
Era inevitável: quando apresentou-se no ano passado no Carnegie Hall de Nova York somente ao piano, Cameron Winter contou com um senhor papagaio de pirata em algumas fotos, quando o cineasta Paul Thomas Anderson aparecia filmando o líder do Geese tocando sozinho em película. Óbvio que esse registro seria lançado, o que acaba de ser anunciado. Cameron Winter at Carnegie Hall acompanha o lançamento do show em disco no formato de turnê, quando o filme estreará em apenas algumas cidades, por um período específico, por enquanto apenas no Canadá e nos Estados Unidos. Mas é lógico que já já tem mais datas pelo mundo…

Sara Não Tem Nome seguiu sua temporada Não Tem Nome no Centro da Terra nesta segunda, quando mostrou pela primeira vez a banda que inventou para esta ocasião, quando reuniu os dois Antiprismas (Elisa Moreira e Victor José, nos vocais, baixo e guitarra) a camaradas conterrâneos mineiros – a jornalista Carime Elmor, a cantora Clara Castro e o multiinstrumentista Wallace Schmidt – numa banda para celebrar a fidelidade canina à raça humana. A ideia do grupo Cachorro Pessoa surgiu da primeira música que compuseram de brincadeira, mas que funcionou de gatilho para o tema, que inspirou um show com um repertório inspirado em cães. E assim passearam por clássicos do rock sobre o tema (como o “Black Dog” do Led Zeppelin, “Martha My Dear” e “Hey Bulldog” dos Beatles, “Walking the Dog” do Rufus Thomas, e “I Wanna Be Your Dog” dos Stooges) e em outros hits de diferentes áreas da música brasileira, indo do “Cachorro Babucho” de Walter Franco a “Eu Não Sou Cachorro Não” de Waldick Soriano e “Vira-Lata de Raça” da Rita Lee até a “Cachorrinho”, de Kelly Key, sendo pontuados por vídeos de cachorros pinçados por Carime, que também lia trechos de livros sobre o tema em alguns intervalos do show. Entre latidos e ganidos, todos escaparam da carrocinha.
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Taí o que a gente queria: Tricky no Brasil! O mestre do trip hop apresenta-se em São Paulo no dia 26 de novembro no Cine Joia, com a participação da vocalista polonesa Marta Złakowska, e abertura do DJ Daniel Tamenpi, que celebra os 20 anos de seu antológico Só Pedrada Musical. Os ingressos começam a ser vendidos nesta quarta-feira – e só falta alguém trazer o Underworld pra que todas as atrações gringas do festival chileno Fauna Primavera também passem por aqui.

O C6 no Rock surpreendeu. Mesmo com um tema clichê e forçado (o infame “rock brasileiro dos anos 80” com costuras para incluir Rita Lee e Blitz num festival que merecia ser sobre 1986), trouxe shows bem resolvidos relembrando repertórios que seguem vivos na memória volátil do público brasileiro e cacifando possíveis shows de maior porte para um futuro próximo. Os poucos pontos fracos foram os shows dos Titãs (se esforçando para segurar seu Cabeça Dinossauro), de Paulo Ricardo (mesmo bem, segurou público em poucos hits) e da Blitz (que só decolou quando Fernanda Abreu entrou). Por outro lado, Plebe Rude, Ira! e Paralamas já são bandas clássicas e só colhem frutos de seu trabalho contínuo. Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e André Frateschi fizeram um show inesquecível e comemoraram a presença do herdeiro de Renato Russo naquela noite, marcando a primeira união das duas metades envolvidas com o nome da banda, o que indicaria uma “volta” do Legião Urbana (com o nome e tudo) num curto prazo. Será? Lotaria estádios cantando em uníssono, fato. E Marina Lima, mesmo com a voz fraca, segurou bem a noite, está belíssima e segura de si – e tem potencial para uma grande turnê. Os shows-tributo encerraram as respectivas noites e fizeram jus ao repertório dos dois homenageados. Vale aplaudir as presenças de Fernanda Abreu (cada vez maior), Sandra Sá, Baby do Brasil e Marina Sena no tributo à Rita e as participações de Arnaldo Antunes, Léo Jaime (que merecia ter seu próprio show) e Frejat na celebração ao Cazuza. E por mais que pudesse parecer limitado ao rock, boatos durante a edição cogitavam a possibilidade da versão nacional do C6Fest do ano que vem buscar outros gêneros, dedicando-se, por exemplo, ao samba, à black music brasileira ou à bossa nova, por exemplo. Parece uma boa saída.
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Ao apresentar-se neste sábado no festival inglês All Points East, em Londres, a sueca Zara Larsson convidou uma velha camarada para estrear no palco uma parceria lançada há quase um ano, quando a inglesa PinkPantheress chamou a amiga para fazer parte da segunda versão para a maravilhosa mixtape que consolidou seu nome no ano passado, a irrepreensível Fancy That. As duas já haviam tocado juntas em outras oportunidades, mas esta foi a primeira vez que mostraram ao vivo o remix que fizeram para a irresistível “Stateside”, que Zara fez questão de abrir seu show para já deixar o nível lá em cima. Que beleza!
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A safra de 2026 do Inferninho Trabalho Sujo tem trazido bandas que cada vez mais fogem dos rótulos fáceis e nesta sexta-feira duas delas apresentaram-se no Redoma. A primeira delas foi a estreia do trio Nesga Mosquito, fundado pelo casal Lua Belle e Tomás Dos Reis ao lado do baterista Kauê Commi, que nasceu a partir da influência de diferentes fases da MPB e passeia por referências ao pop contemporâneo, ao jazz e ao indie rock, diluindo bem tais fontes musicais a ponto de elas não ficarem tão evidentes. Lua e Tomás (o geninho do baixo que também toca no Caruma, Pé de Vento e Besta Fera) completam os vocais da maioria das faixas enquanto trocam constantemente de instrumentos – indo do baixo pra guitarra e vice-versa -, deixando o imaginar possibilidades estranhas e improváveis como bossas novas tortas, blues que misturam-se ao rock brasileiros dos anos 80, funk setentistas com pitadas de pós-punk e jazz mineiro. E além do já mencionado baixo virtuoso de Tom (que não faz feio quando vai pras mãos da parceira), vale sublinhar a versátil voz de Lua, que por vezes soa pequena e precisa como se Nara Leão cantasse no Stereolab, outras solta-se dramática como poucas cantoras de sua geração sabe fazer. E na bateria Kauê não deixa por menos e acompanha de perto os delírios musicais propostos pela dupla à frente – incluindo fazer um terceiro vocal. Showzão.
Depois foi a vez de mais um show da Outra Banda no Fim do Mundo na festa, estreando no Redoma. E o show da banda liderada por Otávio Malta segue o patamar sério estabelecido pelo guitarrista, vocalista e líder do grupo, puxando rock direto e de groove reto que condizem com as letras desesperançosas e sem meias palavras deste autor. Ao seu redor, dois integrantes da banda Orfeu Menino mostram sua força rock, com o baterista Tommy Coelho assumindo a guitarra solo e perseguindo as bases de Otávio sempre bem de perto, enquanto o baixista João Chão esmerilha seu instrumento como se fosse uma guitarra. Acompanhando-os sem trégua vem o intrépido baterista Méqui Lovin e os quatro juntos têm uma conexão quase ígnea de tão próxima e pesada, reforçando a dureza do gênero que tentam reinventar, elevando referências como o rock pesado e o heavy metal para um outro nível de alquimia sonora, que soa referente e reverente aos cânones dos dois gêneros sem necessariamente soar com alguma banda específica, pressionando mais o clima (apocalíptico, como reforça o nome do grupo) do que as eventuais citações ou menções. Olho neles!
#inferninhotrabalhosujo #nesgamosquito #aoutrabandanofimdomundo #redoma #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 187 e 188

