A capa e a contracapa crua do disco novo novo de Kendrick Lamar, que ele mostrou no início desta semana, deu início a uma série de especulações sobre os possíveis significados escondidos que o rapper queria passar ao revelá-las. Além de seu design simples por definição ecoar um dos versos da música “Humble” (“I’m so fuckin’ sick and tired of the Photoshop”), ele também traria uma série de mensagens subliminares, tanto na capa quanto na contracapa.
A capa mostra um Kendrick cansado e abatido, com o olhar perdido em frente a um muro de tijolos, vestido apenas com uma camiseta branca.
Há quem também tenha visto que o M sobre sua cabeça poderia parecer um par de chifres ou uma coroa… Mas e esse olhar desiludido?
A contracapa continua no mesmo tom da capa, embore agora Kendrick encare a câmera. Mas o que chamou atenção dos fãs foi que a lista de músicas, alinhada à direita, é riscada por uma divisão de cores, que separa a última letra do título de cada canção. Assim, temos: DATHLAEETE2RDH. Fãs se debruçaram sobre o emaranhado de letras e descobriram a frase EARTH LED 2 DEATH. “A Terra leva à morte”, que parece refletir sobre a finitude da vida neste plano (em comparação ao plano espiritual). Um fã específico, na rede social Reddit, misturou essa frase com o fato do disco ter sido adiado para o dia 14 de abril (e não dia 7, como Kendrick havia dado a entender na faixa “The Heart IV“, que ele mostrou no fim do mês passado.
Mas parece que até o fato do disco ter sido adiado foi programado. Pois assim, ele disfarçaria a intenção de lançar o disco na Sexta-Feira da Paixão. Lá vai a íntegra do post do sujeito:
Here me out for a second… this idea just hit me, and I love it so much that it actually scares me that it won’t happen because it’s so good…. kendrick is release TWO albums first one comes out on Good Friday (the day Jesus was killed) the title of this album is called DAMN. It’s track listing is an anagram of the last letters spelling out “earth led 2 death” which has a meaning related to the people of earth condemning Jesus to the cross and his death. This album has a sad and depressed looking album cover and it’s tracks are all bangers that complete destroy the rap industry.. turning it on its head. Kendrick goes in on everyone and basically just “crucifies” the entire game (already so much speculation on HUMBLE. in terms of his attacks on other rappers including big sean and drake)
This album has mixed reviews and thoughts by fans at first… Although the work on this LP is on a new level, and the lyrics are absolutely insane .. many people will still have question marks saying this isn’t a typical kendrick album. Where’s the deep meaning? This was just him making a bunch of bangers and taking people down. But then…..2 days later…
SUNDAY (Easter) The day Jesus returns from the dead.
A NEW ALBULM called: “Nation”
When put along side the other the duel album becomes “Damn Nation” aka “damnation”.
This is album is much deeper, speaking the current political climate and other aspects of culture. What most people would describe as a TPAB sequel. And it represents the RESURRECTION of the new rap game.
Kendrick is our rap savior
drops the mic
O Rai Faustino (quem diria que os primeiros youtubers de música iam ser os de rap?) deschava melhor essa teoria:
Viagem? Eu também achava, até que o disco foi lançado – corroborando essa teoria em uma série de detalhes espalhados pelo disco. A começar pela primeira música, “Blood” (hã? hã?) em que Kendrick “morre”: “you have lost something… you’ve lost your life”, diz a personagem antes do som seco de um tiro. Há várias outras referências à morte, sangue e sofrimento pelo disco – sem contar o fato de, no clipe da faixa “Humble“< o próprio Kendrick montar sua Santa Ceia particular. Santa Ceia, você sabe, foi a última refeição feita por Jesus Cristo antes de ser morto. É a base da missa (a hora da homilia) e aconteceu na Sexta-Feira Santa. Ou, melhor, a Sexta da Paixão. Ao final da faixa "Fear" ouvimos a voz de Kendrick de trás pra frente, que o blog Pingeons & Planes inverteu para ouvir o que ele falava:
We reversed the backwards vocals on Kendrick's "Fear." Here's what we got: pic.twitter.com/t6s4w6Dlmg
— Pigeons & Planes (@PigsAndPlans) April 14, 2017
“Every stone thrown at you resting at my feet / Why God why God do I gotta suffer / Pain in my heart carry burden for the struggle / Why God why God do I gotta bleed / Every stone thrown at you restin’ at my feet / Why God why God do I gotta suffer / Earth is no more, won’t you burn this mufucka?”
