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Como vai, Fernanda Takai?

Foto: Beto Staino

Foto: Beto Staino

Como parte da divulgação do DVD que Fernanda Takai gravou em Inhotim, surge o clipe da versão que ela fez para “Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme”, de Reginaldo Rossi, que ela passa em primeira mão para o Trabalho Sujo.

Aproveitei o anúncio do clipe para conversar com ela sobre o show, as novidades do Pato Fu e o show que fizeram neste fim de semana em São Paulo, dentro do Festival Magnéticos 90, organizado pelo Marcelo Costa do Scream & Yell inspirado pelo livro de mesmo nome de Gabriel Thomaz, do Autoramas, que conta a história do rock independente no Brasil da última década do século passado.

Conte como foi gravar um DVD ao vivo em Inhotim.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fernanda-takai-2017-conte-como-foi-gravar-um-dvd-ao-vivo-em-inhotim

Como você conheceu esta música? Você conheceu Reginaldo Rossi pessoalmente?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fernanda-takai-2017-como-voce-conheceu-esta-musica-voce-conheceu-reginaldo-rossi-pessoalmente

Fale sobre o Música de Brinquedo 2.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fernanda-takai-2017-fale-sobre-o-musica-de-brinquedo-2

Vocês participaram do festival Magnéticos 90: quais lembranças desse período?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fernanda-takai-2017-voces-participaram-do-festival-magneticos-90-quais-lembrancas-desse-periodo

Como foi o show de vocês neste festival?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fernanda-takai-2017-como-foi-o-show-de-voces-neste-festival

Como você concilia sua carreira solo com o Pato Fu?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/fernanda-takai-2017-como-voce-concilia-sua-carreira-solo-com-o-pato-fu

E o que mais você está planejando para 2017?

Feminística

feministica

Iara Rennó estava procurando um lugar para experimentar um novo projeto e conseguimos o Centro da Terra para ela lançar o conceito de seu Feminística, um espetáculo multimídia para sublinhar a importância e a pluralidade da produção artística feminina atual. Neste take zero, que acontece na próxima segunda, dia 29 de maio, no Centro da Terra, ela convida Tulipa Ruiz, a poeta Mel Duarte, Juliana Perdigão e a dupla Lambe Buceta para uma apresentação inicial, que Iara quer continuar num futuro próximo, como comentou no papo que tivemos abaixo. Os ingressos para o show estão sendo vendidos neste link e na página do evento no Facebook há mais informações sobre a noite.

Conta a história do Feminística.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-conta-a-historia-do-feministica

Existe uma criação artística feminina?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-existe-uma-criacao-artistica-feminina

Como o Feminística conversa com essa onda feminina que vem acontecendo de uns anos para cá.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-como-o-show-conversa-com-essa-atual-onda-feminina

Qual vai ser a dinâmica do espetáculo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-qual-vai-ser-a-dinamica-do-espetaculo

Fale sobre as convidadas deste take 0.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-fale-sobre-as-convidadas-deste-take-0

A ideia é ter uma continuidade?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-a-ideia-e-ter-uma-continuidade

Qual a expectativa para esta primeira apresentação?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/iara-renno-2017-qual-a-expectativa-para-esta-primeira-apresentacao

Phoenix 2017: “Don’t tell me/ Don’t tell me no”

phoenix

Mais uma música do disco novo do Phoenix, “Ti Amo” escancara a fase italiana que dá o tom do novo disco, batizado justamente com o nome desta faixa, mas sem perder o centro do pop perfeito do grupo parisiense, inevitavelmente mostrando suas referências contemporâneas dos conterrâneos Daft Punk.

King Crimson ♥ David Bowie

kingcrimson

“King Crimson tocou ‘Heroes’ de David Bowie no Admiralspalast de Berlim como uma celebração, uma memória e uma homenagem. O show aconteceu trinta e nove anos e um mês após as sessões de gravação originais no Hansa Tonstudio próximo ao Muro de Berlim”, escreveu Robert Fripp, autor da guitarra que conduz a música original de David Bowie, ao anunciar o EP Heroes (já à venda), às vésperas da turnê que seu renascido King Crimson fará pela América do Norte no meio deste ano (datas aqui). A nova versão mantém a sensibilidade do clássico single.

