O documentarista mais incômodo dos Estados Unidos volta a criticar seu próprio país – desta vez comparando-o com outros países para mostrar que é possível viver uma realidade diferente sem ficar o tempo todo insistindo que é o melhor. Escrevi sobre o filme, Where to Invade Next, que estreou semana passada no Festival Internacional de Toronto, lá no meu blog no UOL.
A vitória dos taxistas de São Paulo contra o Uber na semana passada é apenas passageira, como escrevi no artigo que o pessoal do Aliás me pediu para sua edição de domingo, que reproduzo abaixo:
Os taxistas que comemoraram a proibição do aplicativo Uber em São Paulo na semana passada podem ir tirando seu cavalinho da chuva. Queimem os fogos de artifício enquanto é tempo, pois mesmo que o próprio Uber venha ser proibido no mundo inteiro (algo pouco provável), ele aponta para o futuro inevitável. A era eletrônica começou a engatinhar nos anos 50 e desde seus primeiros passos nos anos 80 pelo menos a cada cinco anos nos apresenta a uma novidade faceira que parece ser transitória, mas se embrenha cada vez mais em nossos dias.
Faça as contas: videogame, computador pessoal, web, sites, banda larga, redes sociais, smartphone, internet móvel, aplicativos, tablet. Cada uma dessas novas invenções impulsionou ainda mais a próxima sem necessariamente anular as anteriores. O dispositivo móvel de acesso à internet que carregamos no bolso (e por pura conveniência linguística ainda chamamos de “telefone”) talvez seja o primeiro a começar a anular alguns dos anteriores, mas ainda vai demorar um tempo para que desktops e laptops desapareçam da paisagem como máquinas de escrever, videocassetes, mapas de papel e listas telefônicas já desapareceram.
Lembra do tempo em que você tinha que chegar em casa na hora em que o telejornal começasse senão você o perdia? Ou da época em que você esperava ansiosamente que determinada música tocasse no rádio pra que você conseguisse gravá-la? E quando você tinha que comprar um disco de plástico prateado com 12 canções quando queria ouvir apenas uma? Pois é, felizmente esse tempo acabou.
Muita gente ainda vê a era digital como uma fase passageira, um modismo histérico ou uma bobagem de adolescente. Mas essas mesmas pessoas conversam com a família inteira pelo WhatsApp (pais, primos, filhos, netos, tios, avós), matam a saudade de amigos distantes pelo Skype, brigam sobre política com reaças e comunas e postam fotos dos próprios filhos no Facebook e tiram foto e fazem vídeos que nunca cogitariam fazer na época do filme.
Ainda falamos em “entrar na internet” por resquício de comunicação. Estamos online o tempo todo, mesmo quando não estamos olhando pra um de nossos monitores (o “espelho negro” como tão bem definiu o autor inglês Charlie Brooker na série da BBC que leva essa nova era a extremos bem pessimistas). Duas das maiores empresas do mundo – Google e Facebook – não existiam há vinte anos. As profissões da vez em 2015 não existiam em 2005, algumas delas nem em 2010.
Quem nasceu no século 21 não faz essa distinção, que é o futuro inevitável. Você alguma vez pensa em acionar a rede elétrica da sua casa quando precisa iluminar um cômodo? Quando dispara o mecanismo de evacuação de seus dejetos orgânicos? Quando se conecta à rede hídrica para ter acesso à água? Não, você simplesmente acende a luz, dá descarga ou abre a torneira (que, em 2015, às vezes não “liga” a água). A geração nascida depois da internet sabe que está na internet, ponto. Não escreve um e-mail, não manda mensagem, não envia um “torpedo” (ugh) ou um “zap-zap” (argh). Simplesmente fala, escreve, chama.
Todos estamos em contatos com todos e a tendência é piorar. Nem George Orwell imaginaria um pesadelo tão paranoico que as pessoas levariam seus próprios rastreadores no bolso e voluntariamente contariam tudo sobre suas vidas para todos. Nem Aldous Huxley cogitaria a quantidade de desdobramento de futilidades e preocupações múltiplas que habitam cada recanto da internet. Mas esta é apenas a visão de copo vazio da história.
