
Encerrando a programação de música de fevereiro no Centro da Terra nesta terça-feira, o cantor e compositor gaúcho Pedro Pastoriz retorna ao palco do teatro trazendo suas novidades, que incluem parcerias com os músicos que ele convidou para participar deste espetáculo, batizado de Bafinho Quente. Nele, Pedro toca suas próprias composições e dos compositores que chamou para subir ao palco com ele – Antônia Midena, Bia Rezi e Vitor Wutzki -, além de tocar versões de músicas de outros autores. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Jeff Tweedy passou por Londres, na Inglaterra, neste fim de semana e resolveu saudar o rock daquele país no bis dos dois shows que fez na Islington Assembly Hall tocando clássicos ingleses que nunca tinha tocado ao vivo. No show que fez na sexta, tocou músicas do Brian Eno (“Needles in the Camel’s Eye”) e do casal Richard & Linda Thompson (“I Want to See the Bright Lights Tonight”), e no sábado foi a vez de reverenciar o T. Rex (com “Children of the Revolution”), os Kinks (“This Time Tomorrow”) e o Clash (com uma arrasadora versão para “London Calling”). Não achei vídeos da sexta, só do sábado, veja abaixo: Continue

A nova temporada do Tiny Desk Brasil começou nesta terça-feira, quando Gilberto Gil aparece no estúdio disfarçado de escritório acompanhado dos netos Bento e Flor Gil. Em trio, com dois violões e três vozes, passeiam pelo repertório do patriarca, cantando “Desde que o Samba é Samba”, “Tempo Rei”, “Se Eu Quiser Falar com Deus”, “Choro Rosa” e “Esotérico”. Ficou bonito, assista abaixo: Continue

Fernanda Ouro mirou alto e fez o gol – e que golaço. Ao explicar que queria cantar o repertório consagrado por Clara Nunes como uma forma de mergulhar na história da cantora, a jovem intérprete paulistana encarou sua musa de frente e com peito aberto, sorriso contagiante e voz implacável – lições claramente aprendidas com a mestra – passeou pela história fonográfica da sambista mineira em ordem cronológica, começando pelo primeiro sucesso “Você Passa Eu Acho Graça” (improvável parceria entre Ataulfo Alves e Carlos Imperial) e passando por pérolas de Candeia (“O Mar Serenou”), Dorival (“É Doce Morrer No Mar”), João Bosco e Aldir Blanc (“Nação”), Adoniran Barbosa (“Iracema”), Nelson Cavaquinho (“Juízo Final”), Totonho Nascimento (“Conto de Areia” e “Deusa dos Orixás”), Chico Buarque (“Morena de Angola”) e, claro, de seu parceiro da vida Paulo César Pinheiro (“Canto das Três Raças”, “Portela na Avenida” e “Minha Missão”), além de seus estandartes como “Ê Baiana”, “Tristeza Pé No Chão” e “Feira de Mangaio”. Fernanda ainda esteve muitíssimo bem ancorada por uma banda que misturava instrumentos de roda de samba (como o violão de Gabriel dos Santos e o cavaquinho de Gago ao lado da explosiva percussão de Bruno Tonini e Jorge Bento) com uma formação elétrica, com baixo (do impressionante Lucas Vieira), guitarra (do maestro e aniversariante Johnny Accetta) e bateria (com o versátil Leo de Braga), dando às canções novos arranjos que mesmo bem próximos dos originais, brincavam com aquelas novas possibilidades. Showzaço.
