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“Exugaze” é um bom rótulo e funciona para explicar os rumos tomados por Kiko Dinucci em seu recém-lançado Medusa, disco em que faz as pazes com a guitarra elétrica. Mas resumir seu terceiro disco solo a esse trocadilho diminui toda a densidade da sombra quebrada e melancólica que o guitarrista acaba de parir. Esta ganha peso, volume e força ao ser executada com quatro amplificadores para uma única guitarra, postos no meio do palco como o monolito de 2001 – enigmático, impassível, inescapável. Ladeando-os estavama Kiko e Podeserdesligado, cúmplice na materialização do disco em show, que, com seus eletrônicos, fazia crescer a nuvem preta invisível que o guitarrista despejava sobre a plateia como uma maldição triste. Nunca um show naquele teatro soou tão alto e Kiko sabia o que estava fazendo, tanto que citou a importância daquele palco para ele e para a cidade, mencionando shows históricos inclusive em que foi protagonista, como o lançamento de seu Rastilho um mês antes da pandemia, uma apresentação sem público do Metá Metá durante a quarentena eterna daquele 2020 e os últimos shows de Jards Macalé em São Paulo, quando o mestre carioca dividiu a noite com o próprio Kiko. Além da força estática dos ruídos elétricos (a cargo do Pedro Silva, que cuidava do som do teatro como se segurasse os portões do inferno), Medusa ao vivo ganha ainda mais um outro nível graças à luz sobrenatural de Olívia Munhoz, cada vez mais afiada. Motor de toda essa energia, Kiko não soa nem agressivo nem incisivo, regendo solidão e ceticismo enquanto conecta o recém-aprofundado shoegaze às canções que tocam nas rádios do Brasil. Assim, invoca, além de Jards Macalé (de quem tocou a parceria conjunta “Coração Bifurcado”) e Beto Villares (de quem cantou “Chorei”) a Roberto Carlos (ressuscitando “Os Seus Botões”). Esta presença fantasmagórica (mesmo que RC esteja vivo) culmina com o ápice do disco e do show, quando canta a balada “Como Foi”, tristes reticências de um disco sobre ecos do passado, que termina transmutando-se no pesadelo chamado “Fantasmagoria IV”, que encerra o show. Inacreditável – e sério candidato a show do ano.

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Prestes a lançar seu disco de estreia (In Endless Awe And Agony, marcado pra sair em novembro), a estrela australiana do hyperpop em ascensão Daine foi convidada pela rádio conterrânea Triple J para participar do quadro Like a Version – e ela pinçou um clássico dance music da década passada, quando Martin Solveig e Dragonette se juntaram na irresistível “Hello”, que Daine faz bonito ao manter o vigor e o carisma original da faixa.

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Mais impressionante que saber porque, do nada, uma banda do deserto do Saara e pouco conhecida no Brasil ter tornado-se o assunto do mês e o hype da semana em São Paulo é saber que três dos integrantes do Tinariwen que apresentaram-se nestas quinta e sexta na comedoria do Sesc Pompeia fundaram o grupo há quase 50 anos, quando, depois de exilados do Mali por conta da guerra civil iniciada nos anos 60, foram repatriados na Líbia do Coronel Gaddafi e criaram o grupo quando serviam o exército daquele país. O líder e fundador da banda, Ibrahim Ag Alhabib, único dos três guitarristas a tocar violão no show, viu seu pai ser assassinado com quatro anos de idade e criou um instrumento com um pedaço de pau, uma lata de óleo e o fio de um freio de bicicleta depois de ver, num filme americano de faroeste, alguém tocando violão. E lá estavam, nesta sexta-feira, três de seus fundadores, Ag Alhabib, Alhassane Ag Touhami (o único que só canta, mas é um poço de carisma) e Abdallah Ag Alhousseyni (na segunda guitarra), todos com quase 70 anos de idade, acompanhados dos novatos Iyad Moussa Abderrahmane (na terceira guitarra), Eyadou Ag Leche (groove firme no baixo) e Said Ag Ayad (nas percussões) devidamente paramentados com suas túnicas frente a uma plateia extasiada que entupiu o Sesc Pompeia depois de esgotar os ingressos em literalmente 15 minutos. Não sei se foi a vinda do Etran De L’Aïr em 2025, a crescente conscientização sobre a causa árabe, o contínuo pensamento decolonialista destes anos 20 ou uma mistura disso tudo que fizeram estes shows bombarem tanto, mas o sexteto da África Central mostrou a que veio, induzindo o público a um transe mágico que vou poucos celulares sendo erguidos para registros, enquanto todos dançavam uma música estrangeira em uma língua desconhecida. Os BPMs da noite começaram baixo e foram aumentando até culminar no bis, quando um certo alguém plantou um boné do MST na cabeça de Abderrahmane, fazendo a noite de sexta tornar-se, além de tudo, uma celebração do pensamento progressista em altíssimo nível, ainda mais após a proibição das bets no início do fim de semana. Um sextou épico!

