
Mais um Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, reunindo duas bandas novíssimas que mostram como a nova cena vem se movimentando, desta vez com cada um dos grupos revelando uma das vertentes desse cenário. A noite começou com o quarteto Copo e Água, que encaixa-se na categoria “bandas de MPB” que comentei outro dia: grupos cuja formação e entrosamento é próximo das bandas de rock, mas que as influências são essencialmente brasileiras e quase sempre buscando referências em discos antigos e gêneros decanos. E assim o grupo liderado pela impressionante vocalista e violonista Amanda Iumatti, aparentemente pequena, mas que cresce no palco com uma presença incrível e um vozeirão surpreendente, passeia com energia por sambas, bossas novas, baladas e frevos acompanhada de uma cozinha precisa, formada pelos ótimos Rodrigo Bergamin e Rafa Sarmento (este último tambem baterista do Devolta ao Léu, que havia tocado na edição anterior da festa naquela mesma casa). O tecladista original, Miguel Allain, não pode comparecer e a banda chamou o xará Miguel Marques, que segurou muito bem a noite tanto em seu instrumento quanto nos vocais, às vezes dividindo números apenas com Amanda.
Depois foi a vez do trio Los Otros com seu rock direto e melódico que bebe tanto das bandas inglesas dos anos 60 quanto do rock brasileiro dos anos 70 e a cena new wave e pós-punk da década seguinte, mostrando todo o entrosamento que uma banda que mora junto pode ter. O casal Tom Motta (guitarra) e Isabella Menin (baixo) está cada vez mais confiante no palco e a química dos dois funciona muito bem, sempre sobre a bateria de Vinicius Czaplinski. O trio sintetizou ainda mais o repertório, deixando blocos de músicas românticas entre as canções, e fazendo apenas uma versão, a já tradicional “Papai Me Empresta o Carro”, de Rita Lee. Em sua segunda aparição no Inferninho, o grupo estreou no Redoma às vésperas de lançar seu primeiro single, “Rotina”, que usou para encerrar sua apresentação.
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Mais um Inferninho Trabalho Sujo à vista, desta vez no Redoma, ali no Bixiga, trazendo duas bandas que estão despontando na cena paulistanas, o trio Los Otros, formado por Tom Motta, Isabella Menin e Vinicius Czaplinski, que repete sua participação na festa às vésperas de lançamento de seu primeiro single, e os debutantes Copo e Água, que contam com Amanda Iumatti, Rodrigo Bergamin, Rafael Sarmento e Miguel Allain na formação, acabaram de lançar a primeira demo (chamada de Amanda e Os Besobedecem) e estão começando a preparar seu primeiro disco. A festa acontece na sexta, dia 2 de maio a partir das 21h, eu discoteco antes, entre e depois dos shows das bandas e o Redoma fica ali no Bixiga, no número 825A da Rua Treze de Maio, a festa começa às 21h e Vamos lá? Os ingressos já estão à venda!

“IF YOU’RE A FASCIST, GET A TESLA, IT’S ELECTRIC, IT DOESN’T MATTER”, bradou Neil Young na primeira música de sua apresentação no Light Up the Blues Concert, que aconteceu no sábado passado, no Greek Theater, em Los Angeles, nos EUA. Foi a estreia de “Let’s Roll Again”, uma faixa em que o velho canadense zoa a política externa de seu país vizinho, falando sobre a produção de carros limpos feitos na China e citando as tradicionais fábricas de carros dos EUA como uma forma de mostrar o quanto a lógica capitalista daquele país afundou ainda mais. A apresentação de Young aconteceu num festival que arrecadava fundos para crianças autistas dos EUA e ainda contou com shows de Billy Idol, Cat Power, Rufus Wainwright, entre outros. Young ainda aproveitou para tocar uma música que não tocava ao vivo desde 1989, a gigantesca “Ordinary People”, com quase dezoito minutos, e na última música, “Rockin’ in the Free World”, ainda pode contar com o compadre Stephen Stills, integrante, como Young, do clássico quarteto Crosby Stills Nash & Young, na guitarra.
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Lello Bezerra fez bonito na primeira apresentação pública de seu segundo disco solo, que ainda vai ser lançado ainda neste semestre, ao tocá-lo pela primeira vez ao vivo, nesta terça-feira. O novo trabalho – chamado Matéria e Memória, como antecipou em primeira mão – é a primeira incursão do guitarrista pernambucano ao caminho da canção e das letras, ao contar com a inspiração e a parceria de sua companheira Juuar, e foi gravado sozinho e de maneira digital, por isso o desafio era trazer a sonoridade do futuro disco para o palco. Para isso, contou com o auxílio luxuoso de Marcelo Cabral, Julia Toledo e Alana Ananias, que o ajudaram a erguer parte das canções do disco de forma orgânica e fluida, Cabral dividindo-se entre o baixo elétrico e o synthbass, Juliana entre o sintetizador e o piano (e, em uma música, a guitarra) e Alana segurando o ritmo tanto na bateria tradicional quanto nos beats e efeitos eletrônicos. Sobre essa base entrosadíssima entravam a guitarra cheia de efeitos de Lello e sua voz, macia e tranquila, cantando canções nada óbvias que ecoam tanto a psicodelia pernambucana quanto o cancioneiro cearense e misturam essas lembranças estilísticas com um Nordeste pessoal, nada praiano, sertanejo e urbano – “das feiras, da arte figurativa e da escultura”, como frisou entre duas músicas. Noite linda.
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Encerramos a programação de música de abril no Centro da Terra nesta terça-feira com a presença do guitarrista pernambucano Lello Bezerra, que, na noite batizada de Figurafundo, começa a trazer para o palco seu segundo disco solo, previsto para ser lançado no segundo semestre. Ele vem cercado dos bambas Julia Toledo (piano e sintetizador), Marcelo Cabral (contrabaixo e OP-1) e Allana Ananias (bateria e SPDS), que o auxiliam nessa transposição inédita. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
#lellobezerranocentrodaterra #lellobezerra #centrodaterra #centrodaterra2025