O outro lado desinventa a cidade. A Revolução Industrial foi crucial para atingirmos um novo patamar de progresso, mas para isso abrimos mão de nossas individualidades para nos encaixar nas engrenagens do sistema. Para o mundo funcionar, era preciso assumir um papel predefinido e segui-lo à risca – da escolha do emprego à criação dos filhos, do sistema educacional ao mercado financeiro, do núcleo familiar à política internacional.
Isso retirou a humanidade do campo e trouxe a civilização para uma nova realidade, a urbana. Em dois séculos saímos da fazenda e superlotamos as cidades, que estão em seu limite, de diversos pontos de vista.
O século 20 foi o século das multidões (nunca houve tanta gente no planeta), mas também o do modernismo, que expandiu e colocou pra fora a mudança de comportamento que estava presa na caixa de Pandora aberta por Freud. E aos poucos as multidões foram percebendo-se formadas por indivíduos, cada um deles era uma pessoa diferente da outra. Precisamos aprender essa tolerância, mesmo que na marra.
A era digital crava o final da revolução industrial justamente ao começar desatar o grande nó que é a metrópole, engrenagens urbanas criadas para abrigar multidões a partir de uma série de parâmetros preestabelecidos (séculos atrás) que estão sendo implodidos um a um.
Faz sentido esperar debaixo de uma marquise, na chuva, que um táxi passe, quando no quarteirão de trás há um taxista literalmente dormindo no ponto porque não sabe onde o passageiro está? Por que eu tenho que comprar um volume de papel se eu quero ler apenas um artigo? Não posso hospedar um desconhecido quando não estiver usando meu apartamento? Por que preciso esperar uma semana para assistir ao próximo episódio?
As respostas podem divergir, mas apontam para o mesmo lado: o futuro. Acostume-se.
Muito foda essa matéria do UOL sobre a nova fase de Lourenço Mutarelli, cujo personagem Diomedes figura a estatueta do prêmio HQ Mix deste ano (veja abaixo) que aconteceu no fim de semana. Ele renega não só seu trabalho na época dos quadrinhos quanto sua personalidade ao redor dele:
Ninguém consegue ler os seus quadrinhos confortavelmente, nem ele próprio. “O desenho me incomoda, o que eu fazia antes me incomoda”, disse. “Eu acho que esse traço é bom no sentido que ele é muito íntegro com o universo que ele relatava. Ele dava muito a atmosfera daquele ambiente. Por isso não é ruim. É ruim porque desgasta. De verdade, eu era outra pessoa. Quando eu me lembro do que eu fazia, parece que não era eu, era um cara que eu conhecia. E que eu conhecia vagamente.”
E o próprio Mutarelli é difícil de ser entendido confortavelmente. Apesar de ser um dos mais aclamados quadrinistas brasileiros, diz que odeia fazer e até ler quadrinhos depois que passou a se dedicar à literatura nos anos 2000. Não se vê no apartamento da Vila Mariana (zona sul de SP), onde ele mora com a mulher, o filho e quatro gatas, as dezenas de estatuetas que recebeu, como o Prêmio Ângelo Agostini, o Troféu HQ Mix e o da Bienal Internacional dos Quadrinhos. “Isso não me diz nada. Eu dei todos para as pessoas, não tenho mais nem os prêmios literários que eu ganhei. Não gosto dessa coisa de prêmio e troféu. Gosto quando é em dinheiro, mas esses eu nunca ganho”, conta, rindo e fumando no sofá enquanto acaricia sua gata Mentira, deitada em seu colo. “Eu preciso é de dinheiro. Sou um cara totalmente falido.” (…)
Parte da aversão que Mutarelli sente hoje pelos quadrinhos ele atribui justamente à quantidade de esforço e desgaste para se criar algo no formato. “No quadrinho, você precisa trabalhar no mínimo dez horas por dia desenhando. Escrevendo [romances], eu trabalho menos horas por dia, trabalho com muito mais prazer. E vivo também. Antes, eu não vivia, só trabalhava. A morte do meu pai [em 2001] também tirou um pouco do sentido sobre o que eu fazia. Era muito sobre a relação com ele. Quando ele morreu, perdi muito da vontade de fazer quadrinhos, mas era o meu trabalho ainda. E também não ganhava nada, a minha mulher que me bancava. Eu ganhava uma merreca.”
