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Show

A noite era do Planet Hemp, mas o BaianaSystem apavorou na abertura do show A Última Ponta, em que os veteranos rappers do Rio de Janeiro despediram-se dos palcos no sábado passado. Recém-chegado dos Estados Unidos com um Grammy Latino no bolso, o grupo baiano pisou no palco do estádio do Palmeiras como se fosse a atração principal. Num show multimídia com direito a banda completa – incluindo sopros -, o grupo não se intimidou com as dimensões gigantescas da noite e fez um show à altura, casando sua usina de som com imagens e palavras de ordem no telão da noite. E mais impressionante do que a química entre os músicos, sua intimidade com as multidões e o dínamo humano chamado Russo Passapusso (de onde esse cara consegue tirar tanta energia e carisma ao mesmo tempo?) foi a forma como casou imagens com músicas sem precisar enfileirar inúmeros dados ou informações verborrágicas sem deixar o público esquecer que está num show (viu Massive Attack?). Com participações especiais de ouro (BNegão, velho companheiro da banda desde os primórdios, esteve no início do show, que ainda contou com a presença fulminante do sagaz Vandall em “Ballah de Fogoh”), o grupo não teve dificuldades em domInar a plateia fazendo todo mundo chacoalhar sem parar alem de, o tempo todo, saudar a importância do Planet Hemp em sua história, usando o grupo como deixa pra um dos momentos mais bonitos e intensos da noite, quando, no meio de “Lucro (Descomprimido)”, Russo invocou a imortal “Cadê o Isqueiro?” de Mr. Catra convocando todos a erguerem suas tochas – mas não os celulares e sim os isqueiros – fazendo milhares de chamas amarelas surgirem no meio do público em vez das luzes brancas das telas de celular, tão comuns nos shows atualmente – e com elas a névoa branca. Foi o maior e mais intenso show do BaianaSystem que vi – e mostram que eles já estão prontos para uma nova fase. E não tocaram “Playsom”! Só vem!

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Em ponto de bala

Mais um Inferninho Trabalho Sujo no Redoma com outro primeiro show de um artista iniciante. Dessa vez quem deu início à carreira autoral no palco do Bixiga foi a cantora e guitarrista Isabella Sartorato, que mostrou suas próprias canções pela primeira vez em público, misturando referências que vão do rock progressivo à música brasileira dos anos 70, passando por rock desse século e pela música pop. Um bom termômetro para a apresentação foram as versões alheias que ela trouxe pro show, que começou com uma Marina Lima pouco lembrada (a excelente “Gata Todo Dia”), um Radiohead ousado (“Jigsaw Falling Into Place”) e uma versão jazzy pra uma música da Anitta (“Meiga e Abusada”), fazendo todas casar com suas novíssimas canções.

Depois foi a vez da banda Devolta Ao Léu voltar ao palco do Redoma, com uma mudança considerável na formação, uma vez que seu guitarrista e seu baixista dessa vez eram os integrantes de outra banda que também já passou pelos nossos palcos, a Saravá. Na verdade a apresentação foi uma versão menor de um show que as duas bandas fazem coletivamente, que eles chamam de Saravéu, só que com ênfase nas canções do Devolta. Essas vêm com a voz maravilhosa de Bru Cecci, que além de tocar teclado também tocou guitarra por algumas músicas, trocando de instrumento com o guitarrista da Saravá, Joni Gomes, enquanto o baixista Roberth Nelson se enturmava absurdamente com Rafa Sarmento, o excelente baterista da Devolta. Eles ainda puderam fazer algumas músicas da Saravá, mostrando o dueto de vozes entre Joni e Bru, que deve estar no disco de estreia da banda, que esta sendo gravado. Showzão!

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Vamos a mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma e mais uma vez trago novíssimos artistas para o palco do Bixiga. A primeira delas é a banda Devolta ao Léu, formada por Bru Cecci (voz e teclado), Rafa Sarmento (bateria), Eduardo Rodrigues (guitarra) e Leo Bergamini (abaixo), que já tocou na festa e volta aos palcos do Inferninho misturando referências que vão do rock experimental à música brasileira, misturando referências que vão de Itamar Assumpção a Erasmo Carlos. A outra artista é uma estreia pra valer: embora a guitarrista Isabella Sartorato já tenha subido em alguns palcos, essa é a primeira vez em que sobe num para mostrar suas próprias canções, que misturam rock, música experimental, música pop e jazz fusion acompanhada de uma banda formada por Francisco Nogueira (baixo), Jampa (bateria) e Lucas Paulo (teclas). Antes, entre e depois das bandas eu ponho o som da noite. Os ingressos já estão à venda neste link.

