
Finalmente vamos ver a tão aguardada cinebiografia de um dos maiores nomes da música moderna vivido por um dos titãs da dramaturgia cinematográfica. Phil Spector inventou o chamado “wall of sound” ao comprimir uma orquestra inteira em um canal para contrapor a estrutura básica da canção pop e, com isso, elevou seus hits a um patamar de excelência inexistente no universo do rádio de seu tempo (uma espécie de internet do meio do século passado). Com isso, reinventou o papel do produtor musical, transformando o supervisor técnico de áudio do estúdio em uma espécie de diretor da sessão de gravação, sua assinatura reverberada como uma grife. Não à toa seus hits daquele tempo reverberam até hoje – “Be My Baby”, “You’ve Lost That Loving Feeling”, “Spanish Harlem”, “Then He Kissed Me” e “Unchained Melody” são clássicos modernos que pavimentaram o caminho tanto para a ascensão dos Beatles quanto para a consolidação do modus operandi do Brill Building e da Motown.
Não bastasse tudo isso, Spector ainda é instrumental no final dos Beatles, quando produz o póstumo Let it Be (sendo o único produtor dos Beatles nos discos oficiais além de George Martin) e grava os melhores discos solo de John Lennon e George Harrison. Acha pouco? Produziu End of the Century, dos Ramones, e “River Deep Mountain High”, ápice da carreira do casal Ike e Tina Turner. O problema é que esse gênio das gravações era um psicopata ditador obcecado por armas e disposto a ir até o fim, em qualquer situação. Assim, Phil Spector, o filme, mira seu roteiro no histórico criminal do produtor, interpretado por um escandaloso Al Pacino, e em sua relação com sua advogada de defesa, vivida por Helen Mirren. Não bastasse tudo isso (além da chancela HBO), o filme ainda é dirigido e escrito pelo David Mamet, um dos autores mais teatrais de Hollywood atualmente. Eis o trailer, abaixo:


Em vez de John Travolta, Sean Penn ou Daniel Day-Lewis. Uma Thurman receosa em aceitar o papel de Mia Wallace. A bênção do CEO da Disney. Paul Calderon no lugar de Samuel L. Jackson. Matt Dillon em vez de Bruce Willis. Pulp Fiction podia ter sido beeeem diferente, nos conta essa história oral descrita pela Vanity Fair (aqui). Abaixo, fotos dos bastidores da gravação deste clássico moderno, tiradas do site da Miramax e da revista Paste.


Nem comentei aqui o golpe de mestre dado pela Disney ao chamar ninguém menos que J.J. Abrams pra tomar conta dos três últimos episódios de Guerra nas Estrelas.

Ao assumir a grife Jornada nas Estrelas, em 2009, J.J. conseguiu fazer ir até que ninguém havia ido antes: tornou a série de Kirk e Spock em uma aventura divertida, sem perder a essência de sua mitologia – principalmente ao escolher um elenco cinco estrelas, talvez o melhor da história da franquia (Shattner e Nimoy inclusos). A direção frenética (repleta com os brilhos do efeito lens flare) e a brincadeira com as linhas do tempo também ajudaram o bom desempenho do filme ao mesmo tempo em que mantiveram a assinatura visual do autor. Agora J.J. prepara-se para lançar seu segundo título Star Trek (Into Darkness, que teve novo trailer lançado neste fim de semana), que conta com o astro da vez Benedict Cumberbatch no papel do vilão. E, pelo jeito, o filme deve ser seu Império Contra-Ataca – aquela seqüência pessimista que muitos temiam. Olha o trailer:
Resta saber como é que J.J. conseguirá equilibrar as duas mais clássicas grifes de ficção científica ao mesmo tempo – sem contar seus inúmeros projetos pessoais, que não param de aparecer.

E é claro que as piadas já começaram a aparecer: Já o chamaram de Jar Jar Abrams e lembraram que ele sempre é bom pra começar, nunca pra terminar séries – e como os episódios de Guerras nas Estrelas que irá dirigir serão os 7, 8 e 9, isso pode provocar um desequilíbrio na Força (com certeza não pior do que o causado pelo próprio George Lucas nos episódios 1 e 2).
O que me lembra que tenho de falar sobre o final de Fringe.

Confesso que também parei na imagem acima, o preview do vídeo Brazil Without Makeup, feito pelo humorista carioca Rafucko. Mas cedi ao impacto inicial e resolvi dar uma chance – felizmente. O que assiste-se abaixo é uma crítica em inglês ao final das Olimpíadas de Londres no ano passado, quando Rafucko disseca o verdadeiro significado do trecho em que o Rio de Janeiro, sede dos próximos Jogos Olímpicos, é celebrado com garis sambistas, Marisa Monte Iemanjá e um grupo de índios. Excelente, veja abaixo:
Quando achei que Rafucko fosse desconhecido para mim, lembrei que já o havia visto no URBe, parodiando os três candidatos a prefeito no Rio em esquetes memoráveis (veja aqui). Ele não só escreve como atua e é um senhor autor de personagens, uma fama brasileira que havia sido esquecida. Caio em seu site para descobrir um manancial de ótimos vídeos com boas audiências, alguns deles construídos colaborativamente, como o ótimo Ditadura Gay abaixo, feito a partir de uma série de tweets com a hashtag #ditaduragay:
O vídeo sobre a cerimônia do final das Olimpíadas é o primeiro de uma série em que Rafucko decidiu contar a verdade sobre nosso país em um inglês carregado de sotaque brasileiro – o Brasil Without Make-Up tem seu próprio site e página no Facebook. Talvez tenha sido a melhor hora para conhecer um talento em ascensão. Só lamento ele não ter posto uma versão em português (mesmo legendas em nosso idioma) no vídeo, porque tem muita coisa que ele diz que ainda tem de ser ouvida por nós mesmos. E como nosso complexo de vira-lata nos faz prestar atenção melhor em algo quando é dito em outro idioma…
E no fim você até esquece a maquiagem bizarra que o deixa com cara de caricatura da Annie Lennox no primeiro vídeo para constatar que também foi guiado pela cultura de aparências e inversões de papéis tão cara à cultura do nosso país e descobre que há parte do futuro do humor brasileiro já está entre nós. Bom trabalho, Rafucko, vai na fé.

E o My Bloody Valentine, como quem não quer nada, finalmente tirou seu aguardado novo disco da cartola, ao inaugurar seu site oficial.
Certamente é o primeiro grande disco de 2013 – ou ao menos o grande acontecimento musical do ano até agora. O problema é que o site já saiu do ar, provavelmente devido ao excesso de pessoas entrando ao mesmo tempo. O que foi registrado:

E aí, alguém viu esse disco por aí?
Atualização 1 – duas possíveis tracklists, ambas postadas no 4chan:


Isso tudo me lembra daquela história do THE MOST GIGANTIC LYING HOAX OF ALL TIME, lembram?
Atualização 2 – o Indie da Deprê descolou um link pra download. Será de verdade?

Atualização 3 – O Nodata também postou o disco.
Atualização 4 – O site voltou a funcionar e já é possível comprar o álbum.

Atualização 5 – O disco tá pra download tanto no New Album Releases quanto no Exystence.
E aí, valeu esperar?



…Michel Teló? Sérgio Mendes? Qual músico falta pra completar a santíssima trindade da cultura brasileira no exterior em 2013, nessa foto de 2010 ressuscitada pela Janara no Ideafixa.