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Porão em Guerra

Sophia Chablau levou um gostinho de sua temporada Guerra no Centro da Terra para o Porão da Casa de Francisca nesta quarta-feira, quando mais uma vez, ao lado do baixista Marcelo Cabral e do baterista Theo Ceccato, passeou por músicas inéditas, recentes e novas parcerias, além de receber uma convidada mais que especial, quando chamou Ana Frango Elétrico ao palco. Antes disso, recriou a mesma dinâmica que fez nos quatro shows que tocou no Centro da Terra com essa formação: começou ao lado dos dois tocando músicas que nem título têm, chamou Cabral para o vocal para celebrar seu então prestes a ser lançado disco Ramal (cantando a excelente “O Herói Vai Cair”) e passou por músicas que gravou com Felipe Vaqueiro (a versão speed metal de “Quantos Serão no Final?” já tornou-se definitiva). Nessa sequência, ela seguiu pelo disco Handycam, só que dessa vez sozinha com sua guitarra, começando por “Cinema Brasileiro”, passando pela “Água Viva”, que compôs com Kiko Dinucci para o novo disco do guitarrista, e “Cinema Total”. Chamou a banda de volta ao palco e retomou o ritmo com “Venha Comigo”, que foi gravada por Dora Morelenbaum, e “Segredo”, antes de fazer uma longa introdução à convidada da noite. E com a ídolo e amiga Ana Frango Elétrico no palco, foram por “Insista em Mim”, uma primeira composição (outra inédita ainda sem título) que fizeram juntas, “Tem Certeza?”, “Delícia/Luxúria” e “Por Baixo do Pano”, levando o Porão – que estava lotado! – ao delírio final. O bis quase instantâneo veio com a primeira música da noite, a primeira das inéditas, que voltou ao repertório por insistência de Ana. Noitaça!

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Terça-feira histórica no Centro da Terra, quando Kiko Dinucci mostrou, didaticamente, como chegou ao seu terceiro álbum Medusa sem que este nem tenha sido lançado. Tocando o disco ainda inédito na ordem, ele foi, sozinho no palco apenas com sua guitarra, dois amplificadores e pedais, mostrando as músicas ao vivo numa espécie de audição (que ele também odeia e se refere como “maldição”) enquanto entre as canções falava do processo criativo deste Medusa, que incluiu seu reencontro com a guitarra, uma nova curiosidade em relação ao shoegaze e ao dreampop, a inspiração inicial de Noel Rosa, a presença fantasmagórica dos Cocteau Twins, Dinosaur Jr., My Bloody Valentine e Sonic Youth na microfonia da guitarra solitária, registros em fita analógica, parcerias com Maria Beraldo, Negro Leo, Sophia Chablau, Gustavo Infante e Cadu Tenório tudo sob a direção musical – agora com firma reconhecida em público – de Juçara Marçal. Com vultos tão diferentes quanto Laura Palmer, Alexandre Frota e Claudia Raia pairando sobre a cama de eletricidade sonora e canções que sempre falam de amor – e dos lados improváveis e invertidos deste -, encerrou o show com sua primeira incursão ao território de Roberto Carlos, uma balada rock com uma segunda parte instrumental noise que acaba por sintetizar mais uma obra-prima que Kiko está prestes a por no mundo. Medusa sai no segundo semestre, mas pra quem foi nesta terça não tem como tirar o disco da cabeça.

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Imensa satisfação de receber, nesta terça-feira, Kiko Dinucci mais uma vez no palco do Centro da Terra, desta vez para descortinar pela primeira vez em público apenas músicas inéditas. Na apresentação Pré-Medusa, que antecipa seu terceiro disco solo – batizado apenas de Medusa e previsto para o segundo semestre deste ano -, ele não apenas mostra as canções do novo trabalho, como fala do processo de criação delas, em seu reencontro com a guitarra elétrica. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão esgotados.

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A segunda apresentação do espetáculo Pessoal do Ceará, Meio Século Depois acontecerá em Fortaleza neste sábado, dia 18, quando Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll visitam mais uma vez visitam o clássico Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, composto e gravado por Ednardo, Rodger Rogério e Teti em 1973. Como no show que dirigi em São Paulo em fevereiro, esta apresentação, que acontece no Centro Cultural Belchior que fica na Rua dos Pacajus, 123, na Praia de Iracema, com ingressos gratuitos, também contará com a participação do grande Rodger Rogério. Quem vai? O show começa às 19h30.