Mais referências à Jesus Cristo, religião e morte.
Daí que o Sounwave, um dos produtores do disco, lança, como quem não quer nada, um tweet cogitando que há uma outra versão para o disco:
But what if I told you… that's not the official version..
— Sounwave (@SounwaveTDE) April 14, 2017
O tweet que remete às clássicas provocações de Morpheus no filme Matrix (“What if I told you…?”) foi seguido de outro tweet, apenas com a data de hoje e uma foto justamente do próprio Morpheus:
4|14|17 pic.twitter.com/IGXPG21iI1
— Sounwave (@SounwaveTDE) April 14, 2017
A imagem de Kendrick Lamar em seu perfil no Spotify foi substituída por esta abaixo, irmã da capa de Damn., mas com mudanças importantes: o muro atrás dele é azul, ele está olhando para a câmera com um olhar mais convicto e, se o o próximo disco, que deverá ser lançado no Domingo de Páscoa (data da ressurreição de Cristo), se chamar mesmo Nation e seguir o design da capa de Damn., o “O” da palavra Nation pode ficar sobre sua cabeça, como uma auréola:
Vermelho x azul, Bloods x Cribs, as clássicas gangues de Compton, vizinhança em que Kendrick nasceu, imortalizadas em dois discos. Vermelho e azul também são as cores das pílulas que Neo pode tomar em Matrix: uma para continuar no mundo de fantasia gerado por computadores e a outra para acordar e ver a realidade como ela é. Em “The Heart IV”, Kendrick teria feito referência a estes dois discos, na frase “dropped one classic, came right back ‘nother classic, right back / My next album, the whole industry on a ice pack / With TOC, you see the flames”. TOC seria uma sigla para The Other Colour, A outra cor, o segundo disco que ele lançaria em seguida (em que veríamos as “chamas”, em oposição ao primeiro disco, que colocaria toda a indústria “em um pacote de gelo”). Fogo x gelo, vermelho x azul.
Damn. também seria uma crítica ao estado do rap atual: sintético, monocórdico, autorreferencial, quase eletrônico. Seria o próprio Kendrick mostrando que se ele quisesse jogar esse jogo faria com um braço nas costas – e faixas como “DNA”, “Feel” ou “Lust” mostram isso na prática.
O disco lançado à meia-noite da sexta, seria então, não apenas a “morte” de Kendrick, mas a morte do rap, o estágio letárgico e repetitivo do gênero atualmente. O disco Nation mostraria justo o contrário – mas seriam as mesmas músicas em novas versões ou músicas completamente novas?
Santo Kendrick Lamar!
O grupo paulistano Garotas Suecas se apresenta de graça nesta quinta-feira no CCSP, lançando o clipe de “Me Erra”, do EP Mal-Educado, do ano passado. O disco é parte da transição que o grupo atravessa após a saída do vocalista Guilherme Saldanha, processo concluído neste semestre, quando o grupo termina de compor e gravar seu próximo álbum. Mais informações sobre o show aqui.
O grupo carioca Do Amor volta à ativa depois de Piracema, lançado em 2013, e finalmente lança Fodido Demais, disco que vêm maturando lentamente desde então (“O Aviso Diz“, por exemplo, é de 2015). Lançado pela Balaclava, o disco marca a quase mudança literal da banda do Rio de Janeiro para São Paulo, onde eles apresentam o disco pela primeira vez ao vivo neste sábado, no Sesc Pompéia (mais informações aqui). O disco chega às plataformas digitais nesta sexta, mas eles já adiantaram outra faixa, “Frevo da Razão”, esta ao lado de Arnaldo Antunes.
O casal californiano Aaron Coyes e Indra Dunis – também conhecido como o duo de synthpop psicodélico Peaking Lights – está sem lançar nada de novo desde seu álbum de 2014, Cosmic Logic, mas o silêncio foi quebrado esta semana, com o anúncio do álbum duplo The Fifth State Of Consciousness, que vem sendo gravado nos últimos dois anos e será lançado em junho. A pré-venda do disco começa com o lançamento do delicioso single “Everytime I See The Light”, que eles acabam de lançar online.
E quem também mostrou sua capa nova foi nossa querida Lana Del Rey, sorridente e feliz ao encarar a câmera ao mostrar-se em seu novo Lust for Life.
