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Pelos poderes de Asgard!

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O novo livro de Neil Gaiman, sobre mitologia nórdica, será lançado no Brasil em 2017 – falei mais sobre ele lá no meu blog no UOL.

2017 promete ser um ano nórdico. Não bastasse o encerramento da trilogia de Thor na Marvel, que reencena o clássico apocalipse da mitologia do norte europeu ao batizar o filme do estúdio no segundo semestre de Thor: Ragnarok, o lançamento da série inspirada no primeiro romance de Neil Gaiman, Deuses Americanos, que conversa bastante com essa mitologia, vem chancelar a aura asgardiana que paira sobre o ano que vem. Percebendo isso, o próprio Gaiman já anunciou o lançamento de um livro em que ele conta a saga daqueles deuses para ser lançado em fevereiro do ano que vem. E a editora Intrínseca confirma o lançamento da edição brasieira lançado-o no mês seguinte.

Mais conhecido como o autor da saga Sandman, um dos maiores épicos dos quadrinhos modernos, o Neil Gaiman vem lentamente dominando outras mídias. Começou dando um passo para além dos quadrinhos em radionovelas da BBC e de lá foi para a literatura, tanto adulta quanto infantil. Escreveu roteiros para episódios do Dr. Who e teve um quadrinho infantil (Coraline) adaptado para o cinema, como animação. A série American Gods, que vem se arrastando no limbo da pré-produção desde o início da década, já pertenceu à HBO mas foi parar no canal Starz, sempre com a supervisão direta do próprio Gaiman, que ainda conseguiu Tom Hanks como produtor executivo. O seriado estreia em 2017 mas ainda não tem data de estreia definida e um teaser foi exibido – e aplaudido – na Comic Con de San Diego deste ano.

Norse Mithology (que será lançado no Brasil como Mitologia Nórdica) terá Gaiman como narrador de histórias que já permearam suas próprias obras, desde Deuses Americanos até Sandman. É o cenário mitológico que reúne deuses conhecidos graças à Marvel como Thor, Odin e Loki e outros que frequentavam o reino de Asgard, como os deuses Freyja, Iðunn, Skaði, Njörðr, Freyr e Heimdall. E tem tudo para conquistar tanto os fãs do autor quanto os de seriados de apelo épico, como Game of Thrones e Vikings.

Treze anos de Coquetel Molotov

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Há treze anos na ativa, o Coquetel Molotov já é uma tradição pernambucana e uma data de referência no calendário indie brasieiro, ao misturar novatos em ascensão, gringos de destaque e novos talentos da música nacional. Em sua edição 2016, o festival indie pernambucano chega ao equilíbrio perfeito destas qualidades, reunindo, num mesmo dia (22 de outubro), parte da nata da atual cena independente brasileira (Céu, BaianaSystem, Karol Conká e Boogarins), nomes promissores desta mesma cena (Jaloo, Rakta, Baleia e Ventre), gringos de médio porte (os franceses do Moodoid, os ótimos norte-americanos Deerhoof e os espanhóis Los Nastys – que também fazem shows em São Paulo e Belo Horizonte, saiba mais aqui) e os pernambucanos da vez (como Barro, que toca ao lado de Juçara Marçal, Amp, Luneta Mágica e Tagore). Bati um papo com a Ana Garcia, que há treze anos produz o já tradicional festival ao lado do incansável Jarmeson de Lima, sobre a produção do festival, a cena independente brasileira em 2016 e as bandas que ela ainda queria ter no palco de seu evento.

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Treze anos de Coquetel Motolov
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-treze-anos-de-coquetel-motolov

Evolução da cena independente
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A edição 2016 do Coquetel Molotov
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-a-edicao-2016

Recife depois do mangue beat e o Coquetel Molotov
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-coquetel-molotov-2016-pos-mangue-beat

Coquetel Molotov em São Paulo
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A cena independente brasileira em 2016
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Quem você ainda quer trazer para o festival?
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O 1966 de Bob Dylan em 36 discos ao vivo

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E lá vem mais caixa do Dylan. The 1966 Live Recordings é uma caixa com 36 discos que inclui apenas gravações ao vivo em um dos anos mágicos do então jovem bardo, 1966. É um período tão específico e um esforço tão grande que nem entrou na série de piratas oficiais que ele lança desde o início dos anos 90, The Bootleg Series – é um projeto à parte de pirataria oficializada. E um esforço gigantesco, jamais visto para nenhum outro artista. “Enquanto fazíamos a pesquisa de arquivo para a caixa The Cutting Edge 1965-1966: The Bootleg Series Vol. 12 do ano passado, ficávamos constantemente pasmos sobre como eram ótimas suas apresentações em 1966”, disse o presidente da Legacy Records, Adam Block. “A intensidade das apresentações de Bob e a forma fantástica como ele entregava essas músicas em shows acrescentam um outro elemento perspicaz no entedimento e na apreciação da revolução musical que Bob Dylan iniciou 50 anos atrás.”

