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Imagina você ter dinheiro pra Rihanna tocar na festa do seu casamento. Pois não é preciso imaginar: o bilionário indiano Mukesh Ambani celebrou o casamento do seu filho caçula Anant num evento que durou três dias com direito a 1200 convidados e show privê dela que, tirando o show que fez na final do campeonato de futebol americano no ano passado, há oito anos não faz uma apresentação que dure mais que uma ou duas canções. Os boatos dizem que ela embolsou entre 6 e 9 milhões de dólares para fazer esse show – e olha o setlist que ela preparou para essa noite abaixo: Continue

Ainda impactado pelo que presenciei nessa sexta no Sesc Vila Mariana, arrisco dizer que a celebração ao vivo do aniversário de dez anos do disco de estreia de Juçara Marçal tenha sido a melhor apresentação que assisti dessa mulher – e olha que a vi no palco algumas dezenas de vezes. Repetindo a exata formação (“banda original”, brincou nossa musa) de uma década atrás no mesmo lugar que viu o show de lançamento de Encarnado, ela entregou-se ao álbum na íntegra, repetindo exatamente a mesma ordem das faixas do registro original e deixando-o fluir como o clássico instantâneo que sempre foi. “Esses dez anos os tornaram todos mais gatos ainda”, brincou ao apresentar seus compadres Kiko Dinucci, Thomas Rohrer e Rodrigo Campos sublinhando como a experiência dos quatro deixava o show ainda mais denso e coeso, como se só a beleza os tivesse melhorado – sem contar a própria Juçara, toda de vermelho em referência à capa do disco, que estava deslumbrante. O crescendo emocional do disco avançava a cada nova canção e, como na ordem do álbum original, culminou com a intensa “Ciranda do Aborto” cuja parede noise final desapareceu para revelar a delicadez de “Canção para Ninar Oxum” (em que até agora lamento quem bateu palma bem na hora em que o acalanto cairia em segundos do puro silêncio). Entre as faixas de fora do disco, vieram uma versão inacreditável de “Xote de Navegação” de Chico Buarque, em que Juçara foi acompanhada apenas por Rohrer tocando um fouet (!) com o arco de sua rabeca; a clássica “Comprimido” de Paulinho da Viola (em que ela transformou “um samba do Chico” em “um samba do Kiko”) e “Odumbiodé”, do EP que acompanha seu disco mais recente, o igualmente soberbo Delta Estácio Blues, o que me fez cogitar uma versão do DEB tocada com aquela formação (algo que já havia passado pela minha cabeça no início do show, pois a primeira canção, “Velho Amarelo”, faz parte do repertório do show do disco de 2021). Dois detalhes técnicos e artísticos agigantaram ainda mais essa noite: o som perfeito pilotado pelo Alex Pina (deixando o mínimo sussurro e o mais explosivo ruído igualmente cristalinos) e a luz (como sempre) maravilhosa de Olívia Munhoz (trabalhando com poucas cores, equilibrando luz e escuridão na mesma medida e jogando luzes na cara do público, difundindo até as silhuetas). “A gente tem muitas presenças importantes aqui hoje”, disse Juçara nos poucos momentos em que conversou, bem à vontade, com o público, “mas devo confessar que a mais importante pra mim é uma senhorinha de 90 anos que tá ali”, apontando para sua mãe. Ela ainda lembrou que o show de lançamento do disco original aconteceu no dia 15 de abril de dez anos atrás, aniversário de casamento de seus pais. Uma apresentação irrepreensível e a hipérbole não é em vão: estamos acompanhando a melhor fase da melhor cantora do Brasil atualmente. Não é pouca coisa. E sabe o que mais? Outros melhores virão.

