
A gente achando que tem muito show em 2025 e do nada vem o C6 e despeja suas atrações pro ano que vem sem aviso. Então toma que em 2026 teremos Magdalena Bay, Wolf Alice, Oklou, Xx, Lykke Li, Robert Plant, Cameron Winter, BaianaSystem com Makaveli & Kadilida, Horsegirl, Paralamas com Benjamin Clementine, Julius Rodriguez, Nação Zumbi, Baxter Dury, Anouar Brahem Quartet, Knower, Mabe Fratti, Brandee Younger, Jude Paulla, a big band de Hermeto Pascoal, DJ Nyack com Pathy Dejesus e Eduardo Brechó, Matt Berninger, Aline Rocha, Beirut, Branford Marsalis, Dijon, Amaarae, Marten Lou e Samuel de Saboia. Inacreditável! Magdalena Bay, Oklou e Wolf Alice são três shows que mais quero ver atualmente, fora que o Wolf Alice é dono do melhor disco de 2026 e minha principal obsessão do ano, sendo que nunca falei deles por aqui. O festival acontece mais uma vez no Parque Ibirapuera, entre os dias 21 a 24 de maio do an que vem, a pré-venda exclusiva pros clientes do banco começa nos dias 12 e 13 de novembro e abre pro público geral no dia 14, sexta agora nesse link. Vai ser pesado!

Tá certo que ao fazer um show fora de festival, o Yo La Tengo garantiria um brilho especial para sua apresentação, mas o critério de desempate nem pode ser a duração, já que o show que fizeram nesta segunda-feira no Cine Joia teve quase a mesma duração (pouco mais de uma hora e meia) de seu show no festival na Balaclava, no dia anterior. Mas se no domingo rasgaram a microfonia em números gigantescos – e canções doces e singelas no percurso -, no show acústico preferiram não optar por um setlist pré-definido e foram atendendo aos pedidos do público (e escolhendo músicas entre si) à medida em que o show ia acontecendo, como fazem todo ano ao participar do programa beneficente da rádio nova-iorquina WFMU, quando tocam músicas que às vezes só conhecem de nome. E nem mesmo ao optar por versões delicadas de músicas conhecidas não foi o suficiente para domar o brio elétrico do guitarrista Ira Kaplan, que por vários momentos arrancou ruídos brancos do amplificador de seu violão, acompanhado do baixo presente de James McNew e da bateria reduzida a um surdo, pratos e caixa, que Georgia Hubley tocava de pé, ao centro do palco. E entre músicas menos cotadas (como a estreia ao vivo de “The Way Some People Die”, do primeiro disco da banda, “Satellite”, “Pass the Hatchet, I Think I’m Goodkind” e “Season of the Shark”), ainda se dispuseram a fazer várias versões, começando com uma versão instrumental para “Blitzkrieg Bop” dos Ramones e passando por músicas menos conhecidas do Love (“A Message to Pretty”), do The Scene is Now (“Yellow Sarong”), dos Angry Samoans (“Right Side of My Mind”) e Gary Lewis & The Playboys (“Count on Me”). Mas ao exibir suas próprias joias de indie de maior quilate, o grupo não teve modéstia e passeou por “From a Motel 6”, “Nowhere Near”, uma versão de chorar para “Tom Courtenay”, “Last Days of Disco”, “Damage”, “Black Flowers” e a dobradinha “Moby Octopad” e “Our Way to Fall”, que encerrou a primeira parte do show. No bis, os três voltaram brincando de fazer bossa nova (com a lindinha “Center of Gravity”), além do cover do Gary Lewis e a perfeita “My Little Corner of the World”. Foi perfeito.
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Além de falar sobre os shows do Stereolab e do Yo La Tengo também fiz um balanço sobre esta edição do Balaclava Festival em mais uma colaboração para o Toca UOL, quando aproveitei para reforçar que a produtora por trás do evento vive seus melhores dias e está no epicentro do indie brasileiro, seguindo uma tradição que remonta tanto aos primeiros shows de rock alternativo em grandes festivais como Hollywood Rock e Free Jazz quanto às primeiras vindas de artistas internacionais independentes para o Brasil por culpa da Motor Music, ainda nos anos 90. Continue

O Yo La Tengo também fez bonito festival da Balaclava neste domingo, sempre imprevisível, mas sempre com deixando aquelas brechas pro Ira Kaplan desossar a guitarra, como essa versão de quinze minutos de “I Heard You Looking”, que ainda teve o Tim Gane do Stereolab nos teclados. Também escrevi sobre esse show pro Toca UOL. Continue

Quem foi ao festival da Balaclava neste domingo teve o prazer de assistir a uma apresentação mágica do Stereolab, que há 25 anos não tocava no Brasil. Escrevi sobre a apresentação em mais uma colaboração com o Toca UOL. Continue

Yo La Tengo e Stereolab num mesmo domingo foi um presente que a Balaclava deu aos indies brasileiros que poucos poderiam esperar – e pelas apresentações que os dois grupos já estão fazendo pelo continente vai ser uma noite de chorar. Continue

Dua Lipa começou a perna latino-americana de sua turnê mundial com duas datas no estádio do River Plate, em Buenos Aires, e, como tem feito, pinçou duas canções portenhas para celebrar o público argentino, cantando cada uma em uma de suas apresentações. Ela começou nessa sexta-feira, quando arrebatou a todos com o gigantesco hit do Soda Stereo, “De Música Ligera” (que foi hit até no Brasil, graças às versões feitas pelos Paralamas e pelo Capital Inicial). E no dia seguinte, preferiu uma canção mais fofinha, quando escolheu “Tu Misterioso Alguién”, do grupo Miranda!, igualmente cantada em uníssono pelo público. Só lamento que ela não convidou nenhum artista local para subir ao palco com ela – tomara que não seja uma regra para essa parte da turnê…
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A volta das Noites Trabalho Sujo, que aconteceu no Mamãe nesta sexta-feira, só não foi melhor porque o irmão Luiz Pattoli não pode comparecer à discotecagem que fiz com o Danilo Cabral, mas outras virão! Antes da pista começar, chamei mais uma vez as duas Soxy pra, mais uma vez acompanhadas pelo guitarrista do Marrakesh Lucas Cavallin, mostrarem suas primeiras composições no formato cru de vozes e guitarras. E aproveitaram para mostrar ao vivo a versão que fizeram para o clássico do reggae de Dawn Penn, “You Don’t Love Me (No, No, No)”, que elas já haviam dado uma palhinha online anteriormente. E isso foi só o esquenta antes da festa começar…
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O superlativo Chaos A.D., clássico do heavy metal mundial feito pela banda brasileira Sepultura, ganha duas novas leituras ao ser revisitado pelos irmãos Cavalera na abertura do show que o Massive Attack faz no Brasil e pelo compadre Vina Castro, que assina o novo volume da coleção Livro do Disco da editora Cobogó sobre essa joia de 1993 do som pesado. Conversei com Vina e com Max Cavalera sobre a importância do álbum em mais uma colaboração que faço para o jornal Valor Econômico. Continue

Quando os dois shows do Mogwai no Brasil foram anunciados, eu tive as mesmas certezas – de que o show de São Paulo ia ser frio e distante e o do Rio ia ser quente e intenso. Mas isso não tem nada a ver com público e sim com os ambientes. O primeiro show da banda escocesa este ano no Brasil aconteceu no Parque do Ibirapuera domingo passado. A céu aberto e dentro de um festival não precisa ser muito sagaz para perceber que qualquer show de rock perde o impacto sonoro quando feito ao ar livre e por mais que a organização do evento tivesse a boa vontade de colocar o grupo para tocar no horário do crepúsculo (um por do sol foda seria um bom contraponto para a falta de força sônica), mas mesmo um espetacular ocaso brasiliense (o mais bonito do Brasil, desculpe) não compensaria o ataque brutal aos sentidos que é o espetáculo do grupo (quem foi no Sesc Vila Mariana no começo do século sabe bem do que eu estou falando). E sem contar que o show carioca, além de acontecer num lugar fechado, era no Circo Voador – um dos melhores lugares pra se ver um show de médio porte no Brasil. Passada a bonita e esforçada apresentação paulistana do grupo, saí caçando companhia para me acompanhar num bate-volta pela Dutra e, uma vez que rolou (deu certo, Mariah!), pudemos comprovar a suspeita no anúncio na prática. Além do grupo ter feito um show mais longo (com quarenta minutos a mais e contemplando músicas de vários discos, ao contrário do show de São Paulo, que ficou em só nos quatro álbuns mais recentes e teve apenas uma música do século passado), veio com uma avalanche de som que só quem estava lá sabe da bordoada física, que inevitavelmente embargou os olhos de todos com litros de emoção. O público reduzido também manteve o alto nível da apresentação, que quase sempre contrapunha o volume gigantesco com silêncios delicados, passagens em que ninguém na plateia dava um pio – ao contrário de São Paulo, em que, além dos pássaros e aviões do som ambiente, ainda contava com um público conversador, que esperava o Bloc Party ou o Weezer). Foi o melhor show do Mogwai que já vi na vida e sem dúvida um dos melhores do ano. Nota 10.
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