“A SS do Estado, máquina de matar favelado, preto, pobre”
Bandersnatch, o recém-lançado filme interativo do seriado distópico Black Mirror, não é o equivalente à quinta temporada da série e sim um aperitivo de como pode funcionar sua próxima safra de episódios, que serão lançados ainda em 2019, como confirmou o serviço Netflix à revista Ars Tecnica. Lançado de surpresa na última sexta-feira, o filme permite que se tome uma série de decisões diferentes à medida em que sua história vai se desenvolvendo.
Como os velhos jogos de RPG ou quadrinhos do Almanaque Disney, você tem diferentes finais a cada decisão diferente que você toma em relação ao personagem principal – mas é seu metarroteiro (que faz com que o espectador sinta-se tão preso a escolhas fixas e simplistas quanto o próprio protagonista do filme) que torna sua viagem tão eficaz – principalmente por colocar nos anos 80 o início desta realidade alternativa que tanto se parece com a nossa. Ao ser bem executado no longa metragem, este aspecto de jogo pode ser aplicado nos próximos episódios de Black Mirror, fazendo o seriado ir para um inusitado lado menos pessimista, que é o tom característico da série. “Estamos fazendo histórias e episódios mais otimistas, mais do que os distópicos e negativos”, disse o criador e produtor da série Charlie Brooker ao New York Times. “Queremos manter o programa interessante para nós”.
Não há mais nenhuma outra informação sobre a próxima temporada da série, mas a cantora pop Miley Cyrus já contou que participará de um episódio.
Negro Leo esperou o dia 25 para nos dar de presente E Ninguém Subiu ao Céu, a Não Ser Quem Desceu do Céu, o segundo volume de seu projeto anarcogospel Meu Reino Não é Deste Mundo.
Feliz natal.
Conversei com o filósofo digital Jaron Lanier, que está lançando no Brasil um livro cujo título é auto-explicativo: Dez Argumentos para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais, que está sendo lançado no Brasil pela Editora Intrínseca – a entrevista saiu no site da editora. Um trecho:
Realmente acho que não devemos entrar em pânico ou ficar desesperados, especialmente agora. Estamos entrando em uma era em que o mundo será comandado por esses caras mal-humorados e paranoicos e ela pode durar muito tempo; talvez seja uma época em que não tenhamos democracia. E a única coisa que podemos fazer de verdade por ora é tentar nos preparar para a próxima época, quando as coisas talvez melhorem. Esse é um projeto meu. É o que estamos tentando fazer aqui nos Estados Unidos e vocês precisam fazer no Brasil e os europeus na Europa. Todos temos que tentar atravessar este período e não podemos perder a fé nem nossa imaginação para encontrar o caminho para a nova era.
Leia a íntegra da entrevista aqui.
O vocalista do Radiohead, Thom Yorke, está fazendo a divulgação de seu novo álbum, a trilha sonora para o remake do filme de terror Suspiria, e com isso tem dado entrevistas e participado de programas de rádio, como este Late Junction da BBC 3, que convidou Thom para fazer uma mixtape específica para o programa. O mix, que pode ser ouvido no site da BBC, abre com “Burn the Witch”, a primeira faixa do disco mais recente do Radiohead, e inclui nomes como Aphex Twin, Faust, o percussionista do King Crimson Jamie Muir, o cravista francês Justin Taylor tocando György Ligeti e obras de Karlheinz Stockhausen e Pierre Henry, além de uma música da recém-lançada trilha sonora de Yorke. Ele já havia participado de outro programa da BBC, quando deu uma entrevista, tocou músicas e fez outra mixtape, essa inspirada em Suspiria, mais atmosférica, com peças de Steve Reich, Ryuichi Sakamoto, James Blake, Lightnin’ Hopkins, Pierre Schaeffer & Pierre Henry e músicas próprias (que pode ser ouvida aqui).
Aproveito a oportunidade para resgatar a coluna On the Run, dedicada a mixtapes, DJ sets e toda sorte de músicas alheias tocadas em sequência.
Eis a íntegra do bate-papo que tive com a Joyce do canal Cinemascope em setembro na terceira sessão do Cine Doppelgänger, quando falamos sobre Corra! e O Bebê de Rosemary em um sábado de graça na Casa Guilherme de Almeida.
A próxima edição do Cine Doppelgänger acontece no dia 17 de novembro e reúne os filmes 8 e 1/2 de Fellini e Adaptação de Spike Jonze sob o tema Autoria em Xeque (mais informações aqui). As inscrições podem ser feitas aqui.
Nosso seriado preferido de Halloween deu um tempo depois que as coisas ficaram ainda mais estranhas fora da ficção – e a terceira temporada só irá ao ar no ano que vem. Enquanto isso, a produção lançou esta foto do elenco fantasiado para o dia das bruxas deste ano (cadê o Finn?) e publicou um vídeo sobre uma novidade que deverá ser o centro das atenções na próxima safra de episódios.
