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Aconteceu de novo! Um ano após os quatro integrantes do R.E.M. terem se reunido no palco num show em sua cidade-natal, em Athens, nos EUA, dois remanescente de uma das maiores bandas da história do indie rock voltaram a dar as caras tocando velhas canções do grupo. Mais uma vez a dupla Michael Shannon e Jason Narducy conseguem reconectar as raízes do R.E.M. e nessa sexta-feira, Bill Berry assumiu a bateria em “Underneath the Bunker” e Peter Buck pegou sua guitarra em quatro faixas, “So. Central Rain”, “Sitting Still”, “Radio Free Europe” e “Star 69”, na pequena casa de shows 40 Watt Club. O evento, que está se tornando tradição, é a passagem da dupla Shannon e Narducy, que há três anos celebram o legado do R.E.M. recriando discos clássicos do grupo em ordem cronológica em turnês nostálgicas que atravessam seu país. Shannon, eterno ator coadjuvante em produções de Hollywood, e Narducy, indie veterano fundador do clássico Verboten, com passagens pelo Superchunk, pela banda de Bob Mould e pela nova encarnação do Sunny Day Real Estate, começaram as homenagens em 2023, repassando o primeiro disco do grupo, Murmur, na íntegra, que tornou-se uma turnê pelos EUA no ano seguinte. No ano passado, a dupla visitou o terceiro grupo do R.E.M., Fables of the Reconstruction, e na passagem pela cidade-natal do grupo, há um ano, conseguiram reunir os quatro ex-integrantes do grupo no palco para cantar “Pretty Persuasion”. Foi a segunda vez em 17 anos que os quatro se reuniram no palco – a primeira havia em 2024, quando tocaram “Losing My Religion” quando foram indicados ao Songwriter’s Hall of Fame. A atual turnê da dupla celebra o quarto disco do grupo, Lifes Rich Pageant, e a dupla vem acompanhada de outros nomes conhecidos, como o ex-baterista do Superchunk Jon Wurster e o baixista do Wilco John Stirratt, além do guitarrista Dag Juhlin e do tecladista Vijay Tellis-Nayak. E desde que os dois começaram a fazer essas homenagens, os ex-integrantes do R.E.M. estão cada vez mais animados em falar sobre o velho grupo ou fazer aparições mais constantes em público. Daqui ficamos apenas na torcida que essa vontade fale mais alto e eles topem voltar aos palcos para uma última e histórica turnê. Imagina…

Assista à íntegra do show da sexta passada abaixo: Continue

Marina Nemésio e Rodrigo Coelho mais uma vez voltam ao momento anterior ao marco zero da bossa nova, quando João Gilberto retorna ao Rio de Janeiro depois que inventou o jeito de tocar e cantar que mudaria a história de nossa música. O espetáculo João 1958, concebido pelos dois comigo na direção, chega à intimista Sala B da Casa de Francisca na próxima quarta-feira dia 11, quando os dois passeiam pelo repertório que o pai da bossa nova mostrou para os conhecidos logo que voltou à capital brasileira à época, momento que foi eternizado num gravador de fita pelo fotógrafo Chico Pereira quando João mostrou aquelas canções em sua casa. Marina e Coelho dividem-se nos dois instrumentos do mestre – a alagoana canta e o pernambucano toca violão – para reverenciar esse conjunto que canções, parte delas consagradas nos primeiros discos de João pela Odeon, parte delas inéditas, tanto temas de autoria do próprio que nem título têm, quanto velhos sucessos da era de ouro do rádio brasileiro. A casa abre a partir das 19h30 e os ingressos já estão à venda.