Paulo Beto encerrou sua temporada no Centro da Terra nesta segunda-feira em grande estilo, depois de reunir a atual formação de seu Anvil FX para três incursões distintas: o próprio show do Anvil, o projeto paralelo Pink Opake e a participação de Fausto Fawcett, ídolo de PB com quem ele tem trabalhado diretamente nos últimos anos. A apresentação começou com o líder da noite convidando Sílvia Tape, Tatiana Meyer, Apolônia Alexandrina, Mari Crestani e Biba Graeff (esta última voltando aos palcos) para assumirem suas posições, revezando-se entre synths, guitarras e baixos para uma catarse que inicialmente pendia mais para o industrial pós-punk, depois caminhou para o synthpop e culminou com a fusão dessa sonoridade eletrônico sobre o suíngue oitentista dos raps de Fausto, que fez a banda entrar em erupção no último ato: “Tu já te eclesiastes?”, encerrou o bardo.
#anvilfxnocentrodaterra #anvilfx #paulobeto #pinkopake #centrodaterra #centrodaterra2025 #trabalhosujo2025shows 071

Pude assistir no cinema a nova versão para o show que o Pink Floyd gravou sem público nas ruínas da cidade italiana no início de outubro de 1971. Batizada de Pink Floyd at Pompeii – MCMLXXII a nova edição não traz um centímetro de novidades em relação à versão que conhecemos, à exceção de uma excelente restauração de imagem e de som – por isso assistir ao show no cinema foi praticamente obrigatório. Um dos registros de show mais clássicos da história, o filme de Adrian Maben flagra o Pink Floyd em um momento decisivo de sua carreira, quando, depois de anos experimentando possibilidades sônicas após a terem substituído seu fundador, o príncipe psicodélico Syd Barrett, pelo novato David Gilmour, o quarteto finalmente consegue chegar a um equilíbrio musical que vislumbra tanto a atmosfera viajandona dos primeiros anos da banda e os delírios de megalomania que experimentaram nos anos seguintes. A própria ideia de filmar um show em um anfiteatro secular sem a presença do público (e em, várias cenas, de dia), mostra como o Pink Floyd queria mostrar que não era uma banda qualquer e que queria ser reconhecida como clássica numa época em que o rock começava a ter esse tipo de aspiração (o baixista Roger Waters chega inclusive a falar sobre isso no filme). Além das apresentações ao vivo, o filme também traz cenas do grupo nas gravações e na cantina do estúdio de Abbey Road, gravando aquela que seria sua obra-prima, The Dark Side of the Moon, lançado no ano seguinte. Mas são as músicas tocadas ao vivo (em especial as duas partes de “Echoes”, “One of These Days”, “A Saucerful of Secrets” e “Careful with That Axe, Eugene”) o grande trunfo do filme, que ao ser projetado na telona com o som a todo vapor (no Imax então, nem se fala), ganha uma dimensão e uma importância ainda maior. Tanto que o grupo resolveu oficializar esse registro em sua discografia e lança ao mesmo tempo, pela primeira vez, este show como disco, tanto em vinil quanto em CD duplo, quanto como em Blu-ray e DVD (tudo já à venda online), além de disponibilizar seu áudio nas plataformas digitais.
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Ainda impactado pela maravilha que foi o segundo show da turnê Tempo Rei que Gilberto Gil faz para despedir-se dos palcos. Ciente do assombro inicial que tive no primeiro show que vi, o primeiro dessa excursão que fez em São Paulo, pude assistir À passagem da tour pela cidade em sua última vinda com um olho mais clínico, uma vez que não havia mais a surpresa. Mal sabia que seria a noite se tornaria a mais emocionante da turnê quando Gil trouxe, depois de chamar Nando Reis para o palco como primeiro convidado da noite (com o qual dividiu “A Gente Precisa Ver o Luar”), mais uma filha