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Cidadão à toda!

Fernando Catatau inaugurou a nova fase do Cidadão Instigado neste fim de semana em São Paulo, quando tocou o recém-lançado disco homônimo em duas datas no Sesc Pompeia. Como pude ver a estreia desse show na cidade-natal do guitarrista há exatas duas semanas é inevitável comparar os shows e notar como a apresentação paulistana foi mais tensa que a cearense – sem que isso comprometesse a performance. Enquanto em Fortaleza o público conterrâneo cantava inclusive as músicas novas, deixando todos – fãs e artistas – completamente entrosados e animados, em São Paulo havia uma tensão natural do público paulistano que queria ver o que era aquele novo Cidadão Instigado ao vivo com certaa desconfiança. E foi sintomático que ele começasse em São Paulo com a faixa que parece simbolizar essa mudança de fase, única gravada com os integrantes da formação e que mais se assemelha à sonoridade rock que associamos ao grupo – e que não foi tocada em Fortaleza. “Tudo Vai Ser Diferente” trouxe Catatau de blazer e óculos escuros para abrir o show e, como no Ceará, optou por uma dose cavalar do novo disco logo de saída, mas o público de São Paulo ainda está assimilando as novas canções e formato do show, que traz uma banda que une diferentes fases da carreira de Fernando, com Dustan Gallas e Clayton Martins representando a antiga encarnação do grupo, Samuel Fraga tocando a bateria eletrônica que também tocava nos shows solo de Catatau e Anna Vis e Rubi Assumpção como novas integrantes do Cidadão. E, como no show de Fortaleza, é Rubi quem faz a primeira conexão do passado com o futuro do grupo ao rimar na segunda parte do clássico dance-prog “Os Urubus Só Pensam em Te Comer”. Recomeçando duas músicas em dois momentos distintos, Catatau foi ficando mais tranquilo à medida em que o show progredia, ainda mais quando entregou-se aos seus clássicos e à sua guitarra – e além das que tocou em Fortal, o show de sexta-feira contou com “Doido” e “Homem Velho”, tornando a apresentação ainda mais ampla que a anterior. Showzaço.

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E parece que o jogo virou: dessa vez foi Kevin Parker que, no meio do show que fez quinta passada em Londres, na Inglaterra, com seu Tame Impala, convidou sua nova amiga Dua Lipa para o palco para dividir duas músicas, começou com sua “Afteethought”, do disco Deadbeat, que lançou ano passado, para depois abraçar “Houdini”, do disco da cantora em que foi coprodutor. Coisa linda…

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Dean Wareham traz o show que faz em homenagem à sua primeira banda o Galaxie 500, neste sábado no Cine Joia, quando vem ao país com sua companheira Britta Phillips (com quem divide a autoria de sua outra banda clássica, o Luna) e o baterista Roger Brogan repassar clássicos como “Tugboat”, “Strange”, “Blue Thunder”, “Fourth of July” e tantas outras. Conversei com ele, que divide a noite com a cozinha do finado Morphine tocando músicas da velha banda do saudoso Mark Sandman, com o nome de Vapors of Morphine, em mais uma colaboração para o Toca UOL.

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Encontro mágico

Foi um primor o encontro de Chicos quando Francisca Barreto dividiu a noite com Chico Bernardes em mais uma edição inspirada do QuintaLapa, projeto tocado pela Anna Vis na galeria Lapa Lapa. Como característico da noite, os dois não usaram microfones nem amplificação para deixar seus instrumentos de corda reverberar paisagens sonoras para que as duas vozes se soltassem lindamente. Revezando-se entre violões e o violoncelo de Chica, os dois passaram por por músicas próprias: ele puxou músicas de seu disco mais recente, Outros Fios, como “Esse Navio”, “Todacor”, “Ode À Perfeição” e “Até Que Enfim”, ela cantou sua já lançada “Habana” e as ainda inéditas “Canoeiro”, “Bico da Proa” e uma versão delicada para a música que compôs para sua irmã gêmea. Mas também tiveram momentos para canções de outros autores, pinçadas a dedo, como “Place to Be” de Nick Drake, “Not a Lot, Just Forever” de Adrianne Lenker e uma versão deslumbrante para “O Vento” de Dorival Caymmi. Um encontro mágico que não deve ficar apenas nessa primeira aparição.

