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O mar e o amor

Lavínia encarou o desafio de atravessar um ícone de sua terra de meio século de idade sem medo e com um sorriso no rosto nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando apresentou sua homenagem ao clássico baiano Gal Canta Caymmi. O disco original, com apenas pouco mais de meia hora de duração, fluiu em um espetáculo que chegou em uma hora de duração graças à interação de Lavínia com o público e a leveza robusta da banda dirigida pelo guitarrista Júnior Boca, desta vez ao violão, que chamou um timaço para acompanhar a cantora, com Meno Del Picchia entre o teclado e o piano, Regis Damasceno no baixo, Beto Gibbs na bateria e Marcelo Monteiro nas flautas. Com direção do companheiro Otto Ferreira, o espetáculo ainda contou com figurino, luz e projeções que sublinhavam tanto a paixão de Caymmi pelo mar como pelo amor, tão bem desenhados pelas escolhas de Gal no disco original. A apresentação ainda contou com músicas-extra, quando Regis pegou o violão como único músico no palco para acompanhar a cantora primeiro em “Morena do Mar” e depois “Oração de Mãe Menininha” (quando a banda aos poucos foi voltando ao palco) para finalizar com os clássicos “Suíte do Pescador”, “Caminhos do Mar” e “Maracangalha”, terminando com o astral lá em cima,

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A baiana Lavínia sobe ao palco do Centro da Terra nesta terça-feira para um desafio pessoal: recriar o clássico Gal Canta Caymmi, lançado há meio século, no palco do teatro. Ela vem acompanhada de uma bandaça formada por Junior Boca (violão), Meno Del Picchia (teclados), Regis Damasceno (baixo), Beto Gibbs (bateria) e Marcelo Monteiro (flauta) para passear pelo repertório épico de Dorival Caymmi pinçado pela imortal Gal Costa, num álbum que exala baianidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Desembestados

Absurda a apresentação que o grupo Besta-Fera fez nesta segunda-feira no Centro da Terra, pinçando algumas canções de seu repertório prog fusion para entortar a marretadas musicais o inconsciente dos presentes, num revezamento de tempos ímpares em que o grupo azeitadíssimo submeteu o público presente. A liga entre a guitarra intensa de Arthur Sardinha, o ritmo sincopado frenético da bateria de João Pedro Dentello, o delirante baixo desenfreado de Tom dos Reis e as teclas enfurecidas de André Damião, desta vez entre o synth e o piano, é um dos melhores segredos da cena paulistana desta década e a simbiose orgânica com a qual o grupo conduz suas obras parece ao mesmo tempo rígida e solta, improvisada e ultraensaiada, pegando os ouvintes em surpresas constantes. À entrada simultânea dos convidados da noite – o guitarrista Kiko Dinucci e a vocalista Paola Ribeiro – apenas abriu novas camadas para essa sintonia, com o grupo convidando os dois para improvisar sobre dois temas próprios e depois visitando duas músicas de cada, começando pelo faroeste brasileiro “Marquito” do Rastilho de Kiko, passando pela faixa de abertura do Circus de Paola (“Faca da Palavra”), emendada com seu recém-lançado novo single “Furtacor” e outra do disco que lançou Kiko antes da pandemia, “Febre do Rato”. Uma noite intensa.

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Começamos a safra de apresentações musicais de julho no Centro da Terra com a estreia da banda Besta-Fera no palco do teatro, quando eles mesmos encerram um ciclo que veio com o fim do estúdio Páprica, em que compuseram suas primeiras músicas e celebram este capítulo de sua carreira com o espetáculo Morte e Páprica. Nesta apresentação, o grupo – que transita entre as fronteiras do jazz fusion, do rock progressivo e do math rock – toca pela primeira vez ao lado do guitarrista Kiko Dinucci e da vocalista Paola Ribeiro, que faz o quarteto formado por Arthur Sardinha (guitarra e efeitos), João Pedro Dentello (bateria), Tom dos Reis (baixo) e André Damião (synth e piano) a ampliar ainda mais suas fronteiras musicais. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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O quarteto inglês Wolf Alice voltou para casa no fim de semana passado depois de passar meses em turnê (quando vieram inclusive para o Brasil), fazendo seu maior show até hoje no Finnsbury Park, na capital inglesa, quando encerraram seu próprio minifestival para celebrar seu retorno neste domingo. Depois de shows do Last Dinner Party, Lykke Li, Rachel Chinouriri, Keo e Florence Road, a banda liderada pela vocalista Ellie Rowsell fez uma apresentação histórica quando se consagrou como uma das principais novas bandas da ilha – e encerrou a noite tocando nada menos que “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana. Não é pra qualquer um…

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Madonna estreou seu ótimo Confessions II num set ao vivo na virada da quinta pra sexta na boate Magazine, em Londres, num evento chamado de Club Confessions. A festa foi uma discotecagem comandada pelo produtor do disco – Stuart Price, o mesmo que fez o primeiro Confessions, de 2005 – em que Madonna cantou várias músicas novas ao lado da filha Lourdes, que canta desde 2022, primeiro com o nome artístico de Lolahol, para depois apresentar-se como Lola Leon, nome que usa inclusive em sua participação no novo disco da mãe, na faixa “The Test”, que também foi coescrita por ela.