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Quase no final de fevereiro, a intérprete paulistana Fernanda Ouro mostra pela primeira vez um espetáculo que vem trabalhando nos últimos meses quando visita o repertório de Clara Nunes. Batizado de A Deusa dos Orixás, a apresentação traz músicas mais conhecidas eternizadas por Clara em novos arranjos ao lado de oito bambas que dividem-se entre cavaco, violão, guitarra, baixo, bateria e percussões. Fernanda formou-se em canto popular no ano passado, mas já se apresenta há tempos na noite paulistana, com seu espetáculo autoral Roda a Saia. Para o Centro da Terra, ele escolheu valorizar seu lado intérprete e celebrar uma das maiores vozes da música brasileira. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Anna Vis antecipa em primeira mão para o #trabalhosujo a programação da seu Quinta Lapa, quando reúne mais duplas de peso – como Maurício Takara e Maria Beraldo, Douglas Germano e Thiago França e Felipe Vaqueiro e Luíza Brina – em shows inéditos na galeria Lapa Lapa, como vem fazendo desde 2025, quando reuniu Giovani Cidreira e Negro Leo, Juçara Marçal e Marcelo Cabral, Yma e Fernando Catatau, Jadsa e Nina Maia, Sophia Chablau e Juliana Perdigão e Ava Rocha e Caxtrinho. Lembro quando ela me falou de fazer uma noite mais experimental na Lapa, bairro da zona oeste paulistana que está começando a se movimentar. Moradora do bairro, ela pensou na proposta a partir de uma conversa com Giovani Cidreira e Filipe Castro no bar da Lôra e aos poucos foi formatando a iniciativa, que aconteceu no segundo semestre do ano passado em parceria com a galeria Lapa Lapa, que também fica no bairro. “Eu tinha assistido a um show do Zelo na galeria umas semanas antes e saquei que o som da sobreloja tinha um reverb próprio, bonito, e de cara pensei em fazer um encontro totalmente desamplificado”, me explica Anna, que já havia feito curadoria de noites no Porta e na Associação Cecília, além de ter sua própria carreira solo. “Consegui o contato do Gabriel Roemer, fundador e idealizador da galeria, marcamos um café, contei minha ideia que ainda não tinha nome, mas já tinha uma noção formal de como se daria: seriam duos totalmente acústicos misturando canção e música experimental, dois artistas que tenham trabalhos solos e que topem se encontrar pra fazer um show inédito ali. Gabriel adorou a ideia, ele já queria produzir noites de música lá, tava caçando esse assunto. Quer dizer, nos encontramos na hora certa.” Ela juntou outros talentos – como a iluminadora Marcela Katzin e o fotógrafo Bruno Prada – e agora vem com essa nova safra de encontros, que começam no dia 19 do mês que vem (Maria Beraldo e Maurício Takara) e continuam em abril (Douglas Germano e Thiago França dia 2 e Luíza Brina e Felipe Vaqueiro dia 16). A Galeria Lapa Lapa fica na Rua Afonso Sardinha, 326, e o lugar é bem pequeno, por isso corre que os ingressos pra primeira noite já estão à venda!
Veja abaixo: Continue

Veio aí! A turnê Fifty Something celebra meio século de carreira do Rush finalmente tem datas anunciadas para o Brasil – e não são poucas! No dia 22 de janeiro do ano que vem eles passam pela Arena da Baixada em Curitiba, para depois, dia 24, tocar no Allianz Parque em São Paulo e dia 30 no Engenhão no Rio de Janeiro. No dia 1º de fevereiro o trio toca no Mineirão em Belo Horizonte e encerra sua segunda vinda ao Brasil tocando no estádio Mané Garrincha em Brasília. Esta turnê, que começa este ano na América do Norte, marca a primeira vez que os dois fundadores do grupo, o vocalista e baixista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson, voltam aos palcos desde a morte do baterista Neil Peart, no início de 2020. Para substituí-lo, os fundadores da banda convidaram a alemã Anika Nilles, que tocava com Jeff Beck, além de contar com o tecladista Loren Gold, que acompanha tanto o The Who quanto Roger Daltrey em carreira solo. Os ingressos começam a ser vendidos a partir do dia 27.

Há menos de um mês pude ver Douglas Germano mostrando as músicas de seu ótimo Branco, disco que lançou no meio do ano passado e mantém a maestria de sua discografia. Na ocasião, no Bona, o mestre sambista vinha acompanhado apenas do violoncelista Thiago Faria, fazendo o clima descontraído do disco um pouco mais austero naquela ocasião, deixando Douglas à vontade para contar histórias sobre as canções e as parcerias que fez nesse novo trabalho que se tornaram a principal característica do disco. Mas ao trazer o mesmo show para o Sesc Vila Mariana em duas noites neste fim de semana, ele pode reunir simultaneamente o time que preenche a ficha técnica de Branco, transformando o palco do teatro numa grande celebração da música. Além da banda base que o acompanha – formada, além de Thiago, pelos percussionistas Rafael Toledo e Danilo Moura e coro dos vocalistas Tania Viana, Rita Bastos e Rodrigo Morales -, ele pode reunir o bandolinista João Poleto, o flautista Henrique Araújo, a pianista Juliana Rodrigues, a cantora Loreta Colucci e a dupla de metais Bicudos (formada pelo trombonista Pedrinho Moreira e pela trompetista Grazi Pisani) e começou o show com todo mundo no palco, ao mesmo tempo apresentando cada um dos convidados como espalhando o astral de celebração logo no início, ao recuperar sua clássica “Padê Onã”. Depois seguiu o roteiro do show do Bona, só que com time completo, convidando cada um dos músicos que chamou para participar da faixa que tocou no álbum, sempre deixando a vibração nas alturas. Ele terminou o ótimo show puxando dois de seus clássicos modernos: a maravilhosa “Vias de Fato”, uma das minhas canções favoritas desse século, e a urgente ‘Maria de Vila Matilde”, eternizada por Elza Soares e agora numa campanha do governo federal contra o feminicídio, esta tocada com todos os convidados novamente no palco. Foi épico!
