
O título dá a impressão que é 2007, mas estamos em 2013: às vésperas de lançar seu disco novo, o Chromeo mostrou sua “Sexy Socialite” ontem no programa do Jimmy Fallon e ainda contou com a participação da dupla canadense Death from Above 1979 com parte da banda (o player abaixo engana e dá uma mensagem que não permite exibir o anúncio antes do vídeo por aqui, mas é só esperar menos de um minuto que aparece o vídeo do programa. Por isso, paciência, que vale à pena):

Alex Turner e sua gangue reverenciaram o mestre Lou Reed em sua apresentação em Liverpool nessa segunda-feira, com uma versão correta e sóbria de “Walk on the Wild Side”.

A morte de Lou Reed vai demorar algum tempo até que a ficha caia – o impacto de sua obra na história da cultura recente começará a ser medido de fato a partir da notícia triste que soubemos no domingo de manhã. As homenagens são um bom termômetro, a começar por essa feita pelo mestre Neil Young no festival que ele realiza anualmente pela sua fundação Bridge School. A edição deste ano aconteceu em Mountain View, na Califórnia, no fim de semana passado, e ao final da apresentação, o velho Neil Young juntou-se a Elvis Costello, aos My Morning Jacket, a Jenny Lewis, entre outros, para tocar uma versão de “Oh! Sweet Nuthin'” – a última música do último disco do Velvet Underground.
Ficou demais.

Kevin Barnes fez sua reverência ao pai do underground no show que o Of Montreal fez nesse domingo no Music Hall de Williamsburg, atual epicentro hipster na Nova York inventada por Lou Reed.

E por falar em Jesus, que tal a íntegra do show que eles fizeram no dia 29 de abril de 1988, na casa Ulu, em Londres?
O setlist segue abaixo:

Essa Lorde tá me descendo cada vez melhor – e agora vem o Mayer fazer um tributo a um dos hits da garota, “Royals”.
Ficou classe.

Brian Wilson e Jeff Beck estão se apresentando juntos numa turnê pelos EUA que começou no fim do mês passado e vai até o fim deste mês – e no show programado para a semana passada em Nova York (no suntuoso Beacon Theater) os dois simplesmente dedicaram parte da apresentação a tocar, na íntegra e sem anúncio prévio, o grande disco dos Beach Boys, Pet Sounds. A turnê ainda contava com a presença dos beach boys David Marks e Al Jardine, o que tornou o momento ainda mais épico. Abaixo, alguns vídeos que apareceram online deste show:
Carbone assistiu a um dos shows de volta do Neutral Milk Hotel na semana passada e eu pedi para que ele escrevesse sobre o que viu pra cá. As fotos e o áudio do show em Covington, Kentucky, foram registrados pelo próprio Fabio.

“Neutral Milk Hotel?” – perguntou franzindo a testa e com um sotaque difícil de entender.
Percebi que teria que explicar de novo que banda era essa, como já fiz pra tantos amigos e parentes. Achei melhor não entrar em detalhes, quem perguntava dessa vez era um policial que trabalhava na divisa de Indiana com Ohio, onde a velocidade máxima baixa de 70 para 65 milhas por hora e confesso que vi a placa avisando, mas o jazz da WICR no carro, o piloto automático liberando meus pés pro air drum e o sol gostoso na cara me impediram de mudar a velocidade de cruzeiro. Acabei fazendo tudo isso quando um carro com estrela de xerife no capô e luzes azuis e vermelhas piscando por todo lado me fizeram encostar e contar porque tinha saído do Brasil decidido a rodar mais de mil quilômetros dentro dos Estados Unidos para ver a banda mais importante da minha vida. Tudo terminou com um aperto de mão e a promessa de que iria procurar a Rebecca Parker que estudou com meu amigo xerife e hoje mora na América do Sul.
A esperança de ver o Neutral Milk Hotel ao vivo surgiu quando Jeff Mangum decidiu se apresentar sozinho novamente, depois de um hiato de turnês por uma década e meia. A receptividade nos seus shows solo em teatro e a maneira que hipnotizou os manifestantes no Occupy Wall Street contribuíram muito para ele trazer a banda de volta para pra rua. No festival de Coachella, em 2012, a magia aconteceu por alguns momentos: Scott Spillane e o chegado Jeremy Thal se juntaram a ele. Bastava esperar.
Os ingressos da primeira parte da turnê americana se esgotaram em minutos. Consegui ingresso para a terceira data, na cidade de Covington, Kentucky. Teria seis meses para me planejar e partir para essa cidade que nunca tinha ouvido falar. Nesse meio tempo, perguntei ao Jeremy Barnes (bateria) quando veio ao Brasil para se apresentar com A Hawk and A Hawksaw como estavam os ensaios para os shows: “Não tem, a gente nunca ensaia”.
Quem abriu a noite foi o Elf Power, outra uma banda do núcleo duro do coletivo Elephant 6. A banda empolgava as pessoas mais próximas do palco e entretia as conversas dos outros presentes que já lotavam o Madison Theatre. Com o barulho da galera no bar atrapalhando, consegui refúgio no primeiro terço do tablado a poucos metros do palco. Cheguei junto com uma homenagem da banda ao Bill Doss, um dos mentores do coletivo, morto em 2012 e membro do Olivia Tremor Control e Apples in Stereo, entre outros projetos. A música escolhida foi “Jumping Fences”, numa versão bem mais lenta e linda, responsável por afogar nossos olhos em lágrimas antes até dos instrumentos entrarem, para nossos alento, como se fôssemos também íntimos da pessoa mais querida que deixou o coletivo muito cedo.

