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Show

ALERTA DE SPOILER sobre o show do Cidadão Instigado tocando o Dark Side of the Moon do Pink Floyd na íntegra que o grupo está apresentando nessa sexta e sábado no Sesc Ipiranga.

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Nesta quinta-feira teve mais um show solo da Sophia Chablau, mas antes de comentar sobre a apresentação, queria dar os parabéns ao novo Bona. A intimista casa de Pinheiros mudou de endereço e de proporção devido à especulação imobiliária e por mais que as novas instalações (120 pessoas sentadas, com direito a mezanino e um pé direito gigante) pareçam dar outra escala para a aura original, o casal Manu e Kiko conseguiu manter a aura original, que vai desde a luz indireta à decoração do palco, que agora tem dezenas de metros de largura, mas ainda mantém-se próximo. Longa vida ao novo Bona, que ajuda a minha vizinhança a ficar ainda melhor. Sophia foi a segunda atração desta nova fase da casa e cantou várias músicas que está compondo em sua recente carreira solo ao mesmo tempo em que não abandonou parte do repertório que apresenta com sua banda, a Enorme Perda de Tempo. E por mais que tenha feito todo o show praticamente sozinha, ela trouxe participações que levaram o show para outra dimensão, a começar pela participação do pai Fabio Tagliaferri, passando pela improvável (e deliciosa) dupla com Bebé Salvego, que inclusive tocou uma música inédita de seu próximo disco e um hit do Negro Leo, e por Ana Frango Elétrico, que produziu o primeiro disco da banda de Sophia, transformando uma apresentação solitária numa imensa demonstração pública de afeto.

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Se precisávamos de um sinal de normalidade além da OMS anunciando que conseguimos sair da pandemia, este veio na forma do anúncio – ainda não-oficial – de que Paul McCartney volta ao Brasil ainda 2023. Quem cravou esta foi o jornalista José Norberto Flesch (que se especializou neste tipo de confirmação antecipada de shows) em seu canal no YouTube. Flesch não falou sobre datas nem cidades, apenas mencionou que o beatle passará pelo Brasil no final de novembro deste ano. Mais um sinal de que finalmente estamos saindo desta era de trevas que atravessamos…

Samba noise

Maravilha o show que Cacá Machado fez nesta quarta-feira no auditório do Sesc Pinheiros, dando continuidade ao trabalho que vinha fazendo com a banda formada no ano passado (e que banda! Allen Alencar na guitarra, Marcelo Cabral no baixo e Richard Ribeiro na bateria) ao mesmo tempo em que unia forças à voz da cantora Anaïs Sylla. Equilibrando o repertório de seus dois discos com composições recentes, a apresentação tomou o clássico de Paulinho da Viola “Roendo as Unhas” como ponto de partida, experimentando possibilidades improváveis a partir de uma base tradicional de música brasileira. Ao redor de Cacá, o trio de músicos explorava possibilidades entre o ruído e a melodia, Allen fazendo sua guitarra rugir ou gorjear dependendo da situação, Cabral entre o baixo elétrico, o synth bass e alguns pedais para distorcer bases nada previsíveis e Richard passeando pelas peças da bateria com pulso firme ou mão leve, de acordo com o clima que a música exigia, enquanto Cacá tocava uma guitarra elétrica em vez do sempre presente violão de nylon, deixando boa parte dos vocais a cargo da voz doce e sinuosa de Anaïs. Foi minha estreia na direção artística com o músico e compositor paulistano e um show em que palpitei pouco justamente para valorizar a base que Cacá já vinha armando desde que voltamos à vida nos palcos.

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O papo é real e mais uma vez vem o próprio homem que tá falando, em seu costumeiro CAPS LÓKI no Twitter:

“2023 NA ARGENTINA : BRASIL : CHILE : COLÔMBIA : MÉXICO : PARAGUAI : PERU : URUGUAI… MAS LIDAR COM OS CONTRATOS ESTÁ LEVANDO MAIS TEMPO QUE ACHEI DEVERIA… MAIS DETALHES QUANDO ELES EXISTIREM… EM FRENTE!”

“Let me take your hand, I’m shaking like milk!” – alguém mais anima dar um rolê por algum desses países pra ver o Cure? (E adoro que ele escreve o nome do nosso país com S)

E essa que o Mita soltou hoje? O festival compensou a ausência do maestro Arthur Verocai, que tocará na versão carioca do evento ao lado do grupo Badbadnotgood no dia 27 de maio, em sua versão paulistana ao revelar que o levará para o Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina, para recriar seu clássico homônimo de 1972 ao lado de grandes parceiros como Mano Brown, Ivan Lins, Céu, Paula Santoro, Clarisse Grova e Carlos Dafé no mesmo fim de semana em que o festival acontece no Vale do Anhangabaú, no dia 11 de junho. Coisa fina!

Enorme satisfação de anunciar que oficializo, a partir desta quarta-feira, o trabalho de direção artística da carreira do compadre Cacá Machado, quando ele apresenta-se no show Roendo as Unhas, no auditório do Sesc Pinheiros a partir das 20h. Músico e compositor estabelecido, ele também é um dos principais intelectuais que falam sobre música brasileira, atuando como coordenador do departamento de cultura da Unicamp, e começa a pensar o que poderá ser seu terceiro disco, depois dos ótimos Eslavosamba (2013) e Sibilina (2018). Para isso, montou uma banda afiadíssima com quem já vem tocando desde o ano passado, que conta com os grandes Allen Alencar nas guitarras, Marcelo Cabral no baixo e Richard Ribeiro na bateria, além de iniciar uma parceria com a maravilhosa cantora franco-senegalesa Anaïs Sylla. “O título do show vem da música que escolhi para abri-lo, o clássico de 1972 de Paulinho da Viola, que talvez seja seu samba mais paulistano por não se restringir ao gênero samba”, explica Cacá. “É uma composição ao mesmo tempo com espírito vanguardista e fincada na tradição e, de certo modo, é uma inspiração para a poética do meu trabalho como compositor.” Os ingressos estão à venda neste link.

