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E eu falei sobre essa tal “camada social” que estamos assumindo na minha coluna do Link dessa semana, que foi um especial sobre redes sociais.

Dicas para lidar com a onipresença das redes sociais
A distância entre online e offline está diminuindo

Na manhã da quinta-feira da semana passada o Gtalk morreu. Ficou sem funcionar por algumas horas, sem nem sequer exibir a velha mensagem em inglês “…And we’re back!” tão característica dos curtos momentos de ausência do programa de troca de mensagens do Google. Mas na semana passada o programa não voltou a funcionar tão rápido. Entrou a tarde da quinta-feira e nada do bicho voltar ao ar. Era um mau sinal.

Caiu a noite e, com ela, caiu o Gmail. O serviço de buscas do site ia e voltava, sem manter nenhuma estabilidade. O YouTube carregava pela metade – os vídeos relacionados não apareciam, apenas o vídeo principal, que só carregava nos primeiros minutos e depois travava. O Google Images não funcionava. Por instantes, cogitei que a pauta que mais temo depois da morte de Steve Jobs pudesse se concretizar – e o Google tivesse parado de funcionar de vez.

Não foi o caso. O bug no Google Talk obrigou a empresa a mexer em seus serviços deixando-os instáveis por toda a quinta-feira – e isso apenas para parte de seus usuários. Outros nem sentiram a alteração. Na madrugada de quinta para sexta, a situação havia se normalizado e os serviços voltaram ao normal.

Mas entre quinta e sexta eu precisava falar com a artista plástica Pacolli, que mora em São Francisco, nos Estados Unidos, e fez as ilustrações desta edição. Meu contato com ela era via Gmail e não sabia do alcance da pane no webmail do Google. Bateu aquele micropânico típico de quando a internet sai do ar. Mas logo lembrei do Facebook e do Dropbox – e antes dos serviços do Google voltarem a funcionar.

(Antes que algum saudosista comece a lamentar sobre a fragilidade da internet e de como era bom no tempo em que só existiam mídias físicas, antecipo-me para comemorar a felicidade que é trabalhar em jornalismo à medida que a internet vai se popularizando. Já passei por redações offline ou da era da conexão discada e isso é uma realidade que, por mais que os nostálgicos suspirem sobre como era romântico naquela tempo, nem sequer cogito em retornar.)

Começo a editar a matéria que a repórter Tatiana de Mello Dias escreveu para esta edição especial sobre redes sociais. Logo no início de seu texto, ela fala sobre nossa compulsão por nos fazermos presentes online, que caminha junto à nossa insegurança em relação ao que podem saber sobre nós mesmos apenas a partir do que publicamos online.

É um dilema moderno, e Google e Facebook insistem em dizer que a privacidade acabou. Mas não é bem assim.

Por um lado, estamos sim despejando informações sobre nós mesmos sem perceber. Por outro, estas mesmas informações facilitam bastante a utilização de serviços e ferramentas digitais em nosso dia a dia.

Qual é a melhor saída, então? Ficar completamente offline? Escolher a rede social que melhor se encaixa em seu perfil e especificar bem o que publica lá? Entender que o mundo agora é assim mesmo e não se preocupar com nada que você coloca na internet?

Todas essas saídas são soluções radicais e não parecem ser o melhor a ser feito. As redes sociais, como Tati explica em sua matéria ao entrevistar diversos especialistas, já fazem parte de nosso tecido social. Sair delas é mais ou menos o equivalente a não andar a pé na rua ou não sair de casa à noite. As pessoas – físicas ou jurídicas – estão lá, aos montes. E continuarão entrando.

Creio que o segredo está no entendimento de como cada rede funciona de acordo com seus hábitos. Não há motivos para ter uma conta no Last.fm se você não escuta música no celular ou no computador. Como também não faz sentido ter uma conta no Instagram se você não gosta de tirar fotos.

A internet em si é uma rede social e este “momento redes sociais” que vivemos há dez anos há de ser diluído entre milhares de serviços e sites. Se usasse apenas a rede do Google, talvez não conseguisse falar com Pacolli nem receber suas ilustrações a tempo do fechamento desta edição. As principais dicas sobre o uso de redes sociais valem para quase tudo na vida: use com moderação e prefira a variedade.

E a minha coluna desta edição do Link foi sobre o assunto da capa, que falou sobre a chegada da internet aos carros.

Conectar-se à internet é só o início do automóvel do século 21
Conectividade mudará a forma de dirigir

Eu sou o passageiro. Me penalizo mentalmente recitando a infame versão do Capital Inicial para “The Passenger”, de Iggy Pop, sempre que entro num carro. Não dirijo há mais de cinco anos e sempre que entro num carro vou para o banco do carona ou para o banco de trás, por ser vítima de um acidente que me impede de retomar a direção. Isso será resolvido em breve, mas divago.

