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E na minha coluna na revista Caros Amigos do mês passado eu falei sobre o reencontro de Baby Consuelo e Pepeu Gomes no palco do Rock in Rio deste ano – e deixo abaixo alguns vídeos que fiz durante esse mítico encontro.

O reencontro de Baby e Pepeu

Baby do Brasil puxou o ex-marido Pepeu Gomes de um lado e o filho Pedro Baby do outro, ambos com guitarras em punho. Haviam acabado de tocar “Mil e Uma Noites de Amor” no palco Sunset do Rock in Rio e Baby não se cabia em si: “Esse é um momento único na história da música brasileira. Talvez mais cem anos pra acontecer alguma coisa parecida”, disse a cantora, emocionada por estar fazendo música com o pai de seu filho e com o próprio filho. E realmente foi um momento tanto histórico quanto emocionante.

Ainda mais se levado em conta que ele aconteceu no imenso shopping a céu aberto que é o Rock in Rio, um parque temático sobre si mesmo em que os patrocinadores e a históriia do festival parecem ser mais importantes do que qualquer um dos artistas que venha subir em qualquer palco. No meio daquela bolha de plástico movida a dinheiro, um casal de ex-hippies reencontra sua energia vital ao se entregar a versões intermináveis de hits imortais que dominavam o rádio brasileiro e pavimentaram o caminho para o pop dos anos 80.

Porque Baby e Pepeu, mais do que integrantes de uma das principais bandas da história do rock brasileiro (os Novos Baianos), têm, juntos, uma carreira digna das melhores bandas de rock dos anos 80 – só que eles vieram antes. Pertencem a uma geração que começa a romper tanto com os valores da ditadura militar quanto os da resistência civil, brincando com o pop (antes visto como “alienante” ou “imperialista”), com instrumentos elétricos, com sexo, drogas e rock’n’roll de forma que afrontavam o status quo da MPB e o tradicional cancioneiro latino-brasileiro.

São bandas e músicos que pavimentaram o caminho para o chamado “pop rock” dos anos 80 na marra, forçando limites estéticos e comportamentais como se assumissem uma missão de retirar o Brasil de um atraso cultural imposto pela relação entre o governo militar e a cultura do protesto, questionando valores e criando polêmicas. Gente como Raul Seixas, Rita Lee (primeiro com o Tutti Frutti e depois com Roberto de Carvalho), Guilherme Arantes, Fagner, Ritchie, Secos e Molhados (e a carreira solo de Ney Matogrosso), Zé Ramalho, Eduardo Dusek, A Cor do Som, Marina Lima e até artistas de gosto duvidoso como Sidney Magal, Gretchen, Fabio Júnior, A Turma do Balão Mágico e até Xuxa – donos de hits que desafiaram a mesmice e a elitização da MPB e prepararam o território para as duas gerações de bandas que chamamos comumente de “rock brasileiro dos anos 80”: a carioca (formada por Lulu Santos, Kid Abelha, Blitz, João Penca, Lobão e os brasilienses Paralamas) e a paulista (formada por Ira!, Titãs, RPM, Ultraje a Rigor e os brasiliense Legião Urbana). A história desta geração é contada com minúcia no recente Pavões Misteriosos, que o jornalista André Barcinski lançou no ano passado pela editora Três Estrelas.

Baby e Pepeu, por terem sido um casal e por terem se divorciado, no entanto, não levaram sua carreira adiante ou se entregaram a um fácil revival. Diferente da maioria dos artistas que tiveram seu auge entre anos 70 e 80, a dupla não arriscou nenhum retorno de sua carreira como casal até o reencontro no Rock in Rio. Até voltaram a subir juntos num palco como Novos Baianos, mas aí era uma química de grupo, não apenas de casal. E os dois seguiram seus rumos: Baby mudando o sobrenome de Baby Consuelo para Baby do Brasil e convertendo-se à religião evangélica, exaltando Deus em todas as possibilidades. Pepeu seguiu sua carreira de guitar hero exibindo-se mais como músico instrumental do que como compositor pop.

