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E depois de chamar Alanis Morissette para dividir o palco com ela no primeiro show em Los Angeles na segunda-feira, Taylor Swift chamou Beck para o palco de seu segundo show na cidade – e contando com ninguém menos que St. Vincent na guitarra. Juntos os três tocaram a música nova de Beck, “Dreams”.

Quem diria, hein.

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Mais um golaço da Balaclava! A gravadora mais indie do Brasil anuncia não apenas o lançamento do disco Physical Copy do endiabrado guitarrista israelense Yonatan Gat como também crava a vinda dele para São Paulo: ele toca na Serralheria no próximo dia 4 e os ingressos já estão à venda. Gat é conhecido pelo improviso desenfreado que mistura pós-punk, pós-rock, jazz e outras vertentes pesadas do rock instrumental e não compõe canções – apenas sai tocando. O disco que sai no Brasil foi gravado em uma sessão de três horas com o papa indie Steve Albini e dá pra ter uma ideia do som do cara pelo MP3 abaixo.

Se você curtiu, recomendo uma busca pelo nome do cara no YouTube pra ver o quão sério é o negócio.

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Depois de convidar Ed Sheeran, Weeknd e Lorde, Taylor Swift chamou Alanis Morissette para cantar seu hit “You Oughta Know” no show que deu nesta segunda-feira em Los Angeles, saca só:

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Escrevi sobre o show que juntou O Terno e os Boogarins no mesmo palco na minha coluna Tudo Tanto da edição do mês passado da revista Caros Amigos e aproveitei para falar dessa nova psicodelia brasileira que vem surgindo. Também tem os vídeos que fiz do show, veja aí.

Uma nova psicodelia brasileira
O Terno e Boogarins fazem um show arrebatador mostrando que há uma nova cena de rock lisérgico que conhece bem seus antepassados no Brasil

Ecos da psicodelia dos anos 60 e 70 estão reverberando forte na segunda década do novo milênio em todo o mundo. A química do LSD coloriu corações e mentes quando a primeira geração pós-guerra alcançou a maturidade e a conexão Londres-São Francisco foi a primeira ponte a espalhar a lisergia no ar do planeta. Artistas como Tame Impala, Unknown Mortal Orchestra, Mac De Marco, Beach Fossils, Toro y Moi, Ty Segall, Dirty Projectors, Foxygen e Ariel Pink são alguns entre vários outros representantes de uma nova geração que resgata as paisagens multicoloridas e viagens místicas e misteriosas de meio século atrás através dos meios digitais ao mesmo tempo em que são causa e consequência do revival do vinil que já comentei aqui em outras colunas.

E como na primeira onda psicodélica, essa não é uma tendência isolada e sim global. Ainda nos anos 60 a força da transformadora dessa sonoridade alucinógena chegou ao Brasil, libertando o iniciante rock brasileiro dos bailinhos e paixonites da Jovem Guarda para os horizontes sem fim e os limites inexplorados da experimentação musical com instrumentos elétricos. Os Mutantes e Novos Baianos são apenas a ponta de um iceberg gigantesco que conta com autores de joias celebradas por estudiosos de todo o mundo (como os conjuntos Flaviola e o Bando do Sol, ,Módulo 1000, Os Baobás, Moto Perpétuo, A Barca do Sol, Ave Sangria, Veludo, O Bando, O Som Nosso de Cada Dia, Marconi Notaro, Som Imaginário, Spectrum) e grupos que abrigaram futuros gênios da nossa música (como o Brazilian Octopus que tinha Lanny Gordin e Hermeto Paschoal em sua formação, o Luz Som e Dimensão de Djavan, O Terço de Vinicius Cantuária ou o Vímana, de onde saíram Ritchie, Lobão e Lulu Santos).

E da mesma forma que essa nova onda psicodélica revisita os clássicos internacionais, a versão brasileira também não se esquece dos pioneiros, que também incluem as fases psicodélicas de artistas que não nasceram nesse meio, pinçando faixas e discos coloridos de Gilberto Gil, Milton Nascimento, Jorge Ben, Tim Maia e até Ronnie Von e Odair José. A geração que inclui nomes como Garotas Suecas, Boogarins, O Terno, Supercordas, Tono, Castello Branco, Luziluzia, Cérebro Eletrônico, Rafael Castro, Lulina, Do Amor e Trupe Chá de Boldo sabe muito bem que andam por trilhas abertas tanto pelos antepassados europeus e norte-americanos quanto pelos brasileiros.

Duas das principais bandas dessa nova geração uniram forças para uma noite memorável no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, no início do inverno deste ano. Foi uma sexta e um sábado que os paulistanos d’O Terno e os goianos Boogarins dividiram o palco e alternaram as aberturas: na sexta os Boogarins abriram para O Terno. No sábado, a noite em que fui, foi O Terno quem começou os trabalhos.

