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Na segunda segunda-feira de sua temporada Pocas no Centro da Terra, Kiko Dinucci visitou paisagens desconhecidas em seu próprio violão, indo do norte da África ao Japão medieval, passando pelo sertão brasileiro e por desertos na Lua, usando seu instrumento como cajado e facão, abrindo picadas e marcando caminhos. À sua cola, Gustavo Infante levava seu violão para galáxias distantes ou para viagens intracelulares, aumentando ou encolhendo timbres em gravadores de fita analógica, enquanto Maria Cau Levy explorava cores e texturas filmando obras que espalhara pelo palco, acompanhada de Karime Zaher, que fitava tudo da coxia. Uma hora tão fantasmagórica quanto espiritual e extrassensorial – tudo ao mesmo tempo.

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Ao propor desconstruir o Centro da Terra em sua apresentação Quando a Tua Tela Quebra, Marina Melo colocou o público no palco e o transformou em uma roda de conversa, explorando diferentes ângulos do teatro como uma forma de desafiar as convenções.

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Nesta terça quem toma conta do Centro da Terra é a cantora e compositora paulistana Marina Melo, que começa a mover seu próximo trabalho – Canções de Amor para Itens Descartáveis – em uma apresentação única, Quando a Tua Tela Quebra, em que ela questiona a onipresença destes dispositivos em nossas rotinas propondo um ritual no palco do teatro do Sumaré. Os ingressos para esta apresentação, que começa pontualmente às 20h, já estão esgotados.

Alguém anotou a placa do avião? Na primeira segunda-feira de sua temporada Pocas no Centro da Terra, Kiko Dinucci reuniu-se com Lello Bezerra e Guilherme Held para um encontro de antiguitarras, trabalhando seus instrumentos para muito além dos limites da melodia, da harmonia e do ritmo, explorando espaços sonoros com timbres elétricos quase sempre indomáveis, tudo assistido visualmente pelas intensas tintas de Gina Dinucci. E pensar que isso é só o começo…

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Quem toma conta das segundas-feiras de maio no Centro da Terra é o compadre Kiko Dinucci, que vem com a temporada Pocas experimentar possibilidades que nunca havia cogitado. Na primeira delas, dia 9, ele convida Guilherme Held e Lelo Bezerra para uma noite só com guitarras, com a parte visual a cargo de sua irmã, Gina Dinucci. Na semana que vem seu comparsa é Gustavo Infante, que vai fazer loops analógicos a partir de trechos de violão tocados na hora por Kiko, enquanto Maria Cau Levy cuida das projeções. Na terceira segunda-feira, dia 23, ele tira o dia para cantar samba, sem tocar nada, deixando os instrumentos com Alfredo Castro, Xeina Barros e Henrique Araújo, além das intervenções de Bruno Buarque. E, na última segunda de maio, ele chama o Test e Negravat pra uma noite que promete muito barulho. As apresentações começam pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados aqui.

Don L @ Casa Natura Musical (7.5.2022)

É impressionante a força de Don L, que se apresentou neste sábado na Casa Natura Musical – e não estou falando só do indivíduo, do rapper, do poeta, do artista. Don L já é um conceito que transcende a estética e a arte e parte para a política e para a ação direta, sem esquecer as duas primeiras constantes. É um conceito tão preciso e potente que todos rimam tudo junto, repetindo suas frases como versos de um hino. E é importante frisar isso: apesar do clima de celebração, a apresentação de L nunca cede à metáfora divina e por mais que possa lê-la de uma forma mística e até religiosa, pela forma como ele prende seu público apenas com as palavras, ele reforça o papel político, cidadão e humano, enfileirando hinos pátrios de um país em construção. Praticamente sem dirigir-se ao público fora de suas canções (o que ele precisa dizer está em suas letras), ele magnetiza a pequena massa sem precisar subir o tom e ela está entregue à sua presença – tanto que puxa o coro de “lutar, criar, poder popular” sem que ele precise lembrá-los. Bem-vindos à Élewood…

