
Vou cobrir o C6Fest e por isso não vou conseguir ir na Virada Cultural deste ano, mas lamento perder duas atrações: a monstra sagrada Lydia Lunch e o mago Jorge Mautner. Lunch, nome importante do pós-punk dos EUA e central na cena no wave de Nova York faz show no CCSP ao lado do baixista Tim Dahl e do saxofonista Matt Nelson à uma da madrugada. E logo depois, às 2h30, o documentário Artists – Depression, Anxiety & Rage da própria performer será exibido no mesmo local. O filme volta a ser exibido horas depois, às 14h, quando o curador de cinema do CCSP Carlos Pegoraro conversa com Lydia, que também participa de outro bate-papo, às 17h30, na Sala Mário de Andrade, no encontro com Sandra Coutinho das Mercenárias chamado No Wave Agora. Mautner, por sua vez, é um dos vários homenageados que farão shows celebrando seus legados no Theatro Municipal (como Eduardo Araújo, Evinha, Claudya, Fausto Fawcett, Mundo Livre S/A, Mercenárias e Di Melo). O mestre pós-tropicalista toca às 15h, acompanhado de Ava Rocha, Negro Leo, Rubinho Jacobina, Celso Sim, José Miguel Wisnik, José Roberto Aguillar e Cecília Beraba, numa apresentação que certamente emocionará a todos. E já que estamos falando de Virada Cultural, vale dar uma sacada na reportagem que Agência Pública sobre os gastos bizarros e artistas desconhecidos bancados pela atual gestão durante as três edições mais recentes do evento.


A gente discutindo C6Fest, Virada Cultural, Primavera e eis que a Balaclava anuncia o elenco de seu próximo festival na terça que vem. Será que eles fecharam algum nome que poderia vir para a versão paulistana do festival catalão? Queria tanto o My Bloody Valentine… Façam suas apostas!
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Duas viagens eletrônicas nesta quinta-feira no Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A primeira começou com a dupla Pão de Ló, formada pela dupla de cientistas malucos da Tubo de Ensaio Lorenzo Zelada e Lorena Wolthers. Lorenzo deixa a guitarra de lado para dedicar-se apenas aos synths que monta, enquanto Lorena derrama-se pelos teclados e synths, além de tocar uma guitarra com baquetas e soltar alguns vocais esporádicos. O clima psicodélico e eletrônico vem de bases techno e electro que logo são convertidas em loops hipnóticos em que efeitos sonoros deslizam para deleite da noite. Nesta sua segunda apresentação ao vivo, a dupla ainda contou com a participação de dois cúmplices: Gibaa, que tocou um theremin fabricado em casa acoplado a alguns pedais de efeitos, e Gabriel Golfetti, ex-Stratus Luna, que assumiu o baixo e efeitos para encorpar ainda mais a loucura da dupla. Trip pesada!
Depois foi a vez da também recém-formada Canaflash FX, formada por Charlie Tixier e Lello Bezerra, que funde os beats do primeiro, tocados numa MPC em chamas, e os riffs em loop do segundo, que, por mais que caiam nas raias do improviso livre, mantém-se preso ao ritmo ditado pelo beatmaker, que puxa mais pra pista de dança do que para a abstração sonora, deixando tudo muito aterrado e sacolejante. Enquanto Charles esbalda-se enfurecidamente (mas sempre com um sorriso no rosto e sem parar de dançar) na bateria eletrônica, Lello vai abrindo frases melódicas que se repetem em outras frases, abrindo parênteses musicais com outras melodias, que ecoam tanto as guitarras do Mali quanto levadas caribenhas e nordestinas, que vão ao delírio psicodélico à medida em que vai cortando o tempo e acelerando tudo com o ritmo – tocando a guitarra com as mãos e com os pés, que não param de acionar os pedais. O mais legal é ver os dois claramente se divertindo com essa parceria recém-descoberta. Delírio!
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Na quinta, dia 21, o Picles vai fritar com uma edição eletrônica do @inferninhotrabalhosujo, quando reunimos duas duplas que se apresentam pela primeira vez na festa. A noite começa com o duo Pão de Ló, experimento de fritação synth formado por dois lokis da Tubo de Ensaio, Lorenzo Zelada e Lorena Wolthers, que mergulham nos sons sintéticos pra todo mundo viajar bonito. Depois é a vez de outro experimento elétrico, mas formato por beats, efeitos e guitarra, quando o guitar hero Lello Bezerra une forças com o produtor Charles Tixier, que fazem todos dançar com seu recém-formado Canaflash FX, em que grooves latinos sintéticos misturam-se com riffs em loop e não deixam ninguém parado! E depois dos dois é a vez de eu e a Fran seguirmos com a pista de dança até altas madrugadas. Lembrando que quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar! Vamos?

