
“É estranho não ter o celular, né?”, disse Phoebe Bridgers logo após uma das músicas em que, graças à proibição do aparelho (e outros dispositivos de registro), calou as mais de vinte mil pessoas que lotaram o Madison Square Garden, em Nova York, na quinta passada, emudecidas e deixando apenas a voz e o som de seu instrumento ecoar no local. Fechando um ciclo de shows-surpresa em lugares pequenos pelos Estados Unidos, ela lotou a maior casa de shows da maior cidade de seu país cobrando um dólar por ingresso e o tíquete tornou-se a única lembrança que o público pode levar para casa. “Eu agradeço que vocês possam tornar esse local uma zona livre de internet”, comentou em seguida, “se vocês enfiaram um relógio da Apple no cu pra gravar isso, por favor, não publique na internet. Confio em vocês.” As restrições para o show incluíram até papel, caneta e lápis para os jornalistas que cobriram a apresentação contassem apenas com a memória para mencionar trechos de letras e até suas falas entre as canções. Como nos shows que fez durante maio, tocou várias músicas ainda sem título de seu novo disco, que deve estar vindo mais em breve do que pensamos, pois a turnê já está com ingressos à venda (embora nada ainda sobre vir para o Brasil)…
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Depois do aguaceiro que abateu-se sobre o Primavera de Barcelona na quinta (com cancelamentos de vários shows do evento), a sexta-feira deu uma trégua e trouxe de volta a boa vibe para o festival catalão, para a sorte do Cure – e de seus fãs. Retornando aos palcos depois de uma pausa de um ano e meio, o grupo de Robert Smith não só fez mais um felizmente gigantesco show (com as duas horas e meia de praxe) com aproveitou para trazer de volta aos palcos pérolas menores de seu repertório que não tocavam há eras, como “Mint Car” (música de trabalho do disco Wild Mood Swings, de 1995, que não era tocada há dez anos) e três músicas que não tocavam desde 2019: “Alt.End” (do disco de 2004, batizado só com o nome da banda), “2 Late” (lado B do single “Love Song’, de 1989) e “Wrong Number” (single que acompanhou o lançamento da coletânea Galore, de 1997). Nenhuma música inédita, mas aquela chuva de clássicos, como dá pra ver no vídeo com a íntegra do show.
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Uma das principais atrações do festival nova-iorquino Governor’s Ball, Lorde começou sua apresentação sozinha num canto do palco, tocando sintetizadores e mostrando uma música inédita, em que canta “don’t look for me now that I’m gone, don’t look for me, I’m gone”. Será que ela já está preparando o sucessor de Virgin, do ano passado?
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Dylan não para! O mestre reiniciou sua eterna turnê nesta quinta-feira com um show na cidade de Troutdale, Oregon, em seu próprio país e entre versões de músicas alheias, “I Can Tell” (de Bo Diddley), “Axe and the Wind” (de George “Wild Child” Butler) e “I’ll Make It All Up to You” (de Jerry Lee Lewis) e clássicos próprios de diferentes épocas (desde hits como “Rainy Day Women #12 & 35”, “When I Paint My Masterpiece” e “All Along the Watchtower” a canções memoráveis como “Man in the Long Black Coat”, “Crossing the Rubicon” e “I Contain Multitudes”), ele ainda teve a manha de estrear uma música que nunca havia tocado ao vivo: “Baby, Won’t You Be My Baby”, gravada em 1967, quando sofreu um acidente de moto e retirou-se da vida pública, pra se enfurnar numa série de gravações ao lado da The Band, que só chegariam ao público oito anos depois, no disco que batizou aquelas sessões, The Basement Tapes. Mas “Baby, Won’t You Be My Baby” não saiu no disco de 1975 e só viu a luz do dia em 2014, quando, no décimo-primeiro volume de sua série em que oficializa suas gravações piratas, The Bootleg Series, liberou a íntegra daquela temporada ao lado da banda que ajudou a revelar. Você sabe de algum artista que levou quase 60 anos pra tocar uma música ao vivo? Lenda-viva não é só um título de efeito: Dylan é o cara, Como ele proíbe a entrada de câmeras e celulares em seus shows, não temos o registro em vídeo, mas algum devoto entrou com um gravador e fez uma foto pra eternizar esse momento.
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O Inferninho Trabalho Sujo dessa sexta-feira foi um acontecimento daqueles. A começar pelo encontro histórico dos Irmãos Panarotto com a banda Tutu Naná, trazendo conjuntamente a maluquice do rock de Chapecó num mesmo palco. Duas formações e gerações completamente distintas, os dois se encontram na encruzilhada do rock desenfreado com o humor nonsense e a jovem banda ficou como escada para as canções dos patronos do Repolho, essa instituição do indie brasileiro que atravessa décadas incólume, deixando suas experimentações de noise com jazz brasileiro para recolher-se às bases do repertório da dupla, quase sempre equilibrando-se entre a Jovem Guarda e o rock gaúcho – com direito ao baterista Fernando Paludo fazendo cosplay de Peter Criss, do Kiss. O happening subiu mais um degrau quando chamaram Tatá Aeroplano para participar da zona e o bardo paulista sintonizou o man Júpiter Maçã, quando cantaram juntos “Eu e Minha Ex” e uma canção-tributo à estátua do paladino da psicodelia gaúcha em Chapecó que metamorfoseou-se em “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes. Que delírio.
Depois foi a vez da banda amazonense Jambu mostrar como já estão bem ambientados em São Paulo, a ponto de lotar a casa de fãs cantando todas suas músicas – e pedindo outras que eles nem lembravam como tocar. Lançando o EP Cartas Que Escrevi Enquanto Sonhava ,a banda formada por Gabriel Mar na guitarra e vocal, Yasmin Costa no vocal e bateria, Gustavo Costa no baixo e Roberto Freire na guitarra solo – como esmerilha o instrumento, esse cidadão! , o grupo tem uma química impressionante e botou todo mundo pra cantar, inclusive as músicas recém-lançadas. Com influências de rock brasileiro dos anos 80, indie rock e emo, o grupo segue trilhando sua escalada pop e tende a crescer ainda mais. Depois eu e a Fran esticamos a madrugada até onde pudemos, numa noitada como há muito não fazíamos no Picles – sexta-feira, né?
#inferninhotrabalhosujo #irmaospanarotto #tutunana #jambu #picles #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 125 e 126

