
Manu Julian começou seu 2026 com os dois pés firmes no palco do Bona, mostrando que é um dos nomes para ficar de olho nesse novo ano (se você acompanha meu trabalho sabe disso faz tempo). Em sua primeira apresentação com banda, ela expandiu o microverso que começou a moldar ao lado do fiel escudeiro Thales Castanheira, guitarrista que tornou-se diretor musical da nova apresentação, sem perder a emotividade e intensidade dramática, que anda no fio da navalha com a timidez e a incerteza, qualidades que equilibrava no detalhe dos shows que fazia até aqui. Uma vez acompanhada de sua irmã de Pelados Helena Cruz no baixo, da precisa e eficaz Bianca Godói na bateria e do irmão Jvka disparando efeitos e segurando percussões, Manu decolou de um jeito disposta a ver o horizonte ainda mais de cima. Passeando por composições alheias e próprias, ela não só repassou músicas que já estavam em seu repertório (com sua deliciosa “Sempre Mais”, a versão para os argentinos El Príncipe Idiota “Novedades”, “Mexe Comigo” dos Pelados e “Fala” dos Secos e Molhados), como estreou várias músicas inéditas, como a ótima “2058” (parceria com Sophia Chablau, que deveria estar no show mas teve um problema de saúde), “Copo Vazio”, o reggaeinho “Tuí”, “Balada Boba”, “Bomba” (parceria com Theo Cecato e Téo Serson) e a intensa “Make Me WIld”, que encerrou o curto show, que ainda teve versões novas para músicas da Sophia (a bela “Se Você”) e uma de Felipe Vaqueiro (a ótima “Lamento da Pia Quebrada”, com a qual abriu a noite). Com o volume de som e a presença de mais amigos no palco, Manu deixou a fragilidade em casa e entregou-se em seu melhor show até hoje, seja soltando sua voz maravilhosa, deixando seu corpo pulsar a vibração das canções ou fazendo piadas infames entre as músicas. Voa Manu!
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Começou de brincadeira, mas agora é sério: as Sleater-Kinney oficializaram seu tributo aos Ramones ao lado do comediante Fred Armisen depois de alguns shows no ano passado tocando com o nome de “Moans”. O grupo adotou um novo nome – Return Of Jackie And Judy, tirado da faixa de mesmo título do disco do quarteto nova-iorquino produzido por Phil Spector em 1980, End of the Century -, já criou uma conta no Instagram e marcou shows esse ano em alguns festivais (quando tocam em maio no Bottlerock na Califórnia e no Mooswood Meltdown em Oakland, ambos nos EUA). O tributo era meio inevitável pela relação que as Sleater-Kinney têm com o mitológico grupo punk – seu primeiro hit underground, em 1996, chamava-se “I Wanna Be Your Joey Ramone” e o grupo sempre toca músicas dos nova-iorquinos em seus shows e a conexão com Armisen, que fazia dupla com a guitarrista e vocalista Carrie Brownstein na clássica série Portlândia e vive tocando com bandas indie de seus amigos (como fez recentemente no Hanukkah do Yo La Tengo), também parece meio óbvia pela proximidade dos envolvidos. Tomara que descubram o tamanho dos Ramones na América do Sul e se arrisquem fazer shows por aqui, imagina….
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“A próxima música é provavelmente uma das principais canções. E não quero demorar muito esta noite, mas escrevi esta canção como uma ode à possibilidade americana… Tanto ao belo mas imperfeito país que somos, quanto ao país que poderíamos ser. Agora, exatamente agora, estamos vivendo tempos incrivelmente críticos. Os Estados Unidos, ideais e valores que o representam nos últimos 250 anos, estão sendo testados como nunca antes nos tempos modernos. Esses valores e ideais nunca estiveram tão ameaçados quanto agora. Então, enquanto nos reunimos esta noite nesta bela demonstração de amor, cuidado, consideração e comunidade, se você acredita na democracia, na liberdade; se acredita que a verdade ainda importa e que ainda vale a pena falar em seu nome e lutar por ela; se você acredita no poder da lei e que ninguém está acima dela; se você se opõe às tropas federais fortemente armadas e mascaradas que invadem cidades americanas usando táticas da Gestapo contra nossos colegas cidadãos; se você acredita que não merece ser assassinado por exercer seu direito americano de protestar; então mande uma mensagem para esse presidente. E como disse o prefeito daquela cidade, o ICE deveria vazar de Mineápolis. Então, esta é pra você e pela memória de Renee Good, mãe de três filhos e cidadã americana”. Assim Bruce Springsteen apresentou sua “The Promised Land” em sua aparição surpresa no Light Of Day Winter Festival, evento que acontece há anos em sua cidade-natal Nova Jérsei, nos EUA, bradando contra o regime de milícia que tem baixado no dia-a-dia daquele país. Esse tipo de protesto ainda segue tímido devido à decadência tétrica que Trump vem conduzindo seu país, mas deve tornar-se cada vez mais frequente se o clima continuar pesando cada vez mais…
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Começando bem o ano com o showzaço que Paola Ribeiro fez de seu disco Circus nessa sexta-feira no Sesc Av. Paulista. Acompanhada de uma bandaça formada por Kiko Dinucci (violão), Marcelo Cabral (contrabaixo acústico e efeitos), Podeserdesligado (eletrônicos e synth) e a dupla Rádio Diáspora (Rômulo Alexis nos sopros e Wagner Ramos na bateria), ela deixou sua voz exuberante percorrer limites extremos, do sussurro ao grito, do vocalise livre à canção, por vezes tocando um berimbau com arco de cello, enquanto hipnotizava o público com sua amplitude e intensidade vocal. Completamente livre no palco, ela teve momentos em que dividiu improvisos com cada um dos integrantes, cantou sozinha quase em silêncio ou entregava-se ao caos sonoro que os músicos explodiam quando, juntos, soavam como uma avalanche musical. Uma bom forma de começar um ano que já começou inquieto. Vamos lá!
#paolaribeiro #sescavenidapaulista #trabalhosujo2026shows 001

