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E essa pra terminar o ano? No meio de seu show nesta quinta-feira em Londres, Paul McCartney chamou ninguém menos que Ringo Starr para acompanhá-lo por dois clássicos dos Beatles: a versão reprise de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e “Helter Skelter”. Foi a última data da turnê de Paul que passou pelo Brasil e a primeira vez em 50 anos que Paul subiu ao palco com seu clássico baixo Hofner 500/1, que havia sido roubado em 1972 e foi recuperado no início deste ano. Paul e Ringo são os beatles que mais tocaram juntos desde o fim da banda, mas essa é a primeira vez que os dois se reencontram depois da pandemia – os encontros anteriores aconteceram em algumas datas da turnê que Paul fez entre 2018 e 2019 e quando Ringo foi entronizado ao Rock and Roll Hall of Fame em 2015. A noite ainda teve a participação do jovem Rolling Stone Ronnie Wood (meros 77 anos), que tocou com a banda de Paul em “Get Back”. Que noite!

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“Eu preciso destruir pra nascer”, cantava Kiko Dinucci no início de seu último show de 2024, que aconteceu nesta quinta-feira, na Porta, olhando tanto para seu passado recente quanto para um futuro próximo ao convidar Pedro Silva para derreter seu Rastilho num remix ao vivo de um dos discos mais marcantes dos últimos anos. Trilha sonora involuntária do período trevoso que atravessamos no início da década, o segundo disco solo de Kiko foi lançado pouco antes de afundarmos no abismo da pandemia, mas já à sombra de outro pesadelo, quando já descíamos a íngreme ladeira abaixo que foi a presidência brasileira anterior à atual, mas quando o vírus maldito entrou em nossas rotinas, o realismo na cara do disco acústico ganhou contornos ainda mais distópicos que nem Kiko poderia imaginar ao compor canções que falavam que não ia dar, que íamos explodir e de sermos arremessado no tranco. Quatro anos depois e lá estavam os mesmos versos e violão sendo submetidos à distorção e reinvenção por meios elétricos e digitais, reconectando Kiko à microfonia e a glitches eletrônicos que os acompanharam em outro projeto seu do mesmo período, o pós-moderno Delta Estácio Blues, de Juçara Marçal. Mas o que no disco de Juçara eram paisagens e horizontes antianalógicos, naquele Rastilho derretido aos poucos assumia a centralidade em uma nova fase do disco que o torna ainda mais apocalíptico a partir das intervenções de Pedro, aproximando-o tanto do caos elétrico noise quanto de um eletrônico esquizofrênico que por vezes pairava ambient, noutros era pura distorção. Os dois só haviam feito uma apresentação desta versão anteriormente, que Kiko até considerou comportada comparada à desta quinta, e prometem seguir nesse rumo 2025 adentro, expandindo os rumos para o que pode se tornar o próximo trabalho do músico, que encerrou a noite tocando uma versão atravessada de “Silêncio no Bixiga”, de Geraldo Filme. Vai, Kiko!

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Estreia nesta quinta-feira a websérie Racionais 3 Décadas, que o grupo paulistano exibirá em seu canal no YouTube e que volta à turnê comemorativa de 30 anos que fizeram em 2019, com cada um dos episódios focado em um dos quatro integrantes do grupo musical brasileiro mais importante da virada do século.

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St. Vincent e Kim Gordon JUNTAS NO MESMO PALCO?! Sim, vai acontecer no dia 27 de maio, em Santiago, no Chile, e, melhor, num teatro (e QUAL teatro, o quase centenário Caupolicán)! Os ingressos começam a ser vendidos nessa quinta-feira por este link e a própria Annie pediu pra usar o código SCREAMING na hora de comprar (mas podia ter usado a palavra-chave em espanhol, já que acabou de lançar seu próprio disco neste idioma). Mas como as duas vêm tocar no Popload Festival logo depois, não duvide se ganharmos essa de lambuja…

Sábado passado viu a volta aos palcos do Sebadoh, lendário power trio do indie rock norte-americano liderado pelo gênio Lou Barlow, que passou por aqui outro dia tocando baixo no Dinosaur Jr, a banda que o apresentou ao panteão que hoje representa. Há cinco anos sem tocar deste lado do planeta (seus últimos shows foram nos meses antes da pandemia em 2020, quando passaram pelo Japão, Austrália e Nova Zelândia), o trio formado por Lou, Jason Loewenstein e Bob D’Amico apresentou-se como parte das atrações da décima terceira edição do concerto beneficente SMooCH, que arrecada fundos para um hospital infantil em Seattle, num mesmo evento que ainda teve a banda Nudedragons, formada pelos ex-integrantes do Soundgarden (o nome da banda nova é um anagrama da antiga) Kim Thayil, Matt Cameron e Ben Shepherd, que ainda contou com a participação do ex-integrante dos Guns N’ Roses Duff McKagan nas duas últimas músicas. O show do Sebadoh contou com clássicos como “Not Too Amused”, “Careful”, “Happily Divided”, “Magnet’s Coil”, “Rebound”, “License to Confuse”, “Skull”, “Soul and Fire”, “Two Years Two Days” e “Beauty of the Ride” e algumas das músicas foram filmadas por fãs na plateia. Agora só falta eles continuarem a fazer shows pra ver se dão um pulinho por aqui de novo…

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Claro que tinha algum herói na plateia para registrar o improv que resultou da reunião entre Thurston Moore, Lee Ranaldo e Steve Shelley que aconteceu no início deste mês. Olha que maravilha…

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Por motivos de força maior, este show foi adiado para o dia 21 de janeiro, uma terça-feira – e todos que compraram ingressos antecipadamente serão ressarcidos através do site de compras.

