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Show

Surreal o concerto-instalação Mineral, que está passando pelo Sesc Vila Mariana nestas quinta e sexta depois de uma pequena turnê pelo interior de seu estado de origem, Minas Gerais. Concebido a partir de mais de duas décadas do trabalho do artista plástico e ceramista Máximo Soalheiro, o espetáculo consiste de um conjunto de mais de cem vasos de cerâmica tocados por oito músicos diferentes, que dividem-se entre criar texturas harmônicas e rítmicas a partir da vibração destes objetos, que conversam com outros instrumentos tocados por estes mesmos músicos: o diretor musical Pedro Durães dispara eletrônicos, enquanto Camila Rocha toca contrabaixo acústico, Davi Fonseca toca piano preparado, Juliana Perdigão traz sua clarineta, clarone e apitos, além de cantar, Kristoff Silva canta e toca escaleta e João Pedro Drummond e Yuri Vellasco percutem moringas – só Leandro César fica apenas com as cerâmicas. O som transcendental dos vasos percutidos coletivamente como um grande instrumento que toma conta de todo o palco, eleva o conjunto de músicos para um patamar quase surrealista, passeando por canções de Hermeto Pascoal, Santiago Vazquez, Björk, Dave Brubeck e Milton Nascimento,este último representado por um versão mágica para “Um Gosto de Sol”, que ainda contou com a interpretação maravilhosa da cantora Loreta Colucci, convidada desta apresentação. Ainda tem ingressos para o show de sexta, pode ir que é uma das melhores coisas que você assistirá num palco este ano.

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Slayyyter ♥ Hole

Slayyyter tirou onda bonito ao visitar a rádio australiana Triple J e escolher um dos grandes momentos do Hole para fazer sua versão no quadro Like a Version da emissora – vê-la puxando “Violet” a faz conversar tanto com o Music Fashion Film de Charli XCX quanto com o You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love da Olivia Rodrigo, além de colocá-la em um patamar bem diferente de que seu Wor$t Girl in America, disco que lançou este ano, a colocou.

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Taí uma das notícias que esperávamos: Hot Chip toca no Brasil no dia 22 de novembro, na Áudio. É mais uma atração gringa do festival chileno Fauna Primavera que também bate à nossa porta – agora só falta o Underworld e o Tricky… Será? Enquanto isso, os ingressos para o Hot Chip já estão à venda.

No final do ano passado, o geese Cameron Winter apresentou-se no Carnegie Hall, clássica casa de shows em Nova York, nos EUA, somente ao piano, num show que foi inclusive filmado por Paul Thomas Anderson. Eis que esta apresentação será lançada como disco ao vivo ainda este ano, no dia 9 de outubro. O disco Live At Carnegie Hall já está em pré-venda traz faixas do primeiro disco solo de Cameron (Heavy Metal) e três inéditas, “It All Fell in the River”, “Emperor XIII in Shades” e “If You Turn Back Now”. Veja a capa e a relação das músicas abaixo: Continue

Hipnose guiada

Encabeçado por dois mestres do improviso da noite paulistana, a dupla Qmar pousou mais uma vez no Centro da Terra mostrando como a química musical entre Paula Rebellato e Cacá Amaral é um lento fogo contínuo que busca novas fronteiras sem exceder na intensidade, diferente dos trabalhos anteriores que os dois fizeram. O nível de conexão sonora pode até levar a picos de tensão de ruído, mas sempre dentro de uma mesma amplitude musical, mais interessada em ampliar sua área de atuação do que chocar pelos gritos, modulações eletrônicas ou microfonias elétricas. E mesmo que estes elementos façam parte da paleta artística da apresentação, eles nunca transbordam, o que fez a presença das madeiras da convidada da noite Juliana Perdigão, que participou do início e do final do espetáculo com seus clarinete e clarone, encaixando-se magicamente com o enlace musical de Cacá (entre a bateria e a guitarra) e Paula (entre os synths, vocais, eletrônicos e baixo) e provocando quase uma sessão de hipnose guiada no público. A luz sem cores de Karin Santa Rosa deixou esse encontro ainda mais implacável.