Ecos do Galaxie 500 e do Morphine se encontram no Cine Joia no próximo dia 9 de maio, quando a produtora Maraty, do André Barcinski, traz o vocalista da primeira banda, Dean Wareham, revisitando seu clássico grupo indie do final dos anos 80, e a banda Vapors of Morphine, formada pela cozinha da banda liderada pelo saudoso Mark Sandman, acompanhada por um novo vocalista. E segundo o próprio Barcinski, a companheira de Dean, Britta Phillips, que faz dupla com ele há décadas, inclusive nas últimas vindas ao Brasil, faz parte da banda de Dean que, como esperamos, será a atração que encerra a noite. Os ingressos já estão à venda.

E essa operação da PF pra prender cambista milionário dos próximos shows do Iron Maiden que foi batizada de Fear of the Pix? Convenhamos que eles pegaram leve com esse trocadilho e deixaram passar variações com o maior hit do grupo inglês.
PIX PIX PIX THE NUMBER OF THE BEAST
ou
THE NUMBER OF THE PIX
Mas dá pra pensar em inúmeros outros: Pix of Mind, Run to the Pix, The Pix of the Ancient Mariner, Running Pix, Wasted Pix… Qual mais?

O BTS confirmou sua vinda ao Brasil como parte de sua primeira turnê mundial em quatro anos. O fenômeno coreano passa pelo país em três datas em São Paulo, nos dias 28, 30 e 31 de outubro, sem local nem dia de venda dos ingressos confirmados ainda (embora os fãs já estejam acampados em possíveis pontos de venda que também não foram anunciados). Num ano de copa e de eleição, vai ser interessaante quando o brasileiro médio descobrir o tamanho da massa nacional fissurada em k-pop e ninguém melhor que os Beatles do gênero pra ensinar isso pra gente. Se você achou que se falou muito do Oasis ano passado, se prepara…

No fim do ano passado, Courtneyzinha passeou por Berlim, Paris e Londres mostrando músicas novas só com a guitarra elétrica e comentando sobre o processo criativo do próximo disco, ainda sem título ou data de lançamento. Mas como ela acabou de compartilhar essa compilação de vídeos das três apresentações, pode ser que algo esteja vindo aí… Sabe como é, começo de ano…
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O festival Cecília Viva, que aconteceria no fim deste mês em Ilhabela, infelizmente não irá mais acontecer por questões entre a produção e o local onde o evento seria realizado. Uma pena, pois além de reunir um elenco de peso (misturando, entre outros. Rakta, Metá Metá, Bazuros e Azymuth) também mantinha vivo o nome da Associação Cecília Cultura e explorava possibilidades ao vivo para além das casas de show tradicionais de São Paulo.

No mesmo Artists for Aid em que Clairo se apresentou Chappell Roan e Lucy Dacus fizeram um dueto em que interpretaram juntas “The Book of Love” do Magnetic Fields. Bonito…
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