O ano está chegando no fim, mas ainda não acabou, por isso conseguimos reunir mais uma vez Manu Julian, Thales Castanheira e Lauiz para uma segunda apresentação de Matar Um Homem Morto, em que celebramos os 30 anos do emblemático Dummy, o primeiro disco do Portishead, no dia 18 de dezembro. É a primeira vez que a Porta recebe a sessão Trabalho Sujo Apresenta, num espetáculo multimídia que conta com a minha direção e visuais feitos por Danilo Sansão e pela própria Manu. O disco de 1994 inaugurou o gênero trip hop e conta com músicas emblemáticas como “Sour Times”, “Mysterons”, “Glory Box” e “Roads” na mesma ordem do disco, trazendo aquela encruzilhada entre jazz, soul, trilha sonora de cinema dos anos 50, dub e funk para o século 21. A Porta fica no número 95 da rua Horácio Lane, entre os bairros Vila Madalena e Pinheiros, e os ingressos já estão à venda neste link.

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Dois irmãos

Foi histórica a apresentação que Caetano Veloso e Maria Bethania fizeram neste domingo no estádio do Palmeiras, quase encerrando a grandiosa turnê que os dois irmãos montaram para celebrar sua parceria e trajetória em quase duas horas ininterruptas com quatro dezenas de canções, mas ficou faltando um tanto para que ela se tornasse épica à altura das duas carreiras. O repertório irregular parecia mais privilegiar temas caros às duas biografias do que seus principais sucessos, escolhendo músicas que o público não conhecia para abordar assuntos como Bahia, terreiro, Mangueira ou Gal Costa do que passar por músicas emblemáticas das carreiras dos dois (até agora não me conformo de não ter ouvido Caetano cantar “Maria Bethania” que compôs no exílio em Londres para a irmã ao lado da própria). E escolhas menos óbvias não chegaram a acrescentar tanto à noite, embora certamente Caetano tenha justificativas apolíneas para tais opções – e por mais que “Gita” de Raul Seixas (por quê?), “Vaca Profana” e a versão para a o hit “Fé” da novata Iza soem deslocadas, nada justifica a inclusão da horrorosa “Deus Cuida de Mim”, louvor gospel crente que parece mais uma caricatura de música do que uma bela canção (não é possível que não haja uma música evangélica melhorzinha para referendar a improvável celebração de Caetano à ascensão dessa corrente religiosa no Brasil). Felizmente logo em seguida Bethania veio com uma sequência de pérolas que ergueu a noite ao status que esperávamos ao enfileirar “Brincar de Viver” com “Explode Coração”, “As Canções Que Você Fez Pra Mim” e “Negue”, mostrando porque é uma das grandes damas da canção brasileira esbanjando voz e carisma. Caetano também estava bem e teve seus momentos (como a versão para “Você é Linda” irretocável), mas nenhum tão catártico quanto tal sequência da irmã. A noite terminou com a celebração familiar “Reconvexo”, que foi emendada como “Tudo de Novo”, uma passagem rápida por “Sampa” e uma “Odara” versão discoteca que embalou bem o público na saída. Mas fora a citada sequência de músicas de Bethania, durante todo o resto do show fiquei pensando na surra de hits que Gil dará em sua versão estádio no ano que vem (mesmo que nos entube os projetos dos mil filhos). Ficou um gostinho de quero mais…

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Infelizmente não tivemos Desaniversário neste sábado por motivos alheios à vontade de fazer festa, mas o consolo do cancelamento abrupto foi poder assistir à mais uma apresentação do mestre Jards Macalé, desta vez no Sesc Pinheiros, novamente defendendo seu disco mais recente, Coração Bifurcado, à frente de uma banda composta apenas por mulheres, com Ifatóki Maíra Freitas (nos teclados), Navalha Carrera (na guitarra), Cris Daniel (no baixo), Aline Gonçalves (nos sopros), Victoria dos Santos (na percussão) e Flavia Belchior (na bateria). E além do repertório de seu disco do ano passado, ele inevitavelmente passeou por diferentes clássicos, seja sozinho ao violão (quando, mais uma vez, contou a história do telefone secreto de João Gilberto, antes de tocar a linda “Um Abraço do João”), seja acompanhado da banda, quando visitou marcos pessoais como “Hotel das Estrelas” e “Soluços”, entre outras. E é tão bom ver o monstro sagrado do alto de seus 81 anos passear seu instrumento, parente tanto de João Gilberto quanto de Jorge Ben, colocando o violão como um instrumento jazzístico a favor das canções. Inspirador, como sempre.

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E o Kraftwerk que chamou o Tony Hawk para anunciar sua nova turnê pela América do Norte no ano que vem? Não há muitos detalhes sobre o que seria a parte multimídia da série de 25 shows que o grupo fará entre os Estados Unidos e o Canadá para comemorar o cinquentenário do disco que formatou o grupo alemão para as massas, Autobahn, lançado em 1975. Mas o comercial em que Hawk puxa um quarteto de skatistas trajados como o grupo alemão à moda do disco The Man Machine (ao som de um mix de faixas do grupo como “Trans-Europe Express”, “The Robots” e a faixa-título do disco aniversariante) para descer sincronizado num half pipe abre possibilidades cênicas e visuais incríveis para o grupo, que não anunciou nenhuma novidade sobre como estas apresentações diferem das recentes – só abriu as vendas de ingressos da turnê, que possivelmente continuará no ano que vem com datas na Europa, mas será que chega por aqui? Tomara…

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