Não usava celular quando parei de dirigir, mas naquela época telefone celular não era sinônimo de computador de bolso e sim de telefonia móvel. Por isso, nunca usei o celular enquanto dirigia, o que me dá uma certa aflição quando vejo alguém com uma mão no volante e outra no telefone. Ou apertando o celular entre o ombro e a cabeça para usar as duas mãos ao dirigir. Meu inconsciente cogita as piores hipóteses, principalmente quando estou no carro em que o motorista fala ao celular. (Não estou culpando os que fazem isso – talvez se dirigisse hoje em dia provavelmente fizesse o mesmo.)

Mas desde que deixei de ser motorista para ser passageiro que o celular vem mudando e hoje é um companheiro inseparável ao táxi. Se antes eu folheava livros e revistas, hoje me dedico a responder e-mails, checar redes sociais e jogar Angry Birds, meu maior vício virtual portátil. E se me dá agonia pensar num motorista dirigindo e conversando ao telefone, é inevitável ficar preocupado sempre que vejo alguém dirigindo e olhando para o celular ao mesmo tempo. Já peguei carona com quem mandava SMS ao mesmo tempo em que passava marcha e girava o volante – não duvido que tenha gente que faça o mesmo enquanto compartilha links no Facebook ou tira fotos para publicar no Instagram.

Mas, ao mesmo tempo em que o celular virava um computador de bolso, outros acessórios eletrônicos começaram a aparecer no carro. Primeiro veio o GPS, depois o aparelho de DVD portátil e em pouco tempo esses equipamentos permitiam até mesmo assistir à televisão. Na paralela, você poderia conectar o telefone ao som do carro e usar o telefone para chamadas de voz sem ter que segurar o aparelho com as mãos.
O que estamos às vésperas de presenciar é uma convergência entre estas tecnologias e o próprio carro. Mais do que isso: se o telefone em cinco anos virou um computador de bolso, em menos tempo que isso o carro se transformará em um computador que lhe conduz.

Isso nos leva a um futuro incrível de aplicativos que dão dicas de como estacionar direito, computadores de bordo que avisam em qual posto você deve parar para abastecer antes de ficar sem gasolina, bancos que se regulam automaticamente de acordo com quem assume o volante, automóveis que avisam à portaria que estão chegando e abrem o portão da garagem. Este futuro culmina-se com carros que dirigem sem precisar de motoristas, algo que já vem sendo testado por diferentes empresas, inclusive pelo Google.

Mas este é um futuro ideal, que não conta com pane na rede, sinal fraco de 3G, incompatibilidade de sistemas operacionais e de formatos, sites fora do ar.

Acha pouco? E que tal saber que, tal como ocorre com as redes sociais hoje, seu carro poderá ser localizado onde estiver, mesmo que você não queira permitir? Ou que você possa trabalhar – sob a supervisão do seu chefe – desde que entra no carro?

Mas há também possibilidades que só foram supostas. Alguém já deve ter pensado numa rede social que funciona no trânsito, um Foursquare de carros, que indica onde seus amigos estão naquele momento – ou que permita que você possa seguir determinados perfis que avisam qual é o melhor rumo a ser percorrido na hora em que o trânsito para. Será que os helicópteros que sobrevoam São Paulo para registrar como andam as principais vias da cidade se tornarão obsoletos?

O fato é que o carro do século 21 começa a engrenar. Ele pode até voar daqui a algumas décadas, como no futuro dos Jetsons. Mas antes disso, prepare-se para a grande reinvenção do carro a partir da internet. Se ela já mudou tanta coisa, não ia deixar de mudar até como nos locomovemos.

Uma frase no livro novo do Arnaldo fez a Pitty escrever um post no Facebook sobre arte e trabalho, que o Bruno republicou na fanpage do URBe (já curtiu?) – daí eu perguntei pra ela se podia publicar aqui, ela ficou encabulada, porque escreveu o texto sem maior pretensão, mas no fim liberou. A discussão é bem pertinente – e a foto que ilustra o post foi tirada pela Pitty, no SXSW desse ano:

“As pessoas gostam de falar mal das bandas que cedem às pressões do mercado, mas fazem a mesma coisa todo dia de 9 às 6.”

Arnaldo Branco, em seu novo livro, sintetizando um pensamento que volta e meia me ocorre.

Mas aí me ocorreu um outro: por quê sentimos isso em relação a arte e não a um emprego, entre aspas, comum? Talvez porque intuimos (ou nos condicionamos, ou aprendemos) que a arte é sagrada, e partindo desse suposto caráter “divino” não pode ser maculada ou influenciada por quaisquer questões demasiado terrenas tais como ter que pagar o aluguel no final do mês. E talvez não sintamos isso em relação a empregos “comuns” por uma culpinha cristã: se você exerce uma atividade que não gosta e é extenuante, sua compensação, se não emocional e intelectual, deve ser financeira. Se escolheu fazer o que gosta- privilégio de desaforados pois “estamos aqui para sofrer”, nada mais justo que seja punido por esta insolência com a miséria.

