As 75 melhores músicas de 2020: 51) Fleet Foxes + Tim Bernardes – “Going-to-the-Sun Road”

“Um caminho que está sempre lá e que é qualquer lado que a gente quiser caminhar”

Tudo Tanto #074: Tim Bernardes

Depois de dois discos reflexivos- tanto seu primeiro disco solo Recomeçar quanto o Atrás/Além de sua banda O Terno -, Tim Bernardes começou 2020 pensando em seu próximo disco solo, mas a quarentena o obrigou a voltar ao modo introspectivo que já vinha atravessando nos anos passados. Aproveitei para conversar com ele na edição desta semana do Tudo Tanto sobre o diálogo entre este 2020 e sua jornada interior recente, quando falamos sobre criação, composição e perspectiva de carreira, também a partir do ponto de vista de sua geração, num papo em que ele ainda falou de suas novas parcerias – de Gal Costa a Fleet Foxes – e de suas perspectivas de futuro.

Vida Fodona #686: Festa-Solo (19.10.2020)

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Esse foi o último Festa-Solo na segunda-feira – agora ele acontece sempre nas sextas, às 23h45, na twitch.tv/trabalhosujo.

Beabadoobee – “Care”
Smashing Pumpkins – “Cherub Rock”`
Pavement – “You Are a Light”
Astromato – “Não Sei Jogar”
Pixies – “U-Mass”
Jesus & Mary Chain – “Vegetable Man”
Pere Ubu – “Navvy”
Fall – “C.R.E.E.P.”
B-52’s – “Private Idaho”
Blitz – “Você Não Soube Me Amar”
Pretenders – “Brass in Pocket”
Rolling Stones – “Start me Up”
Led Zeppelin – “The Crunge”
Mutantes – “It’s Very Nice Pra Xuxu”
Yes – ” I’ve Seen All Good People”
Yo La Tengo – “Blue Line Swinger”
Thin Lizzy – “Whiskey in the Jar”
Wilco – “Theologians”
BNegão e os Seletores de Frequência – “V.V.”
De Leve – “Essa É Pros Amigos”
Cassiano – “Onda (Poolside & Fatnotronic Edit)”
Lincoln Olivetti & Robson Jorge – “Eva”
A Cor do Som – “Palco”
Letrux – “Coisa Banho de Mar”
Spoon – “Rhthm & Soul”
Lou Reed – “Vicious”
Eurythmics – “Sweet Dreams”
Human League – “Don’t You Want Me”
Cure – “Let’s Go to Bed”
Daryl Hall & John Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
David Bowie – “Cat People (Putting Out Fire)”
Radiohead – “Bodysnatchers”
Dua Lipa – “Pretty Please”
Jessie Ware – “Adore You”
Chromatics – “Twist The Knife”
Tame Impala – “Borderline (Blood Orange Remix)”
Lana Del Rey – “Venice Bitch”
Pelados – “Entalhado na Carteira”
Fleet Foxes + Tim Bernardes – “Going-to-the-Sun Road”
Taylor Swift + Bon Iver – “Exile”
Bonifrate – “100%”
Red Hot Chili Peppers – “Breaking the Girl”
Sebadoh – “2 Years 2 Days”
R.E.M. – “Low”
Nick Cave – “Cosmic Dancer”
Fiona Apple – “Ladies”
PJ Harvey – “Down By The Water (Demo)”
Carabobina – “Pra Variar”
Warpaint – “Whiteout”
Angel Olsen – “Lark Song”
Joni Mitchell – “Day After Day”
Beatles – “Long Long Long”
Beatles – “Cry Baby Cry”

Vida Fodona #677: Só tocar música desse ano

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Um ano que é quase uma década…

Arlo Parks – “My Future”
Thundercat – “Innerstellar Love”
Grandaddy – “The Crystal Lake (Piano Version)”
Thiago França – “Dentro da Pedra”
Josyara + Giovani Cidreira – “Estreite”
Fleet Foxes + Tim Bernardes – “Going-to-the-Sun Road”
Leveze + Fernando Dotta – “Voraz”
Cut Copy – “Like Breaking Glass”
Jessie Ware – “Ooh La La”
Dua Lipa – “Break My Heart”
Letrux + Lovefoxxx – “Fora da Foda”
Caribou – “You and I”
Bob Dylan – “False Prophet”
Pelados – “Entalhado na Carteira”
Boogarins – “Espera Fala de Novo”
Tame Impala – “Borderline (Blood Orange Remix)”
Angel Olsen – “Lark Song”

Fleet Foxes na mudança da estação

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Tudo bem que Robin Pecknold já tinha comentado há alguns anos que lançaria o quarto disco de sua banda em breve, mas em se tratando dos Fleet Foxes, ver um disco ficando pronto três anos após o lançamento do disco anterior, o belo, triste e introspectivo Crack-Up, de 2017, provoca um susto considerável – ainda mais se levarmos em conta que ele levou apenas um ano para ser gravado e foi lançado sem anúncios anteriores no mesmo mês em que encerraram os trabalhos. E Shore é de tirar o fôlego: um panteão de canções maravilhosas e solares, ao contrário do clima pastoril e campestre dos álbuns anteriores.