“Cherry” em público

Lana Del Rey atravessa mais uma etapa de seu novo álbum Lust for Life e apresentou duas novas canções pela primeira vez ao vivo, em sua apresentação no festival californiano KROQ Weenie Roast Y Fiesta. Seguindo a linha girl group do início dos anos 60 que as canções sugerem, ela apresentou-se à caráter e começou com a faixa que batiza o disco, entoada a plenos pulmões pelo público:

E depois a inédita “Cherry”, em mais um golpe de mestre da bela de plástico.

Grizzly Bear 2017: “Watch it burn out and die”

grizzlybear

Há quatro anos sem lançar disco novo, o grupo nova-iorquino Grizzly Bear lançou uma música nova no início do mês (“Three Rings”, ouça lá embaixo), além de começar a fazer uma reforma em seu site. Foi o suficiente para os fãs se animarem com a possibilidade de um novo disco, que agora confirma-se com o anúncio de Painted Ruins para agosto desse ano, com capa, ordem das faixas do novo disco, pré-venda e mais um single, a delicada “Morning Sound”:

A capa e a ordem das músicas novas vêm a seguir e lá no final você ouve o primeiro single do novo disco, a impressionista “Three Rings”:

grizzly_bear_painted_ruins

“Wasted Acres”
“Mourning Sound”
“Four Cypresses”
“Three Rings”
“Losing All Sense”
“Aquarian”
“Cut-Out”
“Glass Hillside”
“Neighbors”
“Systole”
“Sky Took Hold”

Flying Lotus ♥ Twin Peaks

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O jovem mestre Steven Ellison, também conhecido como Flying Lotus, deixa todo seu amor por Twin Peaks exposto ao incluir a faixa-tema de Angelo Badalamenti no meio de um set no Upstream Music Fest em Seattle.

E por que não lançar o minirremix pra download?

Que encontro!

Tiê: Mergulho – 3

Chegamos à última noite do mergulho que Tiê deu no Centro da Terra, antecipando seu quarto disco ainda sem título (mais informações sobre o show aqui). A apresentação de hoje é mais próxima dos shows que ela fará numa turnê internacional que começa no fim deste mês e toma quase todo o mês de junho, em outra etapa de aquecimento do novo disco. Conversei com ela sobre este processo que ela amadureceu neste período.

O novo disco foi adiado para julho por conta da turnê que você fará no mês que vem. Fale sobre ela.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-fale-sobre-a-turne-internacional-que-voce-fara-antes-do-lancamento-do-novo-disco

O que você pode falar sobre as músicas inéditas que apresentou no show da segunda passada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-o-que-voce-pode-falar-sobre-as-musicas-ineditas-que-do-show-da-segunda-passada

O disco ainda segue sem título – e as músicas novas, já tem os nomes definitivos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-as-musicas-novas-ja-tem-os-nomes-definitivos

Você já pode comentar sobre as participações especiais que deverão estar no disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-voce-ja-pode-comentar-sobre-as-participacoes-especiais-que-deverao-estar-no-disco

O que dá para adiantar sobre o show desta segunda?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-o-que-da-para-adiantar-sobre-o-show-desta-segunda

Como esta curta temporada no Centro da Terra lhe ajudou na compreensão do seu novo trabalho?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tie-mergulho-como-esta-curta-temporada-lhe-ajudou-na-compreensao-do-seu-novo-trabalho

Sobre a importância de Kid Vinil

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Escrevi sobre a importância do mestre que acaba de nos deixar lá no meu blog no UOL.

Todo mundo se lembra de “Eu Sou Boy”, talvez o grande hit new wave brasileiro, sem dúvida o grande hit da new wave paulista. Uma geração lembra de vê-lo apresentando bandas novas que não tocavam no rádio ao vivo em diferentes programas da TV Cultura, outra lembra de vê-lo apresentando clipes de bandas que não tocavam no rádio na MTV. Poucos o conheceram como um dos primeiros punks do Brasil, que reuniu os codinomes de dois dos DJs que discotecavam antes dos shows do Clash para eternizar uma persona que, meio nerd, meio rocker, carregava a cultura da música em seu próprio nome. Mas quem o conheceu sabe o quanto Kid Vinil, que morreu nesta sexta-feira, foi memorável – e crucial para alimentar gerações de fãs de música numa época em que era difícil descobrir qualquer outro tipo de música que não tocasse no rádio.

Para a geração que nasceu com a internet à mão, aplicativos de streaming, torrents de discografias, megastores, lojas especializadas e música digital, os tempos pré-digitais eram uma espécie de Idade Média cultural, especificamente no Brasil. Os poucos sortudos que conseguiam sair do país traziam na bagagem de volta discos que nunca foram vistos na América do Sul, testemunhos de shows de artistas que nunca tocariam – nem tocaram – sequer no rádio brasileiro. Uma época em que música estrangeira era vista como alienante, imperialista e descartável que atrasou a evolução musical brasileira deixando a programação musical do país na mão de poucas gravadoras, rádios e emissoras de TV.