O Pato Fu é uma das bandas indie mais importantes do Brasil. Apesar de ter passado boa parte de sua discografia clássica lançando discos por gravadoras multinacionais, o grupo mineiro sempre exerceu sua independência artística e estética em vez de simplesmente ceder a pressões comerciais ou tendências de mercado, como reza o credo de artistas que trabalham com a maioria dessas empresas. Isso está ligado ao modus operandi do grupo (que ainda reside em Belo Horizonte e faz projetos paralelos à vontade), da fundação básica de sua natureza criativa no casal Fernanda Takai e John Ulhoa e a uma certa estranheza que os tornam distantes da possibilidade de abraçar o pop escancarado de artistas como Kid Abelha, Lulu Santos ou Skank. Essa estranheza era aguda em seu disco de estreia (o inominável Rotomusic de Liquidificapum, de 1992, lançado pela gravadora mineira de música pesada Cogumelo), mas alcançou o equilíbrio perfeito no segundo álbum, Gol de Quem?, lançado em 1995 dentro de um selo indie (o Plug) de uma gravadora major (a BMG). Este álbum foi reverenciado pelo grupo em três shows nesta semana no Sesc 14 Bis, quando o grupo tocou sua obra-prima quase na íntegra (tirando, não me pergunte porquê, joias como “Sertões”, “Onofle”, “A Volta do Boêmio”,”Ok! Alright!” e “Ob-La-Di Ob-La-Da”) e ainda emendou um segundo set com vários hits de outras épocas, aproveitando a turnê de comemoração dos 30 anos da banda que fizeram há pouco, passando por “Perdendo Dentes”, “Imperfeito”, “Made in Japan”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Antes Que Seja Tarde”, “Hoji”, “Água” e “Eu”, entre outras. O carisma inabalável do grupo conversava lindamente com as projeções do telão e sua performance no palco, mas o humor mineiro chegou ao extremo quando Fernanda trouxe pães de queijo para distribuir para o público. Inacreditável – e a cara deles!

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E o reencontro do Plebe Rude com um de seus fundadores, Jander Ribeiro – conhecido pelos fãs como Jander Bilaphra -, que aconteceu nesta sexta-feira no Circo Voador? Segundo vocal marcante da banda brasiliense, Jander deixou o grupo em 2004 e foi substituído pelo pioneiro do punk paulistano Clemente Nascimento, numa formação que manteve-se praticamente intacta desde então, com os outros dois fundadores da banda – o guitarrista e principal vocalista Philipe Seabra e o baixista André X -, com troca apenas de baterista uma vez, quando o ex-Maskavo Roots Rodrigo Txotxa deixou o grupo para a entrada de Marcelo Capucci. O público foi pego de surpresa quando foi ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, ver a atual formação da banda tocar seu disco de estreia O Concreto Já Rachou?, que está completando 40 anos, e de repente Jander sobe no palco para dividir os vocais da emblemática “Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)”, num momento histórico do rock brasiliense. E seu vocal segue intacto – vale apenas ver também os outros vídeos do show abaixo: Continue

Quinta quente

Mesmo com a chuva chata que caiu no fim desta quinta-feira, o Porão da Casa de Francisca estava cheio para assistir aos dois shows que reuni em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo ali. A noite começou com Valentim Frateschi mostrando as faixas de Estreito, seu disco de estreia, muito bem acompanhado por uma bandaça formada por Nina Maia nas teclas e vocais, Amanda Camargo na guitarra e teclados, Quico Dramma na bateria e Thiago Pucci no baixo, enquanto o dono do show, tradicionalmente baixista, assumia guitarra e vocais, sempre transformando suas canções em groovezeiras que não deixavam ninguém parado. A novidade da noite foi quando ele chamou Francisca Barreto para acompanhá-lo nos vocais da única versão da noite, quando dividiram a mágica “Grilos” de Erasmo Carlos. Bom demais!

Depois foi a vez de Francisca Barreto se soltar no Porão da Casa de Francisca. Seguindo com a mesma banda que a vem acompanhando – formada por Bianca Godói na bateria, Valentim Frateschi no baixo, Victor Kroner na guitarra, Thales Hash na viola e Melifona no trompete -, ela tocou seu violoncelo em menos canções, deixando soltar-se como cantora num repertório em que a maioria das canções eram de sua autoria, inclusive mostrando músicas novas, como a que fez para sua irmã gêmea. Das canções alheias, ela manteve sua já clássica versão para “Teardrop” do Massive Attack, “Habana” de Yaniel Matos (seu primeiro single solo) e “Gosto Meio Doce” de Felipe Távora, que dividiu com sua amiga Nina Maia, que subiu como convidada surpresa da noite. Foi demais!