O elemento-chave para a reconciliação – puramente artística, os dois nunca foram brigados fora do palco – foi a presença do filho Pedro Baby. Um dos inúmeros filhos do casal, coube a ele a tarefa de reunir pai e mãe novamente num mesmo palco, para celebrar uma carreira e uma parceria que permanece intacta no imaginário brasileiro. E parece que o filho apelou para Deus, desafiando a mãe sobre a naturalidade daquele reencontro. Foi o suficiente para que tudo começasse a funcionar. Para algo aquilo tinha de servir.

Não custa lembrar também que o reencontro foi encomendado pelo Rock in Rio justamente pela autocelebração do próprio festival, que completava 30 anos de vida e que usava isso como desculpa para apostar em atrações que lembrassem outras edições do festival. Baby e Pepeu estiveram na edição inaugural, em 1985, dois anos depois de terem sido barrados na Disneylândia acusados de quererem chamar mais atenção que as atrações daquele parque (sério, o que deu origem à música “Barrados na Disneylândia”). Se não fosse a presença dos dois em 1985, talvez não os veríamos juntos em 2015. Para algo aquilo tinha de servir.

Uma vez juntos no palco, a química musical era impressionante. Baby e Pepeu são praticamente a mesma pessoa em corpos diferentes, mesmo décadas sem tocarem juntos. O transe musical que entravam em todas as músicas – esticando hits de três minutos em versões que chegavam quase aos dez minutos – era contagiante e o público que tinha ido assistir aos Paralamas do Sucesso, Rod Stewart e Elton John (que também tocavam no festival no mesmo dia) logo estava sendo carregado pelos refrões e solos de músicas como “Mil e Uma Noites de Amor”, “Menino do Rio”, “Telúrica”, “Todo Dia Era Dia de Índio” e “Masculino e Feminino”, além de dois clássicos dos Novos Baianos, “Tinindo Trincando” e “A Menina Dança”.

Pepeu se emocionou e chorou logo que entrou no palco, deixando o show ainda mais intenso emocionalmente. Baby tinha que seguir sua pregação, citando o nome de seu salvador a cada intervalo entre as músicas, mas mesmo este exagero não diminuía a celebração musical. Entre os dois, Pedro Baby visivelmente emocionado e orgulhoso de ter realizado e participar daquele encontro, escorregava a bordo de sua guitarra em duelos quentes ao lado do pai, enquanto a mãe sacudia-se entre os dois. Foi um dos grandes momentos do Rock in Rio e da música brasileira em 2015. Tomara que eles repitam a dose em mais shows.

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Escrevi lá no meu blog no UOL sobre o porque Frank Sinatra – que completaria 100 neste sábado 12 – foi o precursor de Elvis, Beatles, Dylan, Madonna, Michael Jackson, Lana Del Rey, Rihanna e Justin Bieber ao criar a categoria popstar no início do showbusiness do século passado.

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Falei de uma teoria pode explicar por que o personagem mais odiado de Guerra nas Estrelas poderia ser seu grande vilão lá no meu blog no UOL. É extensa mas vale a pena.

Com o Nexo

Minha primeira colaboração com o novo jornal Nexo é um perfil sobre a importância do Instituto, que com o lançamento de seu segundo disco Violar oficializa a saída de Daniel “Ganjaman” Takara e transforma o coletivo na dupla original Rica Amabis e Tejo Damasceno.

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Dá pra ler o texto na íntegra lá no Nexo – e aproveita pra fuçar este promissor novo jornal, que tem um monte de gente boa no expediente, dá uma sacada nos créditos da matéria.

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Os Chemical Brothers se apresentam mais uma vez em São Paulo, desta vez já com o status de clássico – escrevi sobre a importância deles pro UOL Entretenimento.

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Escrevi lá no meu blog no UOL porque você precisa assistir ao Chatô de Guilherme Fontes

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É oficial: passei metade da minha vida fazendo isso. E daí?

