
Depois de esgotar os ingressos de sua passagem por São Paulo no dia 23 de novembro, o lendário Godspeed You! Black Emperor, papas canadenses do pós-rock, abre uma segunda data no Brasil no dia seguinte, na mesma Áudio em que fará o show no dia anterior – e os ingressos já estão à venda. E por falar em show internacional produzido pela Balaclava, os ingressos para o show do New Order no dia 25 de novembro, este no Espaço Unimed, também se esgotaram. E a produtora soltou um teaser neste domingo indicando que vai trazer alguém de Manchester, na Inglaterra, para o Brasil – o anúncio acontece nesta segunda e com o teaser tocando a introdução fantasmagórica de “How Soon Is Now?” dos Smiths, entrega que vai ser o Johnny Marr, que já está vindo pra América do Sul por conta do festival chileno Primavera Fauna deste ano. Boa fase essa, hein…

A dupla Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro teve sua participação no programa Cultura Livre exibida neste sábado e Roberta Martinelli pode mostrar para todos em seu programa uma música inédita da dupla, a ótima “Quase 30”. E quase contemporâneo da apresentadora (51 aqui), faço dela minhas palavras sobre a letra da música nova. E alguém aí falou em Handycam 2?
Assista abaixo a íntegra do programa e a tal faixa-bônus: Continue

Noite épica reuniu Vinco e Papangu no Inferninho Trabalho Sujo da Porta Maldita neste sábado. Depois que fechei a banda paraibana como atração surpresa na festa, perguntei quais nomes eles sugeririam para dividir a noite e quando o nome da Vinco foi mencionado, nem pensei duas vezes pois já estava há tempos de olho no quinteto. O grupo começou a noite mostrando que já é um dos grandes nomes em ascensão da cena paulistana, mesmo indo de encontro à confluência entre rock clássico, MPB e indie rock que predomina a paisagem dos principais novos grupos – ou talvez justamente por isso, indicando uma nova fase desta mesma cena. Instrumental, o grupo passeia por sonoridades distintas – chame de fusion, jazz rock, math rock ou rock progressivo -, mas ecoa uma tradição paulistana que funde a banda-mãe do math rock Patife Band, a psicodelia pós-punk do Violeta de Outono e o pós-rock do Hurtmold – esta última talvez a banda com a sonoridade mais próxima da Vinco, dá pra imaginar tranquilamente um show das duas bandas tocando juntas. A dinâmica entre os guitarristas Matheus Ayres e Henrique Porto, que trocam riffs, solos e loops como se jogassem squash, um rebatendo o outro, dá a tônica da banda, acompanhada de perto da cozinha absurda formada pelo baixista Hugo Ramalho e o jovem monstro baterista Gabriel Ribeiro, que também toca na Tubo de Ensaio, banda que trouxe dois de seus integrantes – a dupla Lorenzo Zelada e Lorena Wolthers, que também atende como Pão de Ló – para tomar conta dos eletrônicos e a noite ainda contou com o sax de Rômulo França. Bandaça, a Vinco tem que ser vista ao vivo.
Depois da Vinco, foi a vez da Papangu subir pela primeira vez no palco do Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita e se o grupo de rock progressivo paraibano é conhecido por suas músicas de quase dez minutos, no sábado resolveram ir ainda mais fundo num show que durou quase duas horas, em que repassaram várias músicas de diferentes épocas da banda, com direito a visitar inúmeras músicas alheias, mostrando a raiz de sua versatilidade musical: teve Beatles, Creedence Clearwater Revival, Steely Dan, Earth Wind & Fire, entre outros. No percurso, a banda pode mostrar toda seu preciosismo instrumental misturado com um carisma improvável a uma banda de prog, com as brincadeiras do tecladista virtuoso Rodolfo Salgueiro, seu irmão, os vocais do baixista (e multiinstrumentista, até foi pra bateria em certa feita, além de tocar pífano, percussão e instrumentos de brinquedo) Pedro Francisco, os solos do guitarrista Hector Ruslan e o o groove do baterista George Alexandria. A apresentação ainda contou com as participações do conterrâneo pandeirista Ronaldo Neto, do guitarrista Leo Mayer (da banda Hurricanes) e do baterista Pietro Benedan (do Naimaculada) e a banda manteve a casa lotada até o fim do show. Absurdo!
#inferninhotrabalhosujo #vinco #papangu #aportamaldita #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 173 e 174

Inferninho Trabalho Sujo indo para o quarto ano e faço uma experiência: e se rolasse uma festa com show com uma banda surpresa? Uma banda nova, que está crescendo, já fez seu nome, lançou discos e faz turnês com frequência. Pois é isso que vai acontecer neste sábado dia 25 de julho na Porta Maldita. Quem começa os trabalhos é outra banda que já estava de olho faz tempo, o grande Vinco, e se você conhece, dá pra ter uma ideia quem pode ser a atração surpresa deste sábado. Porque não é um sextou e sim um senhor sabadou! Essa noite promete! E os ingressos já estão à venda.

