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Chegou maio e essas são as atrações da curadoria de música do Centro da Terra no próximo mês. A temporada de segundas-feiras fica nas mãos do trumpetista Rômulo Alexis, que apresenta suas Cosmofonias, todo início de semana explorando fronteiras estéticas, performáticas e sonoras com dezenas de músicos convidados. A primeira delas, dia 6, chama-se Fenda e reúne seu duo Rádio Diáspora às performances de Ester Lopes e Belle Delmondes. Depois, no dia 13, ele reúne um encontro entre o trombone de To Bernado, as cordas e flauta de Gui Braz, a kalimba, voz e flauta de Salloma, o violino e voz de Izandra Machado, o clarinete e voz de Laura Santo, as percussões de Manoel Trindade e Lerito Rocha, o baixo acústico, voz e flauta de Lua Bernardo, a guitarra de Du Kiddy, a bateria de Henrique e o sax de Stefani Souza, além de sua própria participação numa noite batizada de Niogra Experimenta Arkestra. No dia 20, ele convida integrantes da produtora Leviatã para a curadoria de uma noite que contará com as participações de Edbras Brasil, Inès Terra, Thayná Oliveira, Sarine e Douglas Leal. A temporada encerra-se no dia 27, quando a Rádio Diáspora mais uma vez recebe convidados, desta vez o Ensemble Cachaça, formado por Allan Abbadia (trombone), Clara Bastos (baixo acústico), Paola Ribeiro (voz e berimbau) e Steafani Souza (sax). Pesado! A programação das terças começa com a volta de Kamau ao palco do Centro da Terra com a antologia T.E.R. (Tempo em Registro), quando virá acompanhado do cantor DCazz e do DJ Erick Jay, no dia 7. Dia 14 é a estreia do trabalho autoral da cantora e compositora sulmatogrosensse Nina Camillo, que vem acompanhada de Noa Stroeter (baixo), Vitor Arantes (piano) e Gabriel Bruce (bateria) e terá participação especial de Sophia Ardessore. No dia 21, os atores Sofia Botelho e Ernani Sanchez mostram seu lado no musical no espetáculo Eu, Marina, que celebra a obra de Marina Lima. E o mês se encerra no dia 28, quando o duo (i)miscível – Guilherme Marques (bateria/percussão) e Amilcar Rodrigues (trompete) – mostram Música para um Futuro Presente, que contará com um convidado especial que só será anunciado na semana do espetáculo. As apresentações começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e pelo site do teatro.

#centrodaterra

E a véspera de feriado me fez cair no Picles como público e não administrador de clima, mas era um motivo mais que nobre: Rafael Castro tocaria seu SEGUNDO show depois de um hiato de quase uma década sem lançar discos. Felizmente seu vigésimo disco, Vaidosos Demais, o colocou de volta aos trilhos da música, por isso cada novo passo desse monstro sagrado deve ser saudado, mesmo que ele tenha repetido exatamente o mesmo show que fez no Inferninho Trabalho Sujo ao celebrar sua Paixão de Castro na Sexta-feira Santa – só que com novas piadas. E daí? Vamos celebrar que Rafael está de volta aos palcos, tocando, cantando e contando piadas em frente a seu público, algo que nunca poderia ter deixado de acontecer. E mais uma vez subiram ao palco os convidados Vanessa Bumagny e André Mourão, que dividem faixas com ele no disco, além de chamar a figurinista Luiza Mira para acompanhá-lo nos vocais do irresistível krautnóia “Fiscal de Foda”. Sempre um prazer!

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Bonito ver o nascimento de um projeto no palco, ainda mais em se tratando de duas artistas que conheço desde o início de suas carreiras e marcando a confluência entre duas escolas aparentemente distantes. Quando Anna Vis e Jeanne Callegari vieram me falar que haviam se conectado durante semanas de retiro artístico que se submeteram ao lado de outros artistas no mês de março, tinham na cabeça que o Centro da Terra seria um bom início de parceria ao vivo; E quando o lado poético e experimental de Anna, musicista e senhora da canção, pôs-se à frente do lado musical da poeta e performer Jeanne (imersas na luz etérea de Letícia Trovijo), a faísca inicial começou a acender pontos em comum, deixando-as livres para explorar este recém-nascido projeto Fogo Fogo. A apresentação foi justamente uma lenta fogueira de sons distorcendo-se entre cantos e palavras ao mesmo tempo em que usavam elementos discretos externos que ancoravam o texto, que horas era melodia, noutras poesia e em vários momentos algo híbrido dessas duas escolas. Queimai.