Lá vem mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, que acontece na próxima sexta-feira, dia 21, quando reúno as bandas Nesga Mosquito, fazendo sua estreia na festa, e o quarteto de rock pesado Outra Banda no Fim do Mundo em sua segunda aparição no palco da festa. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825-A, no Bixiga, e abre a partir das 21h. E eu discoteco antes, entre e depois dos shows. Os ingressos já estão à venda.

Ao passar por Montevidéu na quarta passada, Rosalía saudou o compadre portorriquenho Bad Bunny ao puxar uma de suas músicas no meio de seu show. Antes de começar sua “Sauvignon Blanc”, quando serve-se uma taça de vinho branco antes de começar a balada no show no Uruguai, ela preferiu puxar uma garrafa de tequila e servir-se um shot da bebida mexicana enquanto cantarolava o refrão de “Safaera”, do disco YHLQMDLG, que o MC latino lançou em 2020. ¡Arriba, abajo, al centro y pa’ dentro!
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Surreal o concerto-instalação Mineral, que está passando pelo Sesc Vila Mariana nestas quinta e sexta depois de uma pequena turnê pelo interior de seu estado de origem, Minas Gerais. Concebido a partir de mais de duas décadas do trabalho do artista plástico e ceramista Máximo Soalheiro, o espetáculo consiste de um conjunto de mais de cem vasos de cerâmica tocados por oito músicos diferentes, que dividem-se entre criar texturas harmônicas e rítmicas a partir da vibração destes objetos, que conversam com outros instrumentos tocados por estes mesmos músicos: o diretor musical Pedro Durães dispara eletrônicos, enquanto Camila Rocha toca contrabaixo acústico, Davi Fonseca toca piano preparado, Juliana Perdigão traz sua clarineta, clarone e apitos, além de cantar, Kristoff Silva canta e toca escaleta e João Pedro Drummond e Yuri Vellasco percutem moringas – só Leandro César fica apenas com as cerâmicas. O som transcendental dos vasos percutidos coletivamente como um grande instrumento que toma conta de todo o palco, eleva o conjunto de músicos para um patamar quase surrealista, passeando por canções de Hermeto Pascoal, Santiago Vazquez, Björk, Dave Brubeck e Milton Nascimento,este último representado por um versão mágica para “Um Gosto de Sol”, que ainda contou com a interpretação maravilhosa da cantora Loreta Colucci, convidada desta apresentação. Ainda tem ingressos para o show de sexta, pode ir que é uma das melhores coisas que você assistirá num palco este ano.
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Slayyyter tirou onda bonito ao visitar a rádio australiana Triple J e escolher um dos grandes momentos do Hole para fazer sua versão no quadro Like a Version da emissora – vê-la puxando “Violet” a faz conversar tanto com o Music Fashion Film de Charli XCX quanto com o You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love da Olivia Rodrigo, além de colocá-la em um patamar bem diferente de que seu Wor$t Girl in America, disco que lançou este ano, a colocou.
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