Bem bom esse texto que a Míriam Leitão escreveu sobre o legado do Bush júnior no domingo passado:
Adeus, Bush
Foi ruim enquanto durou. O governo George W. Bush mentiu, torturou, prendeu pessoas sem acusação, teve prisões secretas, arruinou a economia, deixou um rombo nas contas públicas, desrespeitou a ONU, fez duas guerras, bloqueou acordos contra o aquecimento global, desamparou as vítimas do Katrina, censurou cientistas. Sim, foi pior do que o governo que odiávamos tanto: o de Richard Nixon.
Não, a História não lhe dará razão. Pode fazer o contrário: confirmar as piores suspeitas. Já começa a fazer isso. Bob Woodward, sempre ele, o lendário repórter do Watergate, publicou no “Washington Post” a confirmação de que em Guantánamo se torturava. Mohammed Al-Qahtani, um saudita, foi mantido isolado, impedido de dormir, exposto nu a frio extremo, sofreu afogamentos e outras perversidades próprias de governos extremistas. Quem confirmou isso ao jornalista não foi um “garganta profunda”, mas alguém de quem se sabe nome, rosto e cargo: a juíza Susan Crawford, funcionária do Pentágono, com autoridade de decidir quem deveria ir ou não a julgamento. Qahtani não irá a julgamento porque seu interrogatório foi criminoso. “Nós torturamos”, reconheceu.
George W. Bush foi para a vida americana o que o AI-5 foi no Brasil. Pessoas sumiam sem qualquer acusação formal, eram mantidas presas sem processo e formação de culpa, cientistas do governo, que alertaram sobre aquecimento global, foram perseguidos ou tiveram seus textos alterados, cidadãos tiveram conversas gravadas sem autorização judicial.
No princípio, foi a fraude eleitoral; no fim, o apocalipse econômico. O governo Bush foi todo equivocado, com um intervalo em que ele perdeu a chance aberta por uma tragédia: o 11 de Setembro. A primeira eleição foi perdida no voto popular e vencida no colégio eleitoral graças à manipulação na contagem dos votos no estado governado pelo irmão Jeb Bush, a Flórida. Foi o pior momento recente do sistema eleitoral americano, em que se viu o quanto o sistema e o método de votação haviam envelhecido.
A tragédia do 11 de Setembro abriu uma chance ao presidente. A população americana se uniu em torno da pessoa que representava a instituição máxima da Nação. O mundo se solidarizou com os Estados Unidos e sofreu pelos mais de três mil inocentes que morreram enquanto trabalhavam, ou andavam pelas ruas da cidade mais internacional do planeta. O terrorismo agindo em rede só podia ser enfrentado pelos governos unidos em rede. Bush fez naufragar essa chance, aberta pelo sofrimento e pelo luto, ao escolher o caminho do isolacionismo, do desrespeito às leis internacionais e do enfraquecimento das Nações Unidas.
Se, na luta contra os Talibãs, o governo americano teve o apoio da maioria da opinião pública mundial, na guerra do Iraque ele violou princípios e alienou aliados. Agora, Bush admite que errou ao apostar na existência das armas de destruição em massa. É tarde. Na época, ele ignorou os relatórios da ONU e a oposição de amigos como a França e a Alemanha. Saddam Hussein era um ditador e ninguém o chora, a não ser seus adeptos ferrenhos. Mas a civilização ganharia se ele fosse deposto de outra forma. O julgamento viciado e o enforcamento grotesco não ajudam a fortalecer princípios e valores democráticos.
Bush não criou um mundo mais seguro com suas guerras sem fim. O mundo estará mais seguro dentro de dois dias, quando chegar ao fim a era Bush. O desafio da luta contra a irracionalidade do terrorismo vai continuar, e testará o novo presidente. Mas se houver uma cooperação entre os países aliados e os organismos internacionais e respeito às leis e valores, haverá mais esperança de vencer.
Na economia, seu governo não foi apenas inepto. Foi irresponsável. Foram perseguidos e silenciados os que dentro da máquina pública alertaram para o risco da bolha imobiliária. Os sinais da excessiva ausência do Estado, no seu papel regulador e fiscalizador, ficaram cada vez mais contundentes. E a resposta foi mais ausência. Bush chegou a tentar nomear executivos da indústria de derivativos para órgãos reguladores do setor imobiliário. Surfou na bolha para se reeleger. O estouro lançou o mundo na era de incerteza. E até ontem, hora final, a crise bancária voltou a piorar.
Os republicanos tinham ao menos a fama de ser responsáveis fiscalmente. Hoje já não podem dizer isso. O governo George W. Bush recebeu os EUA com superávit orçamentário e entrega o país com um enorme déficit, que pode chegar a US$ 1,3 trilhão, e uma dívida crescente.