A banda liderada pelo Tim Bernardes é uma subcategoria dentro desta nova psicodelia. Tanto estética quanto tematicamente sua abordagem é autorreferencial, o que garante ao trio o rótulo de banda metapsicodélica, devido ao fato de que algumas de suas letras – quase todas de Tim – falarem sobre o fato de pertencer a uma banda iniciante num mundo explodindo de links, referências e citações. Musicalmente, frequentam eles frequentam o brechó musical dos Beatles em seus últimos dias e dos Mutantes no meio de sua fase de ouro, embora estas duas estejam longe de ser as únicas correntes visitadas pelo trio, que ainda conta com Guilherme D’Almeida (portando um baixo Hofner idêntico ao de Paul McCartney) e o recém chegado baterista Biel Basile. Beatles e Mutantes são os dois principais alicerces da banda – o terceiro é genético e mesmo que o vocalista, guitarrista e tecladista queira, não terá como fugir tão cedo: filho de Maurício Pereira, d’Os Mulheres Negras, ele tem o mesmo timbre e jeito de cantar do pai, além da postura e do rosto não fazer ninguém pensar que ele poderia ser filho de outra pessoa (tema, aliás, de uma das músicas do grupo, só que em formato ficção).

A força d’O Terno é brutal mas melódica e a psicodelia do grupo passeia por brincadeiras com versos, com a métrica, com os acordes e com as referências citadas na letra. Parecem tanto uma banda de rock quanto um esquete de humor sobre uma banda de rock – e eles sabem muito bem disso, embora estejam longe de serem rotulados preguiçosamente como uma banda “engraçadinha”. E aos poucos o grupo entrega-se a solos extensos, duelos instrumentais e climas lisérgicos sem referências externas, como se fosse uma banda dos anos 60.

Já os Boogarins têm uma improvável trajetória: formado a princípio pela dupla Fernando Filho (voz e guitarra) e Benke Ferraz (guitarra), eles vieram de Goiânia com um disco inacreditavelmente retrô, Plantas Que Curam. O disco chamou a atenção no exterior antes de aparecer no Brasil e foi lançado em vinil pelo selo da loja nova-iorquina Other Music, o que fez a banda engatar duas turnês pelo exterior, tocando mais fora do Brasil do que aqui dentro.

O som do grupo é mais fluido e escorregadio que o d’O Terno, a começar pela voz pastosa de Fernando, que quase sempre canta como se estivesse sorrindo, puro carisma. Benke quase não fala no palco, mas rege o quarteto com solos brilhantes. A formação da banda ainda inclui o baixista Raphael Vaz, herdeiro do peso do baixista do The Who John Entwhistle mas preciso como o baixista do Pink Floyd, Roger Waters, bem no início da banda, e o baterista Ynaiã Benthroldo, que surra seu kit de percussão sem necessariamente parecer agressivo. Uma combinação contagiante.

No show, o público era majoritariamente jovem, na casa de seus 20 e poucos anos, e logo que as bandas começaram a tocar, pelo menos um quarto da audiência correu para a beira do palco para ver o show bem de perto. O Terno começou a noite, mostrando mais músicas de seu disco do ano passado (batizado apenas com o nome da banda) do que de seu disco de estreia – e chamou Benke dos Boogarins para dividir uma música do trio paulista, a doce “Eu Vou Ter Saudades”. Depois Tim chamou Fernando para acompanha-los na acelerada “Tic Tac” e logo em seguida os outros três Boogarins subiram ao palco para uma jam session que culminou em uma música inédita, a primeira da noite: “Falsa Folha de Rosto”, mostrando que os Boogarins já estão chegando nos finalmentes de seu segundo disco, que deve ser lançado este ano. Entre as novas ainda teve “6000 Dias” e uma faixa sem título.

Depois o grupo goiano convidou O Terno novamente para o palco, quando diviram “Infinu”, do quarteto, que transformou-se num longo improviso com três guitarras, dois baixos e duas baterias (além do eventual teclado tocado por Tim). A noite chegou ao ápice quando o grupo fechou o show com um momento que só veio reforçar o que disse no começo do texto, quando apresentaram uma versão magistral para o clássico “Saídas e Bandeiras no. 2”, que Lô Borges compôs para o mítico disco Clube da Esquina. O próprio Tim brincou: “A juventude conhece Clube da Esquina”, a receber gritos de aprovação a apresentar a nova música. E aposto que ela – as bandas e o público – os conhecem por causa da internet, não por causa de seus pais.