Romantizamos os artistas falidos, os que sofreram, passaram perrengues em nome da arte porque aos nossos olhos tornam-se mártires: penaram e pagaram com sua própria existência para que outros artistas, num futuro mais brilhante pudessem exercer o ofício dignamente. É um quase se “jesusificar”; eu me sacrifico para que um dia possa ser melhor. É como uma promessa de pureza, pueril e idealista; idealizada e nobre, porquanto bela.

Gosta-se de heróis, precisa-se deles… mas confesso maior simpatia pelo anti-herói, aquele que não é necessariamente o antônimo, mas que apenas se permite ser humano e fazer suas cagadinhas pelo meio do caminho. Que se desvela do tal suposto caráter divino, que abdica de ser santo e mártir e assume que pagar as contas é algo bem legal. E mais ainda, que é mágico: constrói com maestria a ilusão de que está jogando o jogo e dá a volta em todos os mecanismos, e os usa a seu favor.

No final, o mais legal e o mais difícil é aquele que consegue abarcar o melhor dos dois mundos; o divino e o terreno. Que consegue manter sua arte imaculada no sentido de liberdade criativa, mas que não se sente culpado de ser remunerado por ela. E que entende que certas concessões se justificam lá na frente, que tudo tem peso e medida, e que recuar no campo de batalha é só estratégia para se posicionar melhor e mais forte.

Voltando a Arnaldo: talvez por conveniência, talvez por covardia, ou quem sabe por justiça; a sentença me vestiu como o mais bem cortado terno.

Valeu, Pitty.

Na edição de segunda do Link, falei da relação entre os óculos do Google e a nova série de Bryan Singer, H+

O dia em que iremos usar chips implantados no cérebro
Do Google Glasses à nova série de Bryan Singer

Há três semanas, o Google mostrou que tem anos de vida pela frente ao desvendar, entre suas novidades, sua linha de hardware. O tablet Nexus 7 já era especulado. E a central de mídia Nexus Q, por mais diferente que fosse seu design esférico, é um hub digital como muitos que já existem no mercado.

O Google Glass apareceu na cara de Sergey Brin e o cofundador do Google explicou que abriria a geringonça para os desenvolvedores que quisessem criar ferramentas para aprimorar seu uso. De fora, os óculos parecem diferentões – fazem as vezes de câmera, computador e monitor. Dá para filmar sem usar as mãos, além de obter informações, na própria “lente”, sobre o que se vê através dos óculos. No futuro, usando o Google Glass, você olharia para uma rua qualquer e, pela parte de dentro das “lentes”, seria possível identificar os estabelecimentos sem sequer ler as suas fachadas.

Imagine este futuro próximo cheio de pessoas usando óculos que permitem que elas se comuniquem sem falar ou usar as mãos; que façam buscas online só com o olhar; que filmem e tirem fotos sem que se mexam. Quem reclama da onipresença e do vício de duas ou mais gerações de telefones celulares tem motivos de sobra para se preocupar com esse futuro. Que, inevitavelmente, nos leva à assustadora profecia em que chips serão instalados nas pessoas.

Profecia literalmente apocalíptica: “E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas / Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”, é o que diz o Apocalipse de São João, no capítulo 13, versículos 16 e 17.

O detalhe que não foi lembrado na apresentação do Google Glass é que tanto Brin quanto o outro fundador da empresa, Larry Page, já haviam cogitado uma versão ainda mais sinistra destes óculos ao jornalista Steven Levy, que escreveu um dos livros-chave sobre a ascensão do Google, In the Plex, que ainda não foi lançado no Brasil.

“Isto será colocado dentro do cérebro das pessoas”, disse Page. “Quando você pensar em algo e não souber muito sobre aquilo, você receberá mais informações automaticamente.” “É verdade”, continuou Brin, “no final, vejo o Google como uma forma de acrescentar o conhecimento do mundo ao seu cérebro. Hoje você liga o computador e digita uma frase, mas dá para imaginar como isso será mais fácil de fazer no futuro quando tivermos dispositivos acionados pela voz ou computadores que prestam atenção no que acontece ao redor deles.” Page completa. “No fim, teremos um implante em que basta você pensar em algo para que ele lhe traga a resposta.”

Assustador é pouco. (Mas pode ser que haja um certo medo reacionário em relação ao novo, ativado por nosso cérebro reptiliano, que só pensa em atacar ou fugir.) Ao mesmo tempo, parece encantadora a ideia de não precisar de um smartphone para consultar os horários do cinema mais próximo ou ligar o computador para checar a grafia de um sobrenome estrangeiro. O problema não está na nossa aparentemente inevitável evolução ciborgue, mas no fato de que esta tecnologia, maravilhosa na teoria, pode dar errado na prática.

É a premissa do seriado H+, do diretor Bryan Singer (o mesmo de Os Suspeitos e dos primeiros X-Men). Um futuro próximo em que as pessoas implantam um chip na nuca que as permitem viajar por mundos virtuais sem que isso seja percebido como uma não-realidade. Na série, que estreia em agosto e apenas na web, um vírus infecta a rede e as pessoas que possuem o chip implantado simplesmente morrem.