O show do Massive Attack segue reverberando por aqui, mas levanto algumas questões que ficaram na minha cabeça desde o início da apresentação. Horace Andy, teorias da conspiração, Elizabeth Fraser, Deborah Miller, crise climática, This Mortal Coil, paranoia, Adam Curtis, dubzêra sinistra, Avicii, Ultravox, camadas de guitarra, Tim Buckley, os irmãos Cavalera tocando Chaos A.D., indígenas no palco, aquela bandeira do One Piece, o telão absurdo, o reconhecimento facial ativado na plateia, o som pesado, sutileza e intensidade na mesma medida… Tanta informação em tão pouco tempo, não tinha como não sair atordoado. Mas primeiro discorro sobre esse ataque aos sentidos que foi contrapor o show às imagens do documentarista Adam Curtis, um dos nomes mais importantes da cultura atualmente, que só por ter se associado ao grupo inglês vai felizmente ter um alcance ainda maior de sua obra (minhas dicas: The Century of the Self, All Watched Over by Machines of Loving Grace, HyperNormalisation e Can’t Get You Out of My Head). Sim, as questões levantadas durante o show são urgentes, mas me incomodava – e não sei se o intuito era esse – que o excesso de informações às vezes não conversava com as canções, fazendo parecer que estávamos assistindo a duas obras justapostas, não casadas (como quando Benjamin Netanyahu apareceu no telão quando Liz Fraser cantava, fazendo o público vaiar o telão num momento musical sublime). Mas quando o casamento acontecia era absurdo – e tivemos ótimos exemplos já no início do show, quando ligaram o reconhecimento facial fake sobre o público quando Horace Andy entrou, na dobradinha “Black Milk” e “Take it There”, na versão para a música do Ultravox e em “Song to the Siren”. O excesso de informação também foi o responsável por deixar todos extasiados ao final do show, estratégia conhecida no jornalismo sensacionalista e nas redes sociais, muito bem apropriada pelo grupo, mas por vezes parecia exagerada e excessiva. Felizmente desligaram a máquina de propaganda em momentos únicos, como quando Andy cantou “Angel”, Denise Miller assumiu os vocais de “Unfinished Sympathy” e Elizabeth Fraser encerrou o show com “Teardrop”. Também me incomodou a distância entre a abertura dos irmãos Cavalera e as mensagens das lideranças indígenas do resto da apresentação do grupo, que pareceram entrar apenas como referências, sem interferir no show principal. Entendo a dificuldade em manobrar um transatlântico desses, mas imagina se víssemos um ritual indígena no meio desse show? Ou se Iggor e Max pudessem entrar naquela intensidade sonora? Se saímos de lá achando esse show foda, imagina se ele pudesse ter esses elementos brasileiros no centro, não apenas nas bordas? Certamente repercutiria no mundo todo, não apenas no Brasil.

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Muito bom reencontrar os irmãos Cavalera canalizando a energia que, triinta anos atrás, mudou a história da música pesada antes do show do Massive Attack na quinta passada. Muitos questionaram o fato do próprio grupo inglês ter escolhido Max e Iggor Cavalera para abrir sua única apresentação em São Paulo, mas como viu-se no show do Massive Attack logo em seguida, o impacto do volume alto – cossanguíneo do metal dos irmãos mineiros – foi uma das tônicas da noite. Acompanhados de Igor Amadeus (o filho de Max cujo batimento cardíaco ainda no útero abre o disco homenageado no show, o fundamental Chaos A.D., de 1993) no baixo e Travis Stone na guitarra solo, os Cavalera mostraram porque são uma instituição do metal mundial – e, como disse ao início, é bom revê-los juntos fazendo o que sabem melhor: Iggor descendo o braço metronomicamente como um dos maiores bateristas do gênero e Max transbordando carisma gritado, incendiando o público com um vocal absurdamente intacto, em seus clássicos “Refuse/Resist”, “Slave New World”, “Biotech is Godzilla”, “Propaganda”, “Territory” e “Manifest”. Infelizmente o show foi encurtado devido a um atraso da produção, o que nos privou de ouvir a versão do grupo pra “Sympton of the Universe” do Black Sabbath, que eles vêm tocando nesse show, mas ao menos pudemos ouvir “Roots Bloody Roots”, do disco seguinte do grupo, de 1996, pra fechar o repertório no talo.

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Luiza Lian e Bixiga 70 retomam a parceria que iniciaram no final da década passada, quando colaboraram num single conjunto que seria o prefácio do disco que a cantora paulistana lançaria no ano seguinte, caso a pandemia não tivesse adiado seu ótimo 7 Estrelas | Quem Arrancou o Céu? por três anos. Os dois artistas voltam a se reencontrar em momentos completamente distintos, mas reconectando-se num show conjunto a partir do single “Alumiô”, que faz parte da programação do aniversário de 120 anos da Pinacoteca de São Paulo. O show acontece neste domingo, às 16h, no Parque da Luz (que, por sua vez, completa 200 anos!), e é de graça! Mais informações aqui.

