
Já estamos em 2024, mas os ecos de 2023 seguem aí, como é o caso de mais uma edição impressa da revista Rolling Stone que chega às bancas com o Robert Smith na capa, resumindo os melhores shows que aconteceram no Brasil no ano passado. Fui chamado para escrever sobre dois dos shows que mais gostei no ano, o das Haim no festival Mita e o último show de Paul McCartney em São Paulo. Os textos estão no site da revista, mas também podem ser lidos abaixo: Continue

Há duas semanas Patti Smith nos deu um susto ao passar mal durante sua turnê europeia e cancelar apresentações por recomendações médicas. Ela até postou no Instagram que estava melhor, agradecendo aos funcionários do hospital em Bolonha, na Itália, em que esteve internada. Felizmente foi só um susto e nossa matrona comemora seu aniversário de 77 amos com dois shows no Brooklyn Steel, em Nova York. E o segundo está acontecendo neste sábado, que e a data de seu aniversário. No show de sexta ela já mostrou estar ótima, como dá pra ver pelos vídeos que alguma boa alma filmou da plateia, olha só:

2024 nem começou e a Balaclava já marcou seu primeiro golaço ao anunciar a vinda do herói do underground inglês King Krule para o Brasil pela primeira vez. O show acontece no dia 2 de março, num espaço novo na zona sul de São Paulo chamado Terra SP, e os ingressos já estão à venda neste link. Mandaram muito bem!

E o Garotas Suecas ultrapassa mais uma barreira e representa a cena independente paulistana ao tocar num estádio, abrindo para os Titãs no estádio do Palmeiras nesta quinta-feira. Nada mal, hein?