Mas há outra opção: a de nos atermos tanto aos mundos virtuais que nem sequer fazemos mais distinção entre o que é realidade e o que não é.

Parece radical? Sim. Mas não é preciso esperar os chips chegarem. Afinal, muitos já usam a internet como uma forma de se descolar da realidade. O problema, como sempre, não é a tecnologia, mas o que fazemos com ela.

E na minha coluna no Link dessa semana foi sobre como o Google deve sobreviver ao Facebook.

Está cansado do Facebook? Espere só a eleição começar…
Google pode sobreviver à ascensão do ‘Feice’

Todos querem saber qual será o “próximo Facebook”. Ou pelo menos a rede social vai substituí-lo. Isso em menos de uma década após o Orkut ter aparecido no Brasil dando início a uma sucessão de novos serviços de relacionamento online que foram ganhando adeptos – e ultrapassando os anteriores – pouco depois de os primeiros usuários perguntarem-se “para que serve isso, afinal?”.

Orkut, MySpace, Twitter, Facebook, Tumblr. LinkedIn, Pinterest, Instagram. A lista continua para todos os lados, levando em conta a quantidade de redes sociais de nicho que não param de surgir. Mas a apreensão em relação ao substituto do Facebook não vem apenas a partir da substituição sazonal que já nos acostumamos em relação a este tipo de site. Pelo contrário – a expectativa de uma nova rede social está mais ligada a uma espécie de fadiga que cada vez mais as pessoas estão sentindo em relação à maior rede social do mundo.

Veja o que aconteceu na semana passada, por exemplo. Desde a segunda, à espera da final da Taça Libertadores, que aconteceria na quarta, a rede social foi tomada por uma polarização drástica – corintianos versus anticorintianos versus pessoas que “não supoooooortam ouvir falar em futebol”. Pior que isso é que estes grupos resolveram entupir suas próprias timelines com uma avalanche de imagens, mensagens e links relacionados à disputa. Eu, corintiano, não reclamei. Mas houve quem cogitasse seriamente sair do Facebook.

Isso fora as práticas nada agradáveis que a rede social sempre tenta esconder, como a mudança do e-mail pessoal exposto no perfil de cada um. O Facebook simplesmente sumiu com o e-mail que cada um de seus usuários dispôs para entrar na rede, trocando-o pelo próprio e-mail @facebook.com. É só mais uma na enorme lista de ações desagradáveis praticadas pela rede social.

Mas haverá mesmo uma rede social que suplantará o Facebook? Há quem ainda aposte na tal “camada social” que o Google criou para interligar todos seus produtos, o Google Plus. Mas como há uma oferta cada vez maior de redes sociais de nicho no mercado, não duvide que a presença do Facebook possa ser substituída por vários destes diferentes serviços, cada um deles voltado para uma atividade ou grupo de amigos.

O que nos leva à discussão sobre o tempo de validade do Facebook. Mesmo que continue crescendo, a rede social cada vez mais age como um player de publicidade, interligando seus milhões de cadastrados a empresas que queiram ter acesso a esta base de dados de usuários. Tudo bem que o Google também age como uma empresa de publicidade e que é daí que vem sua maior fonte de renda, mas ele não oferece apenas um ambiente digital de relacionamentos, mas uma série de recursos – mapas, e-mail, o YouTube, o sistema operacional Android, o navegador Chrome, entre muitos outros – que convergem rumo às palavras-chave que caracterizam seu modelo de negócios.

Já o Facebook apenas aprimora um formato já existente. A maior novidade oferecida pela rede ainda é especulação – depois do botão “Curtir”, eles estariam prontos para lançar o botão “Querer”. Mas este botão só facilita a vida dos possíveis parceiros do Facebook, e não oferecem novas formas de interação que vão além das já existentes.

O Google, por sua vez, segue expandindo seus tentáculos. Mostrou no mês passado um novo sistema operacional, um tablet e até seus óculos futuristas, que tiram fotos e filmam, além de enviarem dados por suas lentes. Tudo termina em publicidade, mas são atividades e produtos realmente novos.

A fadiga em relação ao Facebook, por outro lado, está só no começo. E para quem lamenta o cansaço a partir de um jogo de futebol, não esqueça que as eleições vêm aí. E que ela pode dar início a uma evasão em massa da rede social.

Por mais que permaneça atuante por muito tempo (o MySpace ainda existe, não custa lembrar), cogito que o Facebook deve aos poucos deixar de ser tão central em questão de um ano ou menos. Já o Google, por ampliar seu horizonte cada vez mais, deve seguir importante por mais tempo que isso.