Courtneyzinha lançou single novo há um mês e não deu mais nenhum pio pra dizer se tem algo novo em vista ainda pra esse ano ou se só lançou “Stay in Your Lane” pra nos deixar pilhados em relação a 2026. E ela reforça o lançamento ao lançar um vídeo que fez numa sessão que gravou no estúdio do Levon Helm no fim do mês de setembro. Como essa mina é foda…

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Pulp no Tiny Desk!

Olha que maravilha esse Tiny Desk com o Pulp: além de reunir sua banda com direito a cordas e tudo, Jarvis Cocker ainda fez uma bela seleção pinçando músicas de diferentes fases da banda num minirrepertório que abre de forma surpreendente com “This is a Hardcore”, passa por uma das minhas favoritas da banda (“Something Changed”, que eles não têm vergonha de recomeçar depois de se confundir) e puxa uma do disco desse ano (“A Sunset”) e outra de um passado pré-britpop (“Acrylic Afternoons”). É pedir demais que o Pulp tenha ao menos um quinto da popularidade que o Oasis conseguiu em seu revival? Porque bagagem pra isso eles têm de sobra…

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Em uma semana cheia de shows já considerados clássicos e de artistas de peso, foi muito bom poder ver outro de uma artista que vem se firmando como um dos novos nomes da música internacional. A cantora e compositora Nilüfer Yanya ainda é desconhecida do público brasileiro, mas mesmo assim reuniu um bom público nesta quarta-feira para vê-la no Cine Joia. Com sua voz grave e suave e canções entre a melancolia e a doçura, ela conquistou o público – que cantou várias de suas músicas em coro – acompanhado do sax derretido de Jazzi Bobbi, que faz às vezes dos solos de guitarra com um som alongado e metálico e além de músicas encantadoras como “My Method Actor” (faixa-título de seu ótimo disco do ano passado), “Like I Say (I Runaway)”, “Wingspam”, “Call it Love” e “Midnight Sun”, ainda encontrou uma brecha para celebrar uma de suas musas, PJ Harvey, na faixa que batiza seu primeiro álbum, “Rid of Me”. E apesar do show não ter bis, Yanya desceu para cumprimentar o público ao final do show, conversando com quase todos os fãs que foram vê-la, sempre com o mesmo sorrisão agradecido que atravessou seu rosto na maior parte do show..Muito bom.

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Confesso ter ido ao show do Primal Scream nessa terça-feira na Áudio sem muita convicção. Fui mais para saudar o senhor Bobby Gillespie e seu conjunto como uma forma de agradecer por ter feito a trilha sonora de vários momentos foda da minha vida – de paixões arrebatadoras a chapações pesadas, pistas frenéticas, acabação rock’n’roll e estradas intermináveis, a gama de estilos musicais e vibes díspares em que o grupo atua sempre abre espaço para todo tipo de curtição da vida, quase sempre de forma intensa. Autores de discos que carregam eras da história da música em canções quase sempre sobre desafios, revelações e jornadas, já vi shows ensurdecedores ou completamente lisérgicos da banda, mas sua última vinda ao Brasil, em 2018, com integrantes a menos e uma certa má vontade no palco, me fez crer que o grupo havia se tornado uma caricatura de si mesmo que só sobrevivia graças aos sucessos do passado. Não poderia estar mais errado. Logo ao ver a banda completa no palco – com vocalistas de apoio, saxofonista e tudo que tinha direito -, percebi que o show recente foi mais um mau momento da banda do que o início da decadência. Com a casa de shows incrivelmente cheia para uma terça-feira, Gillespie e companhia não tiveram dificuldades em conquistar o público, seja saudando a psicodelia, o rock clássico, o country, a música eletrônica, o rock industrial ou a folk music, mesmo com mais de um terço do show tirado do disco mais recente da banda, Come Ahead, que é apenas OK. Mas mesmo com músicas sem tanta personalidade dos clássicos na primeira parte do show, o grupo conseguiu eletrizar o público, esquentando o clima a cada nova música. Bobby estava visivelmente extático, eletrizando o público na marra, enquanto bradava contra a política estrangeira dos Estados Unidos e do Reino Unido, provocava de sacanagem dizendo que a platéia de Buenos Aires estava mais animada ou dedicando uma canção ao presidente Lula. Mas a partir de “Loaded”, com quase dez minutos, o show foi ficando mais tenso e esfuziante, com “Swastika Eyes” descendo feito uma pedrada, “Movin’ On Up” incendiando a pista de dança e “Country Girl” fazendo todo mundo cantar junto. Veio o bis com a lenta “Damage”, a gospel “Come Together” e a autoexplicativa “Rocks” e parecia que o show havia encerrado com chave de ouro. Mas Bobby mesmo puxou a volta da banda para um novo bis, quando escancararam uma versão destruidora de “No Fun” dos Stooges, mostrando que, como vários de seus contemporâneos dos anos 90, eles já são uma banda de rock clássico. E muito obrigado Bobby Gillespie, você ainda é o cara.

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