E daí que 2015 me comprovou uma teoria que vinha me azucrinando desde que eu ainda trabalhava no Estadão, um processo terapeutico de autorreconhecimento que me fez repensar várias coisas em relação à minha produção: por que eu preciso depender de um grande veículo de comunicação para fazer as coisas que quero, levantar os questionamentos que acho interessantes, passar as informações que realmente fazem sentido pra mim? O próprio Trabalho Sujo começou nessa lógica da brecha, de aproveitar uma determinada posição para conseguir passar informações que normalmente não estariam ali.

Por todos empregos que tive aproveitei essa situação, seja virando um caderno de cultura do avesso como editor aos 25 anos, seja subvertendo as intenções originais da revista de entretenimento e tecnologia, fazendo a iniciativa privada publicar Lawrence Lessig e distribui-lo em dezenas de milhares de bibliotecas do Brasil, puxando política e cultura para dentro de um caderno de tecnologia ou tentando abrir a cabeça de uma revista CDF. Ao mesmo tempo fui entendendo que é assim que eu sei trabalhar, colocando meu olhar, minha assinatura, minha marca. Mesmo quando fui chamado para outros trabalhos fora de redação levava uma inquietação, uma provocação, uma vontade de misturar e um olhar em perspectiva. O problema é que os trabalhos em redação (processos criativos prazeirosos em que conheci algumas das melhores pessoas da minha vida) inevitavelmente me arrastavam para intermináveis reuniões que não iam dar em nada, decisões absurdas de RH, passaralhos e invencionices que claramente não iam dar certo, além de uma desagradável sensação de cumplicidade com gente que você não queria nem conhecer.

Por isso desde o ano passado resolvi abandonar de vez as redações. Fui demitido da Galileu com uma desculpa esfarrapada qualquer (e bem no mesmo mês em que colocava na capa da revista a importância de se consertar algo que não está dando certo em vez de jogar fora) mas não via a menor perspectiva em voltar para qualquer redação. Recebi convites que em outras épocas fariam meu olho brilhar e os declinei sem o menor remorso. Toda a possibilidade de desenvolver um bom trabalho era ofuscada pela rotina sem graça de plantões, horas extras, fechamentos e ter que utilizar o Outlook.

Enquanto isso, o Trabalho Sujo deixava de funcionar só como hobby e terapia e seus filhotes começavam a caminhar: as Noites Trabalho Sujo se estabeleceram em São Paulo, depois vieram os cursos Trabalho Sujo e OEsquema acabou. Tudo conspirando para que eu assumisse o site como meu principal veículo, Ainda mantenho um blog no UOL, uma coluna na Caros Amigos e me chamam vez por outra para escrever aqui e ali, mas cada vez percebo que isso é que é o acessório. Não que os veículos de comunicação tradicional não importem, mas eles estão se afunilando cada vez numa imensa descartabilidade, medindo sucesso e desempenho por clique, view e like, reverberando notícia ruim, requentando release, pensando em ganchos bobos para conseguir falar de assuntos legais, correndo atrás de discussões das redes sociais (quando deveriam pautar a discussão), tomando o tom das pessoas que comentam em sites (você já comentou em alguma notícia de site grande na vida?) como se esse fosse o tom de todo seu leitorado, entrevistando as mesmas pessoas que entrevistam há vinte, trinta, quarenta anos e regurgigando pessimismo como se viver fosse uma merda.

O Trabalho Sujo me mostra que é justo o contrário e todo o dia eu descubro uma história incrível, uma pessoa foda, um trabalho formidável, algo que realmente merece atenção. Às vezes é uma banda, um show, um entrevistado, uma música, um filme, um remix; outras vezes é uma pessoa, uma história, uma festa, um comentário, um causo, um link, um dado, um texto, uma informação. Muitas vezes publico sem explicar demais, outras puxo como fio da meada de algo maior, outras tantas não publico, apenas guardo – e tudo isso vai ajudando as coisas a fazerem mais sentido ainda.