A redescoberta da ingenuidade

Começou ainda no Alberta. Tentei postar uma foto tirada da cabine da pista da Noite Trabalho Sujo (a foto da Bárbara tirando fotos da cabine acima), como faço toda madrugada de sexta pra sábado e o Instagram não respondia. Pensei que fosse o sinal de Wi-Fi da casa, mas saí pra pegar ar e sinal de telefone – e o 3G também não dava sinal de vida no aplicativo. Desisti, voltei pra festa e quando acordei horas depois, retomei o ritual depois de fotografar o céu (“#CliMatias”, diz o Bruno). E nada. Pensei que o problema fosse só comigo, mas bastou abrir qualquer rede social para perceber que um certo volume considerável de pessoas resmungando sobre o fato. O Twitter do Instagram avisava que uma “tempestade elétrica” tinha tirado os servidores do ar. A mesma tempestade atingiu Netflix e Pinterest, que voltaram a funcionar aos poucos. Mas nada do Instagram. Como tinha um programa pré-almoço na agenda saturnina e não queria perder meu registro diário. Fui para o Twitter e twittei um instagram por escrito:

Em questão de segundos, minha fiel colaboradora do Sujo Gi Ruaro, lá de Londres (que recém casou, podem dar os parabéns), pegou carona na minha idéia e a expandiu em uma hashtag:

Como o meu tweet anterior já havia sido replicado algumas vezes, resolvi aproveitar carona na hashtag da Gi e tuitei meu instagram por escrito de fato:

Quando cheguei no Parque do Ibirapuera, onde iria me encontrar com um casal de amigos em um piquenique, o instinto me levou a procurar algum sinal de vida na rede social do aplicativo de fotos com filtro, ainda sem sucesso. Mas bastou passar pelo Twitter para ver que…

A hashtag havia colado. Tanto de maneira sincera – gente tuitando o que deveria estar postando no Instagram – quanto, principalmente, irônica – gente ridicularizando fotos e atitudes na rede social:

Até O Globo

…e a Fernanda Paes Leme entraram na onda:

A avalanche de tweets colocou a hashtag no topo dos trending topics no Brasil (meta pra muito xoxomidia tupiniquim) e explicitou três aspectos que já venho percebendo há algum tempo – dois óbvios, um nem tanto. Os dois primeiros beiram o ridículo da evidência: o Instagram popularizou-se de vez no Brasil a ponto de sua linguagem ter sido completamente assimilada pelo menos por quem está online (o que não é pouca gente) e que os trending topics do Twitter já não são o que foram um dia; medem o pulso de uma rede social específica, não mais o de toda comunidade online.

A terceira constatação é bem interessante e diz respeito à utilização da ironia. Diferente de uma forma de humor (como pensa a maioria dos que se acham irônicos), ironia é uma figura de linguagem que quer dizer justamente o contrário do que está sendo exposto. A frase “só uma pessoa muito inteligente para perceber isso”, por exemplo, é irônica ao sutilmente xingar de burra a pessoa em questão.

O problema é que a ironia funciona melhor em doses homeopáticas. Muita ironia cria a síndrome do menino que gritava lobo – e não é mais possível perceber se o que está sendo escrito ou dito é de verdade ou é só uma sacada esperta. Muitos tweets com a hashtag Instagramporescrito caminhavam nesse fio da navalha. Eram tão irônicos que poderiam ser de verdade. Não dava pra saber se o autor estava brincando ou sendo brincado. E assim completavam o loop da ironia – se a ironia é uma volta de 180 graus, a ironia da ironia é a volta completa para continuar no mesmo lugar.

E isso não era exclusividade da hashtag do sábado passado. O humor na internet quase sempre esbarra nesse duplo sentido e o que parece idiota para alguns, para outros é brilhante (exemplos abundam: Cersibon, o humor involuntário do Yahoo Respostas, Homem Aranha Anos 60), pulverizando assim o tal “bom gosto” do fazer rir ao tornar ainda mais tênue a distinção entre a grosseria e o humor politicamente incorreto ao mesmo tempo em que transforma qualquer grosseiro em novo “gênio do humor”.

Essas fórmulas estão se desgastando e o humor como provocação vai perdendo espaço para outro tipo de reação – que não necessariamente parte do humorismo – que também é típica da internet: o nonsense total, o esvaziamento do excesso de referências do século 21. Talvez seja uma redescoberta da ingenuidade ou só uma forma de exorcizar esse loop de significado protagonizado pela ironia da ironia. Não deixa de ser uma boa notícia.

Uma sessão de descarrego, madura e moderna

Sei que tou com um monte de shows pendentes pra comentar (e enrolando pra retomar o Vintedoze, mas isso é outra história), mas o fato é que quem foi ao Prata da Casa na terça passada pode ter um gostinho de um dos melhores discos de 2012, com direito a dois brindes. A dupla Madrid – Adriano ex-Cansei e Marina ex-Bonde num portmanteau de seus nomes – subiu ao palco da choperia do Sesc Pompéia acompanhados de um baterista e um guitarrista. Ele ao piano, ela (por vezes) ao violão, os dois dividindo vocais em canções em inglês que saem correndo de seus respectivos e recentes passados musicais na pishta de dança.

