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Rodrigo Coelho + Marina Nemesio: João 1958

Vamos voltar ao período em que João Gilberto mostra como seria o futuro do século 20 ao mostrar pela primeira vez em público a nova forma de tocar que inventou depois que mudou-se para o Rio de Janeiro. O espetáculo João 1958, concebido por Rodrigo Coelho e Marina Nemesio com minha direção, resgata o repertório que o mestre baiano mostrou para os amigos depois de chegar à capital do Brasil à época, depois de passagens por Porto Alegre, Diamantina e Juazeiro, onde lapidou aquele novo jeito de tocar e cantar. Essas primeiras demonstrações de seu som foram registradas pelo fotógrafo Chico Pereira, que apresentou João a Tom Jobim. Parte das músicas desta gravação foram eternizadas por João em seus discos seguintes, mas boa parte delas, algumas compostas por ele mesmo, nunca mais foram registradas. Elas formam a base de João 1958, que será apresentado pela primeira vez no Centro da Terra. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do teatro.

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David Byrne no Tiny Desk!

Nada me tira da cabeça que os Talking Heads estão preparando sua volta aos palcos em câmera lenta, testando formatos e aparições na mídia pra medir a temperatura sobre sua popularidade meio século depois de terem surgido. Pode reparar: quase toda semana tem uma notícia nova relacionada à banda. Tá certo que isso se mistura ao lançamento de mais um disco solo de David Byrne e o cabeça original também é conhecido por abrir novas frentes e testar novas vertentes pra atingir um público maior, mas acho que até isso faz parte dessa experimentação nos bastidores. Agora é a vez de ele estrear seu novo show do Tiny Desk da NPR, quando cantou duas músicas do disco novo (“Everybody Laughs” e “Don’t Be Like That”) e duas dos Talking Heads, de duas fases diferentes (“(Nothing But) Flowers” do último disco Naked e a clássica “Life During Wartime” do Fear of Music). Pode ser mais torcida do que intuição, mas vai saber…

Assista abaixo:  

Ruído e sentimento

“Esse foi o show mais alto que eu já vi aqui”, disse o boogarinho Dinho Almeida depois de dividir o palco com os portugueses do Linda Martini, quarteto noise que tocou pela primeira vez no palco do Centro da Terra neste primeiro dia de dezembro. Em sua segunda vinda ao Brasil em vinte anos de banda, como destacou o vocalista e guitarrista André Henriques, o grupo não fez por menos e valeu a fama de show alto e emotivo, tão ruidoso quanto melódico e assertivo. A cozinha formada pela dupla Claudia Guerreiro no baixo e Hélio Morais na bateria estabelece a presença rítmica ao mesmo tempo livre e metronômica em que os guitarristas André e Rui Carvalho podem tecer suas tramas elétricas. Guiadas pelo canto triplo de Claudia, Hélio e André – este quase sempre liderando os versos -, as canções do grupo criam uma retroalimentação entre paixão e som que conduz toda a apresentação, à medida que elas vão sendo entregues de forma sentimental e intensa, isso se traduz em volume e força elétrica, hipnotizando a plateia que encheu o teatro nesta segunda. Depois de contar com a participação de Victor Caldas num inusitado bombardino, o grupo nem precisou chamar Dinho para o palco, que entrou no meio de “Uma Banda” e tocou “Juventude Sónica” na íntegra, antes que os quatro encerrassem a apresentação emendando o bis de mentira com “Amor Combate” e “Cem Metros Sereia”. Arrebatador!

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Lindas Martini: Somos os Linda Martini! Prazer!

Começando a programação de música do último mês de 2025 no Centro da Terra, recebemos neste primeiro dia a banda portuguesa Linda Martini, em sua segunda passagem pelo país e primeira no teatro, quando mostram o espetáculo Somos os Lindas Martini! Prazer!, em que mostram músicas de diferentes fases de seus vinte anos de carreira. Definindo esta apresentação como intensa e intimista, eles não escondem as garras ao citar bandas como Sonic Youth, At the Drive-In e Idles como referências musicais. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Olha a Lulina vindo aí…

Se você já fechou sua lista de melhores do ano no primeiro dia de dezembro você está errado, porque ainda tem muito disco bom pra dar as caras ainda em 2025. Um deles foi avisado de supetão pela própria Lulina, que me pediu pra avisar que está prestes a lançar o segundo volume de sua colaboração com o compadre Hurso. Vida Amorosa que Segue – Volume 2 segue a linha City Pop do primeiro disco para continuar falando (mais) das agruras e (do que das) delícias da vida romântica, O novo disco sai de uma vez no próximo dia 15, não tem single, mas ela adianta em primeira mão para o Trabalho Sujo a bela capa do novo álbum.

Todo o show: Jards Macalé ao vivo na Europa em março de 2024

A saudade do Jards não vai passar… E assim Thomas Harres, gênio baterista que tocava com o mestre há mais de uma década, resolveu dar uma geral em suas gravações e subiu cinco shows que vez com Macau quando ele passeou pela Europa em março do ano passado. Além de Thomas, Jards estava muitíssimo bem acompanhado pela guitarra de Guilherme Held e o baixo de Paulo Emmery, e o baterista publicou em seu canal no YouTube a íntegra dos shows que o quarteto fez em Frankfurt (dia 4 de março), Mälmo (dia 6), Copenhagen (dia 7), Bremen (dia 9) e Varsóvia (dia 11), todos com mais de uma hora de som, que vocês podem curtir abaixo:  

