
Projeto paralelo das carreiras da atriz Zooey Deschanel e do indie M. Ward, o grupo teve seus momentos em sua primeira fase, quando lançou seus três primeiros discos pela gravadora indie Merge, ganhando notoriedade na virada da primeira década do século, quando empresas como Apple e Starbucks passaram a dar corda para um indie folk mais fofinho, abrindo espaço para artistas bissextos como a dupla. Desde que saiu da Merge, em 2014, o projeto tornou-se ainda mais irregular, mas coincidentemente voltou a fazer música via Brian Wilson, primeiro ao participar do disco do beach boy original No Pier Pressure (de 2015) e depois ao fazer um disco inteiro dedicado ao homem, Melt Away: A Tribute to Brian Wilson (de 2022). Mas por essas loucuras da vida digital, o semihit que lançou o grupo em 2006 (“I Thought I Saw Your Face Today”) ganhou uma sobrevida no TikTok e fez o grupo entrar nas paradas de sucesso pela primeira vez. Aproveitando a onda, Zooey deixou a franja de novo e os dois anunciaram sua volta aos palcos, oficializada com sua participação no programa Jimmy Kimmel Live! neste fim de semana. Foi a primeira vez que os dois voltaram a tocar juntos desde o lançamento de Melt Away e anunciaram uma turnê oito datas pelos Estados Unidos.
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Francisca Barreto segue testando novos formatos para o seu repertório e nesta sexta-feira apareceu na Sala B da Casa de Francisca novamente em um duo, agora com seu guitarrista e produtor Victor Kroner, com quem dividiu o palco intimista do Palacete Tereza no Centro de São Paulo em uma noite lotada de um público bem variado que foi reconhecer a artista em ascensão. Sempre acompanhada de seu violoncelo, ela também trouxe o violão tenor para tocar em algumas músicas e mais uma vez tocou com o cello no colo, como se fosse um contrabaixo em “Bico da Proa”, na composição que, ao lado de sua “Luz”, baliza o espetáculo. Ao chamar Kroner para dividir a noite, aproveitou para dar espaço para o guitarrista mostrar duas de suas (curtas) composições instrumentais, que estão se transformando em disco. Chica ainda trouxe uma surpresa, ao convidar sua amiga e parceira Nina Maia para dividir os vocais na “Gosto Meio Doce” de Felipe Távora, que gravaram quando ainda tocavam como uma dupla e estavam começando a rascunhar suas respectivas carreiras solo, em 2023. Além de suas próprias canções, os dois abriram a noite com uma das Bachianas de Villa-Lobos, emendaram duas de Caymmi (“A Jangada Voltou Só” e “O Vento”), uma de Damien Rice (“Eskimo”, estreando no repertório), Yaniel Matos (“Habana”, seu primeiro single) e Joni Mitchell (“Little Green”), estas duas últimas no bis de um show que, se já era delicado mesmo com banda, ganhou uma roupagem camerística especial neste novo formato.
#franciscabarreto #casadefrancisca #trabalhosujo2026shows 120

O mago canadense Kaytranada volta ao Brasil mais uma vez, desta vez pela produtora carioca Queremos, que traz o DJ para o país agora em agosto, com passagens pelo Rio e por São Paulo ao lado de uma renca de DJs locais. Ele vem trazendo a versão ao vivo para o ótimo Ain’t No Damn Way! que lançou ano passado e passa por São Paulo dia 14 (quando toca no Komplexo Tempo) e no dia seguinte no Rio (no Armazém da Utopia). Além do mestre, a noite ainda terá sets dos Deekapz, Marta Supernova, Vhoor e o back to back da dupla Aisha e Yaminah. Os ingressos já estão à venda.

Ainda corri para a Casa de Francisca a tempo de pegar desde o começo o show de lançamento do segundo disco dos Tangolo Mangos, Pedágios y Caronas, no Porão lotado da casa. Quem já foi a um show dos baianos sabe a descarga de adrenalina e energia positiva que o quinteto despeja no público, mas ontem o nível estava ainda mais alto pois os fãs sabiam cantar todas as músicas do disco novo. Desfalcados de dois integrantes de sua formação (o guitarrista Théo Kiono teve de ficar em Salvador e o baterista João Antonio Dourado acidentou-se recentemente), o grupo contou com os compadres do show que abriu a noite e convocou o baterista Quico Dramma e o guitarrista Caio Colasante – do grupo Kim & Dramma – para assumirem estas funções, o que fizeram de forma brilhante (além de contar com um terceiro integrante do mesmo grupo, o tecladista Eduardo Barquinho, da metade pro fim da noite). À frente do grupo, os vocais enérgicos de Felipe Vaqueiro, João Denovaro e Bruno Fechine – cada um ás em seus instrumentos (o primeiro na guitarra, o segundo no baixo e o terceiro assume a percussão) e sem deixar o carisma contagiante tirar o dedo da tomada. Showzaço!
#tangolomangos #poraodacasadefrancisca #casadefrancisca #trabalhosujo2026shows 119

Do teatro do Sesc Pompeia pra Comedoria, onde os indies catarinas do Exclusive os Cabides lançavam seu novo EP Feliz e Triste ao Mesmo Tempo fazendo seu público chacoalhar-se com suas melodias diretas e letras simples até dizer chega. Essa qualidade linear – sem espaço pra metáforas ou harmonias complexas – é o principal trunfo do grupo, além das melodias grudentas do guitarrista e vocalista João Pretto (seu principal compositor) e dos vocais ao mesmo tempo cantados e berrados de João Pretto ao lado do primo Antônio dos Anjos. A cozinha precisa formada por Carolina Werutsky na bateria e Maitê Fontalva no baixo dá a base firme para as melodias dos vocalistas e os solos do guitarrista Eduardo “Duds” Possa brilhar. Show redondinho que mostra que a banda está mais afiada do que nunca, mas a proximidade do lançamento do disco recente não chegou a conquistar o público como fizeram as canções do ótimo álbum Coisas Estranhas, que ainda é o carro-chefe da apresentação do quinteto.
#exclusiveoscabides #sescpompeia #trabalhosujo2026shows 118

Teatro do Sesc Pompeia cheio para assistir à estreia ao vivo de Ramal, terceiro disco do baixista Marcelo Cabral, que assumiu a guitarra para este novo trabalho e fez seu lado compositor pesar mais para o rock do que nos discos anteriores. Gravado ao lado do baterista Biel Basile, o disco contou com pinçadas participações especiais que, na apresentação desta quinta, encorparam o trabalho para além do que a dupla fez no estúdio, primeiro ao incorporar Sophia Chablau como terceiro elemento de um novo trio – tocando guitarra e cantando, ela que já havia arregimentado Biel e Cabral para o maravilhoso Handycam que ela gravou com Felipe Vaqueiro e em seguida chamou o baixista para acompanhá-la nos shows solo que vem fazendo este ano. Depois ao convidar Fernando Catatau, que participa de apenas uma faixa de seu novo álbum (a belíssima “Tarde Azul”), aproveitou a presença do guitarrista para dividir outras duas músicas, entre elas “A Radiação da Terra” do Cidadão Instigado, logo depois de rasgar um merecido elogio à presença do cearense na música paulistana. Assim, como o próprio Ramal, seu show também engana: começa barulhento e abrupto e dá a sensação de estarmos entrando numa versão siamesa do Cortes Curtos de seu chapa Kiko Dinucci, mas, como o próprio Cortes faz em dados momentos, revela uma leveza improvável e uma beleza surpreendente (mesmo nos momentos mais rock) – e nesse sentido, cercar-se de Sophia, Biel e Catatau só reforça suas intenções. Showzaço.
#marcelocabral #sescpompeia #trabalhosujo2026shows 117

Olha esse Inferninho Trabalho Sujo dessa semana, que acontece no Picles e reúne duas extremidades da música independente do país numa sexta-feira daquelas! Quem começa a noite são os magos Irmãos Panarotto, lendas-vivas do indie brasileiro que capitaneavam a histórica banda Repolho a partir de Chapecó e reúnem-se aos conterrâneos e velhos conhecidos da festa Tutu Naná para uma apresentação épica! Depois é a vez dos amazonenses Jambu estrearem na festa misturando indie rock e rock de garagem. E a noite termina comigo e com a Fran fazendo todo mundo dançar sem parar quando discotecamos até altas. E quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Os ingressos já estão à venda. Vamooooos!

Flea lançou um belo disco solo no começo do ano (chamado Honora, vale conferir) e ao passear pela Europa tocando ao vivo o novo trabalho, convidou o chapa Thom Yorke para dividir o palco no show que fez em Londres nesta terça-feira. Parceiros na banda Atom for Peace, o baixista do Red Hot Chili Peppers e o vocalista do Radiohead já quebraram o gelo de cara quando Flea convidou Thom para subir ao palco para acompanhá-lo em “Traffic Lights”, música da banda que têm juntos, logo na segunda música. O show realizado na casa Koko ainda contou com a participação de Warren Ellis (na faixa “Frailed”) e versões para músicas de Jimmy Webb (“Wichita Lineman”), Frank Ocean (“Thinkin Bout You”) e Funkadelic (“Maggot Brain”) e logo após esta última Flea chamou Thom de volta ao palco para dividir uma versão de dez minutos para a irresistível “Got to Give It Up”, do Marvin Gaye. Que delírio.
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Jamiroquai não vai tocar só no Rock in Rio esse ano e acaba de anunciar sua vinda para São Paulo, aplacando a agonia de quem temia ter que encarar o festival para ver o groove da banda inglesa ao vivo. O grupo se apresenta no estádio do Palmeiras dia 13 de setembro e os ingressos começam a ser vendidos nesta quinta-feira.

Emocionante a estreia do novo projeto do mago Chicão Montorfano, que apresentou seu novo trio, o Chicão Acústique Trio, regido pela sigla CAT, que montou ao lado da cantora Marcela Helena e do percussionista Nicolas Farias. A apresentação começou com o músico apenas ao piano uma peça própria inspirada em Egberto Gismonti e batizada de “Gismontando”, que viu a entrada do percussionista para, finalmente, receber a vocalista num arranjo maravilhoso para “Primavera”, do José Miguel Wisnik, que transformou-se na autoral “Sininho”, que lançou na primeira parte (a única lançada) de seu primeiro disco solo, Mistura. O trio seguiu passando por mais músicas alheias, sempre entortando os originais com arranjos absurdos, primeiro “A Volta do Malandro” do Chico Buarque, seguida da estupenda “The Free Design” do grupo anglofrancês Stereolab. Depois emendou na parte autoral da noite, trazendo canções simples (como uma bossa nova de um minuto feita durante o período pandêmico para caber no único minuto de duração que os reels do Instagram permitiam à época) e mais ousadas, para depois visitar outros autores queridos, como quando entrou em “Mergulhar na Surpresa” de Maurício Pereira e emendou duas que havia tocado na semana passada com André Abujamra, desta vez sozinho ao piano, primeiro num recital de Clarice Leite e depois com sua versão para “River Man”, de Nick Drake – e as duas canções dispararam a emoção no palco que logo contagiou a plateia, vertendo lágrimas, antes de encerrar a noite com um arranjo de chorar para “O Quereres” de Caetano Veloso. Noite mágica.
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