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A mesma distribuidora que ressuscitou o clássico Stop Making Sense para os cinemas reuniu um monte de bambas para celebrar a importância dos Talking Heads. E o primeiro single do tributo Everyone’s Getting Involved: A Tribute to Talking Heads’ Stop Making Sense, organizado pela A24, vem também como uma boa notícia para os fãs do Paramore, que estavam temendo pela existência da banda depois que ela cancelou alguns shows (inclusive no Brasil) e apagou seus posts em suas redes sociais. O trio liderado pela vocalista Hayley Williams abre o tributo ao fazer uma versão para “Burning Down the House”, que contou com um clipe inspirado no filme de 1984 (veja abaixo), considerado o melhor show já filmado para o cinema. O disco, que ainda não tem data de lançamento definida e contará com versões feitas por Lorde, The National, Miley Cyrus, The Linda Lindas, Toro y Moi, Kevin Abstract, Badbadnotgood, Chicano Batman, El Mató a un Policía Motorizado, Girl in Red, entre outros.

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Não bastasse ter sido convidada para sua primeira aparição ao vivo na premiação do Grammy deste ano (a primeira em sua carreira de mais de 60 anos), nossa senhora Joni Mitchell acaba de anunciar o primeiro do que esperamos ser uma série de apresentações ao vivo que fará em 2024. A mestra canadense da canção não apresenta-se num show do porte que fará no Hollywood Bowl dia 19 de outubro há mais de vinte anos e os ingressos para esta apresentação entram em pré-venda neste último dia de janeiro a partir das três da tarde (neste link). A aparição de Joni no Grammy, bom motivo para ver o prêmio em anos, acontece neste domingo e a edição deste ano ainda terá apresentações da Dua Lipa, Billie Eillish, Olivia Rodrigo, Billy Joel e U2.

Uma noite incrível no Picles desta quinta-feira viu os primeiros shows de duas bandas promissoras. A noite começou com a Schlop, trabalho solo de Isabella Pontes, que tornou-se um trio quando ela juntou-se a Cadu Scalet e Ruan Yagami para mostrar suas músicas ao vivo, aproveitando para eles mesmos mostrarem as suas. Revezando-se entre os três instrumentos, o trio também aproveitou para celebrar os 470 anos de São Paulo numa versão paulistana para o triste lamento que o LCD Soundssytem fez para Nova York que tornou-se “São Paulo Eu Te Amo Mas Tá Foda Demais” na versão Schlop. Depois foi a vez do Monstro Bom liderado pela Gabi para mostrar como suas canções azedinho-doces envolvem-se no entrosamento instrumento do quarteto de Osasco. No final, eu e a Fran assumimos a pista e foi aquele descontrole que faz todo mundo se acabar na pista do Picles madrugada adentro…

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Vamos começar 2024? Eis as atrações deste mês de fevereiro no Centro da Terra, quando voltamos a fazer espetáculos depois de um merecido descanso. Começamos os trabalhos na primeira segunda do mês, dia 5, com Dadá Joãozinho, MC de Niterói que despontou ano passado com seu disco de estreia Tds Bem Global, que amplia o repertório de seu disco numa apresentação inédita batizada de Global Inabitual. No dia seguinte, terça-feira, é a vez da querida Nina Maia começar a mostrar o que será seu primeiro disco solo no espetáculo Inteira, entre o pop experimental, o jazz e a MPB, acompanhada pelos músicos Valentim Frateschi e Thalin. Pulamos a semana do Carnaval por motivos óbvios e voltamos na segunda 19 com a apresentação conjunta de dois novos nomes da cena alagoana, quando João Menezes e Marina Nemésio apresentam o espetáculo Doze Metros Terra Adentro. Na terça seguinte, dia 20, recebemos o encontro de Bernardo Pacheco, Ivan Vilela, Mariana Taques e Paulinho Fluxuz que os quatro chamaram de Rastros e mistura iluminação, dança, baixo elétrico, viola de dez cordas e efeitos especiais. E a última semana de fevereiro traz, primeiro, na segunda 26, a apresentação Alumia, em que a cantora Paula Tesser mistura suas influências nativas musicais – Fortaleza e Paris, acompanhada por Zé Nigro, Samuel Fraga, Dustan Gallas e participação de Kika Carvalho, e depois, na terça, dia 27, o paulista Meno Del Picchia apresenta Mar Aberto, apresentação em que começa a mostrar seu próximo álbum, Maré Cheia, acompanhado de uma banda formada por Batataboy, Bianca Godoi e Otávio Carvalho. Os espetáculos começam sempre às 20h, pontualmente, e os ingressos já podem ser comprados através deste link.