Por enquanto, além da capa, ela só mostrou uma música (“Love“, que mostrou ao vivo no South by Southwest), um trailer em que consolidava sua mitologia de glamour e decadência à Califórnia e uma praga contra Donald Trump, mas algo indica que ela está prestes a provocar uma mudança importante em sua carreira: talvez não estética ou artisticamente, mas comercialmente… O disco ainda não tem data oficial de lançamento, mas pela velocidade das novidades, está prestes a sair – neste ou no próximo mês.
…e ao reger o tema do Parque dos Dinossauros, o maestro da orquestra do Colorado veio à caráter. Assista ao vídeo lá no meu blog no UOL.
A cultura pop não têm limites quando o assunto é quebrar barreiras entre ícones estabelecidos. Sabemos isso quando um maestro se fantasia de dinossauro para reger uma orquestra em uma convenção de quadrinhos. Foi o que aconteceu no final do mês passado, na Colorado Comic Con, em Denver, nos Estados Unidos, entre os dias 24 e 25 de março, quando a Colorador Symphony, realizou o espetáculo Jurassic Park: Tetralogy, tocando as músicas que John Williams compôs para os quatro filmes da série idealizada por Steven Spielberg e seu maestro regeu a apresentação com um cosplay de dinossauro. Inacreditável!
My entire life has led to this moment… T-Rex conducting the Jurassic Park theme song. 😭❤😂😂😂 pic.twitter.com/j9BtCwmPKY
— Ailyn Marie (@TheLeanMarie) January 3, 2018
O melhor é que o nome do maestro é Christopher Dragon.
Eis a capa – e, abaixo, a contracapa – do novo disco de Kendrick Lamar, Damn., segundo o próprio. O disco havia sido anunciado para sexta passada, mas seu lançamento foi adiado para a próxima sexta – e agora ele mostra a capa mais simples da história do rap: uma foto fechada do autor usando uma camisa branca em frente a um muro de tijolos com um título superposto como se tivesse sido feito num Paint do Windows 3.1. Até a forma como título é escrito (“Damn” seguido de um ponto final e não por uma exclamação) reflete a humildade que ele falava no single que lançou há duas semanas. A contracapa segue a mesma linha, embora, humildão, anuncie apenas duas participações no novo álbum – ninguém menos que Rihanna e todo o U2 (damn!). E certamente não são as únicas participações do disco, mas ele não mencionou ainda quem trabalhou com ele na produção do disco. Até os títulos das músicas (curtos e diretos, como “Blood”, “DNA”, “Yah”, “Element”, “Feel”, “Loyalty”, “Pride”, “Humble”, “Lust”, “Love”, “XXX”, “Fear”, “God” e “Duckworth”) refletem esse minimalismo conceitual.
Pelo visto, já temos o primeiro forte candidato a disco do ano.
Negro Leo segue chegando. Na segunda noite de sua temporada no Centro da Terra, cuja curadoria é assinada por este que vos escreve, ele desce ainda mais nas profundezas da cidade, engrossando o caldo que começou a curar na semana passada. Como em todas as apresentações deste mês, não sabemos o que acontecerá durante o show, apenas os músicos que ele convidou para participar da temporada. São os mesmos? São outros? Alguém volta? Nunca acaba? Conversei com o Leo sobre o processo de encontro ao produto.
Quais suas impressões sobre a primeira noite no Centro da Terra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/negro-leo-chega-em-sao-paulo-quais-suas-impressoes-sobre-a-primeira-noite-no-centro-da-terra
São músicas em processo ou sequer são músicas?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/negro-leo-chega-em-sao-paulo-sao-musicas-em-processo-ou-sequer-sao-musicas
Como Negro Leo Chega em São Paulo está sendo criado, como obra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/negro-leo-chega-em-sao-paulo-como-negro-leo-chega-em-sao-paulo-esta-sendo-criado-como-obra
Qual sua relação pessoal e musical com Dustan Gallas, Thomas Harres e Zé Nigro?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/negro-leo-chega-em-sao-paulo-qual-sua-relacao-com-dustan-gallas-thomas-harres-e-ze-nigro
O quanto a experiência dos quatro shows pode ser mais importante do que o produto fechado?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/negro-leo-chega-em-sao-paulo-a-experiencia-do-processo-e-o-produto
São Paulo nunca acaba?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/negro-leo-chega-em-sao-paulo-sao-paulo-nunca-acaba
Mais informações sobre o show no evento do Facebook.