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É muito ver uma banda crescer e é nítido perceber como cancha de palco e a convivência mútua contínua fizeram a Boia tornar-se um dos melhores segredos da nova cena paulistana. Com os dois pés fincados na MPB, o sexteto se conheceu na Unicamp e há pouco mais de um ano assumiu o primeiro show autoral, quando ainda traziam na manga versões para músicas de Moacir Santos e Hermeto Pascoal. De lá pra cá, não só azeitaram melhor o próprio repertório como lançaram um primeiro EP e consolidaram sua reputação em shows contagiantes. Mas ao tocar nesta quinta-feira numa das salas do Cine Belas Artes dentro de mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta que realizo no local, eles deixaram o clima de festa em segundo plano para abraçar a atmosfera da sala de cinema, temperada pelos visuais assinados por Rosa Albergaria, preferindo quase não conversar com o público, que lotou a sessão. E assim, sem conversa entre as músicas e exercitando os silêncios que os shows que normalmente fazem não permitem existir, o flautista e saxofonista Renato Quirino, o guitarrista Murilo Costa Rosa, o baixista Murilo Kushi, do baterista João Decco e os principais compositores e vocalistas Leo Bergamini – que também toca violão – e Luli Mello usaram aquela apresentação como uma espécie de marco final de uma primeira fase do grupo, entre a indecisão sobre como assumir uma assinatura musical própria à consolidação desta mesma, materializada com música ao vivo. Já andando com as próprias pernas, a Boia parece pronta para um próximo salto: o primeiro álbum. Está tudo ali.

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Vamos à mais uma sessão de música no cinema, quando faço mais uma edição da noite Trabalho Sujo Apresenta no Cine Belas Artes, desta vez trazendo a banda Boia, que preparou o espetáculo audiovisual Viajante Marginal, que fará no dia 24 de setembro. Formada em Campinas, a banda conta com Luli Mello (vocal), Murilo Kushi (baixo), Leo Bergamini (violão), Murilo Costa Rosa (guitarra), Tato Quirino (sopros) e João Decco (bateria) e acaba de lançar seu primeiro EP, que ganha uma camada audiovisual graças às intervenções da artista Rosa Albergaria. Os ingressos já estão à venda.

5 de julho de 2025 foi um dia monumental para a história do rock, do heavy metal e, claro, de Ozzy Osbourne. Quando o patrono do rock pesado subiu ao palco no Villa Park em Birmingham, na Inglaterra, para fazer aquele que seria seu último show, tanto a carga emocional quanto a expectativa eram gigantescas, pois quase todos os artistas de primeiro escalão que foram influenciados pelo Black Sabbath estiveram presente no espetáculo, que culminou com a última apresentação solo do vocalista e a última performance do Sabbath com sua formação clássica, com Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria. Não bastasse esse ápice do heavy metal que nunca terá evento da mesma magnitude, o concerto Back to the Beginning ainda teve o trágico final posterior que culminou com a própria morte de Ozzy, menos de duas semanas depois da apresentação. E agora ele chega aos cinemas, inclusive no Brasil, quando, além de seu trailer, foi anunciado todo o setlist do filme, que incluirá a íntegra da apresentação de Ozzy e do Black Sabbath e mais de vinte canções deles tocadas por ícones do gênero que vão do Guns’N Roses ao Metallica, passando pelo Tool, Anthrax, Gojira, Pantera, Slayer, Alice in Chains e Mastodon e outras faixas com a banda arregimentada por Tom Morello, do Rage Against the Machine, que foi o diretor musical do evento e chamou Billy Corgan, Vernon Reid, Steven Tyler, Mike D, Yungblud, Ronnie Wood, entre muitos outros. O filme tem duas horas e meia e já tem ingressos à venda para os dias 28 e 29 deste mês.

