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Cloverfield 3 vem mesmo aí!

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A confirmação ainda não é oficial, mas fontes indicam que o filme A Partícula de Deus faz parte do mesmo universo do monstro que invade Nova York e do bunker paranoico de Rua Cloverfield 10 – falei mais disso no meu blog no UOL.

Vocês lembram que no começo do ano J.J. Abrams tirou o segundo volume de sua série Cloverfield do nada, em menos de um mês do lançamento de seu Guerra nas Estrelas, revelando ao mundo que um pequeno filme de sua produtora Bad Robot chamado de The Cellar era, na verdade, a continuação de seu filme de monstro de 2008? A estreia do diretor Dan Trachtenberg contava com um pequeno e ótimo elenco formado por John Goodman, Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher e a expectativa entre os dois meses do lançamento do trailer até o do filme gerou todo tipo de especulação que pudesse conectar um filme que mostra Nova York sendo destruída por um monstro que veio do fundo do mar e outro em que um lunático mantinha dois reféns em um abrigo subterrâneo dizendo ter salvo os dois do pior, que estaria na superfície.

O jogo de realidade alternativa que havia dado início às especulações sobre a origem do monstro no primeiro filme foi reativado, mostrando que o personagem de Goodman havia sido funcionário da mesma empresa que estaria envolvida no aparecimento do monstro. Mas quando Rua Cloverfield 10 foi lançado, nenhuma conexão direta entre os filmes foi estabelecida, com fãs discutindo a presença de um modelo moderno de iPhone, que indicaria que os acontecimentos do segundo filme teriam acontecido depois – e não em paralelo, como muitos desconfiavam – do primeiro filme. Muitos passaram a crer que Cloverfield fosse apenas uma marca que Abrams usaria para contar casos fantásticos, como outros autores fizeram em antologias como Histórias Maravilhosas, Além da Imaginação, The Outer Limits e Black Mirror (depois eu falo disso, não esqueci não!).

Mas é claro que os fãs foram investigar outras produções da Bad Robot e encontraram o filme de ficção científica God’s Particle (A Partícula de Deus), que será lançado no ano que vem e que conta a história de um grupo de astronautas em órbita que faz uma descoberta que altera os rumos da realidade, como diz a sinopse do filme. E agora uma fonte ligada à produção confirmou para o site The Wrap que God’s Particle é o terceiro volume da antologia Cloverfield – e que, talvez, explicaria a conexão entre os três filmes.

Sem o elemento-surpresa que foi seu principal aliado nos dois primeiros Cloverfields, resta saber qual será a próxima cartada de Abrams neste seu Partícula de Deus.

Stranger Things 2017

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Teaser do Netflix começa a nos preparar para a segunda temporada do seriado-sensação deste ano – postei lá no meu blog no UOL..

Já sabemos que o seriado-sensação deste ano, Stranger Things, produzido pelo Netflix, tem a segunda temporada agendada para o ano que vem e bem como sabemos até o nome de seus episódios, mas um vídeo divulgado neste último dia de outubro, dia das bruxas, dá mais detalhes sobre o que podemos esperar do seriado em 2017. Disfarçado de telejornal local dos anos 80, o vídeo fala sobre o desaparecimento de Barbara “Barb” Holland e relata o caso de roubo de waffles, o que indicaria que Eleven ainda estaria à solta pela região de Hawkins. O vídeo está em inglês sem legendas, mas já dá uma ideia do rumo que a série irá tomar no ano que vem…

E agora? É hora de resgatar Barb? Como Eleven reapareceu? E o monstro? E aquela lesma que saiu de dentro do Will? É hora de começarem as teorias!

E por falar em teorias… Preciso comentar sobre Westworld, vocês estão assistindo?

Velvet Underground & Nico ao vivo, com John Cale

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Um dos únicos sobreviventes de um dos álbuns mais emblemáticos da história do rock, John Cale anunciou semanap passada que fará um show em homenagem ao disco de estreia do Velvet Underground no ano que vem, quando The Velvet Underground & Nico completa meio século de existência. O disco, composto principalmente pelo encontro do poeta e hitmaker norte-americano Lou Reed com a erudição contemporânea do galês John Cale, é um dos registros mais importantes da história do rock por ter dado suas costas às expectativas da música pop, abraçando novas possibilidades sônicas e líricas sem necessariamente ter de agradar ao público. O mestre publicou em sua página no Facebook esta velha foto ao lado do parceiro e explicou:

“Eu quase sempre sou relutante em passar muito tempo voltando no passado – até que aparece um marcador de tempo – e The Velvet Underground & Nico completa 50 anos! Como tantas bandas podem confirmar, é a realização do sonho definitivo de gravar seu primeiro disco. Éramos uma marca hostil, imersos em um mundo de letras desafiadoras e estranheza sônica que não se encaixava na playlist de ninguém na época. Ao nos mantermos ferozmente fiéis aos nossos pontos de vista, Lou e eu nunca duvidamos em nenhum momento que poderíamos criar algo que poderia dar voz a coisas que não eram comumente exploradas pelo rock da época. Aquela bizarra combinação de quatro músicos distintamente díspares e uma relutante e bela rainha resumia perfeitamente o que significava o Velvet Underground.”

