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Na semana passada, Bob Dylan desenterrou o hino “I Shall Be Released” ao apresentar-se na cidade de Eugene 18 anos depois de tocá-lo pela última vez – sorte que alguém conseguiu levar um gravador para registrar esse momento. O show em Los Angeles, na terça passada, teve um gostinho ainda melhor pois, além de voltar a tocar uma das músicas mais importantes de seu repertório (e não são poucas, sabemos!), conseguimos ter o registro em vídeo deste momento (apesar do baixista Tony Garnier se mexer logo no começo da música e ficar exatamente na frente de Dylan, sentado ao piano).

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Sexta-feira marca o primeiro dia de uma parceria de duas instituições do rock paulistano quando o guitarrista Edgard Scandurra inicia seu projeto em parceria com o trio instrumental Ema Stoned ao lançar a música “Cinza das Horas”, primeira colaboração dos dois, que eles antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo. A parceria segue no próximo domingo, quando os dois dividem a noite com o Violeta de Outono em uma apresentação na Casa Natura Musical e começam a preparar o território para o lançamento com maior fôlego, uma vez que o encontro está rendendo novas composições. Há um ano, o guitarrista do Ira! assistiu a um show da banda na Porta, em São Paulo, e ao ver o trio formado por Alê Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo) e Theo Charbel (bateria) em ação, lembrou das músicas instrumentais que vinha trabalhando há um tempo. “Tive um ímpeto, coisa que eu não costumo fazer, de ir falar com elas depois do show e chamei elas pra fazer um som comigo”, explica Edgard. “Eu já tinha um repertório de umas doze músicas que eu tava querendo montar uma banda pra registrar esses sons, e elas acharam interessante o convite. A gente se encontrou num estúdio na casa da Theo, começou a marcar uns ensaios e deu uma puta liga”. “Desde o primeiro encontro, tivemos uma conexão musical quase que instantânea que gerou uma troca muito rica de referências, influências e visões sonoras”, continua a guitarrista Alê Duarte. “O Edgard chegou com muitas – muitas! – ideias e abertura pra gente explorar os sons, escolher temas e criar com ele caminhos e desfechos musicais”, emenda Elke, “a música parece que tem vida própria, a gente vai só alimentando e norteando, dosando a imaginação pra ela caber num set e a gente poder tocar por aí”. ” Edgard conclui: ““Mas o que eu achei muito salutar, que pra mim é um desafio que eu amo, é que o trabalho deixou de ser as minhas músicas com elas me acompanhando pra elas ganharem um protagonismo muito grande nas composições e criamos um espírito de banda”.

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Mais um golaço da Balaclava: Godspeed You! Black Emperor apresenta-se em São Paulo em data única na Áudio, no dia 23 de novembro. Papas canadenses do pós-rock, são autores de duas obras-primas do gênero (os discos F#A#∞ e Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven, lançados na virada dos anos 90 para os anos 2000), e tocam pela primeira vez no Brasil toda sua carreira. Os ingressos já estão à venda.

Rômulo Fróes sabe do ás que ele tem na manga e ao chamar Marcelo Cabral para produzir e arranjar seu disco recém-lançado Boneca Russa acrescentou mais uma camada de sentido a um disco feito após um divórcio. Samba-réquiem lançado cirurgicamente na quarta-feira de cinzas deste ano, o disco conta apenas com o baixista como coadjuvante, papel que eleva-se para além do protagonismo principal quando o disco se materializa ao vivo, como aconteceu nesta quarta-feira no pequeno auditório do Sesc Pinheiros. E por mais que Rômulo seja o personagem principal – embora, liricamente, sujeito oculto do disco -, ao deixar Cabral transformar seu baixo acústico em uma usina de som, colocando pedais e loops a serviço do ruído que, às camadas, verte-se em música, ele joga o holofote para o lado e guia seu disco de pesar para a inventividade sônica do compadre e, com isso, à musicalidade de seus sambas e, portanto, seu sentimento para além das letras. Tocado na ordem do disco e terminando com a música que batiza sua filha (composta quando ela nasceu), Boneca Russa ao vivo é o disco em sua natureza bruta, emoção intensa que, se no registro fonográfico fica contida, no palco se esparrama, mas sem nunca entornar. Se puder ver esse show, assista.

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Depois da súbita notícia de que o Faith No More voltará aos palcos no ano que vem (e graças à produtora brasileira 30e), nenhum anúncio oficial foi feito, mas tanto o baixista Bill Gould quanto o tecladista Roddy Bottum e o vocalista Mike Patton já começaram a atiçar as expectativas dos fãs. Os dois últimos publicaram uma foto juntos no Instagram enquanto o baixista deu uma entrevista ao programa Rock Talk, apresentado por Jadranka Jankovic Nesic, explicando que, devido à fisicalidade da música do grupo, eles têm de aproveitar enquanto ainda conseguem tocá-la ao vivo e confirmou a volta da banda aos palcos com todas as letras.

