
A banda mineira Varanda deu um salto considerável em seu último disco, fugindo de músicas fáceis e grudentas para convidar seus ouvintes para ambiências sonoras e dramáticas que reforçam algo que estava apenas nas entrelinhas do primeiro álbum. E se o disco de estreia Beirada tinha algo de cronista e indie pop, no disco de título interminável (que eles mesmos sugeriram a redução para apenas Às Vezes Um Sonho), eles deixam o pop em segundo plano para mergulhar nos devaneios vocais e cênicos da vocalista Amélia do Carmo e na psicodelia indie cada vez mais pesada do trio instrumental formado por Augusto Vargas (baixo), Mario Lorenzi (guitarra) e Bernardo Merhy (bateria). Ao apresentar o disco ao vivo dentro da sessão Estéreo MIS, que o Museu da Imagem e do Som abre para novos artistas nesta sexta-feira, o quarteto reforçou essa mudança de tom ao tocar o disco na íntegra – embora fora da ordem – e escolher poucas canções do primeiro álbum para o novo repertório (entre elas “Vida Pacata” e “Cê Mexe Comigo”, esta cantada em uníssono pelo público que encheu o auditório do museu). O conjunto musical apresentado é mais envolvente e descritivo do que as faixas do disco anterior e o clima do novo álbum exala mineirice ao mesmo tempo que soa mais assertivo, sem a insegurança confessa de sua primeira fase. Some isso à segurança de palco (mesmo com inevitáveis perrengues, como uma corda arrebentada e a mão machucada do baterista, que impediu um bis), à química entre seus integrantes e ao desafio proposto de expandir-se esteticamente para soar ainda mais autoral e temos um momento que é tão importante para a banda quanto para seu meio. Não por acaso encerram o show com “Relâmpagos”, do primeiro disco, canção que parecia apontar o rumo do futuro próximo da banda, mas não consigo me desprender de “Labirinto”, em que eles equilibram sua força indie (o início entre o Gang of Four e o Franz Ferdinand) e sua sensibilidade MPB que acabam sendo a chave para que eles sejam uma das principais bandas da cena indie brasileira atualmente.
#varanda #mis_sp #trabalhosujo2026shows 220

Eis a Nico cantando “New York, New York” como parte de sua participação na peça de vanguarda Mr. Dead and Mrs. Free, escrita pelo diretor húngaro Andrei Serban e pelo dramaturgo estadunidense Jeff Weiss, e encenada no Squat Theatre, na própria Nova York, em 1982. É impressionante como a letra da música – feita para o filme de mesmo nome de Scorsese, que fracassou nas bilheterias, mas que levantou a carreira de Frank Sinatra – ganha um tom completamente diferente a partir do timbre e do histórico da própria Nico. Muito foda.
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Absurdo o show que o quarteto japonês Toe fez nesta quinta-feira no Cine Joia. Equilibrando com maestria delicadeza e esporro, doçura e ruído, o grupo hipnotizou o público que abarrotou a casa de shows para cantarolar riffs e as poucas letras que o grupo quase instrumental puxa em alguns momentos do show. Dividindo o setlist entre músicas do álbum mais recente (Now I See the Light, de 2024) e do clássico For Long Tomorrow (de 2009), o grupo expande as próprias composições de modo muito didático, criando peças circulares entre as duas guitarras – ou, por vezes, guitarra e violão – que vão sendo regadas pelo movimento do grupo no palco e, a cada nova repetição, uma nova camada de ruído e volume vai sendo acrescida a uma avalanche de pós-rock que começa a partir do contato de pequenos cristais de som. É interessante ver a dinâmica do grupo no palco, com o intenso baterista Kashikura Takashi atuando como o regente da intensidade do grupo, acompanhado de perto da guitarra performática de Mino Takaaki, que parece encarnar todos os integrantes do Sonic Youth em si mesmo. No centro do palco, o baixista Satoshi Yamane funciona como peso da balança do grupo e marca o andamento precisamente – às vezes parando de tocar para fazer a banda desacelerar, enquanto o tecladista convidado tempera algumas canções com timbres eletrônicos ou andamentos introspectivos nos momentos mais quietos do show. O guitarrista e vocalista bissexto Yamazaki Hirokazu é a baliza das emoções do Toe e entrega-se ao violão e à melodia gritada das letras que induzem o público ao torpor como se fossem os instrumentos elétricos – e por mais tímido que pudesse parecer no início (foi cumprimentar o público com mais de uma hora de show), ele não só ergueu uma bandeira mashup do Brasil com a do Japão como chamou uma brasileira para ler uma declaração de amor ao nosso país e um manifesto sobre a necessidade de se fazer o que se gosta sem fazer concessões, explicando que o Toe é isso para eles. Encerraram o show com um bis mais acústico de quase meia hora, atordoando as expectativas sônicas e emotivas do público, que saiu em transe.
#toe #cinejoia #trabalhosujo2026shows 219

E a Hayley Williams que chamou a Rico Nasty para tocar “Airplanes” ao vivo no show que fez nesta quinta-feira no Forest Hills Stadium, em Nova York? Será que ela vai tocar essa no Brasil?
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Se o New Order vem só com Bernard Sumner para duas apresentações em novembro em São Paulo, o ex-baixista do grupo, Peter Hook, acaba de anunciar que virá ao Brasil no ano que vem, quando toca na íntegra os discos Unknown pleasures (1979) e Closer (1980), dois únicos discos que o grupo Joy Division, que originou o New Order, gravou antes da morte de seu vocalista Ian Curtis. Apresentando-se como Peter Hook & The Light, ele toca em São Paulo no dia 9 de março de 2027 na Áudio e os ingresos começam a ser vendidos nesta sexta-feira.

Acabaram de encontrar esse vídeo com o King Crimson (formação com Robert Fripp na guitarra, Ian McDonald no sax, Greg Lake no baixo e vocal e Michael Giles na batera) em 1969 exibido em um programa de TV alemão (que provavelmente superpôs a gravação original do grupo com a versão gravada de “21st Century Schizoid Man’) num raro registro de um dos primeiros momentos da banda.
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Uma das atrações de abertura da turnê que as Sleater-Kinney estão fazendo com a Liz Phair pelos Estados Unidos, Lindsey Jordan, que todos conhecemos melhor pelo nome artístico Snail Mail, realizou um sonho ao dividir o palco com uma de suas maiores inspirações – ela que já teve uma banda cover de Liz Phair (chamada Lizard Phair) quando começou a tocar. Na segunda-feira, quando a musa indie dos anos 90 tocou no Fillmore Auditiorium em Denver, ela chamou a fã indie dos anos 20 para dividir vocais em “Go West”, do ótimo Whip-Smart, que Phair gravou em 1994. Ela até tirou uma foto com a ídola!
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Linda demais a homenagem que Caio Colasante e Carol Maia fizeram ao ídolo e mestre Jards Macalé nesta terça-feira no Centro da Terra, dando início a um trabalho em dupla que reúne o guitarrista paulista e a cantora carioca num espetáculo que joga luz na própria obra dos dois. Revezando-se entre guitarras e violões, a dupla passeou por hits inevitáveis do velho Macau (abrindo com “Mal Secreto” seguida de “Anjo Exterminado”, passando por “Soluços”, “Hotel das Estrelas” e encerrando a noite com “Pano Pra Manga”), os dois também buscaram músicas menos óbvias de Jards, como a versão que ele fez para “Imagens” (de Valzinho e Orestes Barbosa) e “Dente no Dente”. Mas o que mais marcou a noite foi a conexão das músicas de Macalé com composições de cada um deles e assim Caio mostrou “Fantasma Supersônico”, “Atropelado” e “Vida Nova”, enquanto Carol trouxe “Vermelha Rosa” e “A Boca do Cão”, esta composta quando ela soube da morte de Jards. O show contou com a dupla o tempo todo no palco dividindo instrumentos e vocais mesmo nas composições próprias, reforçando que aquela invocação era a dois (Caio até brincou com as interferências no som como sendo uma materialização do próprio Jards). E um dos grandes momentos da noite foi quando cantaram outra de Carol, “Sinal Fechado”, que acabou por ser um belo resumo da noite, tanto com a guitarra precisa de Caio e o vocal completamente solto de Carol. Uma beleza.
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Imenso prazer em receber o espetáculo Estrela Vulgar a Vagar nesta terça-feira no Centro da Terra, quando seus idealizadores – o paulistano Caio Colasante e a carioca Carol Maia – se reúnem para celebrar a obra de Jards Macalé, criando um diálogo entre o repertório de Macau e sua influência em suas próprias composições. Ambos começando suas carreiras solo, saltam neste universo pela primeira vez só com suas vozes e violões. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Na segunda noite da temporada Coexistência que Sandra X está fazendo no Centro da Terra, ela pôs em prática uma obra em parceria com o velho camarada pianista Lincoln Antonio quando, na apresentação batizada de Sol à Beça, visitou obras de Mário de Andrade, Pagu, João Cabral de Mello Neto, dos irmãos Campos e Oswald de Andrade sempre em dupla com o amigo, dividindo vocais enquanto ele conduzia a musicalidade de cada novo poema às teclas. A noite ainda contou com a participação de Priscila Brigante, com quem Sandra havia dividido a noite anterior, que assumiu sua percuteria para acompanhar a dupla em dois momentos diferentes da noite.
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