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Paranoia

O designer canadense Adam Campbell juntou uma série de itens Dharma e os recriou como se fossem propagandas tiradas de revistas dos anos 70. Olha que foda:

A dica é do Chapiro, via Grain Edit.

Behind the Sun *

Ainda sobre o episódio passado de Lost: você não conseguiu ver quem está atrás no espelho? (Ou atrás DO espelho?)

* Desculpem o trocadilho infame

Não, não estamos errados – estamos atrasados, isso sim. O Comentando Lost de hoje é sobre o episódio da semana retrasada e não da passada, porque tanto eu quanto o Ronaldo nos enrolamos e só estamos conseguindo botar ordem nessa parte da vida agora. Por isso, peço desculpas pelo atraso – e siga o mesmo esquema de sempre: baixe o MP3 no mesmo computador em que for ver o episódio LaFleur e, quando dissermos que tá valendo, você aperta o play no episódio.

Ronaldo Evangelista e Alexandre Matias – Comentando Lost: LaFleur

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Lost: Namasté

A Iniciativa Dharma, os anos 70 e a nova fase da série

Se LaFleur já tinha me feito recobrar as esperanças em Lost – num grande episódio feito em homenagem a um grande personagem -, Namasté oficializou essa nova fase. Só o início do episódio, recriando o acidente com o vôo 316 da Ajira Airways, teve mais emoção, adrenalina, revelações e carga dramática do que toda a história dos Oceanic Six. Sim: houve o clarão e Jack, Hurley, Kate e Sayid desapareceram para reaparecer na ilha, 30 anos no passado. Não: o avião da Ajira não caiu, mas pousou – aos trancos e barrancos. Sim: o avião pousou na pista que os Outros estavam fazendo em 2004. Não: o avião ficou mesmo em 2007.

(Antes de continuar o episódio, vale cogitar o motivo de Sun, Locke e Ben não terem voltado com o clarão. Locke é mais ou menos fácil adivinhar – ele estava morto e a energia que teoricamente o levaria para o passado só foi suficiente para revivê-lo. Ben nos leva ao ponto crítico da suposição: afinal, se uma das formas de viajar no tempo em Lost é a transferência da consciência de uma época para a outra, que passa a habitar o corpo de uma fase da vida com a mentalidade de outra, Benjamin Linus não poderia ser transportado para 1977 pois ele também habitava a ilha nesta mesma época, só que ainda adolescente. O que nos leva ao ponto crítico da teoria – Sun. Será que ela esteve na ilha nos anos 70? Será que ela é o bebê que vemos chorar no início desta temporada?)

Enquanto isso, retomamos o fim do episódio passado, quando Sawyer e Jin reencontram Hurley, Jack e Kate. Jin logo sai de cena quando o avisam da possibilidade de Sun estar viva, dirigindo pela ilha desenfreadamente, como se pudesse encontrá-la a qualquer momento. Resta a Sawyer não apenas explicar aos três recém-chegados o que está acontecendo – e quando estão – como explicar para a Dharma quem são aquelas três pessoas.

Namasté ainda mantém o clima iniciado em LaFleur, quando, depois de conseguir infiltrar os três na Iniciativa Dharma (olá, Pierre Chang!), Sawyer faz questão de colocar Jack em seu lugar, provando que sua transformação não foi apenas sazonal – nem que foi abalada pela chegada de três dos Oceanic Six.