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Encerramos a temporada de abril no Centro da Terra com o espetáculo Fogo Fogo, concebido pela cantora, compositora, produtora e instrumentista Anna Vis e pela poeta e performer Jeanne Callegari, que traz sua já conhecida Máquina de Pesadelo para dar início no palco a uma parceria que começou em uma residência artística no mês passado e mistura ritmo, ruído e palavra em um forno criativo. A primeira apresentação da dupla acontece nesta terça-feira a partir das 20h e os ingressos estão à venda neste link.

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O festival que trará Cat Power cantando Dylan no próximo mês acabou de anunciar que hora que cada atração se apresentará em seus três dias de evento – e quem tiver disposição vai conseguir assistir tudo.

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Na beirinha

Chegou ao fim nesta segunda-feira a jornada que Thiago França, Rômulo Froes e Rodrigo Campos se propuseram ao encarar a temporada 3 na Ribanceira que tomou conta das segundas de abril no Centro da Terra – e a quarta noite foi de pura celebração, com os três lembrando diferentes momentos de suas carreiras ao mesmo tempo em que recebiam dois cúmplices de encruza, ninguém menos que Juçara Marçal e Marcelo Cabral. A apresentação começou com Thiago segurando a respiração do público com seu mantra de fôlego circular no saxofone, abrindo caminho primeiro para Rômulo (com sua “Pra Comer”), depois para Rodrigo (que entrou com sua “Meu Samba Quer Se Dissolver”) e os três tocaram a marchinha “Adeus Saudade”, feita para um dos primeiros desfiles da Charanga do França. Depois entrou Cabral, tocando baixo elétrico, para acompanhá-los primeiro numa versão pagode para “Muro”, de Rômulo, e depois com a faixa-título do primeiro disco do baixista, Motor, esta já com a presença da segunda convidada, Juçara. Juntos os cinco, passaram por “Três Amigos” (do Metá Metá), “Ladeira” (do trio Sambas do Absurdo), “Queimando a Língua” (do primeiro disco da Juçara), “Presente de Casamento” e “Espera” (de Rômulo), “Califórnia Azul” e “Velho Amarelo” (de Rodrigo). A ausência da noite foi Kiko Dinucci, que não pode comparecer por questões pessoais e foi lembrado quando tocaram a bela “São Paulo de Noite”, do Thiago – ou “Dinucci”, como brincaram. Também foi sentida a ausência de qualquer canção do grupo Passo Torto, que tinha 3/4 de sua formação no palco. Entre as músicas o tom era de conversa de bar, com Thiago brincando que Juçara tinha o colocado no time dos saxofonistas compositores ao lado de Milton Guedes e Jorge Israel enquanto Rômulo fazia a genealogia de cada uma das canções. Ele ainda brincou que estava chegando na beira da ribanceira, “olhando o precipício e ele olhando de volta” pouco antes de um deslize de memória (quem viu viu) que veio antes do encerramento da noite e da temporada, quando emendaram “Fim de Cidade” e “Mulher do Fim do Mundo”. Uma noite especial – e Juçara ainda soltou um spoiler do que vem por aí…

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Maravilhosa a apresentação de Amaro Freitas no Sesc Pompeia, quando tocou seu recém-lançado Y’Y depois de uma turnê intensa pela Europa. Primeira vez que o vejo sozinho ao piano, o jovem erudito pernambucano não economizou sons ao explicar a opção por trabalhar o piano preparado de John Cage à brasileira, misturando referências culturais que vão de texturas pré-gravadas, loops eletrônicas, uma kalimba, chocalhos e apitos, além de percutir as cordas do piano por dentro. Em alguns momentos mais virtuose, em outros mais à vontade, ele chegou ao equilíbrio entre as duas partes quando, no bis, mostrou a inédita “Gabrielle”, composta para sua companheira, a artista Luna Vitrolira, presente na plateia, cujo nome de batismo é o título da canção. Uma apresentação forte e delicada na mesma medida.