para o palco – e ninguém menos que Preta Gil. A aparição improvável da filha mais conhecida do clã tinha essa característica pois ela atravessa a fase mais grave do câncer que descobriu há dois anos e esteve hospitalizada há pouquíssimo tempo. E embora tenha chegado amparada pela irmã Nara Gil e pela cunhada Mariá Pinkusfeld (“a Nara e a nora”, como brincou depois o próprio Gil mais tarde), ela perdeu a aparente fragilidade ao sentar-se ao lado do pai e cantar uma versão emocionante para “Drão”, música que seu pai compôs ao separar-se de sua mãe, Sandra Gadelha, a quem preta dedicou a canção. Um momento único, central, que conseguiu arrebatar ainda mais a emoção da noite, igualmente intensa à outra que assisti. Como no primeiro show, Gil também atravessou duas horas e meia sem parar no palco, desfilando a mesma sequência de hits com a mesma precisão (e mesmíssimo roteiro) e disposição que nos shows anteriores. E é tão bom vê-lo fazendo isso sem apelar para o peso da idade ou gabar-se da sabedoria e da experiência – Gil prefere fazer do que falar (embora adore falar). Entendo a decisão do mestre de despedir-se dos palcos nessa escala, de shows contínuos apresentados em estádios, ainda mais com a idade passando dos 80, mas duvido muito que ele aposente-se dos palcos definitivamente. É uma desconfiança que parte de sua destreza e familiaridade com o palco e, claro, uma torcida, para que possamos nos reencontrar com Gil muitas outras vezes..
#gilbertogil #giltemporei #trabalhosujo2025shows 070

Arnaldo Antunes apresentou seu Novo Mundo em São Paulo neste fim de semana, quando esteve na choperia do Sesc Pompeia acompanhado de quase a mesma bandaça que o ajudou a erigir seu novo disco – além de Kiko Dinucci na guitarra, Vitor Araújo nos teclados e synths e Betão Aguiar no baixo, o novo grupo tinha Curumin na bateria (em vez do produtor do álbum, Pupillo) e Chico Salem ao violão e guitarras. Mas talvez por ter visto o primeiro dos três shows do fim de semana, na sexta-feira, tenha pego um momento em que eles ainda estavam tateando o novo show, o que fez a noite aquecer do meio pro fim. Com o foco no repertório do novo álbum (mas sem participações especiais – podiam ter chamado Ana Frango Elétrico ou Vandall para participar de uma das músicas), Arnaldo também passeou por outros momentos de sua carreira, visitando tanto Titãs (“O Pulso” e “Comida”, que apareceu no bis) quanto Tribalistas (quando engatou “Já Sei Namorar” logo no começo e “Passe em Casa” antes de terminar a primeira parte) quanto hits de sua carreira solo, mas o show engrenou bonito quando pinçou uma nova (“Tire Seu Passado da Frente”) e emendou com uma versão para o reggaeinho “Cultura”, que, ao deixar na mão dessa banda, virou uma dubzeira cabulosa e o primeiro grande momento desse grupo cinco estrelas soando como uma unidade em si, em vez de mera cama sonora para as canções de Arnaldo. Autor e banda ainda estão se reconhecendo no palco e é inevitável que aos poucos todos soarão como uma só força, mesmo com os holofotes voltados para o poeta.
#arnaldoantunes #sesscpompeia #trabalhosujo2025shows 069

“Uma das melhores homenagens que tive na minha vida”, confessou emocionado Paulinho da Viola ao receber, no Recife, a presença do boneco carnavalesco gigante de Olinda feito em sua homenagem. O “Paulozão da Viola” foi feito por Guilherme Paz, escultor da Embaixada dos Bonecos Gigantes de Recife e foi uma surpresa para o cantor carioca que o escultor combinou com a esposa do homenageado, Lila Rabello. Paulinho chorou ao ver a célebre homenagem, que aconteceu quando sua turnê Quando o Samba Chama passou pelo teatro Classic Hall, na sexta passada.
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