Mas o episódio é sobre a nova fase da temporada 2009 e ela fala sobre a Dharma. Assim, somos apresentados a um novo núcleo de ação, como novos protagonistas. Alguns são velhos conhecidos (nossos, não dos personagens) – Radzinsky já tinha sido citado por Kevin Inman, o companheiro de Desmond quando ele ainda era apenas um náufrago apertando um botão numa escotilha subterrânea em uma ilha perdida, e Horace Godspeed já havia aparecido em um sonho de Locke, construindo a cabine em que John encontraria o sinistro Jacob (sua esposa Olivia também já tinha dado as caras). Outros são apenas nomes e rostos, como Amy (que, ora ora, batizou seu filho de Ethan), seu falecido marido Paul, Phil, Raymond, Rosie, Tom (que aparece num rápido momento na oficina de Juliet – será o mesmo Tom que mais tarde tornaria-se um dos Outros?), Anthony, Elmer e Jay. Outros personagens, como Doctor, Jerry e Heather já haviam sido apresentados no episódio anterior – além de todos os que já têm nome e ator exibidos no episódio The Man Behind the Curtain. Essa enxurrada de personagens não vem anônima – alguns, certamente, não passarão de figurantes com nome, mas outros devem ser aprofundados e postos em conflito com os outros personagens da série. Fora que ainda outros devem aparecer, como o mítico casal Gerald e Karen DeGroot, fundadores da iniciativa e, quem sabe, seu patrocinador, o soturno e enigmático Alvar Hanso.

Ainda no passado, Jin reencontra outro 815 perdido em 1977. Sayid é rapidamente confundido com um Outro e trancafiado como se tivesse quebrado a tal trégua que a aparição de Sawyer já havia ferido.

No futuro, Ben descobre que Sun está o seguindo pois acha que pode encontrar Jin. Aliás, o reencontro de Jin e Sun promete ser o grande momento romântico da temporada, como foi o de Desmond e Penny na passada (por isso, preparem os lenços aí, mulherada). Mas enquanto ela não o encontra, a vimos sendo apresentada à alternativa sugerida por Ben – deixar a ilha menor rumo à ilha principal. Na fuga, os dois encontram o piloto Frank Lapidus e, quando imaginávamos que Sun iria cair no papo de Ben, ela dá uma remada (!) na cabeça do sujeito e segue com a canoa para a ilha.

Lá chegando, os dois encontram o acampamento Dharma que, em 2004, havia sido tomado e transformado na Vila dos Outros. Mas o detalhe é que em 2007, a Vila parece estar abandonada há muito tempo – bem mais do que três anos -, além de contar com os logotipos da Iniciativa banidos pelos Outros. O que nos leva a crer que a vila foi abandonada – e talvez não tenha sido usada pelos Outros. É o primeiro aceno a uma possibilidade tida como inexistente em Lost até agora – a que existe uma linha do tempo paralela, diferente da que conhecemos. Ou seja, existe a possibilidade da regra de Faraday (“O que aconteceu, aconteceu”) não ser uma regra. Afinal, já tinha dito Ben quando viu sua filha morrer, regras foram mudadas…

(Fora a aparição de Christian Sheppard e a possível aparição de Claire, mas tá muito cedo pra especular em cima disso ainda.)

E, falando em regras que podem ser mudadas, o episódio terminou com Sayid sendo visitado pelo jovem Ben, que se apresenta para, logo depois, ser felicitado pelo encontro. “Prazer em te conhecer, Ben”, diz o iraquiano, numa cena que, pelo andar da carruagem, vai se desdobrar.

Em Namasté, demos os primeiros passos no playground que vai ser a Dharma até o final da série. Novos personagens virão, novos conflitos entre personagens ocorrerão, velhos ressuscitarão (velhos personagens também? Vai saber…). Mas se estamos mesmo à beira de um paradoxo temporal, ele vai ser deflagrado nos anos 70. Afinal, os 815 sabem que Ben matou toda Iniciativa Dharma – mas será que vão deixar isso acontecer no futuro?

***

Mais quinta temporada de Lost:

  • Lost: LaFleur
  • Lost: The Life and Death of Jeremy Bentham
  • Lost: 316
  • Lost: This Place is Death
  • Lost: The Little Prince
  • Lost: Jughead
  • Lost: Because You Left e The Lie
  • Resenha do show, só amanhã. Fiquem aí em cima com o vídeo que o usuário andrewsfg editou usando diferentes trechos da gravação de “Paranoid Android” em São Paulo. Acho tão legal quando neguinho canta as partes instrumentais da música, hahaahahah. E segundo o sujeito, a idéia é fazer um DVD. Vamos ver – mas a idéia é fodaça.