Mutarelli também não se sente confortável no mundo das HQs. “O meio dos quadrinhos sempre me incomodou bastante. Os próprios quadrinistas mesmo. É um meio muito bitolado. Nos quadrinhos, eu me sentia muito deslocado e já não me sinto mais assim agora na literatura. Eu tenho tentado não participar de nenhum evento de quadrinhos. Se eu sou referência, acho que não vou continuar sendo por muito tempo, porque eu falo muito mal de tudo isso. Vou ser amaldiçoado. Eu não tenho mais relação com esse mundo.”
Conversei duas vezes com Mutarelli: uma vez no ano 2000, num longo papo por telefone numa entrevista para o Correio Popular em Campinas (que rendeu meu nome nos agradecimentos de sua tour-de-force O Dobro de Cinco, apareci como o nome de uma das “grifes” que “vestia” o protagonista Diomedes) e outra dez anos depois, num passeio por São Paulo, quando descobri os pontos favoritos dele na cidade (inclusive seu apartamento na Vila Mariana) em uma matéria para o Divirta-se do Estadão. Nas duas oportunidades, percebi algo específico: como Mutarelli exagera seu mau humor, sua secura, sua rispidez. Lendo a reportagem feita pelo UOL tem-se a impressão de que ele demoniza o próprio passado e abandonou tudo para a literatura, numa conversão amalucada. Mas dá para ler nas entrelinhas que ele não quer mais aquela carga pesada dos anos 90, mas continua rindo de tudo com a cara mais séria que consegue fazer.
Lana Del Rey avisou que tinha música nova antes do lançamento de seu Honeymoon e eis “Music to Watch Boys to”, que chega primeiro pra alguns serviços digitais da Apple e pro resto do mundo a partir de sexta.
Essa é a capa do single e a seguir a lista com a relação das músicas do disco novo, que pode aparecer a qualquer momento…
“Honeymoon”
“Music to Watch Boys to”
“Terrence Loves You”
“God Knows I Tried”
“High by the Beach”
“Freak”
“Art Deco”
“Burnt Norton (Interlude)”
“Religion”
“Salvatore”
“The Blackest Day”
“24”
“Swan Song”
“Don’t Let Me Be Misunderstood”
Mais um clipe tirado do disco novo do Unknown Mortal Orchestra. Desta vez a faixa escolhida é a excelente “Can’t Keep Checking My Phone”, que vira uma espécie de supertrunfo de esquitices na mão do diretor Dimitri Basl: “Sua letra é tão elusiva que eu decidi que uma só idéia não faria justiça à faixa, então minha abordagem foi apresentar várias ideias como se fosse um jogo de cards, como Marte Ataca, que tem uma descrição rápida acompanhada de ilustrações. Neste caso o jogo é sobre ocorrências, síndromes e fenômenos estranhos”, explica o diretor na descrição do vídeo no YouTube. É a tal psicodelia 2015…
Não sei por quê ,mas esse vídeo me fez lembrar do monolito de 2001:
Quem diria que o modus operandi do melhor ator de filmes de ação deste século começou de improviso num filme de Guy Ritchie.
Haja testosterona – uma compilação feita pelos caras do Burger Fiction.
Depois de O Homem de Aço e Vingadores 2 não custa fazer essa pergunta.

Um infográfico do Home Adivsor.
…mas adorou Newsroom. Vai entender. Falei disso lá no meu blog no UOL.
Assista ao trailer do parque temático que Banksy abriu este verão, na Inglaterra.