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Café, ópera de Felipe Senna inspirada em Mario de Andrade @ Theatro Municipal (6.5.2022)

“Nenhum artista pode, mesmo que queira, não participar. Ou você não conformisticamente se inclui na coletividade ou conformisticamente se vende aos seus chefes. E não se iluda: num desses vocês há de estar”. Bem forte a ópera Café, composta por Felipe Senna sobre um libreto escrito por Mario de Andrade em 1941 e encenada por Sérgio de Carvalho no Theatro Municipal durante esta semana. Cogitando a possibilidade de um levante dos trabalhadores da cultura cafeeira frente à gana da especulação de uma elite brasileira que só os parasita, as questões de 80 anos atrás infelizmente eram idênticas às de hoje: crise política e econômica, soluções de mentira para problemas reais, como o desemprego, a miséria e a fome. A ópera foi montada com a Orquestra Sinfônica Municipal, o Coral Paulistano, o Balé da Cidade de São Paulo e o Coletivo Nacional de Cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e teve as participações do ator Carlos Francisco e dos grandes Negro Leo e Juçara Marçal. Esta aparece ainda na primeira parte, imponente e na veia (como mostra o vídeo que consegui filmar na encolha, perdão pelo enquadramento cego), enquanto Leo surge gigante no ato final (esse não consegui filmar), atualizando as questões da era getulista para os dias de hoje com direito a fala de Marighella e protagonismo motoboy. Também filmei o encerramento da noite e bastava a presença das bandeiras do MST no Theatro Municipal para sintetizar o que foi aquela noite. E como disse a frase de Mario de Andrade que abre o texto e encerra a ópera: não se iluda. A ópera fica em cartaz até domingo mas os ingressos estão esgotados. Tem que ter mais.

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Ana Frango Elétrico @ Casa Natura Musical (5.5.2022)

Ana Frango Elétrico despediu-se ontem de seu Little Electric Chicken Heart na @casanaturamusical com um show inacreditável – casa lotada e todo mundo cantando todas as músicas junto! Só o fato de reunir aquela banda já seria um acontecimento (cadê o disco, Guilherme Lírio? Nem te vi depois Vovô BebÇe!) – como foi um acontecimento assisti-los tocando a íntegra do segundo disco da Ana quase ipsis literis, como se pudéssemos assistir a um Pet Sounds ao vivo – um Pet Sounds retropicalista, diga -, com pitadas do primeiro disco, Mormaço Queima. No bis ela voltou tocando “Debaixo do Pano” da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, o punk mcdonalds “Picles” e o groove disco do single que compôs com Ava Rocha, a irresistível “Mulher Homem Bicho”. Showzaço! E o disco novo está vindo aí…

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Garotas Suecas @ Centro da Terra (3.5.2022)

Que beleza o reencontro dos Garotas Suecas com os palcos nesta terça-feira no Centro da Terra – era palpável a emoção que Tomaz Paoliello, Irina Neblina, Marcelo Perdido e Nico Paoliello sentiam ao tocar de novo para seu público, que além de vários hits da carreira da banda ainda pode ouvir músicas do próximo disco do grupo, que já está sendo mixado. E que venham mais shows!

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Depois de um longo inverno pandêmico, o quarteto paulistano Garotas Suecas volta a dar seus passos nos palcos, começando pelo Centro da Terra nesta terça-feira, quando revisitam – e reaprendem – suas próprias canções, tanto os clássicos do passado quanto as que estarão no próximo disco, que já está surgindo no horizonte. Assim é A Aventura Pós-Apocalíptica de Garotas Suecas, quando Tomaz Paoliello, Irina Bertolucci, Fernando Perdido e Nico Paoliello retornam ao mundo encantado dos shows, que tanto sentiam falta. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados aqui.