Olha esse Inferninho Trabalho Sujo dessa semana, que acontece no Picles e reúne duas extremidades da música independente do país numa sexta-feira daquelas! Quem começa a noite são os magos Irmãos Panarotto, lendas-vivas do indie brasileiro que capitaneavam a histórica banda Repolho a partir de Chapecó e reúnem-se aos conterrâneos e velhos conhecidos da festa Tutu Naná para uma apresentação épica! Depois é a vez dos amazonenses Jambu estrearem na festa misturando indie rock e rock de garagem. E a noite termina comigo e com a Fran fazendo todo mundo dançar sem parar quando discotecamos até altas. E quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Os ingressos já estão à venda. Vamooooos!

Sem lançar discos solo desde o ótimo Punisher, de 2020 (sem contar o disco com o supertrio Boygenius, que fez a rapa nos Grammy de 2024), Phoebe Bridgers teve um maio agitado que começou com o anúncio de sua estreia nos cinemas (quando estará no filme Primetime, que estreia lá fora em setembro). Logo depois anunciou um show surpresa no mesmo dia do show, padrão que acabou se repetindo em várias cidades dos EUA. Nesta quinta-feira, ela fechou essa primeira etapa de sua nova fase ao manter a mesma lógica dos shows surpresa em uma das maiores casas de show do mundo, ao lotar o Madison Square Garden de Nova York anunciando o show na própria quinta-feira em flyers impressos e pôsteres colados em postes pela cidade (cobrando um dólar pelo ingresso!). O show manteve o padrão dos anteriores – abriu e fechou com músicas de seus dois primeiros discos, mas o miolo era composto apenas por músicas inéditas, com um agravante: todo mundo tinha que deixar seu celular na entrada. Até os jornalistas que foram convidados para essa apresentação tiveram que assinar um acordo de confidencialidade para não contar nada sobre as músicas novas (e, lógico, não registrar nada). Nessa sexta-feira, ela mostrou que a primeira etapa foi concluída e acaba de dar início à nova fase, abrindo a venda de ingressos do que está chamando de Lost Tour pelos Estados Unidos (com abertura do Alex G) e por alguns países da Europa (com abertura do ex-Black Country New Road Isaac Woods). Sobre o disco nenhuma novidade ainda, mas devemos ter algo muito em breve…

Começou o festival Primavera de Barcelona e bem no meio do show do Geese caiu um temporal da pesada que acabou por cancelar vários shows no primeiro dia do evento, entre eles os de Alex G, Mac DeMarco, Massive Attack, Doja Cat, entre outros, causando pela primeira vez, a sensação de que foi uma boa não ter ido ao festival este ano… A organização já anunciou que irá reembolsar os ingressos de quem quiser reembolso e avisa que nesta sexta-feira o evento segue normalmente. Assista abaixo a íntegra do show da banda de Nova York: Continue

Essa volta do Bem Brasil é ouro puro! Wandi Doratiotto volta a apresentar shows ao vivo todo domingo na TV Cultura como havia deixado de fazer em 2008, quando o programa foi cancelado. Depois de edições-piloto em 2024, trocando o Sesc Interlagos pelo Sesc Itaquera, o Bem Brasil volta à programação da emissora estatal neste domingo em uma acertada parceria com o Sesc e ainda conta com a participação da nossa querida Roberta Martinelli e com Carlinhos Brown como atração musical da primeira edição. Tem que ter mais música na TV!
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Michael Stipe está quicando para voltar aos palcos. Sem lançar nada há três anos, ele quebrou esse jejum em março, quando mostrou a “I Played the Fool”, que fez para o seriado Rooster, da HBO, como sua música-tema. E depois de aparições bissextas – e empolgadas! – ao lado da dupla Michael Shannon e Jason Narducy, que vêm fazendo shows em tributo aos discos clássicos do R.E.M, e dos integrantes de sua banda original, ele agora vem para a televisão tocando ao vivo a música que fez para o seriado ao lado do produtor de rock clássico da vez (Andrew Watt, que acabou de produzir os discos novos de Paul McCartney e dos Rolling Stones) no programa do apresentador Jimmy Kimmel. E se na versão original ele contava com o baterista do Blink-182‘s Travis Barker, nesta apresentação chamou o dos Red Hot Chili Peppers Chad Smith, que tocou ao lado do guitarrista Josh Klinghoffer (que também tocou no Red Hot) nos teclados, do baixista Troy Van Leeuwen do Queens Of The Stone Age e do ex-guitarrista de outra fase do Jane’s Addiction Chris Chaney e mostrou-se animadaço, pronto para sair desse autoexílio que se impôs. E a gente sempre fica na torcida pra rolar aquela volta em grande estilo do R.E.M…. Porque eles merecem e a gente também.
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