E tudo, como sempre repito, é jornalismo. É pesquisar, checar, fuçar, descobrir, redigir, editar e mostrar – seja num curso, num post, numa matéria, num comentário em vídeo, num podcast, numa discotecagem. Mas não é o jornalismo caxias que se leva mais a sério do que o assunto nem o jornalismo propaganda que só funciona com tudo mastigadinho na mesa do dito “repórter”, que não vai atrás de nenhuma informação. Chamo isso de jornalismo-arte como brincadeira mas também como provocação. Porque eu sentia falta de um romantismo jornalístico que permitia humor, otimismo e vínculo com a rua, que não era pautado em esporros, publicidade disfarçada, morosas burocracias e o descaso com o leitor. Não sinto mais falta disso, pois com o foco no Trabalho Sujo isso tudo foi retomado. Falta ainda uma redação, um lugar constante para trocas de experiências coletivas, mas isso é algo que eu vou resolver depois, sem pressa.

Por enquanto prefiro ir tocando minha vida sem stress, cuidando dos pequenos detalhes da vida além do trabalho (cozinhando o próprio almoço, tomando sorvete, lendo um livro ou indo pro cinema durante a semana à tarde, encontrando amigos, caminhando pelo prazer de caminhar, namorando), enquanto vejo um hobby virando ofício, fonte de renda e de inspiração. Os cursos O Outro Lado da Música e Todo o Disco são só as primeiras novidades desta nova fase. A festa do sábado – mais uma edição da já clássica Analógicodigital, um dos primeiros indícios dessa mudança – era o mínimo que eu podia fazer. Mas tem pelo menos três grandes novidades vindo aí que anunciarei até o meio de dezembro – nenhum frila, tudo relacionado ao próprio Trabalho Sujo – que mostram como vão ser as coisas daqui pra frente.

Quer dizer, de uma certa forma você já sabe. Pode não saber o que é, mas como vai ser está meio implícito.

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O Pin Ups é um marco zero para uma geração inteira de bandas no Brasil e escolheu 2015 para encerrar oficialmente sua carreira com um último na choperia do Sesc Pompéia, neste sábado, 14 de novembro. A banda marcou a transição entre o rock brasileiro dos anos 80 – e especificamente a geração pós-punk paulistana, que lançava disco pela Wop Bop e Baratos Afins – e a geração Juntatribo, e durante este hiato foi a pioneira de uma safra de bandas brasileiras que cantavam em inglês que formariam a base do que ainda nos referimos, até hoje, como indie brasileiro. Atrás deles vieram Killing Chainsaw, Mickey Junkies, Second Come, Cigarrettes, PELVs, entre outros, que ajudaram a forjar a primeira fase de estruturação de um mercado independente no Brasil. A banda parou de gravar há quinze anos e tem feito shows tão esporadicamente que preferiu pendurar as guitarras num show com participações especiais e sem a presença do primeiro vocalista, Luiz Gustavo. Conversei com o Zé Antonio, que também foi diretor do mítico Lado B na fase áurea da MTV brasileira, sobre este desfecho e a influência da banda.

Por que terminar a banda? Qual foi o estalo que fez vocês pensarem num fim?
O Pin Ups não tem tocado com muita regularidade nos últimos anos, mas nunca havíamos declarado o fim. Neste ano até chegamos a pensar se voltaríamos ou não, muitas bandas da nossa geração estão voltando à ativa, ha dois documentários sobre aquela época que estão sendo finalizados e um livro, Rcknrll, do Yury Hermuche, terá uma capítulo inteiro dedicado à nossa história. Mas depois de muita reflexão achamos que só valeria a pena voltar se tivéssemos condições de nos dedicar integralmente à banda e isso não é possível.
Pensamos então que deveríamos fazer um show de despedida e agradecimento por toda esta lembrança e também para poder tocarpelo menos uma vez para pessoas das novas gerações que nunca nos viram ao vivo. Fechamos com o Sesc Pompeia onde fomos muito bem recebidos e temos a certeza de que encontraremos as condições necessárias pra fazer um bom show. E pra tornar tudo mais especial teremos alguns convidados especialíssimos, que fizeram parte da nossa história de alguma maneira: Adriano Cintra, Rodrigo Carneiro, do Mickey Junkies, Rodrigo Gozo do Killing Chainsaw, e o Mario Bross, do Wry. Vai ser uma festa boa.