Exorcizam beats e berros em duetos dóceis mas austeros, tristes, amargurados mas destemidos, olhando para frente, sempre enaltecendo a canção, este talvez o formato definitivo do século 20, mais que o automóvel, o jazz, a calça jeans ou Hollywood (vintedozers gonna vintedoze). Renegam todo o novidadismo do século vigente com hinos de guerra e baladas melancólicas, que desatam a chorar idas e vindas de relações cotidianas. A ironia ainda segue presente, mas sutil, transbordando apenas nas piadas idiotas que Adriano – confessando o nervosismo ao piano de cauda – usa pra provocar Marina, de salto, saia e cabelão. Mas apesar do formato vintage (remontam aos anos 60 de Serge Gainsbourg, Lee Hazlewood e Nancy Sinatra, a produção do Brill Building, alguma referência à Motown – mas não à Stax), o Madrid está mais próximo de duplas contemporâneas que celebram estes clássicos anos 60, como Mark Lanegan e Isobel Campbell, PJ Harvey e John Parish, Nick Cave e inúmeras divas pessoais. Há uma sensibilidade indie que é inerente ao gosto musical dos dois – e um inevitável parentesco com o projeto individual de Adriano, o Ultrasom.

Sem demonstrar insegurança, mostraram um espetáculo adulto e moderno como poucas vezes se vê no pop brasileiro, que ao mesmo tempo que não corre atrás do último hype para não perder o bonde da história (“been there, done that”, parecem suspirar aliviados) como também não tenta vender a fonte da juventude como uma utopia possível (algo até mais comum, nesta cena brasileira dos anos 10). São apenas artistas cantando histórias, mesmo que vestindo uma outra fantasia de palco. E fazem isso bem, sem afetação nem maneirismos – e além do repertório do primeiro disco, que em breve aparece por aí online, também tocaram músicas do Camera Obscura e do Ladytron, confirmando o apreço por um indie dance que até habita a mesma audiosfera que o Bonde do Rolê e o Cansei de Ser Sexy, mas que circula em horários diferentes, e quase não se encontram. Como o junkie que descobre a academia ou o consumista que alcança o zen do desapego, o Madrid é quase uma sessão de descarrego, mas mais catártico que pesado.

Fiz uns vídeos abaixo, veja aê:


Madrid – “Destroy Everything You Touch”

Continue

E na minha coluna da edição dessa semana no Link continuei falando sobre o Hackatão.

O que a lógica do programador e a do jornalista têm em comum
A tecnologia ajuda a traçar conexões

Jornalistas e hackers juntos, não apenas ocupando o mesmo espaço, mas trabalhando nos mesmos projetos. Esta era a utopia imaginada quando colocamos em pé o projeto do Hackatão, que aconteceu no fim de semana anterior ao passado, na sede do Estado, no bairro do Limão, na cidade de São Paulo.

Havia uma expectativa natural sobre como o evento se desenvolveria. Olhando de fora, as duas profissões parecem antagônicas: hackers que invadem sites de jornal ou jornalistas que denunciam hackers que surrupiam dados de empresas e pessoas. São situações que já entraram no imaginário coletivo. Felizmente, os dois estereótipos estão se esvaziando e aos poucos ambos começam a reconhecer-se um no outro.

Vale rebobinar a fita do tempo para lembrar como era o trabalho de um jornalista antes da digitalização dos dados. Se era preciso buscar informações sobre determinada pessoa ou instituição, o pobre repórter tinha de passar horas e horas num arquivo cheio de estantes e pastas de papel e pesquisá-las manualmente para, aos poucos, dar uma cara ou um rumo à matéria que estava sendo apurada. Não é preciso nem voltar muito no tempo – em algumas cidades ou em certas instituições, os dados ainda estão em formato físico, e exigem paciência e disposição de um investigador para traçar conexões entre processos, pessoas e empresas.

Já o programador usava esta mesma lógica no mundo digital. Para desenvolver um programa ou aplicativo, era preciso testar formatos, conexões, permissões e extensões para ver o que funcionaria melhor com o quê. A vantagem do desenvolvedor é que, ao lidar com informações eletrônicas, o trabalho de apuração torna-se mais simples e prático, pois é possível criar scripts, algoritmos ou pequenos programas para fazer estes testes sem que haja interferência humana direta. Assim, o processo torna-se bem mais rápido – e, ao mesmo tempo, mais preciso.

Ao aproximar os dois profissionais, abrimos a possibilidade de esmiuçar bancos de dados com o mesmo rigor que fazia parte da pesquisa daquele velho jornalista, sem correr o risco de falha humana ou de lidar com pilhas de papéis e pastas de documentos (haja poeira!). Com os dados digitalizados, basta usar os recursos da ciência da computação para chegar a cruzamentos e resultados que levariam dias – talvez meses – para serem apurados.