Neste sábado temos a quarta sessão do Cine Doppelgänger, que faço junto com a Joyce Pais do Cinemascope, na Casa Guilherme de Almeida: uma sessão dupla de cinema de graça seguida de um debate sobre os pontos em comum entre os dois filmes. Desta vez reunimos os filmes Verdades e Mentiras, de Orson Welles (1973), e Zelig, de Woody Allen (1983), que escancaram a fábrica de ficções que é a sétima arte em duas obras seminais, que já lidavam com os conceitos de pós-verdade e fake news muito antes do século 21. O primeiro filme, Verdades e Mentiras, começa às 11h em ponto e o segundo, Zelig, às 14h, para que o debate comece perto das 15h30. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site da Casa Guilherme (e tem mais informações sobre a sessão aqui). Vamos lá?
Criolo lança “Boca de Lobo”, em que põe o dedo em várias feridas destes dias apocalípticos que vivemos no país num clipe que vê os bichos escrotos da política destruírem paisagens conhecidas de São Paulo.
A faixa abre com uma citação de Waly Salomão, cada verso da música é uma pedrada, até o refrão que desmonta “1 Por Amor, 2 Por Dinheiro” dos Racionais:
“Agora, entre meu ser e o ser alheio, a linha de fronteira se rompeu”
Aonde a pele preta possa incomodar
Um litro de Pinho Sol pra um preto rodar
Pegar tuberculose na cadeia faz chorar
Aqui a lei dá exemplo: mais um preto pra matar
Colei num mercadinho dum bairro que se diz “pá”
Só foi meu pai encostar pros radin’, tudin’ inflamar
Meu coroa é folgado das Barra do Ceará
Tem um lirismo bom lá, louco pra trabalhar
Num toque de tela, um mundo à sua mão
E no porão da alma, uma escada pra solidão
Via satélite, via satélite
15% é Google, o resto é Deep Web
A guerra do tráfico, perdendo vários ente
Plano de saúde de pobre, fi, é não ficar doente
Está por vir, um louco está por vir
Shinigami, deus da morte, um louco está por vir
Véio, preto, cabelo crespo
Made in Favela é aforismo pra respeito
Mondubim, Messejana, Grajaú, aqui é sem fama
Nos ensinamentos de Oxalá, isso é bacana
Na porta do cursinho, sim, docim de campana
LSD, me envolver, tem a manha
Diz que é contra o tráfico e adora todas as crianças
Só te vejo na biqueira, o ativista da semanaLa La Land é o caralho
SP é Glorialândia
Novo herói da Disney
Craquinho, da Cracolândia
Máfia é máfia e o argumento é mandar grana
Em pleno carnaval, fazer nevar em Copacabana
Um por rancor, dois por dinheiro, três por dinheiro, quatro por dinheiro
Cinco por ódio, seis por desespero, sete pra quebrar a tua cabeça num bueiro
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis
Pacote de Seven BoysNem Pablo Escobar, nem Pablo Neruda
Já faz tempo que São Paulo borda a morte na minha nuca
A pauta dessa mesa “coroné” manda anotar
Esse ano tem massacre pior que de Carajá
Ponto 40 rasga aço de arrombar
Só não mata mais que a frieza do teu olhar
Feito rosa de sal topázio
És minha flecha de cravo
Um coração que cai rasgado nas duna do Ceará
Albert Camus, Dalai Lama
A nós ração humana, Spock, pinça vulcana
Clarice já disse, o verbo é falha e a discrepância
É que o diamante de Miami vem com sangue de Ruanda
Poder economicon, cocaine no helicopteron
Salário de um professor: microscópico
Feito papito de papel próprio
Letra com sangue do olho de Hórus
É que a industria da desgraça pro governo é um bom negócio
Vende mais remédio, vende mais consórcio
Vende até a mãe, dependendo do negócio
Montesquieu padece, lotearam a sua fé
Rap não é um prato aonde cê estica que cê qué
É a caspa do capeta, é o medo que alimenta a besta
Se três poder vira balcão, governo vira biqueira
Olhe, essa é a máquina de matar pobre!
No Brasil, quem tem opinião, morre!La La Land é o caralho
SP é Glorialândia
Novo herói da Disney
Craquinho, da Cracolândia
Máfia é máfia e o argumento é mandar grana
Em pleno carnaval, fazer nevar em Copacabana
Um por rancor, dois por dinheiro, três por dinheiro, quatro por dinheiro, cinco por ódio, seis por desespero, sete pra quebrar a tua cabeça num bueiro
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis
Pacote de Seven Boys
Essa semana promete…
Na programação da terceira edição da sessão Cine Doppelgänger, eu e a Joyce, do Cinemascope, vamos exibir dois filmes tensos na Sala Cinematógraphos da Casa Guilherme de Almeida: primeiro o clássico O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski (às 11h), e depois o hit moderno Corra!, de Jordan Peele (às 14h) – dois filmes de terror que lidam com o aspecto corriqueiro da maldade e que levantamm questionamentos sobre feminismo e racismo, refletindo suas épocas. Eu e Joyce conversamos sobre os dois filmes logo em seguida do segundo filme, às 16h30, e as inscrições para o debate podem ser feitas no site da Casa Guilherme de Almeida (mais informações aqui). Abaixo, você assiste ao debate que rolou logo depois da última sessão, A Paranoia por Dentro, que exibiu Rede de Intrigas e De Olhos Bem Fechados.