Em mais apresentações no Theatro Municipal de São Paulo, Tim Bernardes pôs em prática um plano que acalentava desde que saiu em carreira solo: tocar seus discos ao vivo exatamente como são em estúdio, com toda pompa orquestral. Mas diferente de alguns de seus mestres (como Brian Wilson, Paul McCartney ou Lô Borges), autores de discos clássicos na tenra idade que não puderam transpô-los em shows, colocando-os em prática apenas décadas mais tarde, Tim conseguiu adaptar um disco cheio de cordas, harpa e metais no ano seguinte de seu lançamento. Tá certo que, aos 32 anos, Tim é mais velho que seus precursores (Paul e Brian tinham 24 anos quando compuseram seus Sgt. Pepper’s e Pet Sounds e Lô tinha só 20 no disco do tênis) e isso fez com que ele tivesse foco para materializar o que poderia ser só um delírio passageiro. E assim fez por quatro sessões neste fim de semana, quando, à frente de uma pequena orquestra regida por Ruriá Duprat e ancorada pelos compadres Arthur Decloedt e Charlie Tixier, mudou a regra de seu próprio jogo. Se até então a apresentação ao vivo de seu disco era mero segundo (e verde) capítulo do show de seu disco de estreia, este novo momento o leva a outro patamar. Batizado de Raro Momento Infinito (de cor roxa), a nova versão ao vivo de Mil Coisas Invisíveis coloca o vocalista d’O Terno como um meticuloso autor de pop de câmara. Espetáculo que abre novas portas para seus dois discos solo, ele pode dar uma sobrevida à carreira solo de Tim Bernardes como uma realidade paralela à existência de sua banda original, que retoma as atividades em 2024, ainda mais se continuar em outros palcos sem ser apenas um especial de fim de ano. Ao fugir do formato rock e propor uma extensão instrumental ao seu virtuosismo solo, Tim eleva o sarrafo da apresentação ao vivo pop para outra esfera, entre a música erudita, a canção orquestrada e as trilhas sonoras de musicais. O momento em que puxou sua “Esse Ar” citando “A Lenda do Abaeté” de Dorival Caymmi após contar uma longa e tocante história sobre a canção foi só uma pequena amostra da porta que ele está abrindo para um novo pop brasileiro. Bravo, Tim!
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Em 2023 tive o privilégio de assistir ao encontro ao mestre Jards Macalé ao vivo por cinco vezes: uma delas com o saudoso Donato, outra com o Metá Metá, mais uma sozinho com seu violão e duas vezes com seu velho camarada Tutty Moreno e a presença do mestre baterista eleva a performance de Macau a outro patamar. Não foi diferente nesta quarta-feira, quando os dois voltaram a se apresentar juntos, mais uma vez escudados por Guilherme Held e Pedro Dantas, na Casa de Francisca. Passeando pelos clássicos de Jards e as composições de seus discos mais recentes, os quatro hipnotizaram o público que lotou o Palacete Tereza, tantra musical conduzido pelo groove da mão direita de Jards e pelo corpo de Tutty, um dos maiores bateristas deste país até hoje, sempre solando contido, mesmo quando o band leader não sublinha estes momentos. Uma noite mágica.
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Linda a apresentação que a Filarmônica da Pasárgada fez nesta terça-feira, encerrando o ótimo ano de música que tivemos no Centro da Terra. Além de apresentar a maravilhosa e forte voz de Loreta Colucci como contraponto à voz do líder da banda Marcelo Segreto – e a química ente os dois está ótima -, o espetáculo PSSP ainda contou com a presença do mestre Luiz Tatit, que foi reverenciado pela banda tanto num número seu (“Capitu”) quanto do grupo (“Fora do Ar”), além de fazer duas músicas próprias (“Toque o Tambor” e “Felicidade”) sozinho ao violão. A casa, lotada, suspirava ao fazer coro baixinho com as músicas do mestre, além de gargalhar com os jogos musicais das canções de Segreto. Foi demais.
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E para encerrar as atividades musicais do Centro da Terra em 2023, eis que a Filarmônica de Pasárgada recebe ninguém menos que um de seus faróis criativos, o cantor, compositor e pensador da música brasileira Luiz Tatit, para uma versão bem particular de seu PSSP, álbum dedicado à tradição paulistana da música brasileira que contou com participações de diferentes artistas que conversam com essa história, como Tom Zé, Barbatuques e Trupe Chá de Boldo, além do próprio Tatit, que vem dar sua contribuição a essa obra. O espetáculo começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos à venda neste link.

Dona de um dos melhores discos pop de 2023 (seu Guts é o disco que os anos 90 precisavam ouvir na época), Olivia Rodrigo dedicou sua participação no Tiny Desk Concert da emissora norte-americana NPR ao álbum, cantando “Love is Embarrassing”, “Lacy” e “Making the Bed”, além de uma das minhas músicas favoritas do ano que está chegando ao fim, “Vampire”.
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Que beleza ver um projeto finalmente tomando forma. Caçapa passou anos trabalhando em sua pesquisa para construir suas próprias violas eletrodinâmicas e agora as coloca na estrada, mostrando que o som maravilhoso desses instrumentos têm uma vida própria e específica a ser percorrida. No espetáculo instrumental que apresentou nesta segunda-feira no Centro da Terra, penúltimo show do teatro no ano, o músico e luthier pernambucano mostrou sua obra – instrumento e canções – pela segunda vez depois do período pandêmico, a primeira ao lado de outro músico tocando uma viola semelante, no caso Leo Mendes. Os dois foram acompanhandos pela influência do jazz da soberba contrabaixista Vanessa Ferreira e pelo lastro do pulso inconfundível de Mestre Nico. A sonoridade captura ao menos um século de tradições e num dado momento emendou três músicas numa mesma levada, o que acabou sendo uma pequena amostra da amplitude da musicalidade que ele lida neste novo momento: um baião chamado “Marco Brasileiro” que Ariano Suassuna dizia ouvir na feira quando era criança, “Procissão da Chuvarada” de Siba e “Pé de Lírio” de Biu Roque. Foi maravilhoso.
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