Mas isso tudo era o mundo ideal. Temíamos que pudesse haver algum estranhamento ou que as lógicas do jornalismo e da programação de dados demorassem um pouco para engrenar. Não foi o que aconteceu. Depois que Daniela Silva e Pedro Markun (ambos do grupo Transparência Hacker, que ajudou o Estado a produzir o encontro), os temas começaram a ser apresentados e as tarefas foram divididas.

Tudo muito tranquilo, sem discussão, sem briga por pautas, sem afobação. Aos poucos os grupos foram se formando naturalmente e os assuntos foram divididos de maneira orgânica, sem que houvesse a necessidade de alguém designar funções ou organizar quem faz o quê com quem.

Por mais que já esteja acostumado com a noção da hierarquia horizontal dos tempos digitais, é sempre um prazer vê-la na prática. Ainda mais na minha área de atuação – o jornalismo –, que ainda é cheio de vícios dos tempos analógicos. Mas uma prova de que isso está mudando – e é um prazer fazer parte deste processo – é justamente este primeiro Hackatão, que ainda está dando pano para a manga e cujos projetos estão aos poucos sendo concluídos (leia mais aqui).

Nesta terça-feira, durante o evento YouPix, às 19h30, conversarei mais um pouco sobre a relação entre estes dois fuçadores – o hacker e o jornalista – reunindo gente que participou do Hackatão: Raphael Molesim, Jonas Abreu e Wesley Seidel, que desenvolveram o site Para Onde Foi o Meu Voto? e dois repórteres do núcleo Estadão Dados, Amanda Rossi e Daniel Bramatti). O debate acontece no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e a entrada é gratuita.

Minha coluna na edição de segunda do Link foi como a Apple pós-Steve Jobs pode entrar em decadência por falta de inventividade e do futuro estranho da Microsoft…

A Apple pode virar a Microsoft. E a Microsft, pode virar o quê?
MS fará anúncio misterioso nesta segunda

Com o anúncio de uma série de melhorias em software e hardware feito na segunda-feira passada em São Francisco, Tim Cook praticamente encerrou o que Steve Jobs iniciou ao lançar o iPhone. Um plano que começou em 2007, com o evento que reinventou o conceito de smartphone (quando o iPhone foi mostrado pela primeira vez) e que culminou com a apresentação do iPad, há dois anos. Plano que envolvia a criação da economia dos aplicativos e a criação da App Store e que, de acordo com Jobs, terminaria com o lançamento da Apple TV. Com sua própria smartTV, seu smartphone e seu tablet, a Apple tornaria o computador tradicional obsoleto. Tanto que Jobs apresentou o iPad como o primeiro capítulo da “era pós-PC”.

A Apple TV e o novo iPhone devem ser os últimos componentes da fase final de Steve Jobs na empresa. O anúncio da segunda passada apenas azeitou o que já estava engrenado. E, uma vez que as peças finais se encaixarem neste novo ecossistema, a Apple entra definitivamente na era Tim Cook. E resta saber o que o atual CEO fará a partir do plano original de Jobs.

Pois Cook é reconhecido como bom administrador, mas não tem o carisma nem o caráter visionário de seu antigo patrão. Por isso, ele tem duas opções adiante. Numa delas, apenas administraria o que já foi criado, lançando upgrades e afinando soluções anteriores aos problemas do futuro. Na outra, tentaria reinventar a roda da empresa, lançando novos produtos e serviços que tentariam, como Jobs gostava de dizer, “revolucionar” a vida das pessoas.

Aposto que Cook deverá ir pela primeira opção, sem sair de sua zona de conforto para não dar com os burros n’água caso alguma novidade ousada demais não funcionar depois do lançamento. Entre o certo e o duvidoso, a Apple optaria pela primeira opção e perderia o posto de empresa líder para assumir o papel de gigante corporativo de vez.

Foi algo que já aconteceu com a Microsoft. A empresa de Bill Gates nunca teve a aura cool da rival de Steve Jobs, mas houve um momento, lá pela metade dos anos 90, que seu ecossistema era onipresente, principalmente quando embutiu seu Internet Explorer no Windows 95 e estrangulou o primeiro browser gráfico da história, o Netscape. Mas à medida em que a internet foi se tornando mais popular, a empresa patinou em suas escolhas, cresceu demais e suas subdivisões pareciam empresas diferentes. Lançou o Xbox como uma tentativa de criar seu próprio hardware, mas acabou segmentando seu público. De um lado ficaram os usuários do Hotmail e do MSN, do outro os da rede Live (que funcionava através do console de games da empresa), sem contar os do Windows Mobile.

Ao mesmo tempo, o Windows foi perdendo a onipresença, o Office foi ficando para trás com os softwares online, o Firefox e, depois, o Chrome fizeram o Explorer perder mais usuários… e a Microsoft foi ficando cada vez menos relevante. Ela foi o equivalente do Google e do Facebook (ao mesmo tempo) da última década do século 20 e passou a década passada inteira tentando dar alguma cartada para garantir seu futuro.

