
É a segunda vez que isso acontece este ano no Centro da Terra e, como da outra vez, foi impressionante ver como um disco pode crescer em dez anos. Como o Irmão Victor (que desta vez estava na plateia) fez no mês passado, a dupla Antiprisma também celebrou o aniversário de dez anos de seu disco de estreia, coincidentemente lançados em 2016. Apresentações que foram me apresentadas em conversas paralelas e que calharam de acontecer no mesmo palco com semanas de diferença. E como aconteceu no show do músico gaúcho, a dupla Victor José e Elisa Moos optaram por enriquecer ainda mais seu disco de estreia, preenchendo arranjos com os dez anos de estrada que construíram desde o lançamento do disco. Com isso, optaram por convidar músicos que fizeram parte de sua biografia para transformar a aconchegante choupana folk que construíram no mato com as próprias mãos há dez anos, em uma confortável e ampla casa, sem perder a simplicidade do trato, mas com atenção redobrada ao detalhe. Começaram o show em sua essência, só os dois no palco entrelaçando vocais e violões lindamente, e aos poucos foram chamando os amigos. Primeiro subiram o pai do prognejo Clóvis Cosmo (desta vez na bateria, mas revezando-se entre outros instrumentos como washboard, boingo e flauta) e o baixista Zé Mazzei (tocando um contrabaixo acústico na maior parte do tempo com arco de violoncelo), que acompanharam a dupla por quase toda a apresentação. Aos poucos começaram a chamar outros convidados, como a dupla gaúcha Doce Creolina, a maga Carol Encanto do grupo folk nórdico Yön, a pianista e vocalista Alambradas e o guitarrista Zé Antonio Algodoal, cada um deles entrando em cada número, exatamente na mesma ordem do disco até atingir o ápice em “Das Coisas”, quando reuniram todos os convidados ao redor da mesma música, erigindo uma pequena egrégora de folk caipira que funcionava como uma assinatura musical da atmosfera dos dois. Encerraram o show e o disco sozinhos os dois, primeiro com a última do disco homenageado, para depois completar a noite com uma música de cada um de seus lançamentos, desde o primeiro EP de 2014 (“o do burrinho”) até o disco mais recente (Coisas de Verdade, de dois anos atrás). E o que poderia parecer saudosismo, soou mais como a consciência da experiência de todos estes anos.
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Muita satisfação em receber no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, a comemoração que Elisa Moos e Victor José fazem de uma década do primeiro disco de seu Antiprisma. Planos para Esta Encarnação é recriado no palco do teatro ao ser tocado na íntegra, reforçando a natureza acústica do duo, que recebe convidados para esta apresentação inédita, além de fazer novos arranjos para as clássicas canções. Prometem uma versão madura, que reforça letras e as harmonias vocais em um clima, e contarão com as presenças de Clóvis Cosmo, Zé Mazzei, a dupla Doce Creolina, Carol Encanto, Alambradas e Zé Antonio Algodoal, numa noite que promete ser especial. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Patrícia Bastos encerrou sua temporada Planeta Arrepiado nesta segunda-feira no Centro da Terra transformando o teatro num grande baile nortista. Como sempre acompanhada pelo violão de Dante Ozzetti, que desta vez contrapôs às guitarradas do filho de Patrícia Skipp e à percussão de sua própria filha, Thata Ozzetti , a cantora do Amapá veio acompanhada dos belíssimos vocais dos cantores congoleses Leo Matumona e Hidras Tuala, que superpuseram seu africanto por cima das referências caribenhas e amazônicas da dona da noite, que ainda trouxe um convidado surpresa, quando contou com a presença do multiinstrumentista Zé Pitoco, que desta vez assumiu a zabumba. A presença do grave instrumento de percussão foi a deixa para Patrícia deixar sua apresentação ainda mais dançante, fazendo até o público se levantar para dançar em pleno teatro. Noite linda!
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E como já era previsto, a Balaclava confirmou a vinda de Johnny Marr para uma única apresentação no Brasil no dia 24 de novembro, no Tokio Marine Hall (mesmo dia do primeiro show do Godspeed You! Black Emperor na Áudio) – e os ingressos já estão à venda.

O Faith No More acaba de confirmar os primeiros shows de sua volta marcada para o ano que vem e eles não vêm só – chamaram o grupo System of a Down para dividir quatro noites do outro lado do planeta, quando tocam na Oceania em janeiro e fevereiro de 2027. O primeiro show acontecerá no dia 22 de janeiro em Sydney, seguido de outro show em Melbourne no dia 27 e outro no primeiro dia de fevereiro em Brisbane, todos na Austrália, para visitar a capital da Nova Zelândia Wellington no dia 7 deste mesmo mês. É só o começo de uma invasão do grupo liderado por Mike Patton durante todo o ano e não custa lembrar que tanto o FNM quanto o SOAD têm seus shows geridos pela produtora brasileira 30e, que mandou benzaço nesta escalação.