O show comemorativo acontece em maio do ano que vem, em Liverpool, e contará com participações especiais que ainda não foram definidas – e os ingressos já estão à venda. É pouco provável que a única outra sobrevivente do disco – a baterista Maureen “Mo” Tucker – participe do show, devido à sua recente inclinação política rumo à direita norte-americana do Tea Party, mas vai saber…

E esse disco novo do Nicolas Jaar…

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Sirens, o segundo disco recém-lançado de Nicolas Jaar, está para a música de pista atual como o Endtroducing de DJ Shadow em 1996, estava para o hip hop da época, reparem.

É um disco tão político e sensível quanto a obra-prima de DJ Shadow, que critica o comercialismo não apenas na letra escancarada de uma única faixa (“Why Hip-Hop Sucks in ’96”, respondendo apenas “It’s the money!”) mas em toda sua extensão, sintetizada na frase que funciona como subtítulo do álbum: “Ya dijimos no pero el si esta en todo” – “Já dissemos não, mas o sim está em tudo”. Claro fruto do trabalho que veio curando durante estes últimos três anos, a começar pelo projeto Darkside (dono do sexto melhor disco de 2013) e passando pelos singles “Nymphs” (“II“, “III“, “Fight“, esta uma das melhores músicas do ano passado) e pela trilha sonora do filme armênio A Cor da Romã. Fácil fácil um dos grandes discos do ano, que melhora a cada audição.

A quase volta dos Smiths

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Johnny Marr lança seu livro de memórias e conta como os indies mais importantes da história quase voltaram em 2008 – publiquei o trecho do livro que conta essa história lá no meu blog no UOL.

Os Smiths são a banda inglesa mais influente das últimas décadas e é impossível imaginar o cenário pop mundial sem a breve e determinante carreira da banda liderada pela dupla formada por Morrissey e Johnny Marr. O fim da banda, em 1987, foi considerado abrupto e precoce, mas determinou uma carreira e discografia perfeitas e estabeleceu a impossibilidade de retorno da banda à ativa. A negativa em relação a uma possível reunião da banda era tão categórica que Morrissey, vegetariano convicto, falou que seria mais fácil comer os próprios testículos a voltar com os Smiths.

Mas, por um breve momento, no final de 2008, a volta dos Smiths quase foi uma realidade. Pelo menos é o que conta o guitarrista Johnny Marr em trecho de suas memórias, que serão lançadas na Inglaterra na próxima sexta-feira. No livro Set The Boy Free, a ser pela editora inglesa Century, o guitarrista lembra toda seu tempo com a banda e do encontro há quase dez anos que quase fez os Smiths quebrarem seu encanto. “Eu não tenho nada contra Morrissey de maneira alguma – só acho que não precisamos disso”, contou o guitarrista, que completa 53 anos nesta segunda, ao jornal inglês Guardian. “Uma das coisas que tínhamos em comum era que vivíamos para trabalhar e estamos muito ocupados fazendo o que estamos fazendo hoje.”

Abaixo, o trecho da biografia de Marr que foi republicado no jornal The Guardian:

“Infelizmente para os Smiths, não fui consultado quando nosso catálogo foi remasterizado para CD nos anos 90. Os discos soavam mal e eu estava determinado a acertar as coisas. Depois de uma longa luta, consegui chegar a um acordo com Morrissey e a Warner. Eu remasterizaria todos os discos novamente com um engenheiro de primeira de forma que nosso catálogo soaria como deveria, de uma vez por todas.

Quando eu analisei os discos, fiquei impressionado sobre como a banda era boa e como éramos jovens. Eu me lembrei da intenção e emoção exatas de cada nota e palavra e escrevia para Morrissey e Andy Rourke dizendo ‘dá para ouvir o amor de verdade nisso.’ Tive boas respostas de ambos.

As negociações com a Warner significavam que Morrissey e eu estávamos num raro período de comunicação. Um dia, em setembro de 2008, nós estávamos apenas a alguns quilômetros de distância no sul de Manchester e armamos de nos encontrar em um pub da região. Eu estava feliz em vê-lo – fazia dez anos ou mais da última vez que nos vimos. Falamos sobre nossas próprias notícias e famílias e sobre como sentíamos saudade.

