
Sozinho com seu violão de sete cordas, Luca Frazão suspendeu a respiração dos presentes que se reuniram nesta terça-feira no Centro da Terra para ver a apresentação que batizou de Sol-Fora, antecipando o disco Despencando que deve ser lançado no próximo mês. Integrante dos grupos Os Amanticidas e Choro na Quitanda, Luca coloca seu primeiro instrumento no centro do palco, sem acompanhamentos nem acessórios, embarcando, como explicou em uma das várias vezes que conversou com o público, em uma “aventura paradoxal”, pois disse que estudar e compor para violão solo é mais uma forma de exercitar o instrumento em outras formações do que um fim em si mesmo. Contradizendo-se com toda sua apresentação, não apenas mostrou as composições de seu novo disco – num lugar próximo entre o choro e a música de câmara, certamente levando em conta desafios técnicos pessoais justamente por ser, além de músico, professor – como passeou por canções daquela mesma escola (“Beatriz” de Edu Lobo e Chico Buarque no arranjo de Marco Pereira e duas de Garoto, “Enigma” e a multinomeada “Jorge do Fusa”, “Amor Indiferença” ou “Bom de Dedo”, dependendo de onde você a conhece) mostrando a força e o tamanho do violão brasileiro e colocando suas composições como contribuições à altura deste cânone. Bem bonito.
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Imenso prazer receber nesta terça-feira a oportunidade de ouvir o disco de estreia de Luca Frazão. Conhecido pelos trabalhos com o grupo Os Amanticidas e com o grupo de choro Choro na Quintanda, Luca mostra as canções de seu disco de estreia, todo feito ao redor de seu instrumento, o violão de sete cordas, em que junta as duas tradições de seus conjuntos com a música de câmara, buscando os próprios rumos para o seu violão no espetáculo chamado Sol-Fora. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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O festival Primavera Sound São Paulo acaba de anunciar a divisão em dias de seu elenco e, apesar da torcida por novas atrações parecer ter esmorecido, eis que eles incluem Arca entre os principais nomes da segunda noite, entre os Gorillaz e o Yung Lean. Não é exatamente o Underworld ou o Hot Chip que pareciam surgir no horizonte (nem os sonhados Geese e MBV), mas é uma artista de peso e que acaba de anunciar disco novo (falo mais sobre isso em breve) e cuja importância musical sempre em ascensão dá um peso experimental e moderno para a edição maior do que qualquer banda principal da edição de 2023, por exemplo (que teve Killers, Pet Shop Boys, Cure, Beck, Bad Religion, Hives e Marisa Monte), conectando-se com a histórica primeira vinda do festival pra cá em 2022 (que juntou Arctic Monkeys, Björk, Lorde, Charli XCX, Beach House, Interpol, Phoebe Bridgers, Caroline Polachek, Travis Scott, Mitski, Gal Costa e a própria Arca). Um tempero importante para essa edição, que ainda traz os brasileiros Carlos do Complexo e Larinhx como outras atrações que não haviam sido anunciadas anteriormente. E não há nenhuma informação sobre se irão fazer algum show à parte no Primavera da Cidade que é característico do festival, mas como vão começar a vender os ingressos essa semana, é pouco provável que façam algo, infelizmente.

Outra noite linda ao lado de Patrícia Bastos, que trouxe mais uma vez um punhado das suas canções do norte para encantar o público que compareceu à mais uma data em sua temporada Planeta Arrepiado, que está fazendo nas segundas-feiras de julho no Centro da Terra. Mais uma vez acompanhada de Dante Ozzetti ao violão, ela veio com outros dois novos músicos convidados ao chamar o guitarrista Guilherme Held, que cedeu sua guitarra tropicalista – menos psicodélica e mais bluesy que de costume, como pediam as canções de Patrícia – e a vocalista e flautista Tarita de Souza, que, como Ná Ozzetti na semana anterior, preferia ficar em segundo plano para deixar a luz da vocalista da noite brilhar ainda mais forte. Ela repetiu canções da semana anterior nesta nova roupagem e trouxe outras tantas, aproveitando a presença de Held para pressionar mais na linha melancólica e noturna que na segunda passada, em mais uma noite reluzente.
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Neste sábado, o Pulp subiu ao palco do Royal Festival Hall, em Londres, para celebrar o aniversário de 50 anos da loja de discos, gravadora e ícone indie Rough Trade, quando tocaram a íntegra de seu disco mais recente (o ótimo More) à frente de uma orquestra. Além de More, que o vocalista Jarvis Cocker comentou faixa a faixa (começando a apresentação de zoeira trazendo um powerpoint para fazer suas observações), lembrou o falecido baixista da banda Steve Mackey ao apresentar o lado B “Open Strings” e puxou outras músicas de fases diferentes da banda, inclusive de depois do lançamento do disco em questão (ao tocar versão que fizeram para “The Day Before You Came” do Abba e a música que fizeram para a coletânea Help(2), “Begging for Change”), trazendo também uma velha esquecida do disco We Love Life (“Wickerman”), a imortal “Something Changed” e uma versão suntuosa para o clássico “This is Hardcore”, em que Jarvis lembrou que já estava tarde (“são 10 da noite”, brincou) e era hora de ir para o lado mais hardcore do show, antes de sentar-se para começar a canção. Jarvis Cocker me representa demais (apesar de não ter dado bola para o Brasil quando passou pela América do Sul em junho agora). Reuni a maioria dos vídeos que achei do show abaixo: Continue