Veja o trailer e a relação das músicas abaixo: Continue

Neil Young teve de cancelar a turnê que faria este ano no verão europeu mas com a proximidade do festival Farm Aid – que acontece no próximo dia 26 e que contará com sua participação ao lado de sua nova banda de apoio, os Chrome Hearts -, ele resolveu fazer dois shows de esquenta ao lado do ídolo Willie Nelson, que também estará no mesmo festival. Aos 93 anos, Nelson abriu a noite do primeiro dos dois shows nos EUA (que aconteceu na cidade de Bridgeport) e dividiu com Young ao vivo os vocais da música “Are There Any More Real Cowboys?”, que gravaram em 1985 e raramente tocam ao vivo. Já Young optou por um set mais bucólico e acústico (clima de seu recém-lançado quinquagésimo álbum, o recém-lançado Second Song), mas no bis apertou o pedal da eletricidade e misturou o hino “Rockin’ in the Free World” com gritos de “Take America back!”, além de arrebentar as cordas da guitarra no final da música. O velho segue quente. Assista à integra do show (e o dueto com Nelson) abaixo: Continue

Valendo, Danislau!

Valendo! Danislau começou a colocar sua carreira solo em público nesta terça-feira, quando mostrou, pela primeira vez para além de seu círculo de amigos, as músicas que formarão seu disco de estreia para além de sua banda original, Porcas Borboletas. Ele bolou um repertório composto por letras faladas e refrães cantados em coro e o executou com uma bandaça para acompanhá-lo, formada pelo produtor do disco Arthur Kunz na bateria, o baixista Gabriel “Bubu” Mayall, o guitarrista aMoita Mattos e o tecladista Wagner Bernardes. Ao seu lado, por quase todo o show, Bruna Lucchesi fazia as vezes dos vocais de apoio, cantados depois que Danislau encarnava um Fausto Fawcett otimista, mesmo quando estava cantando sobre os perrengues da vida. O show ainda contou com uma participação impagável de Juliana Perdigão – com quem o protagonista dividiu um diálogo carnavalesco -, outra romântica de seu companheiro de Porcas Enzo Banzo e um momento introspectivo com o cineasta Filipe Franco na guitarra, materializando o sonho conversado com o qual Danislau tem trabalhado desde o fim do ano passado. Agora é esperar pelo lançamento do disco, que será no ano que vem!

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Imensa satisfação receber mais uma vez Danislau no palco do Centro da Terra, desta vez apresentando o início de sua carreira solo – mesmo que continue no lendário Porcas Borboletas. Nesta terça-feira, ele começa a mostrar o que será seu primeiro disco solo Não Me Leve a Mal, previsto para ser lançado no próximo ano e que ele está gravando à frente de uma banda formada por Arthur Kunz (bateria), Gabriel Mayall (baixo e guitarra), Moita Mattos (guitarra e voz), Wagner Bernardes (teclado), além de ter participações de seu compadre de banda Enzo Banzo, do formidável Rafael Castro, da mestra Juliana Perdigão e da excelente Bruna Lucchesi. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Los Otros de novo!

“A gente escolheu essa música pra ser nosso segundo single porque de alguma forma ela representa o que a gente está fazendo”, explica o argentino Tom Motta,a vocalista e guitarrista da banda Los Otros, que antecipa o “Rockzinho Básico”, sucesso nos shows do grupo e que será lançado nesta quarta-feira, em primeira mão para o Trabalho Sujo. “É um desabafo sobre fazer música de uma forma descontraída, que foi como a gente a escreveu, sem pensar tanto e falando o que queremos falar do jeito que queremos falar”, completa a rondonense Isabella Menin. “É uma brincadeira com o nosso próprio olhar – e o olhar alheio – sobre fazer música na cena independente atual, as expectativas em torno disso e as relações com as pessoas”, conclui o guitarrista do trio transestadual formado em São Paulo, que ainda conta com o baterista paraense Vinicius Czaplinski, que aos poucos se estabelece na cena independente da cidade. O próprio Bernardo conta que uma nova fase da banda logo após um show que farão em outubro: “Vamos começar a planejar as gravações do álbum, que queremos lançar no primeiro semestre de 2027”, antecipa.

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