Tentou por duas vezes comprar o Yahoo, sem sucesso. Fez o mesmo com o Facebook e Mark Zuckerberg desdenhou a proposta. Se associou à Nokia para recuperar terreno no mercado de celulares (e até hoje especula-se que a MS pode comprar a empresa finlandesa de vez). Seu único acerto nos últimos anos foi o dispositivo Kinect. Muito pouco para uma empresa tão grande.

E semana passada viu aparecer mais boatos. Que a Microsoft poderia comprar a rede social Yammer pelo mesmo preço que o Facebook pagou no Instagram. Até que jornalistas de tecnologia dos EUA receberam um convite para um evento que acontecerá na tarde desta segunda-feira. Nem o local foi revelado, só iriam anunciar na segunda pela manhã. E as especulações indicavam que a empresa poderia lançar um serviço de música online de peso ou até mesmo seu Windows Tablet.

Será que a última década da Microsoft funcionará como uma parábola da próxima década da Apple?

prometheus

Escrevi sobre o novo filme de Ridley Scott, o aguardado Prometheus, na edição desta semana do Divirta-se – e dividi a crítica em dois formatos: para quem já sabe sobre o que é o filme e para quem não sabe nada. Vá na fé:

Sem alarme, sem surpresas
Longa busca o sentido da vida e marca o retorno de Ridley Scott (de ‘Alien’) à ficção-científica

Prometheus, o filme de Ridley Scott que estreia hoje no Brasil, vem sendo festejado como a grande volta do diretor à ficção científica, tema que lhe revelou ao grande público graças aos filmes ‘Alien – O Oitavo Passageiro’ (1979) e ‘Blade Runner – O Caçador de Androides’ (1982). O primeiro, ‘Alien’, não foi um fenômeno de bilheteria, mas cresceu à medida em que o filme virou uma franquia que se estabeleceu por consolidar o trabalho de novos diretores (James Cameron, David Fincher e Jean-Pierre Jeunet). Já ‘Blade Runner’ foi responsável por criar o conceito de filme cult, ao superar o fracasso de bilheteria graças ao sucesso nas locadoras e na TV a cabo.

Os tempos também eram outros para a ficção científica, que, mesmo atravessando uma boa fase nos anos 80, nem de longe passou pelo auge da última década. O próprio Ridley Scott mudou e bastante – deixou temas específicos e ousados por filmes épicos de temas convencionais ao cinema.

Por isso, há um excesso de expectativa em relação a ‘Prometheus’, que narra a história de uma expedição espacial rumo a um planeta que poderia explicar a origem da humanidade.

Junte estes fatores citados ao fato que a produção foi revelando, aos poucos e desde o início do ano, uma série de pistas sobre o tema do filme e temos o dilema do fim de semana: assistir a ‘Prometheus’ com muita ou nenhuma expectativa? Optamos pelos dois caminhos. Veja a seguir.

Expectativa alta = decepção

Se você não sabe nada sobre a história de ‘Prometheus’, pare de ler este texto e vá para a coluna abaixo. Mas se você acompanhou os trailers, a especulação online, leu as primeiras resenhas que apareceram no exterior, assistiu ao TED falso com Guy Pearce e foi juntando diferentes peças que a produção revelou aos poucos, já deve saber que o filme funciona como uma introdução ao universo de ‘Alien’. Não conta como exatamente o monstro foi parar na nave do primeiro filme, e sim como aconteceu o primeiro contato entre a nossa espécie e a deles. E isso não é contado de forma casual como no primeiro filme, que basicamente narrava um problema com um cargueiro espacial.

Em ‘Prometheus’, a premissa é grandiosa, busca o sentido da vida e ganha dimensões desproporcionais – mas a história não acompanha a forma. Por isso, o que vemos é um ‘Alien’ superproduzido com rigor e zelo, mas sem oapelo sombrio e tétrico do primeiro filme. E, assim, decepciona.

Expectativa baixa = diversão

Se você não sabe nada sobre ‘Prometheus’, certifique-se que entrará assim mesmo na sala de cinema. Sem saber de nenhuma premissa anterior, é possível admirar uma história que tem altas aspirações e que é muito bem executada. O apuro estético justifica o ingresso: a direção é segura, ainda que convencional, os efeitos especiais são incríveis, o som é notável e a direção de arte talvez seja o grande trunfo do filme.

O elenco é OK: Michael Fassbender é sempre competente, Charlize Theron está bem como antagonista da tripulação e o resto dos atores não chega a comprometer, embora não tenham nenhum brilho. O que nos deixa com a história, que caminha sobre a temática de Erich von Däniken (do clássico ‘Eram os Deuses Astronautas?’) e da série ‘Ancient Aliens’, do History Channel, mas logo descamba para a tensão de um filme de horror B.

E é aí que‘Prometheus’funciona: tem o roteiro de um filme de baixo orçamento mas é filmado como uma superprodução. Não chega a ser bom, mas também não é ruim. Ao menos diverte.