Antes desse último show qual foram as últimas coisas que vocês fizeram?
Nosso último disco é o Bruce Lee, de 2000. Os últimos shows foram no Sesc Belenzinho e na Virada Cultural há mais ou menos uns três anos. A formação mais recente, e a que mais durou na história da banda, é quase a mesma que vai se apresentar no show do sábado, Eu, a Alê e o Flávio. Só a Eliane não participa porque está morando em Londres.

Dá para comparar a época em que vocês começaram com os dias de hoje?
Dá sim, hoje é bem melhor! Acho que a principal diferença é que naquela época não havia tantas possibilidades. Ninguém esperava nada de uma banda alternativa a não ser tocar e se divertir. Os lugares, na maioria das vezes, tinham uma estrutura sofrível, a divulgação era na raça com flyers e fanzines e a internet não existia e a comunicação era muito mais demorada. Tocar fora de sua cidade era um privilégio, fora do país impossível.
Hoje eu vejo que as novas bandas tem muito mais possibilidades e fico feliz com isso. Existem uns saudosistas que acham que hoje é tudo muito mais fácil, mas eu discordo. Se por um lado a divulgação é mais rápida, os instrumentos mais baratos, etc, também existe uma cobrança maior em relação à qualidade e profissionalismo. Não que isso não existisse em nossa época, mas hoje o alcance das bandas é muito maior.

Fala sobre o começo dos Pin Ups – como a banda nasceu, quais foram as referências originais, os trabalhos anteriores…?
Eu já havia tocado em algumas bandas mas nunca acontecia nada. Um dia eu estava em uma loja de discos, a extinta Bossa Nova, com o Luiz quando vi um anúncio de duas garotas querendo formar uma banda. Elas citavam várias bandas que eu gostava como referência e resolvi ligar pra elas. Marcamos um ensaio e como não tinha baterista o Luiz se ofereceu pra fazer algo tipo Velvet. Depois de duas tentativas vimos que não ia rolar nada. O Luiz lamentou dizendo que iria rolar um lançamento da revista Monga no (Madame) Satã e que podíamos tocar, já que ele era um dos desenhistas da revista. O Satã na época era um lugar muito bacana pra ser desprezado. Fiz uns riffs, uma linha de baixo que o Luiz decorou em uma semana e ele fez umas letras com colagens de frases da NME. Chamamos um baterista e um amigo pra cantar e lá fomos nós, tocar antes do Ratos de Porão. No final foi bom, algumas pessoas vieram falar com a gente e aí nasceu a banda… O resto é história! As referências naquela época eram principalmente Jesus and Mary Chain, Stooges, MC5 e Velvet Underground. Gostávamos de barulho.

Time Wil Burn é um dos marcos do que hoje chamamos de indie brasileiro, conta a história desse disco.
A história é que quando começamos a tocar, por algum motivo chamamos a atenção de algumas pessoas, entre elas o Thomas Pappon, que na época era diretor artístico da Stilletto, um selo que acabava de estrear no Brasil. Ele mostrou nossas demos ao Lawrence Brennan, um produtor inglês que era o dono do selo, ele se animou e resolveu lançar nosso disco. Mas a verdade é que gravamos umas poucas músicas, a maioria do que se ouve no disco são demos gravadas em um (gravador) Tascan de quatro canais, por isso o som é tão sujo. Éramos muito ingênuos em relação a estúdios de gravação, mas posso dizer que fizemos tudo aquilo com vontade.

O Pin Ups iniciou uma época em que as bandas começaram a cantar em inglês – até como uma forma de protesto. Como vocês encaravam isso na época? Quando que vocês acham que essa tendência mudou?
Pois é… na verdade nunca pensamos nas letras em inglês como forma de protesto, era mais uma questão de sonoridade. Mas sofremos com isso, pois o BRock ainda era forte e os produtores e as rádios só queriam quem cantasse em português. Um produtor famoso chegou a dizer que nos contrataria se mudássemos de idéia, mas nós recusamos. Eu não sei se consigo precisar em qual momento essa coisa do inglês surgiu, mas acho que de certa forma isso foi natural. Nossa geração veio logo depois daquela cena de bandas como Fellini, Akira S, Voluntários da pátria, etc, que era formada por jornalistas e intelectuais que escreviam muito bem, faziam boas letras e tinham muito mais a dizer do que nós, um bando de moleques influenciados por My Bloody Valentine e Jesus and Mary Chain cujos vocais eram sempre enterrados sob uma parede de som. A voz era só um instrumento, nossa voz era o barulho.

