Trabalho Sujo - Home

Show

Ninguém tinha dúvida que a turnê conjunta das Sleater-Kinney com a Liz Phair seria uma festa dos anos 90, mas ninguém poderia prever que elas tocariam “Connection” do Elastica em um dos shows – ainda mais juntas! -, como fizeram nesta segunda-feira, no MGM Fenway, em Boston, nos EUA. E isso só aumenta a expectativa sobre alguma novidade do Elastica além de reedições e produtos pra vender…

Assista abaixo: Continue

Beats latinos

Em mais uma apresentação dentro de sua temporada Coexistência, que está fazendo nas segundas de setembro no Centro da Terra, Sandra X convida o companheiro e parceiro musical Craca Beat para recriar no palco do teatro o espetáculo Terra Tremesse, em que entre beats e loops disparados pelo produtor – que também toca guitarra e controla a projeção mapeada -, mergulha num universo dançante da América Latina em que forró, guitarrada, reggae, carimbó, lambada, funk e cumbia se encontram entre timbres eletrônicos. Acompanhados dos vocais e percussões de Rafa Ella Voa e das flautas de Gil Duarte, os dois ainda receberam a cantora Luiza Lian ao final da apresentação, que cantou sua “Pomba Gira do Luar” antes de encerrar a noite agradecendo à dupla que inspirou seu trabalho ao lado do produtor Charles Tixier e cantando “Oxossi”, do trabalho apresentado nesta segunda.

#sandraxnocentrodaterra #sandrax #centrodaterra2026 #centrodaterra #trabalhosujo2026shows 222

Enquanto excursiona com seu recém-lançado disco (o ótimo Thank You, vale ouvir), o beastie boy Mike D tem pinçado algumas faixas de sua eterna banda no repertório, sempre encerrando as noites com o hit “So What’cha Want”. Mas acompanhado da banda 5D, que conta com dois filhos seus na formação, D puxa pelo menos quatro músicas dos Beastie Boys, por show, abrindo com “Hello Brooklyn”, passando por “Looking Down the Barrel of a Gun” e “3‐Minute Rule”, além de “Body Movin’” e “Remote Control” (uma média ousada, três do Paul’s Boutique, duas do Hello Nasty e uma do Check Your Head, mas eu adorei), além de sempre abrir o bis com uma versão para a excelente (e esquecida) banda pós-punk inglesa Delta 5, cantando o hit “Mind Your Own Business” (deixei uma destas versões abaixo). Mas neste domingo, no Observatory, em Santa Ana, na Califórnia, ele encerrou o show com a mesma música de sempre – “So What’cha Want” – com dois convidados de peso, o tecladista Money Mark e o DJ Mix Master Mike, ambos partes de uma das formações clássicas do grupo a partir dos anos 90. Pesadíssimo – e abre possibilidades que é melhor nem pensar. Assista abaixo: Continue

Maurício Pereira fechou o fim de semana lançando seu nono álbum como artista solo com toda a devida mesura que requer tal programa essencialmente paulistano, quando lotou o teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros acompanhados de velhos e novos compadres. Com uma banda formada pelos produtores do disco Biel Basile (na bateria) e o filho Chico Bernardes (nos violões), o velho comparsa Tonho Penhasco (na guitarra), o sagaz Fábio Sá (nos baixos) e a novata Julia Toledo (piano e teclados), ele afinou a ordem das músicas em relação à de seu O Dia da Girafa (dando uma dinâmica mais direto ao ponto, diferente da registrada, que demora para bater no álbum), misturando–a com outras canções de seu repertório – e fez isso sem cerimônia, ao incluir “Balangandans” do primeiro álbum Na Tradição e puxar logo em seguida os hits “Pra Marte” (esta acompanhada apenas de Chico ao violão) e ‘Um Dia Útil” (esta só com a guitarra de Tonho). Trouxe sua ode “Trovoa” um pouco antes de chamar toda a Espetacular Charanga do França para o palco e dividir a marchinha “O Leme é Um Lugar Genial”, do novo álbum, e o próprio França agradeceu Maurício por ter chamado sua banda após ter tocado a música que sua outra banda (o Metá Metá) regravou em seu primeiro disco (além de lembrar, às gargalhadas, da dificuldade que era lotar a primeira encarnação da Casa de Francisca, com pouco mais de 40 lugares). A Charanga seguiu no palco para uma versão para “Purquá Mercê” d’Os Mulheres Negras e depois Maurício misturou “Florida” e “Pan y Leche” numa mesma canção, antes de entrar numa longa e inspirada ficha técnica cantada, esticando o espetáculo para quase duas horas. Encerrou o show com a faixa que abre o novo disco (“Uma Vida Standard”), mas voltou mais uma vez com a Charanga para outra música de seu primeiro disco, “Tudo Por Ti”. E assim reforça cada vez mais seu status de patrimônio paulistano, não importa qual disco lance.

