
Agora vai! Depois de desmentir que iriam fazer uma turnê juntos no final do ano passado, Caetano Veloso e Maria Bethania anunciaram nesta quarta-feira que farão oito shows em sete capitais brasileiras no segundo semestre, tocando em estádios. Os shows começam no Rio de Janeiro (dias 3 e 4 de agosto, na Rio Arena), passam por Belo Horizonte (7 de setembro no Mineirão), Belém (29 de setembro no Hangar), Porto Alegre (12 de outubro da Arena do Grêmio), Brasília (9 de novembro no Mané Garrincha) e Salvador (30 de novembro na Fonte Nova), terminando em São Paulo (14 de dezembro, no estádio do Palmeiras). A pré-venda começa entre os dias 17 e 19 de março (quando abrem para clientes do Banco do Brasil, patrocinador da turnê) e no dia 20 os ingressos começam a ser vendidos para o público em geral. Resta saber se é mais um megaevento na carreira dos irmãos baianos ou se algum deles irá aproveitar a turnê para anunciar sua aposentadoria dos palcos…

Por motivos de Centro da Terra não consegui ver o show do Bikini Kill desde o começo, mas que bordoada! A banda parece ter saído direto dos anos 90 de tão intacta que está – desde o vigor das músicas ao timbre de voz de Kathleen Hanna até a presença de palco de todas as instrumentistas. Claro que todos os olhos se firmam na sacerdotisa hipnótica do rock enquanto mulher, mas o resto da banda – a baterista Tobi Vail, que por vezes assumiu o vocal, a estonteante baixista Kathi Wilcox e a virulência da guitarra de Sara Landeau (única integrante que não fazia parte da formação original) – faz jus à reputação de grupo, de gangue, expandindo sua coletividade para o resto do público, grande parte dele formado por fãs extasiadas por estarem realizando o sonho de uma vida. O primeiro show do Bikini Kill no Brasil não só foi pautado pelo lema da banda – garotas na frente, gritado em inglês pelas fãs o tempo todo – quanto pelos sermões puxados por Hanna, falando sobre gênero, dando esporro nos caras que poderiam estar ameaçando quem não fosse homem, rindo com as fãs ao lembrar histórias da banda e feliz por estar tocando a primeira vez no país, enquanto as quatro desciam a lenha de forma simples e sem rodeios, colocando o dedo na tomada por nós, pecadores. O Áudio estava lotado como eu não via há muito tempo (e cheio de gente conhecida) e esse é outro grande feito da noite: um evento independente, bancado por duas pequenas forças da cena que tornaram essa noite possível: a Associação Cecília e o Girls Rock Camp. Uma noite histórica.
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A casa cheia nesta terça-feira foi conduzida para outras dimensões a partir do violão e do alaúde de Juliano Abramovay. Sua pesquisa musical que contempla a mescla entre música brasileira e músicas do leste do Mediterrâneo no espetáculo Amazonon teve diferentes nuances a partir dos músicos convidados. Seja sozinho no palco ou com alguns de seus parceiros, ele ia modelando o clima da noite à medida em que recebia novos instrumentistas no palco, seja a excelente cozinha formada pelo baixista Ricardo Zoyo e o baterista João Fideles, o clarinete hipnótico de João Barisbe (com quem gravou o disco Aló no ano passado), a voz transcendental de Yantó, os sopros do catalão Oscar Antoli (que revezou-se entre o clarinete e o balcânico kaval) e, meu momento favorito da noite, o cello e a voz da holandesa Chieko. A condução de Juliano, que pontuava ocasionalmente as peças instrumentais (parte de sua autoria, parte alheia), esbarrava em sua natureza de professor de conservatório, dando uma dimensão ainda maior à viagem no tempo e espeço que proporcionou aos presentes.
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Nesta terça-feiro, no Centro da Terra, o violinista Juliano Abramovay, um dos fundadores do grupo Grand Bazaar, apresenta a nova versão do seu projeto de encontrar pontos em comum entre a música do leste do Mediterrâneo, especificamente Grécia, Turquia e Oriente Médio à musicalidade brasileira. Morando há quatro anos na Holanda, ele aprofundou esta pesquisa no período em que fez seu mestrado em música turca na Conservatório de Rotterdam, onde leciona atualmente, e segue seu doutorado em etnomusicologia na Universidade de Durham. Para esta apresentação no Centro da Terra, ele reúne músicos como o baixista Ricardo Zoyo, o baterista João Fideles, os sopros de Oscar Antoli, a voz e o cello de Chieko, o clarinete de João Barisbe e a voz de Yantó, dando vida a esta nova fase de sua criação. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

É oficial: depois de deixar o teaser espalhado pelo show do King Krule no sábado, a Balaclava acaba de confirmar a vinda do grupo Tortoise para o Brasil para celebrar os 25 anos do clássico disco TNT, marco do pós-rock do final dos anos 90 – poucos dias após o anúncio do show do grupo no Chile. O grupo de Chicago apresenta-se no dia 9 de maio do Cine Joia com sua formação consolidada a partir deste disco, que marca a saída do baixista David Pajo para a entrada de Jeff Parker e fecha o quinteto clássico que mantém-se até hoje, incluindo Dan Bitney, Doug McCombs, Jeff Parker, John Herndon e, claro, seu fundador John McEntire. Como no Chile, o grupo contará com cordas e metais tocados por músicos locais e os ingressos já estão à venda neste link. A dúvida que fica no ar diz respeito ao mestre Tom Zé…