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Inferninho torto

Não podia ser diferente: quando marcamos o Inferninho Trabalho Sujo nessa quinta-feira 29 de fevereiro sabia que teria que buscar atrações ímpares para que a noite fizesse jus ao dia bissexto. E quem começou a destruição foi o Odradek, cuja dinâmica musical explora ângulos tortos e andamentos improváveis ao mesmo tempo em que fazem isso com muito barulho – e a simbiose entre Caio Gaeta, Fabiano Benetton e Tomas Gil faz todo mundo ficar grudado no que eles fazem no palco. Impressionante e barulhento pacas, como de praxe. Quem fechou o palco foi o papa do math rock Patife Band, liderado pelo icônico Paulo Barnabé, ele por si só uma instituição da música brasileira. Como seu irmão Arrigo, Paulo também trabalha entre a música erudita e a música popular, só que essa segunda vertente, ao contrário do irmão, trafega mais pelo rock, seja pós-punk, noise ou progressivo, tornando a colisão entre as duas linguagens ainda mais complexa. Liderando uma versão quinteto do grupo, com Elvis Toledo na bateria, Gustavo Boni no baixo, Paulo Braga no piano e Arthur Sardinha na guitarra, ele começou a apresentação nos vocais, depois pegou a guitarra para cantar o hino punk “Vida de Operário”, dos Excomungados, foi para a bateria quando tocou peças tortas que ameaçou dizer que não estavam ensaiadas (imagina se estivesse!), além de, claro, as faixas imortais de seu disco-símbolo, Corredor Polonês. O atordoo foi generalizado e depois sobrou pra mim e pra Fran fazer as almas da madrugada derreterem-se na pista. Que noite!

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Um Inferninho Trabalho Sujo literalmente bissexto nesta quinta-feira, pois além de cair no dia 29 de janeiro ainda juntamos uma banda contemporânea (o Odradek, de Piracicaba) com uma clássica (a paulistana Patife Band), que entortarão as almas dos presentes com suas versões torta e angulosa para esse bicho chamado rock. Depois, da meia-noite em diante, eu e Fran assumimos o comando da pista e incendiamos os corações e quadris que estiverem derretidos em nossas boas vibrações. O Inferninho, você sabe, acontece no meio de Pinheiros, neste portal interdimensional chamado Picles, que abre às oito da noite e vai até… Vamos?

Cês viram que o Tortoise vai tocar seu clássico disco TNT na íntegra… no Chile? Um dos pais do chamado pós-rock, o grupo de Chicago celebra os 25 anos de um de seus discos mais emblemático no Teatro Coliseo, em Santiago, no dia 11 de maio deste ano. No palco, todos eles: Dan Bitney, Doug McCombs, Jeff Parker, John Herndon e John McEntire acompanhados de músicos locais nas cordas e sopros. Os ingressos já estão à venda, mas… será que não tem nenhuma boa alma que se interesse a trazer o grupo pra cá? Afinal Tortoise é coisa nossa também…

Meno Del Picchia começou a mostrar seu próximo disco no espetáculo Mar Aberto nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando reuniu-se à Bianca Godoi (bateria), Batataboy (guitarras, piano e beats) e e Gabriel Milliet (teclados, flauta e percussão) para mostrar a quantas anda o disco que lançará no meio do ano, Maré Cheia. Entre canções de seu projeto Amarelo e do disco Pompeia Lo-Fi, ele ainda contou com a presença de dois cantores suavíssimos, João Menezes e Tori, que ajudaram a adoçar ainda mais um projeto em que ele de vez em quando deixa seu baixo de lado para dedicar-se apenas ao vocal.

