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Imensa satisfação em receber o guitar hero Guilherme Held às segundas de abril no Centro da Terra, quando ele promove uma celebração ao seu instrumento em encontros com velhos compadres e camaradas na temporada que batizou de Abriu o Fuzz. A cada segunda ele recebe um amigo e camarada de instrumento, começando nesta primeira segunda do mês com Fernando Catatau. Nas seguintes, ele recebe Lúcio Maia (dia 13), Kiko Dinucci (dia 20) e Edgard Scandurra (dia 27). As apresentações começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à no site do Centro da Terra.

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O Luna está transformando sua residência de três dias no Bowery Ballroom, em Nova York, em um evento anual como faz o Yo La Tengo todo ano em seu hanukkah. Já que seus integrantes não moram mais na maior cidade dos EUA (o casal Dean Wareham e Britta Phillips está Los Angeles, o baterista Lee Wall foi pro Texas e o guitarrista Sean Eden pra São Francisco), esse acaba sendo o vínculo da banda com a cidade. E como o evento do Yo La Tengo, eles resolveram abrir para versões nos três shows que fizeram no fim de semana. Começaram sexta com o tema do filme Perdidos na Noite e depois passaram pelo já tradicional cover que fazem de “Sweet Child O’Mine” dos Guns N’ Roses, que emendaram com outra versão que fazem sempre do Donovan (a sensacional “Season of the Witch”) e duas do Dream Syndicate (“That’s What You Always Say” e Tell Me When It’s Over”) com a presença do guitarrista da banda original Steve Wynn. No sábado tocaram a balada “Drive” dos Cars e “Femme Fatale” do Velvet Underground logo de saída, para depois arrematar com duas versões de Lou Reed (“New Sensations” e “Satellite of Love”), uma do Suicide (“23 Mnutes in Brussels”) e a lendária “Marquee Moon” do Television), repetida também no domingo, que também teve repetecos de “Drive” e da música do Suicide, além de uma versão para “Blue Thunder”, música do Galaxie 500, a banda anterior de Dean. E não custa lembrar que Dean e Britta estão vindo pro Brasil pra tocar as músicas do Galaxie no início de maio.

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Corre do Sesc Pinheiros pro Áudio pra pegar o segundo show que Mac DeMarco fez em São Paulo nesta vinda, que, segundo o próprio Marquinho (apelido repetido várias vezes pelo público durante o show), não pode levar “quase dez anos” pra acontecer de novo. O clima era de reverência e catarse, com o público – a casa de shows estava lotada em pleno domingo de Páscoa – completamente entregue às canções e às gracinhas do anfitrião da noite, que não parava de fazer vozes engraçadinhas, dar risadas de desenho animado e falar o nome da cidade de São Paulo como se pronunciasse uma onomatopeia (até plantar bananeira no palco ele plantou!). A sensação é que o show completo seria assistir às duas noites que fez na cidade, com artista e público vivendo numa mesma bolha musical e térmica que fazia o povo cantar até riffs de guitarras em coro. E mesmo com boa parte do show dedicado ao recente – e sossegado – Guitar, Mac passou por diferentes fases de sua discografia, quase sempre carregado pela vibração intensa do público, que explodiu quando puxou a irresistível “Freaking Out the Neighbourhood”, de seu segundo disco. Outra explosão aconteceu na única faixa do bis, “My Kind of Woman”, mas a sentimento febril que une fãs e ídolo temperou a noite toda.

#macdemarco #audiosp #trabalhosujo2026shows 063

“Feliz Páscoa para todo mundo”, disse Letícia Novaes ao saudar o público que lotou o teatro do Sesc Pinheiros no domingo depois de enfileirar, sem conversa, as três primeiras músicas do novíssimo quarto álbum de seu Letrux, SadSexySillySongs, “e se vocês olharem embaixo da cadeira de cada um… não vai ter nada!”, arrematou arrancando gargalhadas. E não tem como. Apesar de ser um disco de fossa, a versão ao vivo de seu novo álbum não consegue fugir do território do humor, que ela sempre passeou com fluidez – até brincou que havia começado no stand-up comedy junto com Paulo Gustavo, Marcus Majella e Fábio Porchat, “podia estar milionária”. Mas as brincadeiras rápidas entre as músicas eram só o conforto momentâneo para um repertório que é uma faca no coração – e além das músicas do novo álbum, ela ainda visitou faixas de seus discos anteriores (“Leões”, “Abalos Sísmicos” e “Flerte Revival”) que também caminham no mesmo território pensativo e triste do novo disco e outras de outros autores, como a eterna “Pra Dizer Adeus” (de Edu Lobo e Capinam, pinçada via Maria Bethânia, a quem ela rezou para cantar sua música seguinte, “Ornamentais”), uma Alanis Morissette em versão brasileira (“You Learn” que virou “Tu Aprende”) e a clássica latina “Piel Canela”, além de outra música sua de outra encarnação, quando cantava no Letuce, “Seresta Quentinha”. Mas a principal mudança deste novo universo musical não é lírica – embora ela tenha aberto uma faixa no final da noite para enfatizar sua ênfase na letra – e sim o fato que Letícia não conta mais com a mesma banda que a acompanhou nos três primeiros discos. Ela segue solta no meio do palco, mas em vez de liderar uma banda com guitarra, teclado, baixo e bateria, vem ladeada de dois músicos – o guitarrista (e produtor do disco) Thiago Rebello e a violonista Cris Ariel -, que a erguem entre beats e camas pré-gravadas de áudio e suas cordas, que por vezes estão na raiz da música brasileira, outras conversam com o blues, noutras com o rock e em outras com o jazz. Assim a apresentação ganha ares de cabaré (principalmente pelas belíssimas luzes de Felipe Leo Pardo), algo que é escorraçado cenicamente de cara, quando vimos, logo que sobe a cortina, uma cama de casal no meio do palco, em que ela, literalmente, deita e rola..

