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Show

E esse momento? No dia 13 passado, o Dinosaur Jr passou com sua turnê que comemora os 30 anos do disco Where You Been pela cidade de Portland e um de seus cidadãos mais ilustres, nosso querido Stephen Malkmus, que traz seu Pavement para o Brasil no próximo mês de abril, que subiu ao palco do grupo para dividir a faixa “Kraked”, do melhor disco do grupo, You’re Living All Over Me, de 1987. Malkmus não deixou barato e encarnou sua versão para o guitar hero da banda, J Mascis, que só entrelaçou seu solo de guitarra com o reverente feito pelo líder do Pavement, que ainda cantou a música como se fosse um integrante oficial do Dinosaur Jr. Logo em seguida, o grupo chamou Peter Holmström. do Dandy Warhols, para dividir os vocais de “Just Like Heaven”, cover clássico do Cure que o Dino faz desde os anos 80. Assista abaixo: Continue

“Nossa, Bidê ou Balde? Ainda existe? Que flashback!”, foram algumas das reações que ouvi ao comentar que iria discotecar (ao lado do Fabrício Nobre, que trouxe CDs de fábrica pra tocar!) no show de 25 anos da banda que seu vocalista, Carlinhos Carneiro, montou para celebrar a banda nesta quinta-feira, no Cine Joia. Muita gente desconfiada que não ia dar certo, que a Bidê não tem mais público e que ficou no passado ou que a apresentação fosse um mero caça-níqueis – desconfianças que não poderiam estar mais distantes da realidade. O que se viu no show do grupo redivivo foi uma mistura de baile da saudade rock com culto às canções do grupo que é um marco no rock gaúcho – aquele momento em que o indie rock suplantou as referências sessentistas que tomavam conta do gênero desde que Júpiter Maçã puxou a sardinha pra psicodelia, nos anos 90. A Bidê puxou uma geração de artistas do sul que conectou-se ao resto do Brasil naqueles primeiros anos da web, quando as próprias bandas disponibilizavam seus discos online pra que fossem ouvidas pelo mundo, enterrando de vez a era dos fanzines e da fita demo (que ressurgiriam 20 anos depois). A banda em si nem existe mais e a noite desta quinta, como aconteceu no final do ano passado em Porto Alegre, foi um mais momento de celebração de Carlinhos à velha Bidê e seu legado, cantado com força pelo público quarentão que encheu o Joia. Embora não seja um show da Bidê em si (o vocalista montou um grupo para essas apresentações, formado por Guilherme Schwertner, Lucas Juswiak, Pedro Petracco, Maurício Chaise e Fu_k The Zeitgeist), a noite contou com participações históricas de vários ex-integrantes da banda, como Katia Aguiar, Rodrigo Pilla, Rafael Rossato e Guri Assis Brasil. Mas o centro da noite é o carisma esparramado de Carlinhos Carneiro, que se joga em diversos níveis em todas as músicas, até nas menos conhecidas, como é de praxe nas apresentações da banda. Parte do público não se via desde os tempos em que a Bidê existia, por isso o fator congregação subiu a um nível de catarse próximo do religioso, uma missa sobre paixões e acabação rock’n’roll. Noitada!

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Arrigo Barnabé começou 2024 cantando Roberto Carlos e Erasmo Carlos nesta quarta-feira, no Bona, sem precisar recorrer a faixas desconhecidas ou momentos fora da curva da dupla de compositores. Em vez disso, amparado pelo tecladista Paulo Braga e pelo violonista Sérgio Espíndola (ambos fazendo vocais de apoio), preferiu ir no cerne da obra dos dois procurando suas músicas mais conhecidas e relendo-as com sensíveis mudanças de arranjo, vocais guturais, lembranças que aquelas faixas traziam e observações sobre as composições dos dois Carlos – como quando reforçou, quase como um alívio cômico involuntário, a onipresença da palavra “estrada” naquelas canções. E por pouco mais de uma hora, o maestro torto do Lira Paulistana invocou clássicos como “Os Seus Botões”, “Como é Grande o Meu Amor por Você”, “Como Dois e Dois”, “As Curvas da Estrada de Santos”, “Gatinha Manhosa”, “Quero Que Tudo Mais Vá Para o Inferno”, “Sentado À Beira do Caminho”, “Força Estranha”, “Sua Estupidez”, “Detalhes”, “Eu Te Darei o Céu”, “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo” e “Se Você Pensa”, além de “Ternura Antiga”, letra de Dolores Duran musicada por Roberto, que foi tocada apenas por Mauro e Sérgio, e “Quando Eu Me Chamar Saudade”, de Nelson Cavaquinho, que Arrigo puxou após provocar Sérgio para tocar alguns sambas de Cartola, que finalmente cantou lindamente “Acontece”. Uma noite improvável e sensível, que o trio encerrou com a trágica “Cachaça Mecânica”, de Erasmo Carlos.

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E cês viram que o No Doubt vai voltar? A formação clássica com Gwen Stefani, Tony Kanal, Tom Dumont e Adrian Young acaba de anunciar que estarão no Coachella deste ano… e certamente irão fazer mais shows pelo mundo (veja o vídeo abaixo). O festival californiano acaba de anunciar sua escalação para 2024 e o grupo de skacore dos anos 90 é uma das atrações da edição deste ano, que ainda terá, como headliners, Lana Del Rey, Tyler the Creator e Doja Cat, além de shows de artistas como Justice, Blur, J Balvin, Khruangbin, Lil Yatchy, Jungle, Bleachers, Grimes, Jon Baptiste, Faye Webster, a volta do Sublime com Jakob Nowell, filho do vocalista original, Bradley Nowell e a brasileira Ludmilla, entre outras dezenas de artistas desconhecidos para o grande público. Veja o poster abaixo: Continue

Em fevereiro Manu Chao vem mais uma vez para São Paulo fazer shows e como os ingressos para as duas datas anunciadas anteriormente (dias 1° e 3) evaporaram logo que foram anunciados, o Cine Joia anunciou mais uma data com o camarada clandestino, que agora também toca no dia 6 de fevereiro – e os ingressos começam a ser vendidos nesta terça-feira, a partir das 11h, neste link. Não dê mole!

E a festa não para! Nesta quinta-feira vou discotecar antes e depois do show que o compadre Carlinhos Carneiro está agitando no Cine Joia ao reunir sua clássica banda Bidê ou Balde para celebrar os 25 anos desta instituição do rock gaúcho. Toco ao lado de outro velho camarada, Fabrício Nobre, e juntos vamos fazer um flashback da fase clássica do indie rock brasileiro – num tempo em que o velho boca-a-boca impulsionava artistas do anonimato ao estrelato sem precisar seguir as infames regras das redes sociais e das plataformas digitais – e outras pedradas de várias épocas do rock. A farra acontece neste dia 18 de janeiro, no Cine Joia, a partir das nove da noite e os ingressos já estão à venda! Vamo?

Geraldo Azevedo chegou implacável e não quis saber de conversa quando apresentou-se neste domingo no teatro do Sesc Pinheiros emendando, praticamente sem cumprimentar o público, uma sequência de hits inacreditável: “Tanto Querer”, “Canta Coração”, “Príncipe Brilhante”, “Inclinações Musicais”, “O Paraíso Agora”. “O Principio do Prazer”, “Felicidade”, “A Saudade Me Traz”, “Quando Fevereiro Chegar”, “Você se Lembra”, “Bicho de Sete Cabeças” e “Dona da Minha Cabeça” – e pode ficar tranquilo que se você não reconheceu alguma delas a conhece mesmo assim e só não reconheceu o título. E quando o show, que o capricorniano de Petrolina fez sozinho com seu violão elétrico, foi chegando perto de uma hora de duração a audiência já estava completamente entregue ao seu carisma e talento. E além de seu repertório clássico – que ainda teve, claro, “Dia Branco”, “Tudo É Deus”, “Moça Bonita” e, inevitavelmente, “Táxi Lunar”, que fechou a noite -, o velho ourives da canção ainda saudou seus pares ao pinçar pérolas compostas por Chico César (“Pensar em você” e “Deus Me Proteja”), com quem acabou de fechar uma longa turnê em dupla, Jorge de Altinho (“Petrolina e Juazeiro”), Marcelo Jeneci (na já citada “Felicidade”), Zé Ramalho (“Frevo Mulher”), Luiz Gonzaga (“Sabiá”) e Accioly Neto, representado por sua grande canção, a maravilhosa “Espumas ao Vento”. Foi bonito demais.

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Começamos os trabalhos do Inferninho Trabalho Sujo nesta quinta-feira, quando recebemos lá no Picles mais uma vez a Xepa Sounds do Thiago França, que passou por tudo quanto é tipo de hit – teve desde “Total Eclipse of the Heart” até “Hotline Bling” – antes que eu e a Fran incendiássemos a pista para começar a aquecer os trabalhos da festa neste novo ano. E como bem lembrou a Fran, já já completamos um ano de discotecagem em dupla, quando tocamos juntos pela primeira vez, justamente num show do Thiago, só que com sua Charanga. Deu muito certo, né?

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Tempo suspenso

Mais uma noite linda nesta quinta-feira, quando Cacá Machado e Laura Lavieri apresentaram sua versão para o disco de 1973 de João Gilberto no Sesc Pompeia. É a segunda apresentação que os dois fazem do disco, que continua no próximo sábado, com outra noite dessas no Sesc Jundiaí. Foi bonito ver a ideia original que tivemos – eu que apresentei Cacá para Laura, que procurava alguém para realizar o sonho que era fazer esse disco ao vivo – florescer ainda mais lindamente do que o ótimo show que já havíamos feito na Casa de Francisca, há exatos dois meses. No novo palco, o silêncio era palpável e os dois burilavam as texturas musicais de seus instrumentos – voz e violão, a epítome de João – acompanhados mais uma vez dos efeitos especiais delicados da percussão cirúrgica e orgânica de Igor Caracas, que deveria ser efetivado como terceiro integrante de fato da apresentação. Juntos, os três suspenderam o tempo e a respiração de todos os presentes, imersos na sensível grandeza pautada por outro trio, há cinquenta anos, quando a produtora Wendy Carlos e o baterista Sonny Carr envolveram a realeza do maior artista de nossa cultura de uma forma única e precisa em sua carreira.

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Nesta quinta e sábado, Cacá Machado e Laura Lavieri mais uma vez apresentam o espetáculo Melhor Do Que O Silêncio, dedicado ao clássico disco de 1973 de João Gilberto, em que assino a direção executiva. As apresentações desta vez acontecem em duas unidades do Sesc – nesta quinta-feira, às 21h, no Sesc Pompeia, e neste sábado, às 19h, no Sesc Jundiaí. Os dois são mais uma vez acompanhados do percussionista Igor Caracas e juntos desbravam o disco que também é conhecido como “o álbum branco de João Gilberto”, devido à cor de sua capa, que mostra o maior artista brasileiro no momento mais minucioso de sua voz e violão, registrados pela produtora Wendy Carlos com acompanhamento cirúrgico do baterista Sonny Carr. Os dois conversaram com o blog Farofafá sobre essa apresentação, que ainda conta com a luz de Fernanda Carvalho, a direção de arte de Amanda Dafoe e a produção de Guto Ruocco da Circus. Ainda há ingressos disponíveis para as duas apresentações, embora as do Sesc Pompeia estejam quase no final…