, uma grata surpresa). Lá, Kate recitou, de cabeça, o início de seu romance, lançado no Brasil com o título de Os Tijolos nas Paredes das Casas, lançado pela editora Leya:


Kate Tempest – “The Bricks That Built the Houses (introduction)”

E depois emendou seu incrível poema “Hold Your Own”, que batiza uma coletânea de suas poesias mas nunca foi publicado:


Kate Tempest – “Hold Your Own”

A terceira vez foi durante a mesa de encerramento da Flip, Livro de Cabeceira, em que ela leu um trecho do romance Murphy, do irlandês Samuel Beckett. Peguei pela metade, como vocês podem ver:


Kate Tempest lê Murphy, de Samuel Beckett

Encontrei com ela duas outras vezes, uma em Paraty, à noite, entre uma festa e outra, mas preferi deixá-la à vontade. E depois no restaurante Bica do Curió, em Taubaté, quando não resisti ao papparazzismo para registrar o encontro improvável dela e do norueguês Karl Ove Knausgård no restaurante de beira de estrada mais Wes Anderson que conheço:

Knausgård e Tempest na Bica do Curió

Uma foto publicada por Alexandre Matias (@trabalhosujo) em

Tive que comentar sobre a inusitada foto quando a encontrei pessoalmente pela primeira vez, na quarta vez que pude vê-la ao vivo, quando fiz conversei com ela na livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista, durante o lançamento do seu livro em São Paulo. Na conversa, ela recitou outras duas vezes. Na primeira delas, ela recitou um poema sem nome, que fez em homenagem à importância do hip hop para sua descoberta como artista:


Kate Tempest – “Hip Hop”

E mais uma vez ela recitou o início de seu romance, que é tão envolvente e cativante quanto suas performances, vale muito à pena ler:


Kate Tempest – “The Bricks That Built the Houses (introduction)”

Dali ela ia pra Bahia, fugir das pessoas, depois de quatro meses incessantes de turnê. Já tinha composto seu próximo disco, que iria lançar logo depois das férias e lamentou não ter vindo ao Brasil fazer shows devido à pressa, mas amou o país e disse que quer voltar. Vale à pena acompanhá-la.

Fora da Casinha 2016

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Prontos para mais um Fora da Casinha? Meu amigo Mancha pegpu todo mundo de surpresa ao antecipar a segunda edição de seu festival e desvinculá-lo do aniversário da casa que leva seu nome. Desta vez o festival acontece na Unibes Cultural dia 7 de agosto e ele mais uma vez me deu a enorme satisfação de escolher o Trabalho Sujo para anunciar o festival, que inclui nomes como Kiko Dinucci, Anelis Assumpção, Luiza Lian, Jaloo, As Bahias e a Cozinha Mineira, Maglore, Juliana Perdigão, Ventre, Hurtmold e Cidadão Instigado, além do mestre Mauricio Pereira, único nome presente nas duas edições.

A mudança de lugar e a opção por três palcos (e mais artistas que na primeira edição) foi uma evolução natural do trabalho do primeiro ano. “Este ano o festival está maior, tanto em numero de bandas quanto na expectativa de público”, continua. “Isso é fruto do resultado super positivo que tivemos na edição passada. Nos sentimos melhor preparados para dar um passinho a mais num espaço maior. Também levaremos alguns drinks do cardápio da casa para o bar deste ano. Fora isso, estaremos com a mesma good vibe na edição deste ano.”

Mancha conceitua o novo Fora da Casinha. “Diferente do ano passado, a edição desse ano não tem a função de ser um resumo da história da casinha”, explica. “Desta vez a busca é muito mais de criar um recorte de diferentes caminhos que a música independente percorreu, mesclando estilos e referências que ilustram bem o cenário extremamente fértil que temos hoje. São três narrativas estéticas, uma pra cada palco: um intimista de cantores-compositores onde a história cantada é o foco; um teatro que preza pelas texturas e timbres de artistas refinados; e um palco externo onde a dança comanda a festa.”