Bush sabotou deliberada e persistentemente todos os esforços do mundo para reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. Não por acaso, o estado campeão de emissões no país é exatamente o Texas. Foi incompetente no Katrina, antes e depois da tragédia, e não entendeu o alerta da natureza. Qualquer minuto de atraso na luta para preservar o planeta é um crime contra as gerações futuras, que herdarão a Terra.
Difícil saber onde Bush não errou. A boa notícia desta manhã de sábado é que faltam dois dias para o fim dos longos e duros oito anos. Terça-feira há de ser outro dia.
Já cogitou essa hipótese? Sem problemas de câmbio, sem notas de diferentes cores, valores e formatos, todo mundo falando uma mesma moeda – com um Casa da Moeda na Lua, para não ter problema de localização. Que tal? E, por ser na Lua, os homenageados seriam grandes visionários de todo o planeta que enxergaram em nosso satélite o primeiro ponto de partida para irmos além (Gagarin, Ptolomeu, Kepler, Beethoven, Copérnico, Verne e Neil Armstrong). Uma invenção do English Russia, pescada via Warren Ellis.
O de hoje é o nono antes de tudo acabar!
Olha que mico:
E justo com o De Leve, que é um dos caras mais tranqüilos que eu conheço nesse metier – além de ser um dos primeiros caras a usar a internet como forma de divulgar o próprio trabalho… Não gostou, vaia, tudo bem. O artista tem todo o direito de ser vaiado – e sabe disso. Agora, partir pra porrada? Ameaçar o cara via YouTube? Truculência é pior que burrice, hein. Com tanta sarna pra se coçar, nego fica perdendo o tempo e querendo arrumar briga por causa de falso moralismo? Brincadeira…
Mais um viralzinho do Watchmen, pra encerrar a semana…
O excesso de bizarrice no clipe dessa menina Wendy Sulca não supera esse agudo surreal que ela dá quando canta – e olha que não é pouca coisa: o tema, a letra, a ambientação, esses gritos de apresentação meio funk carioca meio rodeio, os instrumentos, a melodia, as cenas… Esse clipe tem todos elementos pra ser uma obra de ficção, mas duvido que alguém imaginasse algo tão impensável quanto isso tudo aí em cima.
“Look, everything is going to make sense. I promise”
Os dois primeiros episódios da quinta temporada de Lost foram ao ar ontem – nos EUA e para todo o planeta, afinal, vários sites de retransmissão de sinal de TV sintonizaram na ABC americana, fazendo com que tanto “Because You Left” e “The Lie” fossem exibidos em tempo real para o mundo todo. Mas os torrents demoraram a cair na rede: o primeiro a aparecer foi o do segundo episódio, às três da madruga, e o primeiro mesmo só foi dar as caras hoje pela manhã, às sete.
Na verdade, os dois podem ser vistos com um mesmo episódio – mais extenso para dar tempo para o público reassimilar as peças. A quinta temporada já começou com personagens novos, velhos conhecidos dando as caras em momentos inesperados, gente saindo do túmulo, Richard Alpert, sangue, ameaça de decaptação, viagens no tempo, um acidente de avião (outro?), Iniciativa Dharma nos anos 70, tiros, tensão, flechas, teorias científicas sem tempo para serem discorridas, correria, fugas, mortes, e, sim, algumas explicações, ainda que superficiais. Nada muda muito depois das duas horas de ontem pra hoje: os dois episódios serviram só para reaquecer a audiência e fazê-la retomar o ritmo do final do ano passado.
Mas o melhor é o Hurley querendo convencer que não é louco com essa história:
“Okay. See we did crash. It was on this crazy island. We waited for rescue, but there wasn’t any rescue. And then there was a smoke monster and these other people on the island. We call them the Others. And they started attacking us. And we found some hatches. And there was a button you had to push every 108 minutes or…Well, I was never really clear on that. But the Others didn’t have anything to do with the hatches, that was the Dharma Initiative. They were all dead, the Others killed them. And then they were trying to kill us. And then we teamed up with the Others because worse people were coming on a freighter. Desmond’s girlfriend’s father sent them to kill us. So we stole their helicopter and we flew to their freighter, but it blew up and we couldn’t go back to the island because it disappeared. So then we crashed into the ocean and we floated there for awhile until a boat came and picked us up. By then there was six of us. That part was true. But the rest of the people who were on the plane, they’re still on that island”
E pra provar a minha teoria que os dois episódios funcionam como um só, perceba que as grandes revelações acontecem no começo do primeiro e no final do segundo – e com uma mesma frase.