Delicada e didática, Luiza Brina começou sua temporada Aprendendo a Rezar no Centro da Terra nesta primeira segunda de março explicando tanto o conceito de seu próximo disco, Prece, que disse que sairá ainda no mês que vem, gravado com uma orquestra composta por 22 mulheres, quanto da própria ideia que faz para o conceito de oração, título de cada uma das vinte faixas que comporão o novo trabalho. Para a primeira noite, veio sozinha para o palco, de violão e peito abertos, para demonstrar músicas de outros autores que lhe fazem as vezes de conexão com o sublime, uma vez que, a princípio sem religião, entendeu que sua crença está na própria música. Assim, ela passeou por canções de ídolos nacionais (como Seu Humberto do Maracanã, Vander Lee, Caetano Veloso, Alzira E e versões deslumbrantes para “Estrela” e “Eu Preciso Aprender a Só Ser” de Gilberto Gil) e latino-americanos (como Edgardo Cardozo, Jorge Drexler e Silvana Estrada), além de cumprimentar seus contemporâneos como Luiza Lian, Luizga, Flávio Tris e Castello Branco (que vai passar pela temporada) para demonstrar o que quer dizer quando chama uma canção de prece. Foi bem bonito.
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Com imenso prazer que recebemos a mineira Luiza Brina para a primeira temporada do Centro da Terra em 2024. Integrante do grupo Graveola, Brina comemora dez anos de carreira fonográfica este ano e prepara-se para lançar seu próximo álbum, batizado de Prece, exercitando-o em diferentes formatos às segundas-feiras de março. Na primeira delas, dia 4, ela apresenta as canções cruas, apenas com sua voz e violão, misturando suas próprias orações com as de compositores que a inspiraram neste projeto. Depois, dia 11, ela vem acompanhada de Charlie Tixier, produtor do próximo álbum, que liga os instrumentos eletrônicos para acompanhá-la no palco. Dia 18 ela vem acompanhada do cantor e compositor Castello Branco e com o multiinstrumentista e produtor Batataboy, que costura as vozes e violões dos dois primeiros. Luiza encerra sua temporada no dia 25, quando reúne, na mesma noite, a paulistana Iara Rennó e a baiana Jadsa para saudarem suas fés com seus instrumentos. As apresentações começam sempre, pontualmente, às 20h, e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Cada apresentação de seu Mateus Aleluia é um convite à reflexão – e não foi diferente neste domingo, quando apresentou-se pela segunda vez no fim de semana na Casa Natura Musical. Com sua fala mansa e pausada e seu timbre de voz grave e profundo, ele conduziu a apresentação com seu violão ao lado do percussionista Day Brown, o contrabaixista Alexandre Vieira e o flautista Rodrigo Sestrem, cada um deles temperando com seu instrumento a elegia do mestre baiano. Aleluia costurava uma filosofia ecumènica (de saudações a entidades afrobrasileiras até à celebração judaica “Hava Nagilla”) com suas canções atemporais, da ancestral “Deixa a Gira Girar”, imortalizada por seus Tincoãs, com a qual abriu o show, à “Fogueira Doce”, faixa-título de um de seus discos mais recentes. Por toda a apresentação, ele temperava esse percurso com uma pregação existencial que por vezes incitava o público à dança ou à celebração e por outras emudecia todos os presentes ao fazer verter lágrimas em uma missa humanista. “Toda a cultura vem de um culto”, comentou ao frisar o quanto estávamos em pleno trabalho espiritual travestido como show de música. Ver seu Mateus ao vivo é sempre uma experiência transcendental e uma bênção plena. Aleluia!
#mateusaleluia #casanaturamusical #trabalhosujo2024shows 29
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Foi excelente o show que o King Krule fez em São Paulo neste sábado. O jeito displicente e quase tímido que Archy Marshall se aproxima do microfone disfarça um maestro de melodia e ruído que usa sua guitarra como batuta, conduzindo sua banda entre o transe e a catarse, para delírio do público que lotou o improvável Terra SP. O grupo, composto de baixo, bateria, guitarra, teclado e sax, preenchia silêncios com camadas de microfonias e golpes de barulho, permitindo que as canções do inglês ganhassem uma profundidade ainda mais complexa que nos discos. E nisso a cumplicidade com o público, que conhecia todas as músicas e cantou quase todas as letras junto, era essencial. Show de rock sem os vícios do gênero e abrindo para inesperadas massas amorfas de eletricidade sonora que misturava improviso jazz, explosão noise, melancolia indie, letras balbuciadas como rap e melodias acridoces, acalentadas por uma pequena multidão – e como tinha gente conhecida entre aquelas milhares de pessoas. Talvez o único ponto negativo do show tenha sido o local, que ao menos não comprometeu o som da apresentação. Mas o Terra SP, além de ficar em Ohio (Ohio que o parta, tenho que manter vivo o humor infame que meus pais me passaram – a casa fica a 20 quilômetros do centro de São Paulo), comprometia a visão da audiência mesmo tendo espaço de sobra. O lugar é uma espécie de Áudio quadrado misturado com um Espaço das Américas de menor lotação e, com dois mezaninos, teoricamente teria ótimas opções para se assistir ao show. Mas duas pilastras no meio da casa criava bolsões vazios nos três andares atrás destas, que impediam o público de ver o palco e obrigando a acotovelar-se ao lado de espaços vazios para conseguir ver toda a banda. Mas, como comentei, isso felizmente não comprometeu a apresentação e marcou mais um golaço na trajetória da Balaclava Records, que ainda aproveitou para tirar sua onda ao anunciar, discretamente, que irá trazer o Tortoise tocando seu disco TNT no Brasil esse ano.
#kingkrule #balaclavarecords #terrasp #trabalhosujo2024shows 28
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Enquanto isso, espalhado pelo show do King Krule em São Paulo… já sabemos quem trará o show que já foi anunciado em Santiago. Resta saber a data, o local e o preço…