Emicida e o Haiti

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No show de lançamento de seu segundo disco, o rapper cantou Cartola, Gil e Caetano – escrevi sobre o show lá pro meu blog no UOL e fiz uns vídeos também, veja aí:

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Mais um curto show gravado na rádio de Seattle KEXP registra a banda de Chaz Bundick em seu 2015 solar, quando seu líder e vocalista assume as guitarras leves e sinuosas acompanhadas pelo característico teclado oitentista e um baixo pesado que formam a aura psicodélica e juvenil do delicioso What For?, um dos grandes discos desse ano. Entre as músicas, o papo com o homem Toro y Moi foi de Uber à série The Wire e sua banda foi intimada a tocar os temas de Beavis & Butt-head e Seinfeld no papo entre as quatro músicas, todas do disco desse ano: “Empty Nesters”, “Buffalo”, “Lilly” e “Half Dome”.

Delírio

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Os ingleses do Foals continuam em campanha de pré-lançamento de seu novo disco e ao passar pela rádio australiana Triple J foram convidados a participar do quadro Like a Version, em que os convidados podem tocar uma música alheia. E o grupo liderado por Yannis Philippakis resolveu saudar os australianos com uma das colaborações que o conterrâneo Kevin Parker fez no disco do hitmaker Mark Ronson, a irresistível “Daffodils”, que deram uma acelerada no beat graças a uma bateria eletrônica velha guarda e a um clima quase tecnopop. Ficou fera demais.

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Eis o primeiro trailer de The Reflektor Tapes, o filme que o Arcade Fire lançará no mês que vem que acompanha a banda canadense durante a gravação de seu terceiro disco e em dois de seus shows catárticos desta última turnê, em Londres e Los Angeles.

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“Confesso que estou um pouco nervoso porque o Sesc Pompéia é grande e por ser o meu primeiro show em São Paulo”, ri Diogo Strausz sobre sua apresentação nesta terça-feira, no Prata da Casa. “Então quem estiver lendo essa entrevista por favor não hesite em ir”, convida.

Strausz despontou na cena eletrônica carioca da virada da década passada e aos poucos foi forjando sua carreira como produtor, que culminou em seu primeiro disco de estreia, o ótimo Spectrum – Volume 1, lançado no início do ano. “Eram músicas que eu já imaginava enquanto produzia as faixas eletrônicas mas ainda não tinha coragem e recursos para meter bronca”, explica quando pergunto sobre o início do disco. “De qualquer maneira elas vinham surgindo ao longo dos dois anos anteriores à gravação do disco e em um dado momento me bateu aquela segurança ‘ih, dá pra fazer’. Mas a transição mesmo veio no disco do Castello Branco, quando percebi que gostava mais das músicas orgânicas que eu produzia do que das eletrônicas.”

Ele contempla o ponto de mudança da atual cena pop do Rio de Janeiro, que vive um ótimo momento com a expansão de artistas como Ava Rocha, Letuce, Do Amor, Tono e Alice Caymmi. “Espero que continue indo nessa direção, o Rio está se (re)tornando uma cidade muito musical”, continua. “Vejo cada vez mais músicos tocando nas ruas e colegas lançando ótimos discos: Stephane San Juan, Jonas Sá, Alberto Continentino, Marcelo Callado, Cícero, Grupo Cometa, Baleia e esses são só os que me vem primeiro a mente.”

Ao vivo, Spectrum reúne nomes conhecidos dessa mesma cena, como Pedro Garcia na bateria e Patrick Laplan no baixo, além de Thomás Jagoda nos teclados, da percussão de Tadeu Campany e os vocais que Ledjane Motta divide com a convidada Laura Lavieri, que participa do show em São Paulo. Diogo toca guitarra e dispara programações, regendo a banda com seu timbre de surf music músicas que passeiam por todo o espectro cogitado por sua produção, de canções líricas gravadas com Danilo Caymmi a produções de pista feitas com o ídolo Kassin, além de participações de nomes como o produtor Apollo, seu pai Leno (da dupla Leno e Lillian) e de Alice Caymmi, esta última produzida em seu disco solo pelo próprio Strausz, mas que não continuou com o músico ao ser contratada pela Universal. “Eu li no Mauro Ferreira outro dia dizendo que foi porque eu e a produção dela não entramos em um acordo financeiro”, explica a recente ruptura com a cantora. “Eu não sei da onde ele tirou isso, de mim é que não foi, mas adorei. Então estou usando essa como minha versão oficial também.”

“Estou empolgado demais com o show então quero refinar e aprimorar ele ao máximo ao longo desse ano, fazer poucos e bons”, continua. “De trabalho autoral é isso por agora. Me faz um bem danado revezar entre ele e os outros artistas e projetos que pintam, assim o ar permanece sempre fresquinho”, conclui. Como o show faz parte do Prata da Casa, ele é gratuito – e começa pontualmente às 21h, na choperia do Sesc Pompéia.

De volta a 1975

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Conversei com os caras do Radiola Urbana sobre a edição 1975 deste ano do projeto Rotações. A entrevista tá lá no blog do UOL.