Terceira vez que pude ver ao vivo o sensacional Erosão, primeiro trabalho solo da baterista Mariá Portugal, que ela gravou antes da pandemia mas que só conseguiu apresentá-lo nos palcos depois que atravessamos aquele pesadelo. Neste meio tempo, ela mudou-se para a Alemanha, o que tornou suas apresentações ainda mais esporádicas por aqui. E ela mesma já avisou que a sessão que puxou na Casa de Francisca nesta quarta-feira talvez seja a última vez que ela executa esse trabalho ao vivo por aqui. E que despedida! Numa formação bem mais enxuta daquela que ela reuniu no primeiro show, no Sesc Pompeia, em outubro de 2022, quando contou com nove músicos no palco, mas igualmente inusitada – e excelente. Ela regeu a apresentação a partir de seu instrumento, dividindo os vocais com o camarada Tó Brandileone, que cantavam sobre um instrumental em que três sopros (Maria Beraldo, Rômulo Alexis e Marina Bastos) e dois contrabaixos acústicos (mais uma vez Arthur Decloedt e Marcelo Cabral) conversavam entre si – em horas plácidos e corteses, em outras empolgados e endiabrados e a apresentação seguiu o mesmo fluxo único em que canções transformam-se em improvisos, solos e encontros instrumentais, que funcionam como pontes que intercalam um tema ao próximo. Uma obra aberta e fechada ao mesmo tempo, em que Mariá nos provoca a pensar nossa relação com o tempo e o espaço, mesmo sem fazer isso de forma racional. E aí está a magia desta apresentação, que é ao mesmo tempo densa e leve – e nesta terceira vez ela estava irrepreensível. O que me faz acreditar que ela voltará a ser visitada nos palcos sim (foi mal, Mariá…), só que talvez não tão em breve… Inclusive tomara.

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O grupo Rumo começou suas comemorações de 50 anos de atividade nesta quarta-feira, véspera de feriado, no Sesc 24 de Maio, quando fez a primeira de duas apresentações que também aproveitaram para celebrar o aniversário de São Paulo – que foi, inclusive, o ponto de partida da noite, depois de começarem a noite com a clássica “Ah!”, puxando várias músicas do grupo que falam sobre a cidade, como “Paulista”, “Pro Bem da Cidade”, “Esboço”, “Ladeira da Memória” e uma versão foda para “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa). E por mais que Paulo Petit tenha dito que não tinha terminado a parte de homenagem à cidade, é inevitável que outras canções – que por mais que não abordem a cidade em si – soem nascidas nesta cidade, afinal o Rumo é uma instituição e um delírio essencialmente paulistano. E canções irresistíveis e cabeçudas como “O Apito”, “Toque o Tambor”, “Trio de Efeitos”, “Esperança Ribeiro”, “Bem Baixinho”, a tocante “Único Legado”, “Carnaval do Geraldo”, “Felicidade”, “Universo” e a deslumbrante “Falta Alguma Coisa” são a cara da megalópole sulamericana – e mesmo antigos sambas cariocas (como “Você Só… Mente” de Noel Rosa e “Cheio de Saudade” de Sylvio Caldas e Luis Barbosa) ganham posturas e sotaques característicos daqui ao serem relidos pelo grupo. Como de praxe, seus integrantes mudam de instrumentos constantemente montando formações instantâneas que vão de apenas um a nove músicos no palco – e cada um deles, Danilo Penteado, Pedro Mourão, Zecarlos Ribeiro, Gal Oppido, Akira Ueno, Paulo Tatit, Ná Ozzetti, Luiz Tatit e Geraldo Leite, ganha seu momento de brilho individual, reforçando seu aspecto de superbanda. Mas nada traduz melhor o espírito da banda quanto Ná encarnada em uma versão de “Delírio, Meu!” que teve direito a solo de vocal e dança. Foi ótimo.