Doce e mínimo

Uma hora doce e delicada – foi a isso que o trio formado pela dupla carioca Meiabanda e a cantora sergipana Tori proporcionaram na primeira apresentação deste maio no Centro da Terra. Os três optaram por uma apresentação minimalista, em que o guitarrista e produtor Eduardo Manso apenas disparava bases pré-gravadas levemente manipuladas ao fundo para que Tori e Bruno Di Lullo se revezassem ao violão, quase sempre cantando em uníssono, acentuando as distâncias entre seus timbres ao mesmo tempo em que alinhavam os próprios repertório como se sempre tivessem tocados juntos. No meio do show, Ava Rocha surgiu para cumprimentar os velhos parceiros e a cantora novata com suas canções – ela começou com “Doce é o Amor”, passou por “Mar ao Fundo”, “Joana Dark” e terminou num bis improvisado em que Ava puxou Bruno para cantar “Periférica”, de seu último disco, apenas os dois ao violão. Foi demais.

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Começamos a temporada de maio no Centro da Terra numa terça-feira e nosso primeiro espetáculo promove o encontro da cantora Tori com a dupla Meiabanda. Esta última é um projeto dos produtores cariocas Bruno Di Lullo e Eduardo Manso, que habitam a principal cena musical do Rio de Janeiro da última década e recebem a cantora sergipana (que acaba de lançar seu primeiro disco solo, produzido por Bruno, Bem Gil e Domenico Lancelotti) para misturar seus repertórios no espetáculo Murmúrios, que ainda conta com a participação especialíssima de Ava Rocha. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados aqui.

Consagrando o lançamento do disco ao vivo Relicário, registro da inauguração do Sesc Vila Mariana quando João Gilberto começou os trabalhos do hoje clássico equipamento cultural há vinte e cinco anos, a apresentação Rei Sem Coroa reuniu súditos de todas as gerações da música brasileira para reverenciar nosso maior artista e pude assistir à sua terceira e última apresentação neste primeiro dia de maio. Um quinteto formado por Joyce Moreno, Alaíde Costa, Dori Caymmi, Renato Braz e Vanessa Moreno saudou o repertório clássico do pai nosso da música brasileira moderna com as condições perfeitas de temperatura e pressão – o público imóvel e em silêncio deixando lágrimas rolarem no escuro enquanto músicos e intérpretes revezaram-se no palco em formações mínimas, sempre lustrando o formato que João escolheu para sua música – somente voz e violão. Entre as canções, várias histórias e lembranças, com Alaíde lembrando do tempo em que tudo era chamado de “bossa nova” pois o nome do gênero ainda era associado a um modismo passageiro, Joyce citando testemunhas que viram João sapatear – e bem! – e Dori fazendo a conexão de seu pai Dorival com nosso mestre.

A novata do grupo Vanessa Moreno abriu a noite com três orações obrigatórias deste rosário – “Corcovado”, “Samba de Uma Nota Só” e “O Pato” -, deixando sua doce voz solar equilibrando solenidade e carinho. Renato Braz pegou o violão na canção seguinte, a imortal “Bahia com H”, dividindo os vocais com Vanessa, que percutia a batida nostálgica em seu próprio corpo. Braz seguiu com “Pra Que Discutir Com Madame?” tocando apenas com um tamborim e prosseguiu com a faixa que batiza o espetáculo, “Rei Sem Coroa”, pérola de Herivelto Martins que finalmente ganhou registro oficial de João Gilberto com o lançamento de Relicário, emendando-a com “Eu Vim da Bahia”, de um dos principais pupilos dele, Gilberto Gil. Depois Braz recebeu Alaíde Costa, uma imortal da canção, que começou sua participação dividindo “Caminhos Cruzados” (de Tom Jobim e Newton Mendonça), para depois seguir ao lado de Joyce Moreno, que trocou de lugar com Renato, para dois duetos fabulosos: “Nova Ilusão” e “Retrato em Branco e Preto” (de Chico Buarque e Tom Jobim).

Depois Joyce seguiu sozinha e deslumbrante como sempre com “Desafinado” e “Águas de Março”, convidando Dori Caymmi para dividir uma mistura impecável de “Esse Seu Olhar” com “Só em Teus Braços” seguida de “Aos Pés da Cruz”. Dori teve seu momento solo cantando “Rosa Morena” de seu pai (quando improvisou a letra para avisar ao assistente de palco que a correia de seu violão havia escapulido) e “Bolinha de Papel”, até que Renato e Vanessa voltaram para cantar “Doralice” (também de Dorival). O final trouxe três faixas fora do roteiro: “Saudades da Bahia”, com os cinco no palco, “Dindi” (apenas Dori e Alaíde, numa versão maravilhosa, que abriu o bis) e “Chega de Saudade”, que encerrou a uma noite de reverência ao maior nome de nossa cultura que, como Joyce lembrou, ousou imaginar um Brasil moderno: “João pra mim ainda hoje é um Brasil possível, um sonho de Brasil, um Brasil que deveria ter sido e que algum dia será”.

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