Desde que A Tábua de Esmeraldas foi redescoberto nos anos 90 há um clamor por uma versão ao vivo do disco, algo que seu autor, o imbatível Jorge Ben Jor, sempre achou desnecessário. Seu Acústico MTV, lançado há quase um quarto de século, chegou a bater na trave, como outros projetos que pediam que ele voltasse ao violão ou pelo menos ao repertório daquele disco e parece que o mais perto que conseguiram chegar foi anunciado nesta quinta-feira, quando foi revelado o projeto Alquimia Popular Brasileira, que vai trazer o mestre em um show inédito no estádio do Palmeiras no dia 17 de outubro. Não se sabe se será um show único ou se outras datas poderão ser anunciadas. Só dá pra saber que os ingressos começam a ser vendidos entre os dias 25 e 27 de maio. E por mais que tenha “alquimia” no título e que a campanha toque músicas do clássico disco de 1974, na imagem do cartaz Jorge aparece como sempre com sua guitarra elétrica. Em todo caso, imperdível.

Eis a escalação do festival mexicano Corona Capital, que divide algumas atrações com o nosso Primavera. E pelo elenco que poderia funcionar no Brasil, poucos nomes dos grandes instigam: Mumford & Sons, James Blake, Kooks, Twenty One Pilots e Lola Young não chegam a emocionar muita gente, o Xx vai tocar neste fim de semana agora no Brasil, Underworld e Offspring interessam apenas a uma legião de quarentões e Fcukers vai ter aberto o show do Harry Styles aqui. Mas tirando esses grandes, alguns nomes que aparecem menor no elenco deles poderiam dar uma bela temperada no nosso Primavera, como Johnny Marr, Tricky, o math rock hypado do Angine de Potrine, Santigold, a sinistra Sofia Isela, os sempre bons Black Crowes, Manic Street Preachers, We Are Scientists, Peaches, Chvrches, Violet “filha do Dave” Grohl e Ninajirachi (que já confirmou a vinda pra cá) dariam um colorido extra ao festival brasileiro no fim do ano. Se pegar metade desses nomes e incluir um nome maior (parece que tá rolando uma briga pelo Depeche Mode), a versão paulistana do festival catalão pode dar aquela encorpada que estamos esperando…

Imagina você estar numa festa fechada no interior da Inglaterra, assistindo a um show privado do Primal Scream e de repente ninguém menos que o Rick Astley sobe ao palco para dividir “Rocks” com eles…
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Verséculos não é apenas o nome do reencontro de André Abujamra e Chicão – que já haviam trabalhado juntos no espetáculo Omindá, do primeiro e sempre se esbarraram pelos bastidores da vida -, mas batiza uma “banda” encarnada pela dupla, que fez sua primeira apresentação nesta terça-feira, no Centro da Terra. Com Chicão ao piano e André entre a guitarra, o atabaque e uma “flauta chinesa da China”, os dois passearam por um repertório majoritariamente composto por músicas de Abujamra – incluindo dois “lados B”, um do Karnak (“Ninguepomaquyde”), que abriu o show, e outro do Mulheres Negras (“Guembô”), exigência de Chicão, fã do grupo desde antes de imaginar que poderia tocar com o então futuro parceiro, nos anos 90. O resto da noite foi tomado por versões delicadas de músicas do Karnak (“Universo Umbigo”, “Estamos Adorando Tóquio”, “Juvenar” e “O Mundo”, que encerrou a apresentação), outras da carreira solo de André (como “O Mar”, a linda “Espelho do Tempo” e “Imaginação”, que ele sempre aproveita para tirar onda com o público) e uma versão em russo fajuto para “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa. Chicão não trouxe suas próprias composições, mas tirou dois ases da manga: um recital ao piano de uma certa Clarice Leite (que, revelou ao final da música, era a mãe dos irmãos mutantes Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) e uma versão brasileira de “River Man”, de Nick Drake, que ousadamente tornou-se “Ri Vermei” e mudou o tom da música, indo da introspecção fatalista para a contemplação universal. Uma noite e tanto – que vivam os Verséculos!
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Maior satisfação receber nesta terça-feira o encontro de duas almas iluminadas pela música no palco do Centro da Terra, quando André Abujamra e Chicão fundem suas trajetórias no espetáculo Verséculos, em que remontam uma lenda pessoal antiga que, em vidas passados, os dois foram gêmeos siameses, que se reencontram como reflexos idênticos para uma missão ousada – eternizar o amor pelo som, sempre completando trechos musicais que cada um deles inicia no que chamam de Música da Eternidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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Entre me levantar da poltrona em que vejo a apresentação até cumprimentar os artistas em seguida (algo que leva entre cinco e dez segundos), ouvi três vezes comentários que usavam a palavra “camadas” – sempre no plural – logo após a terceira noite da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. vem fazendo no Centro da Terra, em que receberam o produtor de Guarulhos MNTH e o conterrâneo carioca Lcuas Pires. Só a configuração de palco já foi radicalmente diferente das noites anteriores, em que seus respectivos convidados (Kiko Dinucci e Deafkids) trouxeram guitarras e incitavam a percussão. Esta última até esteve presente na noite, embora tocada com apenas um atabaque e disparadores mecânicos de beats. Em sua terceira segunda-feira, a temporada Acontecimento mergulhou na eletrônica, distorcendo timbres, letras, sequências e até transmissões de rádio para criar justamente as tais camadas mencionadas em voz alta por vários dos presentes após a noite, criando uma trama ambient de noise que abriu uma outra dimensão na textura sonora do grupo. Hipnose de fim de mundo.
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