Ele também explica porque desvinculou o festival do aniversário da casinha. “Lançar o festival no aniversário da casinha foi uma forma de apresentar essa nova empreitada ao público”, elel conta. “Foi um momento de juntar quem fez parte da história da nossa história e desaguar num evento maior, mais complexo, que mostrava bem a consequência do nosso trabalho ao longo de quase uma década. Feito isso, o festival não tem mais a obrigação de ser um reflexo da casa. Ele continua seguindo os mesmos princípios da casinha, não tem patrocínio público nem privado, é feito por quem ama música para quem ama música e sustentando pelo seu público. Mas sua função é muito mais de ser um recorte da música independente do que da Casa do Mancha. A casa já contou sua história, agora o festival terá a sua própria.”

Os ingressos custam entre 50 e 90 reais e já estão à venda online e em todas as festas na Casa do Mancha até o dia 17 de julho. Assista abaixo aos vídeos que eu fiz na primeira edição do festival.

Tudo Tanto #017: A volta do protesto

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Fiquei sem atualizar minhas colunas da Caros Amigos desde o início do ano, por isso vou começar a compartilhá-las aqui. A primeira do ano foi sobre a aproximação da nova música brasileira a um novo protesto, que começava a surgir nas ocupações das escolas que aconteceram no ano passado e que anteciparam os protestos deste tenso 2016.

A volta do protesto

Há um tempo que a música brasileira não protesta. Uma conjunção de fatores diferentes fez a voz dos descontentes perder eco na música no início deste século. A derrocada das gravadoras fez que boa parte dos artistas passassem a depender de empresas e do poder público para gravar discos e fazer shows e, com isso, temáticas como provocação, cobrança e vingança desapareceram do cancioneiro nacional no início do século. A ótima fase econômica que o país atravessou na década passada ativou o sempre alerta otimismo brasileiro, que também ajudou a desligar as ganas da contestação. O rock deixou de ser a voz do contra e mesmo bandas de hardcore começaram a falar de amor. E a crise que o hip hop nacional enfrentou após incidentes violentos no meio dos anos 00 o fez repensar todo aquele sangue nos olhos.

Tudo isso transformou a temática da música brasileira do início do século em algo menos agressivo, incisivo, contestador. O amor assumiu de vez o papel de principal tema, abrindo espaços para outras platitudes – e os artistas que antes falavam apenas de amor começaram a falar de sexo no lugar. E logo a música brasileira para as massas se referia mais à pegação, balada e vida noturna, tanto em gêneros que sempre apostaram nestes temas (como a axé music e o funk carioca) até em estilos mais tradicionais (como o sertanejo e o samba).

Mas do mesmo jeito que essa conjunção de fatores fez diminuir o clima de contestação na década passada, ela foi se desfazendo à medida em que entramos na década atual. As chamadas jornadas de junho de 2013, a crise econômica no País, a insatisfação com o governo Dilma, os protestos contra a Copa do Mundo e os nervos à flor da pele nas redes sociais tornaram o país mais belicoso e agressivo. O brasileiro voltou a tomar às ruas como não acontecia há muito tempo e as pautas destes protestos eram – e são – as mais díspares possíveis.

E aí que parte daquela geração que cresceu à sombra dos artistas que falavam de amor e outros assuntos menos sérios começou a botar suas manguinhas de fora. Artistas que já vinham falando de temas menos óbvios e mais interessantes, buscando horizontes musicais mais amplos e desafios pessoais através da arte. Foi justamente a safra que culminou no ótimo 2015 que eu comentei na coluna anterior. Uma rápida audição em cada um daqueles álbuns deixam claro um clima de descontentamento, de não aceitação, de exigência – cada um à sua maneira, cada um do seu ponto de vista.

Assim, o Fortaleza do grupo cearense Cidadão Instigado é um desabafo agoniado sobre a forma como sua cidade-natal foi consumida pela violência, pelo consumismo e pela especulação imobiliária, usando-a como metáfora para esse estilo de vida de jecas brasileiros se sentindo melhores que seus conterrâneos porque falam inglês errado. O mesmo sentimento atravessa o fantástico De Baile Solto do pernambucano Siba, um disco feito em protesto contra a lei de segurança pública que proibiu o maracatu de tocar até o sol raiar – quando a própria definição de maracatu pressupõe a noite virada e o sol raiando. Dois discos feitos às próprias custas, sem gravadora, incentivo fiscal, apoio cultural, nada – justamente para não ser acusado de ter o rabo preso com alguém.

Os discos de Emicida e Karina Buhr são bombas-relógio que partem de dois temas – racismo e feminismo, respectivamente – mas que vão aos poucos mostrando a presença de ambos em diferentes aspectos de nossas rotinas. Outros discos abordam a política em nossos gestos, hábitos e comportamento, longe de siglas, ideologias e líderes – TransmutAção de BNegão e seus Seletores de Frequência fala sobre a mudança interior, o autoestranhamento de Rodrigo Campos em Conversas com Toshiro, A Terceira Terra dos Supercordas é sobre como passar para o próximo estágio da vida em sociedade, Estilhaça do Letuce transforma problematiza a vida a dois como uma tensão em busca de um equilíbrio e o Violar do Instituto pressupõe um incômodo, algo que destoa e desarmoniza. Até o instrumental do Bixiga 70 também “fala” isso, seja nos títulos de suas músicas ou no andamento mais pesado de seu terceiro disco.

Até os trabalhos mais experimentais do ano passado carregam esse tom. Discos como Niños Heroes de Negro Léo, o improviso interminável de Abismu de Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thomas Harres, o encontro de tirar o fôlego entre a mesma Juçara e Cadu Tenório, a alma livre e torta do Voo do Dragão do trompetista Guizado e até o transe telúrico de Ava Rocha em seu disco de estreia Ava Patrya Yndia Yracema – estão todos alinhando-se com o coro dos contrários, cada um vindo de uma direção diferente. Bárbara Eugenia e Tulipa Ruiz vão pelo caminho oposto, fingindo-se de pop em seus respectivos Frou Frou e Dancê para falar sério sem que a gente perceba.

Essa produção artística toda culmina no instigante Mulher do Fim do Mundo, que Elza Soares gravou com alguns dos músicos acima citados e que parece sintetizar o clima de descontentamento atual que todos os discos acima sublinham. Mas mais do que celebrar o encontro de Elza com uma geração mais nova, 2015 talvez tenha sido importante por mostrar para essa geração mais nova que uma geração ainda mais nova pode ser seu novo público.

Foi o que se viu no início do mês de dezembro do ano passado, quando a atual geração da música brasileira resolveu entrar de cabeça na luta das ocupações das escolas públicas de São Paulo, realizadas por adolescentes alunos das mesmas. Revoltados contra a decisão unilateral do governador Geraldo Alckmin de fechar escolas, os alunos foram lá e tomaram conta das instituições, assumindo a gestão e a rotina de mais de 200 escolas em todo o estado. E os artistas mais velhos se reuniram para fazer shows para arrecadar mantimentos para essa nova geração rebelde.

Pude assistir a uma de várias destas apresentações ao ar livre e gratuitas que aconteceram na cidade. Artistas como Céu, Cidadão Instigado, Bárbara Eugênia, Vanguart, Criolo, Maria Gadu, Tiê e até veteranos como Paulo Miklos e Arnaldo Antunes se reuniram num domingo em uma praça no Sumaré para celebrar esse novo momento de resistência – e aos poucos criava-se uma conexão improvável entre adolescentes que não conheciam uma geração mais velha de artistas que se dispunha a fazer shows de graça para eles. Um elo que parece ingênuo e frágil à primeira instância, mas que pode fazer com que estas duas gerações cresçam juntas, se respeitando e construindo um país melhor do que esse que tentam nos empurrar entre anúncios comerciais.