#letrux #sescpinheiros #trabalhosujo2026shows 062

Olha essa beleza que é esse show Transversal do Tempo, que Elis Regina fez um tempão no Brasil e depois levou para Portugal. Na ocasião, no dia 18 de fevereiro de 1978, ela não só apresentou o show no Teatro Villaret em Lisboa como a íntegra da apresentação foi gravada pela emissora estatal local RTP.

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O primeiro show do retorno do trio inglês Xx aconteceu nesta sexta-feira, na Cidade do México, quando os Romy, Oliver e Jamie Xx voltaram a se apresentar conjuntamente no primeiro dos três shows que o grupo faz no México no início dessa sua nova fase. Já abriram com “”Crystalised” pra não deixar ninguém ressabiado – e tocaram músicas de seus três álbuns, mas nada do disco novo, que devem lançar esse semestre. E não se esquece que eles estão vindo pro Brasil em maio, quando tocam no C6. Vai ser lindo. Saca só o setlist e um trecho do show abaixo: Continue

Então toma o Johnny Marr tocando uma versão acústica pra “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want” quando apresentou-se no Lodge Room, em Los Angeles, nos EUA, no fim do mês passado.

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Finalmente consegui ir ao Quinta Lapa que a Anna Vis está organizando na galeria Lapa Lapa (no bairro paulistano de mesmo nome), quando Douglas Germano e Thiago França se encontraram para uma noite de violão e sax sobre os sambas do primeiro. Apesar da entrada discreta – uma escadaria que dá para uma sobreloja em uma rua pouco movimentado -, o espaço é pequeno e ao mesmo tempo amplo, permitindo que umas quarenta ou cinquenta pessoas se reunissem para assistir ao encontro, tocado sem amplificação, pressuposto da noite, e com uma iluminação indireta e colorida, criando uma sensação que tendia a um silêncio temeroso, logo quebrada pelo balanço dos sambas e sintonia entre os dois músicos – Douglas criando um chão sempre firme e constante para os voos de Thiago, por vezes melancólicos e taciturnos, outras completamente audazes e vertiginosos. No repertório, a sequência de novos clássicos paulistanos passeou por pérolas dos discos de Douglas (“Àgbá”, Guia Cruzada” e “Golpe de Vista”), algumas de seu novo disco, o ótimo Branco (como “Zelite” e “Bala Perdida”), parcerias dele com Kiko Dinucci (“Oranian” e “Por Favor”), outras imortalizadas pelo Metá Metá (“Damião”, “Sozinho”, “Canção Para Ninar Oxum” e “Oba Iná”, que encerrou a noite como bis) e outros clássicos imbatíveis como “Tempo Velho” e a definitiva “Vias de Fato”. E o que começou quase como uma missa quieta regida pelos dois, terminou como uma roda de samba sem percussão, despida da aura sacra original, pronta para cair na gandaia – mas sem exagerar. Grande noite.

#douglasgermano #thiagofranca #quintalapa #lapalapa #trabalhosujo2026shows 061

A Courtneyzinha lançou um discaço na semana passada (o excelente Creature of Habit, vai ouvir agora!) e está tocando-o por aí sem parar, mas quando passou pelo estúdio da Rádio Sirius, em Los Angeles, nos EUA, no fim do mês passado, tirou essa versão de “Let Me Roll It” do Paul McCartney que faz qualquer um ficar de queixo caído. E o sorrisão enquanto sola? Ela é demais!

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Juçara Marçal e Agnès Varda num mesmo momento: me belisca porque parece que eu tô sonhando. São duas apresentações no IMS de São Paulo nos dias 7 e 8 de abril, quando a cantora mistura as canções próprias, de artistas brasileiros e do espetáculo que faz em homenagem a Brigitte Fontaine, além de outras de Toto Bissainthe, artista haitiana que morava em Paris e foi registrada pela cineasta e fotógrafa francesa, acompanhada por Kiko Dinucci e Juliana Perdigão, sobre a exibição dos curtas A Ópera-Mouffe (1958) e Os Panteras Negras (1968), da homenageada da noite, que ainda terá a exibição de fotografias dos filmes Salut les Cubains (1963), La Pointe Courte (1954) e Papa Bon Dieu (1958). As apresentações fazem parte da excelente mostra Fotografia Agnès Varda Cinema, que está sendo realizada no Instituto. A entrada para os shows é gratuita, com senhas distribuídas uma hora antes das apresentações (que começam às 19h30) e cada pessoa só pode retirar uma senha. Programaço!