Creature of Habit, o disco novo da Courtney Barnett, é desses que melhora a cada audição – e toda vez que vejo vídeo delas tocando músicas desse disco ao vivo parece que elas melhoram ainda mais. É o caso desse show que ela fez na KEXP no ano passado que a rádio só liberou agora. Discaço!

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Já temos o principal concorrente da categoria “Eu sou mais indie que você” de 2026, quando o líder do Wilco e a líder do Paramore se juntaram para, juntos, cantar a música que botou o Unknown Mortal Orchestra no radar público há quinze anos num programa de TV! De todas as canções do mundo, a excelente dupla formada por Hayley Williams e Jeff Tweedy (quero um disco deles JÁ!) pinçou a música que fez o mundo indie descobrir a banda do neozelandês Ruban Nielson em 2011, faixa de abertura do disco homônimo de sua banda, no programa do Stephen Colbert na TV norte-americana nesta segunda-feira. E dá gosto ver a Hayley esmmerilhando no theremin! Bom demais!

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Timbres e beats

Em mais uma incursão sonora ao cerne da guitarra na temporada Abriu o Fuzz que Guilherme Held está fazendo no Centro da Terra, a noite desta segunda assistiu não só a um encontro de dois samurais de seus instrumentos como a primeira vez em que Held dividiu o palco com Lúcio Maia, que admira desde que o conheceu nos primórdios da Nação Zumbi, ainda como ouvinte, nos anos 90. Os dois se conheceram nos bastidores da vida há anos, ficaram amigos mas nunca haviam tocado juntos, falha essa que foi corrigida na segunda noite da temporada de Held no teatro, quando, mais uma vez sob os lasers implacáveis – dessa vez geométricos – do Paulinho Fluxuz, entrelaçaram timbres, riffs e solos muitas vezes a partir de beats que Lúcio ia soltando no meio do derretimento musical que os dois proporcionavam juntos, misturando rock psicodélico com jazz, música ambient com rock progressivo e pitadas de música caribenha, africana e latina, além da banda do groove musical brasileiro. Uma viagem.

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Na vigésima oitava edição de seu próprio festival Coopstock, que aconteceu neste fim de semana na cidade de Mesa, nos Estados Unidos, Alice Cooper pegou todo mundo de surpresa ao tocar nada mais nada menos que “Smells Like Teen Spirit”, numa versão à altura da música original do Nirvana – levando em conta que o vocalista tem 78 anos! Espírito juvenil é isso aí! Bom demais!

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Os renascidos Strokes também tocaram no Coachella neste fim de semana e além de tirarem uma onda por estarem abrindo por Justin Bieber, ainda mostraram que estão bem e que sabem fazer um showzão, mesmo que não estejam mais na flor da idade (cada geração tem a sua referência de rock clássico). Alguém falou em Primavera São Paulo? E, claro, teve Geese tamém que, pra variar, inseriu mais um cover na parte do meio de sua “2122” – e depois de meter Primal Scream, Stone Roses e Spacemen 3 nos shows que fez no Reino Unido, saudou o festival com uma versão de… “Baby” do Justin Bieber. Uma crítica mais sutil e bem humorada à principal atração do festival esse ano do que as reclamações dos Strokes.

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No último dia do mês passado, Bruce Springsteen deu início à sua nova turnê pelos Estados Unidos e escolheu a dedo a cidade inicial: a mesma Minneapolis que viu no primeiro mês deste ano, agentes da milícia de Donald Trump contra imigrantes matar dois inocentes sem nenhum motivo. Bruce, que tornou-se um dos artistas mais ativos contra o atual presidente dos EUA, não apenas participou de protestos e lançou uma música contra a infame ICE (“Streets of Minneapolis”), como transformou sua nova turnê numa contínua manifestação contra o déspota estadunidense. Batizada de Land of Hope and Dreams, a turnê conta com o ex-Rage Against the Machine Tom Morello (outro forte antagonista de Trump no mundo da música) como show de abertura e, em sua primeira noite, fez várias versões para músicas alheias, como sua reverência à Patti Smith (em “Because the Night”), e outras que confrontam o belicismo dos EUA, como “Chimes of Freedom” de Bob Dylan e “War” dos Temptations, que abriu a noite. Mas o ápice do show foi quando chamou Morello ao palco para celebrar o músico nativo mais importante daquela cidade, ao tocar “Purple Rain” do Prince pela primeira vez em dez anos. “Para o maestro!”, cumprimentou o público ao entoar os primeiros acordes em sua guitarra. Emocionante

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