
A segunda apresentação do espetáculo Pessoal do Ceará, Meio Século Depois acontecerá em Fortaleza neste sábado, dia 18, quando Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll visitam mais uma vez visitam o clássico Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, composto e gravado por Ednardo, Rodger Rogério e Teti em 1973. Como no show que dirigi em São Paulo em fevereiro, esta apresentação, que acontece no Centro Cultural Belchior que fica na Rua dos Pacajus, 123, na Praia de Iracema, com ingressos gratuitos, também contará com a participação do grande Rodger Rogério. Quem vai? O show começa às 19h30.

Creature of Habit, o disco novo da Courtney Barnett, é desses que melhora a cada audição – e toda vez que vejo vídeo delas tocando músicas desse disco ao vivo parece que elas melhoram ainda mais. É o caso desse show que ela fez na KEXP no ano passado que a rádio só liberou agora. Discaço!
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Já temos o principal concorrente da categoria “Eu sou mais indie que você” de 2026, quando o líder do Wilco e a líder do Paramore se juntaram para, juntos, cantar a música que botou o Unknown Mortal Orchestra no radar público há quinze anos num programa de TV! De todas as canções do mundo, a excelente dupla formada por Hayley Williams e Jeff Tweedy (quero um disco deles JÁ!) pinçou a música que fez o mundo indie descobrir a banda do neozelandês Ruban Nielson em 2011, faixa de abertura do disco homônimo de sua banda, no programa do Stephen Colbert na TV norte-americana nesta segunda-feira. E dá gosto ver a Hayley esmmerilhando no theremin! Bom demais!
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Em mais uma incursão sonora ao cerne da guitarra na temporada Abriu o Fuzz que Guilherme Held está fazendo no Centro da Terra, a noite desta segunda assistiu não só a um encontro de dois samurais de seus instrumentos como a primeira vez em que Held dividiu o palco com Lúcio Maia, que admira desde que o conheceu nos primórdios da Nação Zumbi, ainda como ouvinte, nos anos 90. Os dois se conheceram nos bastidores da vida há anos, ficaram amigos mas nunca haviam tocado juntos, falha essa que foi corrigida na segunda noite da temporada de Held no teatro, quando, mais uma vez sob os lasers implacáveis – dessa vez geométricos – do Paulinho Fluxuz, entrelaçaram timbres, riffs e solos muitas vezes a partir de beats que Lúcio ia soltando no meio do derretimento musical que os dois proporcionavam juntos, misturando rock psicodélico com jazz, música ambient com rock progressivo e pitadas de música caribenha, africana e latina, além da banda do groove musical brasileiro. Uma viagem.
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Na vigésima oitava edição de seu próprio festival Coopstock, que aconteceu neste fim de semana na cidade de Mesa, nos Estados Unidos, Alice Cooper pegou todo mundo de surpresa ao tocar nada mais nada menos que “Smells Like Teen Spirit”, numa versão à altura da música original do Nirvana – levando em conta que o vocalista tem 78 anos! Espírito juvenil é isso aí! Bom demais!
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Os renascidos Strokes também tocaram no Coachella neste fim de semana e além de tirarem uma onda por estarem abrindo por Justin Bieber, ainda mostraram que estão bem e que sabem fazer um showzão, mesmo que não estejam mais na flor da idade (cada geração tem a sua referência de rock clássico). Alguém falou em Primavera São Paulo? E, claro, teve Geese tamém que, pra variar, inseriu mais um cover na parte do meio de sua “2122” – e depois de meter Primal Scream, Stone Roses e Spacemen 3 nos shows que fez no Reino Unido, saudou o festival com uma versão de… “Baby” do Justin Bieber. Uma crítica mais sutil e bem humorada à principal atração do festival esse ano do que as reclamações dos Strokes.