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Parado desde a pandemia, o grupo pernambucano de prog pesado instrumental Cosmo Grão está lentamente retomando as atividades e fazem isso oficialmente a partir desta sexta, quando lançam o EP Cosmo Grão Ao Vivo, mas uma de suas músicas – “Mabombe” – pode ser ouvida em primeira mão no Trabalho Sujo. Fizeram algumas apresentações em 2023 e 2024 mas só no ano passado conseguiram reunir toda a formação original, com Thiago Menezes e Chico Rocha nas guitarras, Rafael Gadelha no baixo e Cássio Sales na bateria, quando gravaram o disco que lançam nesta sexta numa parceria dos selos Muuu Records (do Criatório Estúdio) e Precarian Takes (do Benke Ferraz, guitarrista dos Boogarins). “A ideia de gravar a banda em uma performance ao vivo se tornou ainda mais sedutora quando se somou à oportunidade de registrar um reencontro que não acontecia há sete anos”, explica o baterista, que também é produtor do disco. O grupo ainda está estudando quais os próximos passos, mas o primeiro deles acontece nesta mesma sexta, quando divide o palco com os grupos Papangu e Zepelim & O Sopro do Cão, no Brilho Cultural (Rua Ulhôa Cintra, 122, no Recife).

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Catarse cearense

Que maravilha poder realizar mais uma sessão do espetáculo Pessoal do Ceará, que desta vez aconteceu no Bona e contou com a presença de hermanos cearenses que não conseguiram ver a primeira apresentação, no Sesc Pompeia. E é natural que a ascendência cearense faça o espetáculo ficar mais quente e vivo, com a emoção a flor da pele de quem reconhece um detalhe íntimo, como quem conta um segredo, reconhece uma revelação. O segredo, no caso, é o disco de estrada Meu Corpo Minha Bagagem Todo Gasto na Viagem, épico composto e gravado por Teti, Ednardo e Rodger Rogério com o nome artístico de Pessoal do Ceará, funcionando como manifesto para uma geração que ainda inclui nomes como Belchior, Fagner, Amelinha e tantos outros para além da música. E quando essa emoção rebate no público, volta para a banda que naturalmente esquenta ainda mais e assim Soledad, Jonnata Doll e Paula Tesser (que, pra deixar tudo ainda melhor, aniversariava no mesmo dia) puderam passear por esse repertório mágico como se estivessem cantando hits que eles mereciam ser. A banda Ondas dy Calor (Allen Alencar na guitarra e baixo, Davi Serrano no baixo e guitarra e Xavier e Igor Caracas dividindo-se entre percussão e bateria) e o maestro Klaus Sena (entre piano e teclados) entrou na mesma frequência e assim a alma dos presentes foi lavada, especificamente a última meia hora do show, quando Jonnata puxou “Palmas pra Dar Ibope”, Paula emendou a maravilhosa “Beira Mar” e Soledad encerrou a noite lá em cima, primeiro com uma versão rock clássico pra “Susto” (com um solo arrebatador de Davi) e depois ao transformar o lamento de “A Mala” em uma catarse cearense de tirar o fôlego, que coroou a apresentação com uma poética mágica.

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Depois de passar pelo Ceará no mês de aniversário de Fortaleza, o show Pessoal do Ceará – Meio Século Depois, em que Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll visitam o clássico cearense Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, de 1973, volta a São Paulo para mais uma apresentação, desta vez no Bona. Os três visitam o repertório do cancioneiro daquele estado nos anos 70 acompanhados da banda Ondas dy Calor (formada por Allen Alencar, Davi Serrano, Xavier e Igor Caracas), regida pelo diretor musical Klaus Sena e comigo na direção. Os ingressos já estão à venda.

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Mike D vem aí?

Depois do sucesso espontâneo de sua participação no show da banda de seus filhos Very Nice Person no mês passado, o eterno beastie boy Mike D anunciou mais shows solo: além da participação no festival francês Beyond The Streets, que acontece em junho no L’Espace Périphérique em Paris, ele marcou dois shows na Califórnia (dias 7 e 10) e dois em Nova York (dias 22 e 23), nos EUA, ainda este mês ao mesmo tempo em que lançou o site miked5d.com, o que pode indicar que tem um disco batizado de 5D vindo aí…

O coletivo Enchante fez sua estreia no Centro da Terra nesta terça-feira, abrindo a noite batizada de Sombras N’Água com uma enxurrada de ruídos em que Sue, Anna Vis, Mari Crestani e Gylez – e a convidada Valentina Facury – já chocaram o público de saída, para depois entrar num percurso mais sinuoso e fluido, deixando o improviso dos instrumentos estabelecer o ritmo do resto da noite, depois do apavoro inicial. A partir dali, samples e efeitos eletrônicos, voz, guitarra, sax, percussão e viola seguiram caminhos próximos mas com interferência mínima e pontual, naqueles belos momentos do improviso em que a escuta é tão importante quanto a ação, trabalhando com espaços vazios e momentos de tensão sonora que eram tão volumosos quanto expansivos.

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O recém–formado coletivo Enchante, formado por artistas queer da cena paulistana que trabalham com a improvisação livre, sobe ao palco do Centro da Terra pela primeira nesta terça-feira, quando apresentam o espetáculo Sombras N’Água. Formado por Sue (guitarra e sampler), Anna Vis (voz e sampler), Mari Crestani (sax alto e contrabaixo) e Gylez (viola elétrica), o grupo trabalha com o risco da performance ao vivo e para esta apresentação convida a percussionista Valentina Facury. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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