Um privilégio poder assistir à celebração que a Orkestra Rumpilezz do saudoso Letieres Leite fez ao gênio Moacir Santos no exato dia de seu centenário, neste domingo, no Sesc 14 Bis. A apresentação de gala encerrou a temporada de três datas que o grupo baiano fez neste fim de semana aproveitando o centenário do mestre pernambucano – um mago da música brasileira que infelizmente não tem a popularidade à altura de sua majestade musical – para trazer a releitura idealizada pelo próprio Letieres há mais de dez anos, que só se materializou no álbum Moacir de Todos os Santos após sua morte, em 2021. Dividida entre sopros e percussão, a Orkestra começou a noite trazendo os ritmistas ao palco trajando figurino de gala branco para receber saxes, tuba, trombones, trompetes e flautas num segundo momento, quando os músicos entraram saindo de trás do público. Posicionados ao redor do pulso percussivo tocado por sete músicos – entre eles os maestros Gabi Guedes e Luizinho do Jêje -, os sopros alternavam os arranjos entrelaçados sobre a obra clássica de Moacir, o revolucionário álbum Coisas, de 1965, e solos que tocavam fundo a grande festa de ritmo e melodia em homenagem ao pernambucano, que o grupo fazia questão de comparar com o fundador Letieres, outro gênio da composição, arranjos e da educação através da música. Mas ao centro de tudo, carregando toda a apresentação e fazendo todo o público levitar mesmo que sentado, o naipe de percussão transforma o que poderia ser entendido como uma big band de samba jazz em um ritual mágico e solene à altura dos dois grandes gurus ali representados. De lavar a alma.
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Depois de incluir “Stairway to Heaven” em seu repertório (eles tocaram mais duas vezes depois do primeiro show desta turnê pelos EUA, numa delas emendaram com “Down by the River” do Neil Young), o Pavement segue passeando pelos clássicos e no show que fizeram em Cleveland, na quinta passada, além de tocar “Greenlander” ao vivo pela primeira vez desde 1992, também fizeram uma jam no final de “Half a Canyon” que desembocou em “Lucifer Sam”, do primeiro disco do Pink Floyd, quando a banda ainda era abençoada por seu fundador Syd Barrett. Pelo visto é uma fase “Pavement toca os clássicos” – que continue assim!
Assista à íntegra do show abaixo: Continue

Justin Vernon, cujos fãs conhecem melhor por Bon Iver, já fez algumas apresentações cantando o repertório de Bob Dylan – e fazendo trocadilhos com seu nome artístico e o do velho Zimmerman. A nova aparição aconteceu nessa sexta-feira no volta do festival Eaux Claires, na cidade de Eau Claire, em Wiscosin, nos EUA, criado por Aaron Dessner do The National e que ressuscitou depois de um hiato de oito anos. Vernon já ia tocar seu próprio show no festival, mas devido à vaga deixada por Kevin Morby (que suspendeu seu show no festival pois acabou de ser pai e voltou para ver sua criança com Katie Crutchfield, mais conhecida como Waxahatchee), ele acabou encarnando o mestre da música norte-americana puxando um repertório de clássicos e canções menos conhecidas dos anos 60 e 70, usando o infame nome de Bon Dylan (ele também já usou Bob Iver) para cantar “Don’t Think Twice, It’s All Right”, “The Man In Me”, “Tangled Up In Blue”, “Lay Lady Lay”, “All Along The Watchtower” e “Knockin’ On Heaven’s Door”, que encerrou a apresentação. Felizmente um intrépido fã filmou toda apresentação ,que você pode conferir abaixo (bem como a íntegra do setlist da noite).
Assista abaixo: Continue

Depois de esgotar os ingressos de sua passagem por São Paulo no dia 23 de novembro, o lendário Godspeed You! Black Emperor, papas canadenses do pós-rock, abre uma segunda data no Brasil no dia seguinte, na mesma Áudio em que fará o show no dia anterior – e os ingressos já estão à venda. E por falar em show internacional produzido pela Balaclava, os ingressos para o show do New Order no dia 25 de novembro, este no Espaço Unimed, também se esgotaram. E a produtora soltou um teaser neste domingo indicando que vai trazer alguém de Manchester, na Inglaterra, para o Brasil – o anúncio acontece nesta segunda e com o teaser tocando a introdução fantasmagórica de “How Soon Is Now?” dos Smiths, entrega que vai ser o Johnny Marr, que já está vindo pra América do Sul por conta do festival chileno Primavera Fauna deste ano. Boa fase essa, hein…

A dupla Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro teve sua participação no programa Cultura Livre exibida neste sábado e Roberta Martinelli pode mostrar para todos em seu programa uma música inédita da dupla, a ótima “Quase 30”. E quase contemporâneo da apresentadora (51 aqui), faço dela minhas palavras sobre a letra da música nova. E alguém aí falou em Handycam 2?
Assista abaixo a íntegra do programa e a tal faixa-bônus: Continue