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No último dia do mês passado, Bruce Springsteen deu início à sua nova turnê pelos Estados Unidos e escolheu a dedo a cidade inicial: a mesma Minneapolis que viu no primeiro mês deste ano, agentes da milícia de Donald Trump contra imigrantes matar dois inocentes sem nenhum motivo. Bruce, que tornou-se um dos artistas mais ativos contra o atual presidente dos EUA, não apenas participou de protestos e lançou uma música contra a infame ICE (“Streets of Minneapolis”), como transformou sua nova turnê numa contínua manifestação contra o déspota estadunidense. Batizada de Land of Hope and Dreams, a turnê conta com o ex-Rage Against the Machine Tom Morello (outro forte antagonista de Trump no mundo da música) como show de abertura e, em sua primeira noite, fez várias versões para músicas alheias, como sua reverência à Patti Smith (em “Because the Night”), e outras que confrontam o belicismo dos EUA, como “Chimes of Freedom” de Bob Dylan e “War” dos Temptations, que abriu a noite. Mas o ápice do show foi quando chamou Morello ao palco para celebrar o músico nativo mais importante daquela cidade, ao tocar “Purple Rain” do Prince pela primeira vez em dez anos. “Para o maestro!”, cumprimentou o público ao entoar os primeiros acordes em sua guitarra. Emocionante
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Falei outro dia do novo grupo pernambucano Mayara Iara Dimitria e elas liberaram em primeira mão para o Trabalho Sujo a íntegra da live que gravaram no Estúdio Casona, no Recife. Entre a psicodelia, o experimental e o indie rock, o trio formado por Iara Adeodato (guitarra), Mayara (synth) e Dimitria (bateria) é o primeiro lançamento do novo selo Precarian Tapes, do Benke Ferraz, guitarrista dos Boogarins. Elas já estão marcando mais shows e devem começar a rodar pelo Brasil em breve…
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Houve um período entre os anos 80 e os anos 90, no final do século passado, que a música pop que dominava as paradas de sucesso pelo mundo começava a parecer cada vez mais artificial e distante da vida das pessoas, fazendo com que vários novos artistas buscassem outro tipo de som para fugir dos clichês que dominavam as rádios da época – e nessas buscas, encontravam outros artistas iniciantes com as mesmas frustrações. Antes do indie inglês explodir no britpop, aquela cena musical buscava expandir suas fronteiras misturando melodia e ruído, algo sintetizado na clássica fita C86, que revelou uma nova safra de bandas britânicas em 1986 que, mais tarde, mudaria o pop daquela ilha. E entre nomes como o Primal Scream, os Pastels, os Soup Dragons, os Shop Assistants e o McCarthy (a semente do Stereolab), estava o Wedding Present, que três anos depois lançaria o clássico álbum Bizarro. Na época deste disco, o baixista da banda, Keith Gregory, foi para os EUA e voltou com alguns discos de bandas desconhecidas e escolheu a música “Box Elder”, de uma delas para incluir em seus shows. A faixa era uma das músicas do primeiro lançamento de uma banda completamente desconhecida, o EP Slay Tracks (1933-1969), de um grupo chamado Pavement. A versão chamou atenção do histórico radialista inglês John Peel, que, curioso como só ele, foi atrás da tal banda e ajudou-a a ser mais conhecida para além de seu grupo de amigos em Nova York. A versão do Wedding Present para “Box Elder” depois foi incluída na edição em CD do disco Bizarro e muitos achavam que, quando o Pavement começou a chamar atenção do público em seu país, eles é que estavam tocando uma música da banda inglesa. Para lembrar esse impulso inicial a uma das bandas mais importantes do indie rock, o Wedding Present voltou a incluir a faixa do Pavement no repertório da turnê que acabou de começar a fazer pelos Estados Unidos.
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Vim para Brasília discotecar no Night Lab, projeto mensal realizado no antigo Touring da cidade (quem lembra?) que agora chama-se Sesi Lab e tem a curadoria de Roberta Martinelli, e calhou de me apresentar no mesmo dia da Ana Frango Elétrico, de quem acabei de ver um show impecável no Sesc Pinheiros. Mas diferente do show de São Paulo, esse foi sem banda e Ana encarou o público apenas empunhando um violão (e à frente das projeções de sua companheira Maria Cau Levy, projetando grafismos e vídeos em baixa definição num telão imenso), numa apresentação que, sabendo que estava cercada de um público fanático, trouxe várias músicas de seu próximo álbum, que ainda não tem nome nem previsão de lançamento. E mesmo sem conhecer as quatro músicas novas, o público que lotou o Sesi Lab a acompanhava deslumbrado, repetindo inclusive o refrão de “O Silêncio é o Barulho da Noite”, parceria inédita dela com Rômulo Froes e Tuca Monteiro. Mas ela não ficou só nas novidades e encantou o público com canções de seus três discos, além das mesmas versões alheias que trouxe no show que vi em São Paulo: “O Leão e o Asno” do Vovô Bebê e “Cérebro Eletrônico”, do Gilberto Gil. E embora o público cantasse tudo junto, Ana lamentava ter feito o show sozinha, exagerando que aquela era a última vez que ela tocava violão para mais de trinta pessoas. Autocrítica com excesso de modéstia, ela ficou mais tensa ainda quando acabou a bateria do violão, o que fez ela aproximar o instrumento do microfone e chegar ainda mais perto do público, que não parava de gritar. Íntimo e intenso.
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