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Entendo que escrever sobre um show que dirigi pode parecer redundante ou cabotino, mas primeiro tenho que deixar registrado que o espetáculo que apresentamos neste sábado no teatro do Sesc Pompeia não apenas culminou um trabalho que venho desenvolvendo com esses artistas há dois anos como também materializou uma vontade de celebrar a importância deste disco ímpar na música brasileira que coloca o Ceará no mapa de uma geração que depois passou a ser conhecida como MPB desde que Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem completou meio século, há três anos. Esta celebração de um disco que infelizmente segue fora das plataformas digitais e que há muito tempo não é reeditado em nenhum formato físico conversa tanto com minhas raízes nordestinas – que embora brasiliense tenho pais cearenses que até hoje reforçam a importância dessa naturalidade – quanto com meu interesse pela cultura desse estado. Tanto que já havia trabalhado com todos os envolvidos nesta nova apresentação – todos cearenses da nova geração -, com shows no Centro da Terra, Centro Cultural São Paulo e no Picles. Mas ao reunir Soledad, Jonnata Doll e Paula Tesser à frente deste show também estava chamando artistas que têm a plena consciência de sua relação com a geração homenageada, algo rapidamente abraçado pelo grupo Ondas dy Calor (formado pelos ases Allen Alencar, Xavier, Igor Caracas e Davi Serrano) e pelo diretor musical Klaus Sena. Com produção de campo da maravilhosa Alexandra Thomaz e figurino da Trama Afetiva de Jackson Araújo (outros dois cearenses) e Thais Losso, o espetáculo ainda contou com som do Gustavo Lenza e Danilo Cruvivel, luzes da Camille Laurent, fotos de José de Holanda e teve Phil Santos como roadie, além da produção executiva da própria Paula – e a nobre participação do mestre Rodger Rogério, um dos autores do clássico disco, que não só nos deu sua benção para o show como participou de vários momentos da apresentação. É muito bom fazer um trabalho em que todos os envolvidos estão comprometidos, mas sem que esse compromisso não se traduza em rigidez ou estresse. Desde que comecei a dirigir shows entendi que a atividade reúne qualidades que aprendi no jornalismo e em curadoria musical e que ambas têm a ver com pessoas. A escolha de parceiros – tanto em termos de exigência técnica e comprometimento com o assunto, como quanto em astral e transparência no trato – é parte essencial do processo e abrir-se para as interferências alheias também é fundamental para que tudo flua bem. Dirigir é menos sobre hierarquias e mais sobre rumos e ao fechar a primeira parte deste espetáculo Pessoal do Ceará: Meio Século Depois (outras virão!) só posso agradecer a essa equipe maravilhosa que aceitou o convite para recriar o disco Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem no teatro do Sesc Pompeia neste sábado. A presença – e a felicidade – de Rodger Rogério apenas traduziram essa frequência que habitamos desde que comecei a rascunhar o show como ideia. Obrigado de coração a todos e vamos aos próximos! E mais do que ter feito uma apresentação precisa, terminamos o fim de semana felizes não só por estar mostrando o maravilhoso repertório desse disco e representando a cultura cearense neste novo milênio. É só o começo de uma história que ainda devemos contar outras vezes. Vamos lá, meu Ceará!
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O Picles ficou pequeno nesta sexta-feira quando reuni duas bandas intensas e novíssimas em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo. Shows distintos de duas bandas que estão em momentos parecidos de suas carreiras, mas em vidas paralelas ao vivo. Enquanto o Nigéria Futebol Clube está vindo num crescendo de shows épicos, a Tubo de Ensaio fez o primeiro show em meses, hiato em que eles têm se dedicado a pensar no próximo álbum, o sucessor de Endofloema que lançaram no ano passado. Assim, trouxeram vários fãs para reencontrá-los ao vivo com toda a psicodelia prog que está em seu DNA. Além da energia contagiante do grupo, dos tempos quebrados e jogos de vocais e da forte influência do jazz, a Tubo ainda se dá ao luxo de meter eletrônica com synths caseiros que eles mesmos fazem – e que poderiam ter mais presença! O show ainda trouxe música inédita e no bis chamaram Bernardo Puyol para cantar a canção que ele compôs com a banda, “Taioba”. Bom demais!
Depois foi a vez do Nigéria Futebol Clube seguir sua escalada de shows fodas na primeira apresentação que fizeram no Picles. E, como têm feito, eles pegaram todo mundo de surpresa. Além de ter colocado a banda Vinco para dividir o palco com eles, foram montando o show músico a músico, fazendo com que cada um dos nove participantes da noite entrassem no palco à medida em que iam construindo um groove só – mecânico e hipnótico – com duas guitarras, duas baterias, baixo, teclado, flautas e vocais. Um atordoo sonoro que deixou a casa abarrotada de gente em êxtase, clamando pelo grupo aos gritos. Dois shows fodaços que marcaram a sexta, que terminou com eu e a Fran fazendo todo mundo dançar até alta madrugada.
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