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Um dos grandes momentos da volta do Rush no início deste mês foi a participação surpresa da cantora Aimee Mann na versão ao vivo que fizeram para “Time Stand Still”, hit da banda nos anos 80 que nunca havia sido tocado no palco com a presença de sua cantora convidada. Mas para ela não foi fácil, como ela conta em um quadrinho (feito por ela mesma) que acaba de publicar em sua conta no Instagram, quando revela a indecisão em aceitar o convite (por pura insegurança), como ficou mal por deixar a banda à espera e como foi bem aceita por Geddy Lee e Alex Lifeson e pelos próprios fãs da banda. É isso aí: até a Aimee Mann pode ter síndrome de impostora – mas o principal dessa história é que ela a superou e foi lá mostrar seu brilho como todos esperavam. Que maravilha.

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Triste e certo

Bem bonita a primeira apresentação do duo Triste, criado pelo casal Rafael Brasil e Brenda Mayer como um passatempo caseiro mas que aos poucos ganhou forma e força, começando por singles lançados esporadicamente nas redes e tornando-se um projeto musical com formação de banda, convidados especiais e um forte espetáculo ao vivo. O som intimista e delicado do casal ganha corpo e presença com os graves eletrônicos disparados pelo produtor e baterista Bruno Pelloni, além do belíssimo vocal de Brenda ganhar uma camada de profundidade com os vocais de apoio da baixista Luísa Phoenix, discreta e precisa. A guitarra de Raffa ganha texturas detalhistas mais palpáveis ao vivo do que em disco e tanto as versões de autores alheios escolhidas para a noite (“Ceilings” de Lizzy McAlpine e a minha favorita das Spice Girls, “2 Becomes 1”) e as participações especiais abriram ainda mais os horizontes do grupo, que escolheu o título De Perto para a apresentação como se quisesse mostrar o quão amplo eles podem ser sonoramente, mesmo soando frágeis e melancólicos: primeiro veio o multiinstrumentista Tereu tocar uma música novíssima com eles ao piano e depois o vocalista dos Menores Atos, Cyro Sampaio, dividiu sua canção solo “Viu?” com o grupo, antes de cantar “Secret Intentions”, uma das primeiras faixas da dupla, lançada ainda quando se chamavam Tigres Tristes (e o travalíngua os obrigou a reduzir o nome da banda). Ameaçando o lançamento iminente tanto de um clipe quanto do primeiro álbum (mas sem confirmar datas), eles encerraram a apresentação com a música que consideram seu principal trunfo, “Falta”, que Brenda não teve modéstia (e precisa?) para reconhecer que “no meu universo, essa música é um hit pra todo o sempre”, antes de resumirem a própria sonoridade com guitarras pós-punk, groove eletrônico, alma de trip hop e vocais pop. Começaram – e terminaram – bem.

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Triste: De Perto

É um prazer receber no Centro da Terra e estreia da dupla Triste, que, depois de lançar uns singles online, prepara-se para o lançamento de seu primeiro álbum. Mas sem grandiloquência, afinal a sonoridade do casal formado por Rafael Brasil (da banda Far From Alaska) e Brenda Mayer (da banda Call Me Lolla) busca intimismo e delicadeza como se os dois convidassem o público para ouvir músicas na sala de estar de sua casa. Em canções indie pop adocicadas e delicadas misturando letras em inglês e português, a dupla vem para o teatro como a apresentação batizada de De Perto, quando pretendem desacelerar o tempo com suas composições, subindo ao palco acompanhados pela baixista Luísa Phoenix e pelo produtor e baterista Bruno Pelloni, além de terem participações do músico Tereu e do guitarrista Cyro Sampaio, do grupo Menores Atos. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Adiando uma possível volta desde 2020, o Faith No More parecia não ter futuro de volta aos palcos até que, na tarde desta terça, publicou seu logotipo em sua conta no Instagram sobre uma foto de uma multidão e o número 2027. E o feito é da produtora brasileira 30e, que fechou um acordo com o grupo liderado por Mike Patton semelhante ao que fez com o System of a Down no ano passado. Ou seja: a culpa da turnê de volta do FNM em 2027 é do Brasil!

E por falar em Pulp, o grupo passou pela América Latina na semana passada e nada de pisar no Brasil, infelizmente. Resta assistir à distância ao vídeo que fizeram da íntegra do show em Buenos Aires na sexta passada, que um herói conseguiu registrar.

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