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Além da caixa monumental, também haverá o lançamento à parte de um dos shows daquele ano, o verdadeiro show que Dylan deu no Royal Albert Hall em Londres (ao contrário do pirata conhecido por este nome, que foi gravado na verdade no Manchester Free Trade Hall e compõe o volume 4 das Bootleg Series), o The Real Royal Albert Hall 1966 Concert, que conta com sete músicas no disco acústico e oito no disco elétrico, como era o padrão dos shows de Dylan naquele período. Entre as elétricas está essa brusca “Tell Me, Momma”, que Dylan nunca gravou em seus discos oficiais.

Eis a relação de todos os shows que entram na caixa, que sai apenas em novembro mas já está em pré-venda em seu site oficial.

Disco 1 – Sidney, 13 de abril de 1966 (da mesa de som do canal TCN 9 TV Australia)
Disco 2 – Sidney, 13 de abril de 1966 (da mesa de som do canal TCN 9 TV Australia)
Disco 3 – Melbourne, 20 de abril de 1966 (da mesa de som / Transmissão desconhecida)
Disco 4 – Copenhague, 1° de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 5 – Dublin, 5 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 6 – Dublin, 5 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 7 – Belfast, 6 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 8 – Belfast, 6 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 9 – Bristol, 10 de maio de 1966 (da mesa de som e do público)
Disco 10 – Bristol, 10 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 11 – Cardiff, 11 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 12 – Birmingham, 12 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 13 – Birmingham, 12 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 14 – Liverpool, 14 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 15 – Leicester, 15 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 16 – Leicester, 15 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 17 – Sheffield, 16 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 18 – Sheffield, 16 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 19 – Manchester, 17 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 20 – Manchester, 17 de maio de 1966 (gravação da CBS Records à exceção da passagem de som, da mesa de som)
Disco 21 – Glasgow, 19 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 22 – Edimburgo, 20 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 23 – Edimburgo, 20 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 24 – Newcastle, 21 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 25 – Newcastle, 21 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 26 – Paris, 24 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 27 – Paris, 24 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 28 – Londres, 26 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 29 – Londres, 26 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 30 – Londres, 27 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 31 – Londres, 27 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 32 – White Plains, NY, 5 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 33 – Pittsburgh, PA, 6 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 34 – Hempstead, 26 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 35 – Melbourne, 19 de abril de 1966 (gravação da plateia)
Disco 36 – Estocolmo, 29 de abril de 1966 (gravação da plateia)

E essa abertura dos Simpsons à la Adventure Time?

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E os Simpsons entram em sua 28ª temporada (!) entregando sua clássica abertura ao pessoal do Adventure Time – e mesmo que o criador da série, Pendleton Ward, que cantava a música original da abertura do desenho, tenha saído da produção em 2014, parece que é a voz dele que canta esse tema dos Simpsons, não?

E por falar em abertura dos Simpsons, eu tinha passado batido por essa homenagem que eles fizeram à Disney no ano passado:

Demais. Os Simpsons são demais.

Jim Jarmusch ♥ Stooges

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O maior ídolo da banda de Iggy Pop no cinema conta a história do grupo que encerrou os anos 60 – assista ao trailer no meu blog no UOL.

Entre os muitos marcos zero do punk rock, os Stooges foram o mais barulhento e descontrolado. Saído da cidade de Ann Harbor, na região da grande Detroit no final dos anos 60, o grupo liderado por Iggy Pop era apenas mais uma das inúmeras bandas que apareceram nos Estados Unidos em meio à aurora hippie. Mas o estigma da caos e destruição que pairava sobre a região em que surgiram (vítima da primeira crise industrial dos EUA) afetou sua sonoridade e performance, que aos poucos foi ganhando uma reputação equivalente a de um rolo compressor de carne e eletricidade. As paredes de ruído elétrico e o peso industrial transformaram o rhythm’n’blues psicodélico original proposto pelo grupo em uma máquina de demolição que, aliada às viscerais performances de Iggy Pop (que brigava com o público aos socos, destruía o palco e imolava-se rolando sobre cacos de vidro enquanto berrava sua voz no limite do suportável), transformaram os Stooges em uma das maiores lendas da história do rock.