    O torrent com o show do Kraftwerk e do Radiohead pode ser baixado aqui – só o show do Radiohead, no entanto, tá aqui. Mas ambos arquivos contém apenas o show que foi transmitido pelo Multishow – ou seja, sem os três bis (ou você não sabia que o Multishow cortou a transmissão ao vivo para exibir o Big Brother)?

    O tanque que pensa

    Participei semana passada da terceira edição do Think Tank, videocast que o Ronaldo vem tocando com a YB – e que conta com a participação do Pena Schmidt, do Maurício Tagliari, do Miranda, do Juliano Polimeno e André Bourgeois. O papo foi aquele que você já deve supor: as mudanças que a internet têm provocado no mercado de música e como este mesmo mercado pode se reinventar sem rádio ou gravadoras. Com esse tanto de gente falando, inevitável rolar o fireball de informação – mas dá pra filtrar e tirar as informações que mais lhe interessam.

    O Radiohead foi do caralho, ao contrário do Just a Fest – que foi um grande foda-se pro público

    Vamos separar as coisas: os shows que o Radiohead fez nesse fim de semana talvez tenham sido os melhores shows internacionais que o Brasil recebeu neste século. Catártico, profissa, emotivo e cabeça ao mesmo tempo, os shows derrubaram queixos, expectativas negativas e lágrimas, provocando comoção em até quem não acha a banda grande coisa. Mas depois eu falo disso.

    Pra começar, quero falar do evento, Just a Fest.

    Quando o show foi anunciado, o evento da Planmusic parecia bom demais pra ser verdade. Além da escalação que a princípio incluía “apenas” Radiohead e Kraftwerk, o festival ainda convenceu o Los Hermanos a deixar as férias de lado e ganhar uma nota preta pra fazer dois shows – alguém aí cogita o valor?. Melhor: ao comprar ingressos pela internet, o público ficou feliz não só com a facilidade da compra (ainda traumatizado com os incidentes nos shows do João Gilberto e da Madonna) como também com o o preço pago (não que pagar 200 reais para assistir a um show seja um preço justo, mas 2008 viu a cotação de ingressos entrar na casa dos quatro dígitos – e ainda perguntam de onde vem a tal “crise”).

    Mas um festival não é só escolha de bandas e facilidade de compra na hora do ingresso.

    E, quando foram abertas as portas para o grande evento, o Just a Fest revelou sua cara: era apenas mais um festival tosco e qualquer-nota, piores do que qualquer um desses festivais de rádio que incluem Ivete Sangalo, Marcelo D2 e Capital Inicial na escalação. Tratando o público feito merda – afinal, o ingresso já estava pago – a organização do Just a Fest revelou-se amadora e pífia, sendo sequer digna deste rótulo. “Desorganização” ainda era eufemismo.

    No Rio, além do som baixo (só dava pra ouvir direito caso você ficasse de frente das caixas de som), houve gente reclamando que os banheiros não estavam abertos até a metade do show do Radiohead e a única comida disponível era um cachorro quente bem fuleiro. Na entrada, ninguém checava se os compradores tinham carteirinha de estudante. Na saída, o público disputava táxis na marra (que, por conveniência própria, só pegavam passageiros que topassem pagar preço fechado) sem saber que o metrô estava funcionando ali perto. Não havia nem um ponto de táxi indicado pela produção ou placas para avisar onde era o metrô – e que ele ainda estava funcionando.

    Mas se no Rio foi complicado, em São Paulo foi caótico. Primeiro porque o público era muito maior. O som estava bem melhor, fato, mas o telão da banda deu pau nas cinco primeiras músicas (aquela tela verde que apareceu em uma determinada hora não era opção estética). Sim, havia mais do que um mero cachorro quente tosco para comer – mas a “praça de alimentação” (põe aspas nisso) fechou antes do final do show. Quem deixou pra comer algo depois que o show acabou, se deu mal.