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Maior satisfação receber dois queridos em início de carreira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Porão da Casa de Francisca. Valentim Frateschi e Francisca Barreto dividem a noite desta quinta-feira, 26 de fevereiro, quando Tim abre a noite mostrando seu recém-lançado álbum Estreito, enquanto Chica faz seu show mais autoral à medida em que começa a pensar em seu primeiro álbum. A casa abre às 20h e quem chegar antes das 20h30 não paga pra entrar. Se não conseguir chegar antes, melhor garantir os ingressos antecipados por aqui.

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No primeiro show que fez neste ano, no Noise Pop Music and Arts Festival, em São Francisco, nos EUA, Stephen Malkmus puxou, entre músicas do Pavement, suas com os Jicks e de sua carreira solo, uma velha canção de seu saudoso compadre David Berman – e essa versão mais lenta e tocada apenas ao violão de “Trains Across the Sea” dos Silver Jews é de chorar.

Assista abaixo: Continue

O decano grupo de rap latino Cypress Hill vem ao Brasil mais uma vez para tocar na edição deste ano Lollapalooza e aproveitar para passar em Porto Alegre e Curitiba, além de fazer um show extra em São Paulo. Conversei com um de seus MCs, o filho de cubanos Sen Dog, sobre o disco que acabaram de lançar com a Orquestra Sinfônica de Londres e sobre o disco em espanhol que estão prestes a lançar em mais uma colaboração que faço para o Toca UOL. Continue

Ao visitar a sala do piano dos estúdios Maida Vale da BBC em Londres, na Inglaterra, a sensação islandesa Laufey subiu um impressionante degrau ao fazer uma versão épica de “Both Sides Now” da canadense Joni Mitchell ao lado da BBC Concert Orchestra. Isso sem contar o fato que ela está apresentando a Joni pra centenas de milhares de suas fãs e só isso valeria a pena, mesmo que a versão não fosse deslumbrante. E olha o hype da Joni Mitchell aumentando…

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Um outro teste

A primeira vez que Pedro Pastoriz apresentou-se no Centro da Terra, em agosto de 2019, inventou uma investida ao palco chamada Esse Show é um Teste para experimentar o que poderia ser a versão ao vivo do disco que havia acabado de gravar e que seria lançado apenas no ano seguinte, o infame 2020, quando o título Pingue-Pongue com o Abismo se fez mais apocalíptico do que qualquer um poderia prever. Quase sete anos depois, Pedro volta a usar o palco como laboratório para um novo momento de sua carreira – isso depois da paternidade e de um hiato profissional, encerrado há pouco -, experimentando novas canções ao mesmo tempo em que descobria, no próprio time de músicos que reuniu para essa apresentação, novos parceiros. Conexões antigas ou novíssimas que se encontraram no palco do teatro nesta terça-feira, quando Pedro mostrou várias músicas inéditas e aproveitou para mostrar os novos comparsas – e suas próprias composições – para o público. E depois de abrir a apresentação com a faixa que batizava a noite – “Bafinho Quente” – e seus três novos parceiros ao lado, foi passando por momentos diferentes do repertório quase sempre com algum deles como dupla: primeiro a tecladista Antônia Midena o acompanhou por cinco canções (inclusive uma dela e o hit paulistano do gaúcho, “Restaurante Lótus”), depois foi a vez de Bia Rezi passar por duas faixas (fechando sua participação com uma visita ao Dylan via Caetano de “Negro Amor”) e finalizando com o guitarrista Vitor Wutzki por outras três (entre elas uma versão para a valsinha proparoxítona de Alvarenga e Ranchinho, “O Drama de Angélica”). Os quatro voltaram ao palco juntos ao final para reviver “Faroeste Dançante” que Pedro compôs com Fausto Fawcett, encerrando com a faixa-título que, mais do que batizar a noite, parecia arregimentar as expectativas de quatro carreiras solo que se encontraram num espetáculo conjunto. Avante!

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