Esperava Jeff Mangum entrando sozinho no palco para tocar “Two Headed Boy”, como nas outras duas noites. Dessa vez, a banda tomou o palco todo logo de cara para fazer a plateia duvidar da realidade e tocaram “The King of Carrot Flowers, pt I, II & III”. Nada de respirar, “Holland, 1945” acelerou o público da frente, enquanto outros choravam ou fechavam os olhos depois dos três hinos.
Da esquerda para a direita, o palco era preenchido pelo naipe de metais, mas que também ajudavam com violões, baixo e teclado: Jeremy Thal, Laura Carter (Elf Power), Astra Taylor – esposa do Jeff Mangum – e Scott Spillane, que repetia cada sílaba de Jeff encarando a multidão hipnotizada. No centro do palco, Jeremy Barnes na bateria e Julian Koster, multi-instrumentista como todos, responsável pelos serrotes e que pogava quando tinha instrumentos “fáceis de controlar”, como o acordeão. Espera, são mesmo aqueles serrotes! Jeff Mangum ficava mais à direita, separado do resto da banda por um abat-jour de ovelha sobre os amplificadores.
“Gardenhead” e “Everything Is” chegaram para cantar com os punhos cerrados. Jeff aponta para uma menina e pede para ela não tirar fotos. De fato, todos respeitavam o pedido da banda, salvo por um breve click desesperado para tentar levar alguma imagem para casa. Pouca coisa apareceu nas redes sociais depois do show.
O público também era peculiar para um show de rock. Ao final de cada música, os gritos e aplausos duravam bastante, até um silêncio profundo devolvendo a vez para a banda. Veio “In the Aeroplane Over the Sea” e surgiu um abraço coletivo que juro não ter iniciado. A banda deixa Jeff sozinho com “Two Headed Boy”. Jeff chama o público para cantar o final da música quando a banda volta armada para “The Fool”.
Só para ter certeza que todo mundo estava derretendo, a música seguinte foi “Naomi”.
Tirando Scott e sua barba fistáile, a banda não interage tanto com o público. Jeff responde de maneira monossilábica às declarações de amor e pedidos de casamento de homens e mulheres. Quando alguém agradeceu a volta da banda, ele respondeu que nunca haviam se separado. É verdade.
Foram mais nove canções. Do ITAOTS, só “Communist Daughter” ficou de fora. O show termina com “Engine” e uma brincadeira de Jeff depois do Julian queimar a largada avançando uma nota com seu serrote. “Obrigado! Essa foi ‘Engine, part II'”.
As pessoas já se olhavam com cumplicidade, éramos testemunhas de um momento que jamais nos esqueceremos, com ou sem fotos proibidas.

Nina dirigiu o clipe novo do Lucas Santtana, gravado ao vivo no Rio para registrar uma fase até então sem registros, como ele explica – antecipando o próximo disco:
“A gente fez essa formação de trio pra fazer as tours lá pela Europa. No começo era semiacústico, a gente fazia com violões e máquinas. Daí, na última tour, como era verão por lá, a gente resolveu fazer com guitarras, um show mais eletro-rock, mais pesado e deu o maior pé. Resolvemos voltar e faze-lo por aqui também. Essa formacao acabou contaminando o próximo disco que comecei a fazer semana retrasada em Sampa. Só que nao tínhamos nenhum registro legal de som e imagem dessa formação de trio com guitarras. Como você pode sacar o setup do Bruno Buarque é bem incomum, misturando bateria elétrica com acústica, samples, iPhones, Theremim digital, etc. Eu tb uso o monome que é um controlador midi open source. Usamos muitos pedais de guitarra, baixo sinth. enfim…. Resolvemos fazer o primeiro registro disso.”
Aumenta o volume:

Nicolas Jaar e Dave Harrington fazem sua “Paper Trails”, parte de um dos melhores discos de 2013, ao vivo.
Vi no Bruno.