E então nossa conversa foi para assuntos mais profundos. Morrissey começou a falar sobre como nossa relação havia sido dominada pelo mundo exterior, normalmente de forma negativa. Nós fomos definidos um pelo outro nas maiores partes de nossas vidas profissionais. Gostei de ele ter mencionado isso, porque era verdade.

As bebidas continuavam vindo e nós falamos por horas. Falamos, como sempre fazemos, sobre os discos que amamos e finalmente fomos para ‘aquele assunto’. Havia boatos por anos que os Smiths estavam prestes a voltar à ativa e eles sempre eram falsos. Eu nunca fui atrás de nenhuma oferta.

De repente, estávamos falando sobre a possibilidade de voltar com a banda e naquele momento parecia que, com a intenção certa, poderia funcionar e até mesmo ser ótimo. Eu poderia continuar trabalhando com os Cribs em nosso disco e Morrissey também tinha um disco para lançar. Ficamos juntos por mais um tempo e mesmo depois de muito suco de laranja (para mim) e muito mais cerveja (para ele) nós nos abraçamos e nos despedimos.

Eu estava genuinamente feliz de voltar a entrar em contato com Morrissey e falei com os Cribs sobre a possibilidade de eu fazer alguns shows com os Smiths. Por quatro dias foi um probabilidade muito real. Nós teríamos que arrumar alguém novo para tocar bateria, mas se os Smiths quisessem voltar fariam um monte de gente muito feliz e com toda nossa experiência seria bem melhor do que antes.

Morrissey e eu continuamos a conversar e planejamos nos encontrar mais uma vez. Eu fui para o México com os Cribs e de repente silêncio. Nossa comunicação havia terminado e as coisas voltaram a ser como elas eram antes e como sempre imaginei que sempre seriam.

Comecei a trabalhar no estúdio em horas incomuns, por volta das cinco ou seis da manhã. Um dia, em 2010, no caminho de volta depois de deixar minha filha Sonny na escola, eu estava pensando em como o David Cameron havia dito que ele era um fã dos Smiths. Qualquer um que era fã da banda saberia que nós éramos contra tudo que ele e o partido conservador representavam. Mas se ele quisesse dizer que gostava dos Smiths, o que eu poderia fazer?

Sem pensar muito, peguei meu telefone e tuitei: ‘David Cameron, pare de dizer que você gosta dos Smiths. Você não gosta. Eu te proibo de gostar.” Satisfeito com o meu protesto, fui tirar um cochilo.

Algumas horas depois, fui acordado por uma ligação de Joe, meu agemte. ‘O lance do Cameron’, ele disse, ‘o negócio do Twitter. Está maluco.’ Enquanto eu estava dormindo fui retuitado por milhares de pessoas e consegui imprensa em todo o mundo. O próprio Cameron foi chamado para comentar durante as perguntas feitas ao primeiro ministro. Com os planos do governo de aumentar as taxas de ensino para as universidades, o parlamentar trabalhista Kerry McCarthy levantou-se e disse: ‘Os Smiths são, claro, a arquetípica banda de estudantes. Se ele vencer a votação de amanhã à noite, que canções ele acha que os estudantes irão ouvir? ‘Miserable Lie’ (mentira desgraçada), ‘I Don’t Owe You Anything’ (eu não devo nada para você) ou ‘Heaven Knows I’m Miserable Now’ (Deus sabe como estou desgraçado agora)?’ (Em referência a títulos de musicas dos Smiths.)

Cameron aproveitou a oportunidade para mostrar suas verdadeiras credenciais indie: ‘Eu achava que se eu aparecesse, eu pelo menos não ouviria ‘This Charming Man’ (Este homem charmoso)’

Boa. Tudo muito feliz e totalmente bizarro.

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Quando 50 mil manifestantes marcharam por Londres, fiquei orgulhoso de ver os estudantes cobrando os políticos por suas promessas quebradas. As coisas chegaram ao extremo na Praça do Parlamento no diaem que as novas leis passaram. No dia seguinte, me mandaram uma foto de uma manifestante chamada Ellen Wood que estava confrontando a polícia com uma camisa dos Smiths. Eu olhei para a foto, para seu olhar, para as Casas do Parlemento. O significado de ela estar usando uma camiseta dos Smiths causou um impacto enorme em mim. Me ocorreu que, além da música que fazemos, esta foto talvez fosse o testamento mais forte do legado dos Smiths.