Saudando Xangô numa sala de concertos

É muito bom quando a música transpõe barreiras que muitos consideram pétreas, demolindo paredes imaginárias para mostrar que tudo é música, tudo é som. É o que tem acontecido com frequência na Sala São Paulo, quando a clássica sala de concertos paulistana abre espaço para músicos de diferentes frentes da música popular, transformando a imponência e austeridade da sala, quase sempre associadas à música erudita, em celebrações que passam longe da afetação típica dos concertos. A série Encontros Históricos é um dos melhores exemplos disso e só esse ano a São Paulo Big Band recebeu encontros inacreditáveis entre Gabriel Sater e Sá & Guarabyra, Ivan Lins e Gustavo Spínola, João Bosco e Adriana Moreira, Rosa Passos e Vanessa Moreno, Péricles e Arlindinho, entre outros, encerrando sua temporada 2025 neste sábado ao trazer Marcelo D2 e Juçara Marçal juntos para aquele mesmo palco. A Big Band deu a tônica da noite ao começar com um arranjo uma versão instrumental para “Se Não Fosse o Samba”, do Bezerra da Silva, antes de chamar os convidados para o palco. D2 e Juçara dividiram vocais em algumas músicas (a maioria da carreira solo de Marcelo, como “Kalundu”, “Povo de Fé”, “Tempo de Opinião” – que tem a participação do Metá Metá, grupo que Juçara faz parte), mas a maior parte da apresentação foi composta de músicas isoladas de cada um deles com a Big Band. Juçara cantou “Vi de Relance a Coroa” de seu Delta Estácio Blues, “Ladeira” que gravou com o Sambas do Absurdo, “Jardim Japão” de Rodrigo Campos e “Orunmilá” e “São Jorge”, clássicos do Metá Metá, enquanto D2 cantou “Tô Voltando”, “Fonte Que Eu Bebo” (quando quebrou o protocolo e desceu para a plateia, para dançar com sua esposa, Luiza Machado), “Até Clarear”, “Maldição do Samba” e, pegando todos de surpresa, “Mantenha o Respeito” do Planet Hemp. Mas apesar da boa intenção, o resultado foi apenas protocolar, com a Big Band trabalhando com arranjos comportados e sem aproveitar a química musical que o encontro parecia pedir, com os pés na roda de samba, no terreiro e na periferia que poderiam abrir possibilidades jazzísticas ousadas. Mas apesar disso não ter acontecido, foi uma noite feliz e os dois encerraram cantando juntos mais uma música do Metá Metá, fazendo a saudação a Xangô de “Obá Iná” ecoar pelas paredes da quase centenária estação Júlio Prestes, transformada em sala de concertos há um quarto de século.

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Um festival com Arthur Verocai, Stereolab, Ana Frango Elétrico, Mulatu Astatke, Jazzanova e muito mais…

Olha a escalação desse festival! O DJ e produtor inglês Gilles Peterson acaba de anunciar a próxima edição do festival We Out Here, que ele realiza na Inglaterra desde 2019, e já trouxe nomes como Hermeto Pascoal, Pharaoh Sanders, Ebo Taylor e The Comet Is Coming, e quem está no topo do cartaz é o maestro brasileiro Arthur Verocai, que apresenta-se acompanhado da Nu Civilization Orchestra. A programação ainda inclui o mestre do jazz etíope Mulatu Astatke, os nossos favoritos Stereolab, a vocalista do grupo Little Dragon, Yukimi, o mestre do drum’n’bass Adam F, a rapper zambiana Sampa the Great, o coletivo alemão Jazzanova e nossa querida Ana Frango Elétrico, entre outros. O festival acontece entre os dias 20 e 23 de agosto do ano que vem e já está com ingressos à venda.

Gilberto Gil ♥ Geraldo Azevedo

Apesar de ter enfileirado quatro medalhões da música pernambucana – e brasileira, afinal de contas estou falando de Alceu Valença, Elba Ramalho, Lenine e João Gomes! – em suas duas primeiras apresentações no Recife, foi na última destas datas, que aconteceu na sexta passada, que Gilberto Gil mais se emocionou. Trazendo apenas um convidado para a noite, Gil recebeu o velho amigo Geraldo Azevedo, com quem dividiu os vocais na emotiva Drão, e foi pego de surpresa quando, sozinho ao violão, Geraldo desenterrou “Ágil Passarinho”, música que compôs em 1986 em homenagem ao mestre baiano, atualizando-a com os nomes de seus filhos que ainda não tinham nascido quando ele a escreveu. Tocar essa homenagem logo após os dois terem cantado “Drão” pegou Gil desprevenido e ele não conseguiu disfarçar a emoção, desabando em lágrimas. Duvido que você não chore também…

Assista abaixo:  

2025 acabando e, de repente, lá vem o Aphex Twin!

Sem dar notícias desde que transformou seu Selected Ambient Works Volume II de 1994 em uma caixa para comemorar o aniversário de 30 anos do disco, Aphex Twin soltou duas versões de uma mesma música nova em sua conta no Soundcloud sem dar muitos detalhes, como de praxe. Anunciando apenas que estava na Itália com seu amor da Sicília (que seus fãs descobriram ser a diretora italiana Cordelia Angel Clarke) e usando uma foto dos dois na praia para mostrar a vibe de “Zahl am1”, lançada com uma versão tradicional e um mix ambient. A faixa tem esse nome pois foi criada na mesa de som Zähl, que ele também usou para mixá-la. “Precisava de sol, está chovendo demais no Reino Unido”, escreveu na descrição das músicas, “mixei no Zähl, mas acho que tem mixagens melhores, vou subi-las se as encontrar.” Então segura!

Ouça abaixo: