
Eita que abril já começou desequilibrando tudo – e a temporada das segundas-feiras no Centro da Terra reúne um trio da pesada que só aumenta a responsa do mês. Imensa honra receber Rodrigo Campos, Rômulo Froes e Thiago França, que brilham em quatro datas diferentes no nosso querido teatro do Sumaré em uma temporada em que cruzam e misturam obras e canções feitas em várias mãos na temporada 3 na Ribanceira. A primeira noite, dia 8, vê os três passeando pelas canções do disco que Rômulo e Rodrigo lançaram no ano passado, como Anna Vis e Marcelo Cabral como convidados da apresentação chamada Elefante, O Oráculo da Noite. Na próxima segunda, dia 15, eles recebem Victória dos Santos, Fernanda Sangirardi e Bia Falleiros para uma roda de samba montada no palco do teatro, batizada de Samba de Tablado. Na terceira segunda-feira, os três apresentam apenas músicas inéditas sem convidados na noite chamada Sem Paralelo e encerram a temporada chamando mais uma vez Marcelo Cabral e desta vez Juçara Marçal para desfilar seus repertórios conjunto na noite chamada Coisas Nossas. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos para todas as noites já estão à venda neste link.
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Híbrido de peça e apresentação musical, o espetáculo Pega, Mata e Come: 60 anos de Opinião, que foi exibido em duas sessões neste fim de semana no Sesc Vila Mariana, foi concebido por Paulo Tó ao lado do Instituto Augusto Boal antes mesmo do período pandêmico, que acabou por adiar sua existência. Retomada dentro da programação Territórios do Lembrar que aquela unidade do Sesc está fazendo para que não esqueçamos da tragédia política e cultural que foi o golpe empresarial-militar de 1964, a peça musical aproveitou a infame efeméride para realçar a importância de um espetáculo que hoje é lembrado mais como o palco para os primeiros passos das carreiras de Nara Leão e Maria Bethania do que como o que realmente foi: a primeira obra artística a se revoltar contra o revolução de araque que as forças armadas e parte do empresariado brasileiro deu contra a democracia brasileira sob o pretexto de “interromper o avanço comunista”, mentira repetida até hoje por seus agentes até para justificar crises políticas do país neste século. Montado pelo herói do teatro brasileiro Augusto Boal, Opinião foi revisitado por seu filho Julian Boal e a dramaturga Mariana Mayor, companheira de Tó, que assina a direção musical do espetáculo, dirigido por Jé Oliveira. À frente da apresentação, Xis, Ellen Oléria, Xeina Barros, Alessandra Leão e o próprio Tó, apresentavam-se como os integrantes da montagem original, assumindo personalidades que ajudavam o público entender o contexto da época ao mesmo tempo em que desfilaram tanto as canções do espetáculo original (“Peba na pimenta” de Dominguinhos, “Guantanamera” que foi cantada pela viúva de Boal, Cecília Boal, “Borandá” de Edu Lobo e, claro, a faixa de Zé Kéti que batizou o espetáculo original e a de João do Valle que trouxe o verso que batiza esse novo espetáculo) quanto músicas contemporâneas que conversam com a alma do espetáculo, como “História Para Ninar Gente Grande” (samba-enredo da Mangueira em 2019), “Lama” (de Douglas Germano), “Zumbi” (de Jorge Ben) e “Obá Iná” (do Metá Metá), além de músicas dos próprios intérpretes: Tó (contemplado em “Samba do Perdoa” e “De Cara no Asfalto”), Ellen (que trouxe “Testando” e sua versão para “Miss Celie’s Blues”), Xis (“De Esquina” e “Us Mano e As Mina”) e Alessandra (com “Exu Chega”, “Atirei” e sua versão para “Xangô”). Na banda que acompanhou o grupo de perto, um grupo pesado formado por Marcelo Cabral, Thiago Sonho, Lua Bernardo e Rodrigo Caçapa. Pena só terem rolado duas apresentações, temporada curta para uma apresentação deste porte ganhar corpo e lacear entre os intérpretes. Vamos torcer para outras edições pintarem em outras unidades do Sesc.
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O primeiro show do ano dos Pelados, minha banda indie brasileira favorita, aconteceu nesta quinta-feira no Fffront e a sensação de ver um grupo de amigos afiados tanto musicalmente quanto em termos de empatia num ambiente minúsculo repleto de fãs é dessas energias que me ajudam a seguir a longa estrada da vida. Focando todo seu repertório nas músicas de seu segundo disco, o excelente Foi Mal, o quinteto paulistano fez a laje do clube da Vila Madalena sacudir em músicas tortas e retas, entre baladas e faixas pra dançar, todas cantadas pelo público em êxtase por estar compartilhando da sensação que descrevi no início. O show, como sempre, chega ao auge quando eles cantam o hino composto para essa situação, a épica “Yo La Tengo na Casa do Mancha” que fez todo mundo gritar o refrão, que pede justamente pra gritar e ser gritado. Showzão!
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Bem bonita a apresentação que Nina Maia fez no Bona nesta quarta-feira, para celebrar o lançamento de seu novo single, “Amargo”, que chegou ao público nesta quinta. Apresentando o mesmo espetáculo Inteira que mostrou há dois meses no Centro da Terra, ela dividiu sua apresentação em duas partes. Na primeira, cantando sozinha acompanhada apenas de bases pré-gravadas, ela soltou a voz em canções densas e complexas, deixando o lado mais intenso e palatável para quando trouxe os músicos que convidou ao palco – e desta vez, além de Valentim Frateschi no baixo e Thalin na bateria (além dela mesma no teclado), ela contou com o violinista Thales Hashiguti, que deu uma nova dimensão à apresentação. Segura de si e de suas próprias (novas) canções, ela não teve dificuldades em deslizar nas bases instrumentais e mostrar a força de sua voz grave e seu domínio cênico cada vez mais firme.
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Nesta terça-feira, Rômulo Froes inaugurou a curadoria que está fazendo no Sarau, o minúsculo bar do recém-inaugurado Pulso Hotel, quando chamará grandes nomes da música brasileira contemporânea para apresentar-se à meia luz para um público bem reduzido. Além de anunciar que nomes como Jadsa, Josyara, Alice Caymmi e Maurício Pereira, entre outros que estarão nas próximas terças, ele contou com a melhor abertura possível, por conta do trio Metá Metá. E com Juçara, Kiko e Thiago desfilando seu já clássico repertório não tem erro, né? Os três hipnotizaram o público em versões ainda mais discretas dos hits de seus três discos, além de puxar versões clássicas que fazem para Jards Macalé, Douglas Germano e, claro, “Trovoa”, de Maurício Pereira. E terça que vem tem Ava Rocha com o Chicão! Imperdível!
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A apresentação que o grupo Orfeu Menino fez nessa terça-feira no Centro da Terra, flagrou-os começando a tatear o próprio repertório enquanto deixa o passado de versões pra trás, sem deixar as referências de jazz brasileiro de lado. O grupo começou com uma música da vocalista Luiza Villa, passou por interlúdios bolados pelo jovem maestro Pedro Abujamra, uma canção do baixista João Pedro Ferrari e inspirados solos tanto de Pedro, quanto do guitarrista Tomé Antunes e do baterista Tommy Coelho. No percurso, passaram por “Estrada do Sol” (Tom Jobim e Dolores Duran) e “Beijo Partido” (Toninho Horta), antes de mexer em uma versão mais jazz da primeira composição desta nova leva, “Pega Mal”. Tá ficando bonito…
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O novíssimo quinteto formado por Luíza Villa (vocais), Pedro Abujamra (teclado), Tomé Antunes (guitarra), João Chão (baixo elétrico) e Tommy Coelho (bateria) está começando a desenvolver sua fase autoral e começa a mostrar suas primeiras canções no espetáculo Orfeutanásia – Presságios da Metamorfose, quando mesclam suas influências de folk, jazz e música brasileira ao mesmo tempo em que exploram essas referências para além das versões que já estavam em seu repertório. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente nesse link.
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O líder do Tangolo Mangos mostrou nessa primeira segunda-feira de abril no Centro da Terra a promissora carreira solo que tem pela frente. Ao desbravar desfiladeiros musicais bem diferentes do rock de sua banda, Felipe Vaqueiro mostrou que, mais que exímio músico e compositor, mistura essas duas qualidades em uma só, fazendo seu instrumento soar como continuação de sua voz e vice-versa (me sopraram Moraes Moreira depois da apresentação, tem muito a ver). E por mais que sua apresentação tenha contado com ótimas participações ao chamar Sophia Chablau e o percussionista de sua banda, Bruno “Neca” Fechine, para dividir o palco, foram nos momentos solitários no palco que Vaqueiro mais brilhou, mostrando o completo domínio de suas canções que ao mesmo tempo esbarram no seu jeito extrovertido e atrapalhado ao conversar com o público, tornando a noite ainda mais leve. Vai longe!
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Imensa satisfação em começar a safra de apresentações do Centro da Terra em abril deste ano com o espetáculo Dando Nome Aos Bois, idealizado por Felipe Vaqueiro, vocalista e guitarrista da banda baiana Tangolo Mangos, em que ele começa a mostrar formalmente o início de sua carreira solo, trazendo à tona canções que diferem das que apresenta com seu conjunto. A apresentação acontece no formato voz e violão, mas Felipe convida tanto o percussionista de seu grupo Bruno Fechine (que tocará pandeiro) quanto a vocalista Sophia Chablau para participarem desta noite. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda neste link.
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Ao começar a apresentação com “Fim de Festa”, do clássico disco que reuniu Itamar Assumpção e Naná Vasconcellos, a banda convocada por Fernando Catatau para celebrar o cancioneiro romântico brasileiro no espetáculo Pra Falar de Amor, que aconteceu no Sesc Pinheiros neste sábado, mostrou que não estava pra brincadeira. Um time de músicos, autores e intérpretes que pertence à nata da música popular contemporânea escancarou o teste de DNA que prova que sua musicalidade descende deste cânone que une uma parte importante da produção cultural brasileira do último século mas que não é visto como tal. A gênese desta celebração começou ainda no ano passado, quando Fernando fez algumas apresentações intimistas levantando este repertório que atravessa a própria genealogia de suas canções. E foi esperto ao manter esse clima mínimo mesmo com uma banda grande num palco tão amplo como a sala Paulo Autran. O minimalismo dos arranjos e das vozes contrastava com os sentimentos rasgados nas interpretações originais e com o visual da apresentação, em que as luzes de Cris Souto (que pareciam vir de Oz) equilibrava-se perfeitamente com as cores fortes do figurino de cada um e as imagens épicas projetadas por Isadora Stevani, que também assinava a direção de arte da noite. No palco, Catatau puxava um grupo que trazia Ava Rocha, Curumin (entre a bateria e o violão), Jasper, Bruno Berle, Paola Lappicy, Clayton Martin e Beatriz Lima que deslizaram por canções que rasgavam o corpo por dentro fazendo verter lágrimas, seja de paixão ou de fossa, sempre afundando aquele aço frio no peito dos ouvintes enquanto cutucava nosso subconsciente com músicas de Raul Seixas (“A Maçã”) Roupa Nova (“Bem Maior”), Roberto Carlos (“Amor Perfeito”), Jards Macalé (“Sem Essa”), Joanna (“Tô Fazendo Falta”), Djavan (“Um Amor Puro”), Lulu Santos (“Certas Coisas”), Eliane (“Amor ou Paixão”) e Alcione (“Você Me Vira A Cabeça”), colocando cada um dos integrantes no centro emotivo daquelas canções, além de passear pelo próprio repertório, sempre com outro intérprete cantando suas músicas, como “Quero Dizer”, “Solidão Gasolina”, “Transeunte Coração” e “Completamente Apaixonado”. A noite terminou num momento épico revisitando o momento mais romântico do repertório de Catatau, quando todos revisitaram a clássica “O Tempo” do Cidadão Instigado antes de encerrar a noite com “Hackearam-me”, do baiano Tierry, eternizada por Marília Mendonça. Foi de chorar – e tem que ter mais!
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