Esta lenda agora vai ser contada por um de seus maiores fãs, o cineasta Jim Jarmusch, que considera o grupo “a maior banda de rock de todos os tempos”. O documentário Gimme Danger conta com entrevistas com Iggy e os integrantes originais do quarteto – o guitarrista Ron Asheton, seu irmão baterista Scott Asheton e o baixista Dave Alexander -, todos mortos atualmente, além de cenas de arquivo que consolidam sua reputação destrutiva. O filme estreia em outubro no circuito internacional de festivais e não há previsão de lançamento no Brasil. Mas tem tudo para ser um filmaço, como seu trailer parece indicar.

De Thurston Moore para Chelsea Manning

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O ex-Sonic Youth lança uma faixa em homenagem à militar que vazou os documentos da segurança norte-americana para o WikiLeaks e foi condenada a 35 anos de prisão. “Chelsea’s Kiss” é um pequeno épico noise típico de sua clássica banda e atua em duas campanhas simultaneamente: a de libertação da soldada trans e a do Cassete Store Day (é, as fitas voltaram mesmo), que acontece dia 8 de outubro.

Ave King Crimson

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Uma das bandas mais complexas e completas da história, o King Crimson vem passando discretamente por uma fase inacreditável, que começou como um rumor sobre uma formação com vários integrantes, boatos sobre um possível primeiro show desde anos 70, que materializou-se em não apenas um, mas alguns shows, transformou-se em turnê e agora chega ao disco numa versão da banda com sete cabeças tocando ao mesmo tempo. O guitarrista maestro Robert Fripp reuniu integrantes de diferentes fases da banda (o saxofonista e flautista Mel Collins, o baixista Tony Levin, o guitarrista Jakko Jakszyk e três bateristas, Pat Mastelotto, Gavin Harrison e Bill Rieflin) numa formação dos sonhos que tem revivido alguns dos momentos mais emblemáticos da carreira do grupo ao vivo. A caixa Radical Action to Unseat the Hold of Monkey Mind reúne três discos com gravações da banda do ano passado no Japão, na França e no Canadá e tem versões que trazem registros em vídeo desta apresentação, como a impressionante versão ao vivo para “Starless”. Como o produtor e parceiro de longa data de Fripp David Singleton escreve no encarte do box:

“É uma espécie de truísmo na história do Crimson que qualquer show que seja filmado não será aquele em que o céu encontra-se com a terra e descem os anjos. A presença de câmeras e de operadores introduz um elemento intrusivo na relação entre o artista, a música e o público. Nossa solução foi voltar ao conceito de “TV pirata” e priorizar a música e a performance mais do que as imagens. Tínhamos um único câmera – Trevor Wilkns, que sofreu! – nesta turnê e ele filmava todas as noites com uma série de câmeras escondidas discretamente no palco onde a elas não atrapalhariam nem o artista ou o público. O compromisso portanto não é o visual e sim o da música.”

Aos céticos ou não-iniciados na banda que se convenceram pela balada inicial sugiro que joguem o cursor lá praquele tempo mágico, 4:20 – e boa viagem.

Baixou o Joe Strummer

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Assista a um trecho de London Town, filme sobre o Clash, com Jonathan Rhys Meyers mandando “Clash City Rockers” lá no meu blog no UOL.

Primeiro um trailer anunciou a chegada de London Town, filme sobre o Clash, banda crucial na história da música pop e um dos alicerces do movimento punk, visto pelos olhos de um adolescente de 14 anos na Londres do final dos anos 70. O ator Jonathan Rhys Meyers, chamado para viver o líder da banda Joe Strummer parecia convencer no trailer original. Agora surge um outro vídeo retirado do filme, um trecho em que o protagonista vivido por Daniel Huttlestone vê pela primeira vez um show do Clash, que não deixa dúvidas sobre a performance, ao menos no palco, do ator irlândes – que já enveredou pelo rock no cinema vivendo um astro glam no risível Velvet Goldmine e o próprio Elvis Presley na minissérie Elvis, da CBS. Essa apresentação de “Clash City Rockers” ao vivo parece sintetizar a experiência de ver o Clash ao vivo – muito graças à performance do ator irlandês.

London Town estreia em outubro nos Estados Unidos e Europa e não há previsão de lançamento no Brasil.

Chromatics à espreita

home

Enquanto nos enrola o lançamento de seu Dear Tommy, Johnny Jewel, dos Chromatics, ainda encontra tempo para fazer a trilha sonora de um filme belga chamado Home, que, para aliviar pro lado dele, é composta de músicas velhas e não-lançadas de suas bandas (Chromatics e Symmetry) e de trilha incidental feita para o filme. Abaixo, o clipe de uma das músicas da trilha, com imagens do filme, chamada “Magazine”.

Quem é o inimigo público?

bonner

Mais um mashup do Raphael Bertazi chegando em hora certa: este choca um clássico do rap com outro da infâmia.