Casa cheia para assistir ao Colinho de Maria Beraldo ao vivo pela primeira vez no teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, quase dois anos após o lançamento do segundo disco da cantora e compositora catarinense, que, para fazer jus às dimensões do teatro, chamou dois velhos compadres para agigantar a noite, ao convocar Tulipa Ruiz e Negro Leo para momentos específicos de sua apresentação. Esta continua intacta, tal como fez desde o show de lançamento, no palco do teatro do Sesc Pompeia em janeiro de 2024, à exceção da troca de um dos dois músicos que a acompanham – o baterista Sergio Machado segue junto, mas o baixista e tecladista Fábio Sá saiu para a entrada de Danilo Penteado, sem que isso tirasse a precisão da execução do show, mantendo o mesmo clima chiaroscuro estabelecido pelas luzes então espartanas e monocromáticas de Olivia Munhoz, seguido da comunicação mínima de Maria com o público. Como de praxe, o show começou às escuras, com a forte versão a capella que encerra o disco, com Maria cantando “Minha Missão’ de Clara Nunes, antes de cair no Colinho a partir do início, quase seguindo a ordem das músicas, que só mudou após o primeiro terço do show, quando ela recebeu Negro Leo para dividir uma música de seu primeiro álbum, Cavala, “Amor Verdade”. Depois foi a vez de Tulipa Ruiz entrar dançando ao som de uma versão de sua ‘Físico” e também puxou uma do Cavala (“Tenso”) para dividir os vocais com Maria. Mas quando os convidados não estavam no palco, a tensão e precisão do trio abria espaço para Maria tocar vários instrumentos (do seu clarone ao violão, passando pelo piano de cauda), enquanto Danilo alternava entre o piano, o baixo elétrico e o acústico e Sérgio segurava todos com sua percussão milimétrica. Leo voltou mais perto do fim para cantar a “Quem Sou Eu” que compôs junto com Beraldo e seguiu com sua “Jovem Tirano Príncipe Besta”, das primeiras composições que projetaram Leo para além do Rio de Janeiro. A noite ainda trouxe a versão para “Nobreza” de Djavan, antes que Maria chamasse os dois convidados para voltar ao palco e dividir sua “Truco”. Encerrou a noite, também como de praxe, invocando “Ivy” do Frank Ocean debaixo de um único ponto de luz e, pela primeira vez desde que lançou o disco ao vivo, abriu exceção para um bis, quando, novamente ao lado de Leo e Tulipa, fez todos entrarem no clima de sua “Da Maior Importância”. Fino demais.
#mariaberaldo #sescpinheiros #trabalhosujo2026shows 172

Imagine você estar num show de uma banda paralela do vocalista do Green Day e ele chama o vocalista do Iron Maiden para cantar uma música de David Bowie… Foi isso que aconteceu nesta quinta-feira, quando a banda que Billie Joe Armstrong inventou em 2018 para tocar suas músicas favoritas (os Coverups) passou pelo Hard Rock Hotel em San Diego, na Califórnia, e, entre versões para músicas dos Ramones, Clash, Soul Asylum, Pretenders, Buzzcocks, Go-Go’s, Strokes, Nirvana e Bryan Adams, convocou o improvável convidado Bruce Dickinson para cantar uma versão para o hino glam “All the Young Dudes”. E ficou bem bom, diz ai…
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Jack White está em plena turnê de lançamento de seu recém-lançado Frozen Charlotte e ao passar por Chicago, nos EUA, na mesma época em que os Black Crowes tocavam na região, convidou o vocalista do grupo Chris Robinson para participar de seu show, quando dividiram, classicamente, a ótima “I’m a Mover”, que o grupo inglês Free gravou em seu disco Tons of Sobs, lançado em 1968. E é impressionante como os dois, mesmo com dez anos de diferença e pertencentes a gerações distintas do rock de seu país, parecem ter saído da cena inglesa da virada dos anos 60 para os 70. E se você lembrar que em sua turnê atual os Black Crowes vêm temperando seu setlist com clássicos deste período – como “Oh! Sweet Nuthin'” (do Velvet Underground), Everybody Knows This Is Nowhere” (do Neil Young), “Three Button Hand Me Down” (dos Faces), “She” (do Gram Parsons), “Feelin’ Alright?” (do Traffic), “Hard to Handle” (do Otis Redding), “Torn and Frayed”, “Bitch”, “Dancing With Mr. D” e “You Got the Silver” (todas estas dos Stones), entre outras – dá até vontade de imaginar uma turnê do grupo com Jack White como guitarrista convidado para tocar clássicos do rock, na mesma medida – só que apontando para outra geração – que os próprios Crowes fizeram com Jimmy Page em outubro de 1999. Só imagina…
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Não dá pra discutir: um dos principais artistas brasileiros na atualidade é uma banda de rock paraibana cujos músicos começaram no metal e aos poucos foram descobrindo novos horizontes artísticos tanto nas desventuras instrumentais intermináveis do rock progressivo quanto na genealogia musical nordestina, desde seus inúmeros e ancestrais gêneros musicais às variações psicodélicas que surgiram na região depois da invenção do ácido lisérgico. A Papangu, que apresentou-se nesta quinta-feira no Sesc 14 Bis, está às vésperas de mais uma turnê internacional e do lançamento do terceiro álbum, batizado de Celestial e previsto para o próximo mês e cada vez mais depura seu som rumo a um novo patamar de maturidade musical que a aproxima mais do jazz e do fusion ao mesmo tempo que se distancia da formação metal de seus integrantes, cujo principal vestígio encontra-se no timbre gutural de um dos vocalistas. Tocando no formato de quarteto nesta apresentação (com o multiinstrumentista Pedro Francisco assumindo o baixo no lugar de Marco Mayer), o grupo passou por músicas de seu ótimo Lampião Rei (lançado em 2024) e algumas do próximo álbum, que mostram sua evolução natural em canções gigantescas divididas em partes distintas, sempre com momentos para solos de seus integrantes – seja a tecladeira do vocalista Rodolfo Salgueiro, os solos de Hector Ruslan, os grooves de baixo e os vocalises de Pedro (além de seu solo com brinquedos que fazem som, inspirados pelo saudoso Hermeto Pascoal) ou a bateria entre a quebradeira nordestina e o groove jazzy do novato George Alexandria. Mas a austeridade característica do rock progressivo cai por terra tanto no encontro com as raízes locais do grupo, quanto pelo humor escrachado que optam ao falar com o público entre as músicas, reforçando que o som que fazem chama-se apenas de “rock troncho”, mas sabemos que o que eles fazem é o bom e velho prog. Como poucos estão fazendo no Brasil atualmente, diga-se de passagem.
#papangu #sesc14bis #trabalhosujo2026shows 171