#mauriciopereira #sescpinheiros #trabalhosujo2026shows 221

A banda mineira Varanda deu um salto considerável em seu último disco, fugindo de músicas fáceis e grudentas para convidar seus ouvintes para ambiências sonoras e dramáticas que reforçam algo que estava apenas nas entrelinhas do primeiro álbum. E se o disco de estreia Beirada tinha algo de cronista e indie pop, no disco de título interminável (que eles mesmos sugeriram a redução para apenas Às Vezes Um Sonho), eles deixam o pop em segundo plano para mergulhar nos devaneios vocais e cênicos da vocalista Amélia do Carmo e na psicodelia indie cada vez mais pesada do trio instrumental formado por Augusto Vargas (baixo), Mario Lorenzi (guitarra) e Bernardo Merhy (bateria). Ao apresentar o disco ao vivo dentro da sessão Estéreo MIS, que o Museu da Imagem e do Som abre para novos artistas nesta sexta-feira, o quarteto reforçou essa mudança de tom ao tocar o disco na íntegra – embora fora da ordem – e escolher poucas canções do primeiro álbum para o novo repertório (entre elas “Vida Pacata” e “Cê Mexe Comigo”, esta cantada em uníssono pelo público que encheu o auditório do museu). O conjunto musical apresentado é mais envolvente e descritivo do que as faixas do disco anterior e o clima do novo álbum exala mineirice ao mesmo tempo que soa mais assertivo, sem a insegurança confessa de sua primeira fase. Some isso à segurança de palco (mesmo com inevitáveis perrengues, como uma corda arrebentada e a mão machucada do baterista, que impediu um bis), à química entre seus integrantes e ao desafio proposto de expandir-se esteticamente para soar ainda mais autoral e temos um momento que é tão importante para a banda quanto para seu meio. Não por acaso encerram o show com “Relâmpagos”, do primeiro disco, canção que parecia apontar o rumo do futuro próximo da banda, mas não consigo me desprender de “Labirinto”, em que eles equilibram sua força indie (o início entre o Gang of Four e o Franz Ferdinand) e sua sensibilidade MPB que acabam sendo a chave para que eles sejam uma das principais bandas da cena indie brasileira atualmente.

#varanda #mis_sp #trabalhosujo2026shows 220

Eis a Nico cantando “New York, New York” como parte de sua participação na peça de vanguarda Mr. Dead and Mrs. Free, escrita pelo diretor húngaro Andrei Serban e pelo dramaturgo estadunidense Jeff Weiss, e encenada no Squat Theatre, na própria Nova York, em 1982. É impressionante como a letra da música – feita para o filme de mesmo nome de Scorsese, que fracassou nas bilheterias, mas que levantou a carreira de Frank Sinatra – ganha um tom completamente diferente a partir do timbre e do histórico da própria Nico. Muito foda.

Assista abaixo: Continue

Toe atordoante!

Absurdo o show que o quarteto japonês Toe fez nesta quinta-feira no Cine Joia. Equilibrando com maestria delicadeza e esporro, doçura e ruído, o grupo hipnotizou o público que abarrotou a casa de shows para cantarolar riffs e as poucas letras que o grupo quase instrumental puxa em alguns momentos do show. Dividindo o setlist entre músicas do álbum mais recente (Now I See the Light, de 2024) e do clássico For Long Tomorrow (de 2009), o grupo expande as próprias composições de modo muito didático, criando peças circulares entre as duas guitarras – ou, por vezes, guitarra e violão – que vão sendo regadas pelo movimento do grupo no palco e, a cada nova repetição, uma nova camada de ruído e volume vai sendo acrescida a uma avalanche de pós-rock que começa a partir do contato de pequenos cristais de som. É interessante ver a dinâmica do grupo no palco, com o intenso baterista Kashikura Takashi atuando como o regente da intensidade do grupo, acompanhado de perto da guitarra performática de Mino Takaaki, que parece encarnar todos os integrantes do Sonic Youth em si mesmo. No centro do palco, o baixista Satoshi Yamane funciona como peso da balança do grupo e marca o andamento precisamente – às vezes parando de tocar para fazer a banda desacelerar, enquanto o tecladista convidado tempera algumas canções com timbres eletrônicos ou andamentos introspectivos nos momentos mais quietos do show. O guitarrista e vocalista bissexto Yamazaki Hirokazu é a baliza das emoções do Toe e entrega-se ao violão e à melodia gritada das letras que induzem o público ao torpor como se fossem os instrumentos elétricos – e por mais tímido que pudesse parecer no início (foi cumprimentar o público com mais de uma hora de show), ele não só ergueu uma bandeira mashup do Brasil com a do Japão como chamou uma brasileira para ler uma declaração de amor ao nosso país e um manifesto sobre a necessidade de se fazer o que se gosta sem fazer concessões, explicando que o Toe é isso para eles. Encerraram o show com um bis mais acústico de quase meia hora, atordoando as expectativas sônicas e emotivas do público, que saiu em transe.

#toe #cinejoia #trabalhosujo2026shows 219

E a Hayley Williams que chamou a Rico Nasty para tocar “Airplanes” ao vivo no show que fez nesta quinta-feira no Forest Hills Stadium, em Nova York? Será que ela vai tocar essa no Brasil?

Assista abaixo: Continue

Se o New Order vem só com Bernard Sumner para duas apresentações em novembro em São Paulo, o ex-baixista do grupo, Peter Hook, acaba de anunciar que virá ao Brasil no ano que vem, quando toca na íntegra os discos Unknown pleasures (1979) e Closer (1980), dois únicos discos que o grupo Joy Division, que originou o New Order, gravou antes da morte de seu vocalista Ian Curtis. Apresentando-se como Peter Hook & The Light, ele toca em São Paulo no dia 9 de março de 2027 na Áudio e os ingresos começam a ser vendidos nesta sexta-feira.

Acabaram de encontrar esse vídeo com o King Crimson (formação com Robert Fripp na guitarra, Ian McDonald no sax, Greg Lake no baixo e vocal e Michael Giles na batera) em 1969 exibido em um programa de TV alemão (que provavelmente superpôs a gravação original do grupo com a versão gravada de “21st Century Schizoid Man’) num raro registro de um dos primeiros momentos da banda.

Assista abaixo: Continue