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Encerramos a programação de música de fevereiro no Centro da Terra com a apresentação Mar Aberto, em que o cantor, compositor e contrabaixista Meno Del Picchia começa a mostrar o material de seu próximo álbum, Maré Cheia, previsto para este ano. Para esta apresentação, ele montou uma senhora banda, composta por Bianca Godoi, Batata Boy e e Gabriel Milliet, além de contar com as participações do alagoano João Menezes e da sergipana Tori. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Que maravilha a apresentação que Paula Tesser fez no Centro da Terra nesta segunda-feira, revisitando suas raízes culturais – Fortaleza e Paris – com uma banda irrepreensível e convidadas de ouro. O espetáculo Alumia foi dirigido por seu compadre Dustan Gallas (vou te chamar, hein!), que assumiu o piano à frente do baixo de Zé Nigro e da bateria de Samuel Fraga e os três passaram o show inteiro esmerilhando entre si, mas sem tirar o foco da estrela da noite, completamente à vontade no palco. E depois de passar por canções francesas, inclusive a fatal “La Chanson de Prévert” de Serge Gainsbourg, e outras de seu primeiro disco, Paula voltou-se para o Ceará ao visitar Fagner (“Cebola Cortada”), Fausto Nilo (“Tudo Blue”) e Amelinha (“Depende”) e ainda chamou duas divas para dividir momentos específicos do show, como quando pôs Kika para enveredar por “Ingazeiras”, faixa de abertura do disco mitológico do Pessoal do Ceará, Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, que Téti, Ednardo e ‎Rodger Rogério lançaram há 50 anos, ou quando convidou Soledad para dividir a pulsante “Galope Rasante”, de Zé Ramalho. A apresentação já tinha uma carga mágica considerável, que transcendeu quando, acompanhada apenas do trio que reuniu, passeou por “Beira Mar”, numa versão de chorar.

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Nesta segunda-feira, quem brilha no palco do Centro da Terra é a cantora Paula Tesser, que aproveita a oportunidade para misturar os sotaques e influências culturais das duas cidades de sua formação: Paris e Fortaleza. Nascida na Cidade-Luz filha de pais brasileiros, ela passou sua vida no Ceará, também conhecido como Terra da Luz, e a junção destas duas raízes fazem nascer Alumia, espetáculo em que ela passeia por um repertório que mistura clássicos franceses e cearenses, além de músicas de seu disco de estreia Valha e do novo trabalho que está em fase de gestação. Ela vem muito bem acompanhada ao reunir uma banda formada por Dustan Gallas (piano), Kika Carvalho (guitarra), Zé Nigro (baixo), Samuel Fraga (bateria), além de luzes da Cris Souto. O espetáculo começa pontualmente às 20h e há ingressos à venda neste link.

Fevereiro está terminando e com o fim do mês sempre anunciamos a programação do mês seguinte no Centro da Terra. E temos o maior prazer de receber a mineira Luiza Brina que toma conta da primeira temporada de 2024 no teatro, quando ela começa a mostrar o que será seu próximo disco na série de shows Aprendendo a Rezar. Durante as segundas de março (dias 4, 11, 18 e 25) Luiza recebe diferentes convidados para dar vida no palco às suas novas canções – ou, melhor dizendo, orações – que ganham corpo e movimento ao lado de nomes como Charles Tixier, Iara Rennó, Jadsa, Batataboy e Castello Branco, além de fazer uma das apresentações sozinha no palco. Na primeira terça do mês, dia 5, recebemos o multiinstrumentista Juliano Abramovay que mora no exterior e traz para os palcos brasileiros pela primeira vez seu projeto Amazonon, em que funde música brasileira com música do leste europeu (mais especificamente da Grécia, Turquia e Oriente Médio com uma superbanda arregimentada apenas para esta ocasião. Na terça seguinte, dia 12, o cantor e baterista carioca Pedro Fonte e a cantora e guitarrista sergipana Tori se unem para apresentar um espetáculo em dupla, O Instante do Derretimento, em que ambos revezam-se em seus instrumentos para mostrar músicas de seus repertórios conjuntamente. Na outra semana, dia 18, é a vez de Lorena Hollander mostrar seu projeto Ushan funde misticismo, rituais ancestrais e improviso livre às canções tocadas no instrumento japonês koto no espetáculo Ao Redor da Lua. E fechando o mês, no dia 25, temos a satisfação de apresentar o primor que são as canções e a voz da novata Manda Conti, que montou uma bandaça para um espetáculo único e delicado chamado Um Segredo Meu, em que funde folk, MPB mais melancólica e música eletrônica. As apresentações começam sempre às 20h, pontualmente, e os ingressos já estão à venda neste link.