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Vamos esquentar essa semana com Inferninho Trabalho Sujo em pleno feriado! Você já sabe que depois da meia-noite eu e a Fran queimamos neurônios, quadris e solas de sapato com hits que não deixam ninguém parado – e antes disso não vai ser diferente, quando reunimos duas bandas novíssimas para apresentações especiais para esta quinta-feira no Picles. O lo-fi à brasileira do Schlop e as canções perigosas do Monstro Bom ajudam a aquecer este segundo Inferninho do ano, deixando a temperatura naquela medida que a gente conhece e gosta. A festa começa às oito da noite e quem chegar antes das nove não paga pra entrar. O Picles fica ali no coração do bairro de Pinheiros, no número 1838 da Cardeal Arcoverde e a noite promete pegar fogo! Vamos?

Depois de divulgar os 50 indicados a melhor disco do ano na semana passada, o júri da comissão de música popular da Associação Paulista de Críticos de Arte (do qual faço parte ao lado de Marcelo Costa, Adriana de Barros, José Norberto Flesch e Pedro Antunes), é a vez de anunciarmos os indicados a outras três categorias da premiação, artista do ano, show do ano e artista revelação. E eles são: Continue

E esse momento? No dia 13 passado, o Dinosaur Jr passou com sua turnê que comemora os 30 anos do disco Where You Been pela cidade de Portland e um de seus cidadãos mais ilustres, nosso querido Stephen Malkmus, que traz seu Pavement para o Brasil no próximo mês de abril, que subiu ao palco do grupo para dividir a faixa “Kraked”, do melhor disco do grupo, You’re Living All Over Me, de 1987. Malkmus não deixou barato e encarnou sua versão para o guitar hero da banda, J Mascis, que só entrelaçou seu solo de guitarra com o reverente feito pelo líder do Pavement, que ainda cantou a música como se fosse um integrante oficial do Dinosaur Jr. Logo em seguida, o grupo chamou Peter Holmström. do Dandy Warhols, para dividir os vocais de “Just Like Heaven”, cover clássico do Cure que o Dino faz desde os anos 80. Assista abaixo: Continue

“Nossa, Bidê ou Balde? Ainda existe? Que flashback!”, foram algumas das reações que ouvi ao comentar que iria discotecar (ao lado do Fabrício Nobre, que trouxe CDs de fábrica pra tocar!) no show de 25 anos da banda que seu vocalista, Carlinhos Carneiro, montou para celebrar a banda nesta quinta-feira, no Cine Joia. Muita gente desconfiada que não ia dar certo, que a Bidê não tem mais público e que ficou no passado ou que a apresentação fosse um mero caça-níqueis – desconfianças que não poderiam estar mais distantes da realidade. O que se viu no show do grupo redivivo foi uma mistura de baile da saudade rock com culto às canções do grupo que é um marco no rock gaúcho – aquele momento em que o indie rock suplantou as referências sessentistas que tomavam conta do gênero desde que Júpiter Maçã puxou a sardinha pra psicodelia, nos anos 90. A Bidê puxou uma geração de artistas do sul que conectou-se ao resto do Brasil naqueles primeiros anos da web, quando as próprias bandas disponibilizavam seus discos online pra que fossem ouvidas pelo mundo, enterrando de vez a era dos fanzines e da fita demo (que ressurgiriam 20 anos depois). A banda em si nem existe mais e a noite desta quinta, como aconteceu no final do ano passado em Porto Alegre, foi um mais momento de celebração de Carlinhos à velha Bidê e seu legado, cantado com força pelo público quarentão que encheu o Joia. Embora não seja um show da Bidê em si (o vocalista montou um grupo para essas apresentações, formado por Guilherme Schwertner, Lucas Juswiak, Pedro Petracco, Maurício Chaise e Fu_k The Zeitgeist), a noite contou com participações históricas de vários ex-integrantes da banda, como Katia Aguiar, Rodrigo Pilla, Rafael Rossato e Guri Assis Brasil. Mas o centro da noite é o carisma esparramado de Carlinhos Carneiro, que se joga em diversos níveis em todas as músicas, até nas menos conhecidas, como é de praxe nas apresentações da banda. Parte do público não se via desde os tempos em que a Bidê existia, por isso o fator congregação subiu a um nível de catarse próximo do religioso, uma missa sobre paixões e acabação rock’n’roll. Noitada!

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