Quem são os filhotes diretos e indiretos do Pin Ups na cena hoje?
Olha, alguns músicos nos citam como influência, mas eu não saberia te responder isso de forma precisa. Vejo bandas que eu gosto como o Biggs, Twin Pines, Single Parents, Zefirina, etc, que tem uma atitude parecida com a nossa mas dizer que são nossos filhotes talvez seja muita pretensão. Os filhotes diretos na maioria nem existem mais, como o Lava, da Ale e Eliane, o Butcher’s Orchestra do Marquinhos, etc.

Se vocês estivessem começando uma banda hoje, o que iriam fazer?
Iria aproveitar todas as oportunidades. Hoje uma banda alternativa pode tocar em um grande festival,aqui e no exterior, disponibilizar suas músicas para o mundo todo,comprar bons instrumentos, etc. E hoje o cenário é muito mais colaborativo, as bandas se ajudam e isso é lindo. Com tudo isso os desafios são bem maiores e as apostas também. Nós sempre gostamos de desafios, então acho que a gente poderia se dar bem.

O Luiz não foi convidado para o show?
Convido o Luiz há anos pra fazermos músicas, mas nos últimos tempos ele sempre recusa por questões pessoais. Não insisti por uma questão de respeito, mas obviamente ele faz parte da nossa história e é sempre bem vindo. O Luiz – não consigo chamar ele de Luigi – é uma figura divertida, querido por todos nós da banda.

Há alguma novidade para o show? Alguma música que vocês não tocavam há muito tempo?
Tem uma música do primeiro álbum que nunca tocamos, Sonic Butterflies, que será apresentada com um arranjo um pouco diferente. Para esse show resolvemos fazer um setlist com músicas de todos os discos, então tem algumas como Loneliness, que não tocávamos há muito tempo. Está sendo interessante retomar tudo isso.

Pretendem lançar algo para fechar esse ciclo?
No início do ano que vem será lançado o documentário Guitar Days, do Caio Augusto, e ele pediu às bandas que cedessem uma faixa inédita. Vamos gravar uma música para esta trilha sonora ainda este ano, mas essa será nossa última música. Nada de disco.

Quem quer ouvir Pin Ups hoje encontra o que onde? Tem algo nos aplicativos de streaming? Videos no YouTube? Os vinis e os CDs já são raridades?
Estamos conversando com o Rodrigo Lariú, da Midsummer Madness, que está nos ajudando a colocar as músicas em várias plataformas digitais. Isso deve acontecer em breve. Por enquanto o único jeito é procurar os discos no YouTube ou em blogs musicais. Vários deles disponibilizaram nossos álbuns para download, e achei isso demais, pois permitiu que muita gente nova ouvisse os nossos discos. Nossa discografia é difícil de achar mesmo… Os vinis são bem raros. O primeiro, Time Will Burn, nem eu tenho. O Gash, nosso segundo álbum, sumiu mas sei que a Locomotiva Discos tem cópias novas, que eles acharam em algum estoque ou algo do gênero.

E se o show rolar superbem corre o risco de ter uma turnê de despedida?
Olha, em princípio esse é mesmo o último show da banda, mas já recebemos convites para shows em outras capitais e até para um festival. Em São Paulo certamente será o último. Não pretendemos tocar em outros lugares, mas sei lá… como diz a velha música…

Rock no Brasil?

raul

O país não é um país roqueiro – foi o que escrevi no meu blog no UOL a partir daquela discussão sobre o Lavô Tá Novo dos Raimundos.

rc

Escrevi para o UOL Entretenimento sobre a iniciativa do velho capixaba de entrar em serviços de streaming, o que diz respeito às mudanças de hábito digitais no Brasil.