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Otto entregue

Otto lavou a alma – a própria e a de centenas de pessoas – neste sábado no Cine Joia quando revisitou o intenso Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, seu quarto álbum, que está completando quinze (!) anos. À frente de uma banda pesada e concisa (Guri Assis Brasil e Junior Boca nas guitarras, Meno Del Picchia no baixo, Ilhan Ersahin no sax, Beto Gibbs na batera, Yuri Queiroga nos teclados e o eterno comparsa Malê na percussão), ele entregou-se à emoção do disco, principalmente por ter levado dois amores ao palco, sua namorada Lavínia Alves cantou as partes que no disco que eram de Julieta Venegas e a filha Bettina, que chamou para dividir os vocais da triste “Naquela Mesa”. Bettina é filha de Otto com Alessandra Negrini, que foi a motivação para o disco, quando terminou seu relacionamento com o cantor pernambucano – e ela esteve presente no sábado, segundo relatos. Lirinha foi outro que marcou presença repetindo sua participação no disco em “Meu Mundo Dança” O disco inteiro foi cantado a plenos pulmões não só por seu autor, mas pelo público, que sabia todas as letras de cor. Álbum de duração enxuta, o disco foi seguido de uma sequência de hits de Otto que, por mais que tenham animado o público presente, não teve a intensidade do disco de quinze anos atrás ao vivo. E corre à boca pequena que ele fará mais shows voltando a esse álbum – ou seja, se você perdeu essa noite histórica, é só ficar atento que em breve deve ter mais.

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Em nome de Alceu

E lá estava eu de novo no Centro Cultural São Paulo para ver outra grande banda deste século. O Mombojó baixou na mitológica sala Adoniran Barbosa e botou todo mundo pra dançar ao mostrar seu recém-lançado tributo a Alceu Valença, Carne de Caju, em que revisitam pérolas menos lembradas do mestre pernambucano (como “Chuva de Cajus”, “Amor que Vai”, “Sino de Ouro” e “Pétalas”) mas sem deixar de lado hits como “Como Dois Animais”, “Tomara”, “Coração Bobo” e, claro, “Morena Tropicana”. O grupo teve que fazer o show num intervalo reduzido de tempo, por isso submeteu o público a uma sessão de seus próprios sucessos, como “Antimonotonia”, “Papapa”, “Cabidela”, “Faaca” e “Deixe-se Acreditar”, esta última com a presença do MC Lucas Afonso. A banda está espalhada em três lugares diferentes do Brasil, mas consegue manter a química como se ensaiasse semanalmente – e o público saiu satisfeito, mesmo com o show curto.

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O sertanista erudito Elomar apresentou-se neste fim de semana no Sesc Consolação ao lado de sua Tropa Encantada e pude assistir à primeira apresentação, em que a produção do artista exigiu que não houvesse registro – talvez pelo fato de, debilitado por ter contraído covid, não tocar mais violão nem ter o alcance vocal que tinha, além de, talvez pelo mesmo motivo, não ficar no palco o tempo todo, sendo constantemente tirado de cena e deixando apenas sua ótima Tropa em cena. Esta era conduzida pelo filho de Elomar, o violonista João Omar ao violão, que era acompanhada perlo violoncelo de Daniel Silva e pela flauta de João Liberato, além de contar com as vozes das sopranos Luciana Monteiro e Gabriela Almeida, esta última filha do violonista, e, portanto, neta do autor. A apresentação preservou o tom de câmara romântica para as dramáticas árias tiradas das óperas de Elomar, numa noite de rigor e beleza. Só achei estranho quando ele veio com um papo que era monarquista e saudou um herdeiro de Dom Pedro II que estava na plateia. Eu hein…

Assista a um trecho aqui.

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