A noite desta quarta ainda teve o encontro de duas das principais bandas paulistanas da nova geração, quando os Pelados abriram o show da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo no Porão da Casa de Francisco. O quinteto formado por Manu Julian, Lauiz, Helena Cruz, Vincente Tassara e Theo Ceccato (estes dois últimos também integrantes da Enorme Perda de Tempo) estava lançando a edição em vinil de seu ótimo Contato, segundo (terceiro? Quinto?) disco que lançaram no ano passado, que logicamente foi a base da apresentação, a primeira da banda na casa. O show ainda teve números do excelente disco anterior (Foi Mal, de 2022), como “Vampirinhos do Amor”, “Nunca Sozinha Sempre Mal Acompanhada”, “Medo de Ficar Pelado!!!!!” e “Foda Que Ela Era Linda”, esta no bis) quase todos cantados pelo público que lotou o Porão, mas alguns números do novo álbum também tiveram seus momentos, como “Modrić”, especialmente depois que Vicente dedicou a música ao “segundo melhor jogador de todos os tempos, Lionel Messi” (e tomou uma vaia), fazendo o público berrar o refrão (“Você perdeu! Cara o que você fez? Caiu mais uma vez, você era camisa dez”) – e Vicente deu seu recado ao final, encerrando a música com o riff de “Buddy Holly” do Weezer. Bom ver a banda cada vez mais entrosada, especialmente a evolução do humor infame do grupo (puxado por Lauiz) e a presença de palco de Manu, que se firma cada vez mais como uma das grandes cantoras de sua geração.
Depois dos Pelados foi a vez da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo voltar àquele Porão, fazendo um show que mistura músicas de seus dois primeiros discos (o homônimo álbum de estreia, de 2021, e Música de Esquecimento, lançado dois anos depois) e incendiando de vez o público. Sem mostrar nada do próximo disco, que o grupo mais uma vez sinalizou para 2027 (fora “Eu não bebo mais”, que eles vêm tocando desde o ano passado), o show teve momentos delicados, como quando passaram pelas baladas “Música de Esquecimento”, a ótima “Fora do Meu Quarto”, a linda “Qualquer Canção”, “Se Você”, “Embaraço Total” e “Último Sexo”, que o baterista Theo cantou para sua própria avó, que estava presente no show (aos 86 anos!). E pegou fogo nos momentos mais intensos, como quando tocaram a maravilhosa “Debaixo do Pano”, que não tocavam há tempos (e Sophia ainda me deu um salve antes desta), quando Sophia passou um sermão contra quem abre espaço para fascistas dentro da cena independente antes da ótima “Idas e Vindas do Amor”, na ótima “Pop Cabecinha” e chegaram ao talo quando emendaram as excelentes “Delícia/Luxúria” e “Segredo” como se fossem a mesma música. Showzaço.
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