Assista a trechos do set abaixo: Continue

“A pior parte de ter 80 anos é que você acha que, finalmente, você chega ao entendimento de algo que poderia ter sido alterado tudo no passado, mas isso vem numa época em que algo ainda pode ser alterado”, escreveu Bob Dylan no mês passado no New York Times, sobre passar dos 80 anos, “quando você é jovem você acha que o tempo move-se para frente, mas aos 80 você sabe que não, que ele fica parado e somos nós quem nos movemos”. Colocando em prática o que ele diz, ele segue mudando os rumos de sua atual turnê como se pudesse mexer em algo sem saber direito em quê. Na semana passada, ele despediu-se do guitarrista Doug Lancio, com quem vinha tocando desde o início da turnê de seu disco mais recente (Rough and Rowdy Ways, que batizava a turnê até dois meses atrás, quando resolveu chamá-la de Long Hot Summer Tour), e em seu lugar chamou o jazzista Julian Lage. Os fãs logo notaram que Lage não iria prosseguir no cargo pois tinha sua própria turnê marcada para começar em breve, mas antes que ele pudesse deixar o palco, Dylan tirou o outro guitarrista, Bob Britt, de cena, no início desta semana. Este, que vinha tocando com o mestre desde 2019, postou em suas redes sociais um lacônico “Sayonara Bobby” e respondeu que havia caído fora quando um fã perguntou em um comentário (publicação que Britt já deletou). E no lugar dos dois guitarristas que já não estavam mais entrou o guitarrista de Chicago Joel Paterson, que tocou com Dylan nos seus dois últimos shows desta semana. E, como em todas estas súbitas mudanças, ainda não temos informações sobre quem será a banda que o acompanhará nas datas restantes – e se outra troca de músicos poderia acontecer. Como sempre quando o assunto é Dylan, nada é claro…

Ouça abaixo gravações com trechos dos shows em que Paterson estreou na banda: Continue

No dia 26 de setembro do ano passado, Courtney Barnett estava começando a dar pistas que viria com disco novo em breve, mas ao apresentar-se nos estúdios de Levon Helm, em Woodstock, fez uma apresentação em tocou várias músicas, incluindo a íntegra de todo o disco que ainda não havia nem anunciado. Meses depois do lançamento do ótimo Creature of Habit, um dos grandes discos deste ano e talvez seu melhor álbum, ela torna pública a apresentação do ano passado, deixando apenas as músicas então inéditas do novo disco no repertório que acaba de estrear em seu canal no YouTube. Bom demais.

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Outra bola dentro da Balaclava, que pesca o New Order que está vindo pro Chile em novembro pra se apresentar no Primavera Fauna e garante a apresentação única do grupo inglês pelo Brasil, quando tocam no Espaço Unimed dia 25 de novembro, com abertura da banda Jovens Ateus – e os ingressos já estão à venda. Não custa lembrar que o casal Stephen Morris e Gillian Gilbert acabou de anunciar seu desligamento das apresentações ao vivo da banda por motivos de saúde e o único integrante original do grupo a vir para esta apresentação é o guitarrista e vocalista Bernard Sumner. Agora resta saber se o Primavera Sounds São Paulo, que não tem nenhum vínculo com o Primavera Fauna chilleno, pode absorver algumas de suas outras atrações, como Underworld, Hot Chip, Johnny Marr ou American Football, ou se outra produtora pode trazer esses caras em shows solos (ou em um minifestival, como aconteceu com o Indigo Fest no ano passado).

Fecho mágico

Depois de passear por territórios alheios, Gustavo Galo terminou sua temporada Um Bis no Abismo nesta quarta-feira no Centro da Terra voltando para si mesmo. Se nas apresentações anteriores reuniu grupos de camaradas para celebrar composições de outros autores – entre ídolos e compadres -, nesta última apresentação ele passeou por seu repertório solo ao lado da bandaça que o acompanha há uma década e pinçou algumas inéditas para o encerramento desta safra de shows. Agradecendo imensamente a companhia dos músicos com quem convive neste período – o guitarrista Lucas Gonçalves, o baixista e produtor (e aniversariante!) Otávio Carvalho, o saxofonista Oscar “Cuca” Ferreira e o baterista Pedro Gongom -, ele protagonizou um momento único em sua trajetória ao convidar para dividir o palco pela primeira vez a musa e comadre cuja voz veio cantando numa interferência radiofônica às vésperas do nascimento de seu primeiro filho numa história linda que contou antes de chamá-la para a apresentação. E ao lado de Ná Ozzetti não apenas cantou “Conversa com Dulcina” como a mesma “Canto em Qualquer Canto” que Galo e sua companheira ouviram através do ultrassom antes do nascimento de seu filho. Um encerramento mágico para uma temporada surpreendente.

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