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Mais uma vez a dupla Qmar volta ao Centro da Terra, desta vez apresentando o espetáculo Espírito Espião, que fazem em parceria com a musicista e compositora Juliana Perdigão. Formada por Paula Rebellato (Rakta, Madrugada) e Cacá Amaral (Rumbo Reverso, ex-Firefriend), a dupla trabalha texturas eletrônicas e arquitetura rítmica, expandindo o universo da canção rumo ao improviso. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Em mais uma noite de sua temporada no Centro da Terra, Sara Não Tem Nome reuniu três parceiros para, em momentos separados, celebrar conexões a partir da sombra, do fantasmagórico, do oculto. A apresentação começou com a presença de Lorena Hollander, que trouxe sua guitarra, seu koto e sua espada para ritualizar o início da noite. Depois foi a vez de chamar Marina Mole, que está prestes a lançar seu disco, para mostrar canções inéditas, encerrando a apresentação com Vladimir Safatle ao piano, fazendo uma versão para “Mad World”, dos Tears for Fears. E num bis improvisado, Sara voltou sozinha para encerrar seu ritual só com sua guitarra, puxando sua “Ponto Final” depois dos agradecimentos e antes de chamar os três convidados para a saudação do fim, único momento em que os três dividiram o palco.

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Ao participar do Cultura Livre da Roberta Martinelli, a banda catarinense Adorável Clichê chamou pra si a responsa de fazer uma versão para “Myth” do Beach House como faixa-bônus do Cultura Livre, que só dá pra assistir no YouTube do programa. Mandaram bem.

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Juliana Perdigão se propôs um senhor desafio – recriar o Cabeça Dinossauro dos Titãs em seu aniversário de 40 anos, materializado neste fim de semana no palco do Sesc 14 Bis. Reuniu um grupo de malucos pela música e pelo trabalho do ex-octeto paulistano que era um verdadeiro ataque aos sentidos. A banda formada por Alana Ananias (bateria), Mari Crestani (baixo), Moita Mattos e Vitor Wutzki (guitarras), Chicão (teclados) e Barulhista (eletrônicos) era encabeçada por Danislau (do Porcas Borboletas), Jonnata Doll, Sophia Chablau e a própria Juliana, que além dos vocais e de dirigir o show, batizado de Urro!, também desdobrava-se entre seus instrumentos de sopro. Tocada na ordem original do disco (como todo show em homenagem a um álbum deveria se prezar), a apresentação começou com a faixa-título abrindo a noite com um solo de bateria, que foi sendo incorporado lentamente pela banda até que os vocalistas entraram com os pedestais dos microfones erguidos como tacapes, repetindo o mantra agressivo da música de abertura que, sem pausas, foi emendada com a dadaísta “AA-UU”. Sem conversas com o público, o show seguiu emendando as músicas do disco, mantendo o clima austero e brutal e o recondicionando para 2026, com interferências de vanguarda que os Titãs não fizeram em 1986, mas que faziam parte de seu universo sonoro e artístico, como os solos de sola de sapato de Jonnata Doll antes de uma versão esticada para “A Face do Destruidor”, as interferências sonoras de Barulhista no início de “Polícia” ou “Família” deixar de ser um reggae. A movimentação do grupo no palco conversava diretamente com a performance da banda na época do disco (I was there…) e a luz forte de Olívia Munhoz – com o vermelho mais pesado que já vi num palco e o contraponto de cores intensas – inverteu o preto e branco da arte do disco para um universo visual gritante, que só aumentou a importância desta noite. E num Brasil em que ninguém lembra de “Bichos Escrotos” (não é bizarro isso?), esse show é urgente.

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A Tubo de Ensaio soube realmente como aproveitar a enorme tela de cinema sobre suas cabeças no show que fizeram nesta quinta-feira no Cine Belas Artes dentro de mais uma edição da sessão Trabalho Sujo Apresenta, que venho fazendo no local. Ao convidar o videocientista Gibaa para tomar conta da parte visual da noite, aproveitou o apreço deste por televisores decanos para criar o espetáculo TV de Tubo, em que estes aparelhos funcionavam como decoração e acessórios à tela principal, que ele manipulava imagens do grupo feitas simultaneamente como aquele efeito VHS vintage. Mas mais do que voltar no passado, Gibaa acertou ao experimentar abstrações visuais retrô que caíram feito uma luva com a progressão hipnótica de canções que o grupo escolheu para fazer na apresentação, deixando músicas mais intensas e pesadas do repertório de fora para garantir um transe lento que aos poucos foi comendo os cérebros dos presentes, boquiabertos e transfixados, quase sem pegar o celular para registrar o que estavam vendo. Um passo importante que o grupo de prog psicodélico eletrônico dá em sua carreira, preparando terreno para o sucessor de seu disco de estreia lançado no ano passado, Endofloema. Quase não mostraram músicas novas, mas mostraram o clima que querem conduzir seu público – uma delirante escada espiral que desce ao mesmo tempo que parece subir. Música surrealista.

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