A única outra pessoa que eu sabia que poderia entender isso da mesma forma era Morrissey e então lhe mandei a foto por email. Não havíamos feito contato entre nós por um bom tempo, mas recebi sua resposta em minutos. Ele não havia visto a foto e havia ficado tão surpreso e impressionado quanto eu. Continuamos conversando por um ou dois dias, mas apesar de sentir que havíamos criado um momento de amizade, um ar de descontentamento e desconfiança permaneceu entre nós. Uma pena.”

Muppet Babies de volta

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Hit dos anos 80 responsável por fazer a linhagem de Jim Henson atravessar gerações, o programa volta em 2018 – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.

Um dos maiores sucessos dos Muppets não tem nada a ver com a mistura de fantoches com marionetes que fizeram a fama do programa de TV e sim com a personalidade dos personagens criados por Jim Henson. O desenho animado Muppet Babies, produzido durante os anos 80, trazia o sapo Caco, a porca Miss Piggy, o urubu Gonzo e outros personagens em versões pré-escolares e foi responsável por fazer toda iconografia do programa passar de uma geração para outra. Se hoje temos novos filmes dos Muppets nos cinemas e a bem-sucedida volta do programa original para a televisão não há dúvida da importância da versão infantil produzida entre 1984 e 1991 para a longevidade da série.

E eis que a versão criança dos Muppets voltará a ser produzida, segundo anúncio do canal norte-americano Disney Junior. Misturando as texturas dos bonecos originais com a imaginação desenfreada do desenho, os novos Muppet Babies serão produzidos em computação gráfica e misturam as duas referências de época – os fantoches originais e o desenho dos anos 80 – para conquistar uma nova geração. Como a animação original, o novo programa deverá ser voltado para o público pré-escolar (entre quatro e sete anos de idade) e terá 11 minutos por episódio. A nova versão deverá estrear no canal norte-americano em 2018, mas sua produção já começou, como podemos ver na primeira imagem de divulgação (acima). Você lembra da música de abertura…

A volta do Grandaddy

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E quando você menos espera, eis que os veteranos indie do Grandaddy estão de volta à ativa, com disco novo prontinho (já em pré-venda) e com clipe anunciando o novo trabalho, o primeiro em dez anos! Last Place será lançado no início do ano que vem e eles mostram o clipe de “Way We Won’t” como aperitivo.

E com certeza vem turnê aí…

PC Siqueira no espelho

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Eis o vídeo O Espelho, inspirado em um capítulo sem título do meu livro PC Siqueira Está Morto, que eu e o PC adaptamos para o formato 360° lá no YouTube Space de Los Angeles, com uma mãozinha do jovem Gus Lanzetta. O capítulo no livro é mais extenso e desenvolve-se de outra forma – enxugamos boa parte do texto e da lógica para adaptar-se ao formato proposto pelo YouTube, que aproveitou o dia das bruxas para fazer esta série de curtas em 360° chamada #Room301. O vídeo fica mais legal se for visto pelo celular.

E essa caixa do Pink Floyd…?

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Essa caixa The Early Years 1965 – 1972, que o Pink Floyd lança no próximo dia 11, com 27 discos, é o sonho utópico de qualquer fã da banda. Ela vem dividida em sete volumes (batizados de Cambridge St/ation, Germin/ation, Dramatis/ation, Devi/ation, Reverber/ation, Obfusc/ation e Continu/ation) e abrange o período entre a fundação do grupo por Syd Barrett até pouco antes da aclamação crítica e popular com o disco Dark Side of the Moon. São 11 CDs, 9 DVDs, sete compactos em vinil e reproduções de pôsteres, flyers e material promocional da banda que expandem ainda mais as fronteiras deste período de formação da banda. Olha isso:

Entre as pérolas estão músicas desconhecidas da pré-história do Pink Floyd (“Lucy Leave”, “Double O Bo”, “Remember Me”, “Walk with Me Sydney” e “Butterfly”), apresentações ao vivo da banda pela Europa e todos os registros feitos na BBC, faixas inéditas das trilhas sonoras de More e Zabriskie Point, uma versão em vídeo de “Interstellar Overdrive” ao vivo com Frank Zappa (além de seis outras versões para esta música), as íntegras dos filmes More e La Valée (cuja trilha é o excelente Obscured By Clouds, de 1972), doze versões para “Atom Heart Mother” e algumas pérolas em vídeo que o grupo está colocando em seu canal no YouTube, como este clipe para “Green is the Colour”, que mistura o áudio de uma gravação na BBC em 1969 com o vídeo de uma aparição da banda no programa francês Pop Deux, cobrindo o show da banda no Festival de St. Tropez em agosto de 1970:

O clipe da excelente “Childhood’s End”, do meu favorito Obscured by Clouds:

Ou esta versão acústica para “Grantchester Meadows” do disco Ummagumma, gravada para a BBC:

É muita coisa!