Gravado entre os EUA e a França desde setembro de 2018, o disco foi finalizado em Nova York, para onde Pecknold se refugiou logo que soube do avanço da pandemia, cogitando que a cidade poderia passar pelo pico de infecção mais rápido que o resto do país por ter sido o primeiro grande foco da pandemia nos EUA. E atravessar esse período na metrópole vazia mexeu com a cabeça do cantor e compositor a ponto de ele talhar versos, melodias e refrães que busquem a luz, expansivos e esperançosos. O arranjo e produção, delicados e detalhistas sem nunca cair em barroquismos ocos ou desnecessário. Ele publicou um longo texto sobre o disco, destaco um trecho:

“Eu não queria fazer outra longa pausa na música; realmente queria trabalhar e me sentir útil, mas precisava encontrar uma maneira nova e brilhante de fazer músicas se quisesse ir direto para algo grande e ambicioso de novo. Eu me peguei ouvindo mais Arthur Russell, Curtis Mayfield, Nina Simone, Michael Nau, Van Morrison, Sam Cooke, TheRoches, João Gilberto, Piero Piccioni, Tim Bernardes, Tim Maia, Jai Paul e Emahoy Tsegué-MaryamGuèbrou – música que ao mesmo tempo é complexa e elementar, “sofisticada” e humana, propulsionada ritmicamente, mas melodicamente suave.

Eu fazia playlists de centenas de músicas calorosas para mergulhar e fazia disso um rito o máximo que pudesse todos os dias, mantendo apenas as melhores peças que surgissem de onde quer que venham as melodias e as idéias musicais. Depois de todos esses anos, ainda não sei direito, e é isso que o mantém tão interessante.

Queria fazer um álbum que celebrasse a vida diante da morte, homenageando nossos heróis musicais perdidos explicitamente nas letras e levando-os comigo musicalmente, comprometendo-se a viver plena e de forma vibrante de uma forma que não podem mais, de uma forma que talvez não pudessem mesmo quando estavam conosco, apesar da alegria que trouxeram a tantos.

Queria fazer um álbum que fosse um alívio, como os dedos dos pés finalmente tocando a areia depois de serem pegos por uma correnteza. Queria que o álbum existisse em um espaço liminar fora do tempo, habitando tanto o futuro quanto o passado, acessando algo espiritual ou pessoal que é intocável por qualquer que seja o estado do mundo em um determinado momento, qualquer que seja nossa estação. Eu vejo Shore como um lugar seguro à beira de algo incerto, olhando para as ondas de Whitman recitando “morte”, tentado pela aventura do desconhecido ao mesmo tempo em que você está saboreando o conforto do solo estável abaixo de você. Essa foi a mentalidade que encontrei, o combustível que encontrei, para fazer este álbum.”

Lançado na virada da estação, Shore é um raio de luz em um ano trevoso, o alívio musical que nem sabíamos que poderíamos ter, misturando passarinhos com sons de chuva, rio e avião passando à distância. E quando o Tim Bernardes canta em português em “Going-to-the-Sun Road”, tornando-se o único outro vocalista da história da banda, isso ganha uma outra profundidade, ainda mais pelo que ele canta (ganhando um elogiaço de Robin: “Obrigado por cantar em português de forma tão bonita na canção ‘Going-to-the-Sun Road’. Sou seu grande admirador e espero que possamos vir a colaborar mais no futuro. É uma honra!”). Faz mais sentido ouvir a participação no contexto inteiro do disco, mas pra quem quiser ir direto ao ponto…

Que disco!

Tim Bethânia?!

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Maria Bethânia está gravando disco novo no Rio de Janeiro com repertório composto por compositores mais jovens – e entre músicas de Adriana Calcanhotto, Vanessa da Mata e Chico César, ela também escolheu um bolero inédito escrito por Tim Bernardes. Nada mal, hein seu Tim?

Fechando o Volume Único

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O grupo instrumental Música de Selvagem encerra o ciclo de seu disco Volume Único, seu disco de 2018 que contou com a participação de Tim Bernardes, Luiza Lian, Sessa e Pedro Pastoriz como vocalistas convidados ao lançar, em primeira mão no Trabalho Sujo o registro que fizeram da única vez que os quatro tocaram ao mesmo tempo, na sala Adoniran Barbosa do CCSP, quando eu era curador de música de lá.

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São quatro vídeos em que cantam músicas compostas pelos vocalistas convidados: Sessa canta sua “Música”, Luiza vai de “Dois Blocos” (que mistura suas “Cadeira” e “Tem Luz (Úmido V)”), Pedro Pastoriz canta “Assovio” e o vocalista do grupo O Terno canta “Morto”. Os quatro são acompanhados pelos músicos do grupo, o baixista Arthur Decloedt, os saxofonistas Filipe Nader e Oscar “Cuca” Ferreira, o baterista Guilherme Marques e o trumpetista Amilcar Rodrigues.

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“Esse show foi o único show que fizemos com os quatro compositores convidados durante esses dois anos de vida do disco”, me explica o baixista Arthur. “É realmente muito difícil juntar todo mundo, principalmente por conta das agendas, por isso a gente fez alguns shows com somente alguns convidados. O fato de ter todos os quatro fez desse show muito especial, ainda por cima porque ele rolou em um verdadeiro templo da música de São Paulo, que é a sala Adoniran Barbosa do CCSP.”

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Ele antecipa que o grupo está começando a preparar o sucessor deste álbum, batizado de O Pensamento Selvagem, que ainda está sendo discutido por seus integrantes em videoconferências durante essa interminável quarentena. “Ainda estamos definindo as bases, mas já posso adiantar que teremos a participação da artista sonora Luísa Puterman e da cantora Inés Terra. Estamos buscando incessantemente fazer algo que ainda não fizemos como grupo”, conclui Arthur.

Vida Fodona #648: Festa-Solo (8.6.2020)

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Segunda, às 21h, no twitch.tv/trabalhosujo – hoje tem mais!

Fall – “Cruiser’s Creek”
Velvet Underground – “Foggy Notion”
Serguei – “Ouriço”
Calvin Johnson – “When You Are Mine”
R.E.M. – “Orange Crush”
Jesus & Mary Chain – “Upside Down”
Sonic Youth – “Incinerate”
Jair Naves – “Veemente”
Kiko Dinucci – “Foi Batendo o Pé Na Terra”
Douglas Germano – “Valhacouto”
Jards Macalé + Tim Bernardes – “Buraco da Consolação”
Luiza Lian – “Santa Bárbara”
Luedji Luna + Zudzilla – “Banho de Folhas (Nyack Remix)”
Yo La Tengo – “Be Thankful For What You Got”
Fujiya & Miyagi – “Collarbone”
Hail Social – “Heaven (Designer Drugs Remix)”
Kaiser Chiefs – “Never Miss A Beat (Cut Copy Remix)”
Yelle – “Je Veux Te Voir (TEPR Remix)”
Chemical Brothers – “Hey Boy, Hey Girl (Soulwax Remix)”
Cansei de Ser Sexy – “Move (Cut Copy Remix)”
Brockhampton – “Sugar”
Frank Ocean – “Super Rich Kids”
Don L – “Eu Não Te Amo”
Nill – “Toys”
Doja Cat – “Say So”
David Bowie – “Young Americans”
Prince – “When Doves Cry”
Outkast – “Roses”
Of Montreal – “Rapture Rapes The Muses”
Tatá Aeroplano – “Step Psicodélico”
Letrux – “Coisa Banho de Mar”
Ava Rocha – “Transeunte Coração”
Paralamas do Sucesso – “Nebulosa do Amor”

Tim Bernardes ♥ Mallu Magalhães

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Duas pontas do indie brasileiro deste século, a princesa do MySpace Mallu Magalhães e o príncipe da sofrência Tim Bernardes, se reúnem numa versão para uma música da carreira solo do vocalista d’O Terno, gravado no quintal do selo Risco.

Um pacto de sangue com Jards Macalé

JardsMacale

O bardo torto do samba carioca Jards Macalé segue atiçando a expectativa para seu novo disco, produzido por Kiko Dinucci, Thomas Harres e Rômulo Froes. Ainda sem título e com previsão de lançamento para fevereiro, seu disco foi introduzido pela pesada “Trevas” e que agora vem com uma face mais ensolarada e melódica com a faixa que compôs com Tim Bernardes, o samba-canção “Buraco da Consolação”, inspirado pela afinidade que os dois descobriram que tinham pelo disco Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues, gravado com a Orquestra Tabajara. Os arranjos de cordas são feitos por Thiago França.

Além da faixa nova, o resto do disco é descortinado num faixa a faixa feito exclusivamente para o Trabalho Sujo. Ele fala sobre as músicas que fez ao lado de Kiko (“Vampiro de Copacabana”), Tim (“Buraco da Consolação”), Rômulo, Kiko e Thomas (“Meu Amor, Meu Cansaço”), Kiko e Rodrigo Campos (“Peixe”, que conta com Juçara Marçal), Kiko, Thomas e Clima (“Longo Caminho do Sol”, dueto com Rômulo Froes), além das adaptações de poemas de Gregório de Mattos (“Aos Vícios” virou “Besta Fera”), Ezra Pound (“Canto I” que virou “Trevas”), Helio Oiticica (“Obstáculos”) e Capinam (“Pacto de Sangue”), esta última minha faixa favorita do novo álbum. Fala Jards!