E já que o Pavement tocou o Led Zeppelin no início da turnê de 2026 deles, que tal resgatar outra banda tocando o próprio Pavement? Pois tome o Wilco fazendo “Cut Your Hair” em seu próprio festival, o Solid Sound, na edição de 2013, novamente no Museu de Arte Moderna de Massachusetts.
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Agosto está chegando e com ele segue a programação de música do Centro da Terra, que começa na semana que vem. Como o mês tem cinco segundas, a temporada mensal começa apenas na segunda semana e logo na primeira teremos duas apresentações avulsas. A primeira delas, dia 3, vê o baixista do grupo baiano Tangolo Mangos, João Denovaro, fazer seu primeiro show solo em São Paulo, batizado de Circunstâncias Inacreditáveis, em que mostrar suas próprias canções ao lado dos compadres de banda Felipe Vaqueiro e Bruno Fechine, que fazem participações especiais. No dia seguinte, dia 4, a pernambucana Sofia Freire sobe pela primeira vez no palco do Centro da Terra com sua apresentação Traquitanas, em que, sozinha com seus instrumentos eletrônicos, repassa sua carreira de mais de dez anos em um espetáculo que fará na turnê europeia em que embarca logo em seguida. A partir da semana seguinte, a mineira Sara Não Tem Nome assume sua temporada no teatro, quando reúne diferentes facetas do seu trabalho. Na primeira segunda, dia 10, faz a primeira apresentação ao vivo de seu projeto Tarda, que lançou seu único disco em 2020 mas nunca fez shows por conta da pandemia. No dia 17, ela convida Lorena Hollander, Marina Mole e Vladimir Safatle para uma noite de bruxarias. Depois, dia 24, é a vez de mostrar seu grupo Cachorro Pessoa, que criou para cantar músicas que falam sobre cães. A temporada termina dia 24, quando reúne artistas que participaram de sua carreira, como Luiza Brina e Marcelo Callado, para repassar sua trechos de sua discografia. Na terça dia 11, o casal Luíza Villa e Gabiroto apresentam seu primeiro show em dupla, mostrando suas próprias composições ao lado de uma banda montada para esta apresentação. No dia 18 é a vez da dupla Qmar – formada pela tecladista e vocalista Paula Rebellato e pelo baterista e guitarrista Cacá Amaral – receber pela primeira vez Juliana Perdigão no espetáculo Espírito Espião. O mês fecha com a primeira apresentação autoral da jovem pianista prodígio Mari Holtz, que toca uma noite chamada Ser-Viva em que mostra seu próprio repertório, inspirado em mestres como Arrigo Barnabé, Tânia Maria e Hermeto Pascoal. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

O Pavement voltou a fazer shows este ano ao apresentar-se nesta sexta no festival estadunidense Mosswood Meltdown, em Oakland, na Califórnia, mas pegou todo mundo de surpresa ao tocar uma versão – meio zoeira, meio séria – de “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin. E por mais que Stephen Malkmus nem lembre direito da letra – inventando boa parte dela na caruda -, fez um solo que mostra porque ele é um dos melhores guitarristas do indie dos EUA.
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Um Inferninho caprichado nesta sexta-feira no Redoma, quando a noite começou com a apresentação da banda Boia, voltando ao palco de seu primeiro show (que aconteceu em junho do ano passado) e depois de ter seu primeiro EP lançado. É nítida a evolução do grupo formado por Luli Mello (voz), Murilo Kushi (baixo), Leo Bergamini (violão), Murilo Costa Rosa (guitarra), Tato Quirino (sopros) e João Decco (bateria), que começou há um ano ainda terminando as músicas que estavam rascunhando e colocando-as ao lado de versões de mestres Moacir Santos e Hermeto Pascoal. Mas o crescimento diz menos em relação às composições, mas à presença de palco, química de conjunto e à própria postura em relação ao público. Mirando aquele conjunto de canções para a realização de seu primeiro álbum (que é um dos planos para esse semestre), o grupo só fugiu do próprio repertório ao tocar “Dominó”, do grupo baiano Tangolo Mangos, que marcou a estreia do guitarrista Murilo como vocalista. Coisa fina.
Depois foi a vez do Caruma subir ao palco do Redoma, quando levou sua mistura de jazz mineiro com rock progressivo pela segunda vez num Inferninho Trabalho Sujo, mas pela primeira vez tocando apenas músicas próprias, à exceção de “Come Together” dos Beatles, que tocaram logo de cara, criando uma nova tradição (pois tocaram “Don’t Let Me Down” no outro show que fizeram na festa). Também começando a trabalhar o repertório para seu primeiro disco, o grupo formado por Tom dos Reis (vocais e baixo), Pedro Caldeira (vocais e guitarra), Ma Vettore (flauta), Daniel Gerecht (sax e flauta) e Tommy Coelho (bateria) está cada vez mais afiado e versátil, como quando por exemplo Ma Vettore deixou a flauta para assumir a guitarra e cantar uma música em espanhol. O Caruma está só começando…
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Semana que vem tem Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, quando reúno duas bandas reincidentes na festa que são da pesada: a banda Boia, que estreou no mesmo palco do Redoma no ano passado e já está começando a pensar em seu primeiro álbum, depois de lançar um ótimo EP homônimo, e o grupo Caruma, que mistura rock progressivo com jazz mineiro com uma sensibilidade e firmeza que só dá pra acreditar vendo. Antes, entre e depois dos shows eu discoteco pra manter o clima da noite e os ingressos já estão à venda.