    Fora o ponto crítico de todo o evento aqui: o local. Além de ser no raio que o parta, a Chácara do Jóquei ainda tem um dos piores acessos quando se vem de São Paulo (isso, vindo de São Paulo – afinal, quase saímos do município pra chegar lá). Foi lá que aconteceu o único Claro que é Rock, que quase foi um desastre completo devido às chuvas – que transformou boa parte do lugar numa enorme poça de lama. O Just a Fest contou com a sorte da chuva só ameaçar durante o show do Los Hermanos. Se chovesse, o lugar viraria um lodaçal impraticãvel – e mesmo com a chuvinha, a lama já espalhou pelo lugar.

    Eis que o público tem de sair do show e é socado, feito gado indo pro abatedouro, num único corredor até o final. “Socado” também é eufemismo – teve gente passando mal no meio do espreme-espreme da saída. Detalhe: as quatro saídas de emergência do local, que poderiam ter sido usadas para diluir a vazão da massa, seguiram fechadas. Depois de quase meia hora para pisar fora da Chácara do Jóquei, o público ainda sofreu com mais amadorismo – como no Rio, não havia área para táxis (o mínimo em qualquer grande festival em São Paulo) e o estacionamento, dito “vallet” (mais aspas), que custava 35 reais, ficou entregue à lei do mais forte – saía quem conseguia (ou seja, todos ao mesmo tempo). Além disso, os ônibus que saíam de lá demoraram a voltar para a civilização devido ao volume de trânsito. Quem ligava para chamar táxi não tinha retorno, pois os táxis não chegavam ali por causa do trânsito. Resultado: não fui o único que chegou em casa quase 4 da manhã (sendo que o show terminou meia-noite e meia).

    Vai rolar Just a Fest ano que vem? Suposição: a organização pegou a banda que mais atraía mídia e bancou o evento para, num segundo momento, chegar com uma batelada de matérias e muita repercussão para possíveis patrocinadores e vender o festival para uma marca. “Olha só a exposição que seu nome pode ter em 2010”, diriam ao lado de uma pilha de matérias sobre o show do Radiohead.

    Não misture alhos com bugalhos: o Radiohead foi do caralho, mas o Just a Fest foi mais do que uma bosta – foi um foda-se generalizado pro público. Se aos poucos estamos conseguindo ter níveis de “primeiro mundo” no Brasil, ainda temos uma classe de entretenimento que trabalha no esquema pão e circo, sendo que o pão é velho e murcho e o circo está caindo aos pedaços.

    Você também passou por algum aperto no Rio ou em São Paulo? Contaê – amanhã eu falo do show em si (e sigo subindo os videozinhos lá na TV Trabalho Sujo).

    Updeite-se: Já foram buzinar pra banda, conhecida pelo compromisso com os fãs e pelo repúdio a eventos toscos. Eis a íntegra do post na W.A.S.T.E. Central, a rede social da banda (só dá pra acessar o link quem for cadastrado no site):

    The show was simply amazing. This is an undisputed fact.

    But some problems arose along the evening. Very concerning ones, most particularly in regards to the environment and carbon footprint, one of the main concerns of the band in the planning of this tour.

    The access to the festival site was simply terrible, causing unbelievable traffic jams when entering and exiting the official festival parking site. Even though I was driving a car with four passengers, we had to endure over an hour of traffic.

    To exit the parking area was another unbearable ordeal. Almost two hours of waiting in parked cars. Some people fell asleep inside them. Others were trying to gather signatures for a combined lawsuit against the festival organization.

    Please post pictures here.

    The band must know about this.

    Mas, além da banda, outras pessoas deviam saber disso também. Afinal, como já lembraram nos comentários, Just a Fest é um nome fantasia. Se souberem de alguma iniciativa (online ou offline) sobre o assunto, dêem um toque aí. Se postarem algo em seu blog/fotolog/myspace/flickr/youtube, etc., me manda o link na área de comentários.

    Mais Radiohead?

    Então fica com o programa especial que o Radiola Urbana preparou comemorando os primeiros shows do grupo no Brasil – aqui, ó.

    4:20

    E no aquecimento pro final do seriado hoje, que tal assistir ao Battlestar Galactica: The Last Frakkin’ Special, que o Sci-Fi Channel fez em homenagem ao final do seriado e foi exibido segunda passada? O torrent tá aqui.