Kid Vinil furava este bloqueio. Era um Napster humano, trazendo notícias do front da cultura pop para um país isolado culturalmente do resto do mundo. Radialista, DJ, jornalista, crítico musical, apresentador, curador, programador musical – o velho Antônio Carlos Senefonte sempre buscava uma brecha para mostrar novidades que ele sempre trazia em primeira mão. Se não eram discos, eram as canções, se não eram as canções, eram as histórias, se não eram as histórias, as ideias. Ele é um dos personagens centrais na história do punk brasileiro e também uma das forças por trás do novíssimo rock que surgiu por aqui durante os anos 80 – quando não era apenas agente, mas protagonista. Liderando o grupo Magazine, ele furou o bloqueio do rádio para falar da vida estressante em São Paulo com os hits “Eu Sou Boy” e “Tic-Tic Nervoso”, além de ter uma música (escrita por Caetano Veloso!) na abertura de uma novela da Globo.

Passados os anos 80, ele entrou nos anos 90 disposto a desbravar a fronteira do rock alternativo e aos poucos cruzava o Brasil para espalhar novidades. Espertamente usava programas de rádio e de TV para mostrar que era possível viver de música longe dos rádios e das TVs, mostrando como funcionavam as coisas na Europa e nos Estados Unidos e traçando paralelos com a novíssima cena indie no Brasil. Na década seguinte foi diretor de lançamentos internacionais da gravadora Trama e seguiu traçando pontes entre a gravadora brasileira e tradicionais selos alternativos estrangeiros.

O conheci pessoalmente quando ele apresentava o programa Lado B, da MTV, logo após a fase clássica do programa, liderada por Fabio Massari. Kid – escudado do guitarrista do Pin Ups, então diretor na MTV Brasil, José Antonio Algodoal – mudou o foco do programa para dar mais atenção às bandas brasileiras que comiam pelas beiradas. Já o conhecia sem conhecê-lo – sua personalidade midiática era uma versão idêntica à sua identidade pessoal. Uma enciclopédia musical, um poço de saber, mas, principalmente, um coração incrível, uma dessas raras pessoas que conectam-se facilmente com todos.

Kid nunca era a alma da festa nem o centro das atenções, preferia ficar no canto, puxando papo para conversar sobre discos, artistas e, claro, sobre a vida. Isso só mudava quando ia para o palco e se esbaldava ao brincar com essa possibilidade que, no fundo, sabíamos que era real: ele era o protagonista de uma história subterrânea que só brincava com os holofotes para sentir o gostinho de estar lá. Como ficou eternizado no título de uma de suas bandas e em sua própria biografia, ele era um herói do Brasil. De um Brasil moderno, plural e musical, que fugia dos centro para valorizar uma cultural essencialmente marginal. Deixa um legado e uma saudade tão grandes quanto sua coleção de discos.

Tudo Tanto #29: Esperança para 2017

ceu-baiana

Mais uma coluna da Caros Amigos, esta publicada em fevereiro deste ano.

Esperança para 2017
Como a produção musical de 2016 consolida um movimento cultural que cresce desde o início do século e pode aproximar as duas metades de um país dividido

2016 foi um ano pesado sob quase todos os aspectos e 2017 não parece que vai dar trégua. Para começar, o novo ano é quando as tragédias que ocorreram no ano passado começam a valer – de Trump ao governo do ex-vice golpista, de Dória a Crivella. As crises política e econômica que assolam o planeta parecem ter se transformado em regra e que não há espaço nem motivação para resistir.

Mas, como canta um dos mortos de 2016, “há uma brecha em tudo e é por ali que entra a luz”. E enquanto via a democracia ruir, o Brasil e o resto do mundo engatar a ré rumo aos anos 80, à Velha República, à Idade Média, também pude ver de perto diferentes facetas de um movimento que está cada vez mais engatilhado e que cresce apesar da crise porque não é pensado apenas como um mercado, apesar desta ser uma de suas motivações.

A criação de um movimento musical autoral brasileiro já não é mais uma vontade – é um fato. Se compararmos então à crise criativa que vivemos na virada do século, quando a internet fechou algumas portas para abrir milhares de outras, a situação atual é o paraíso. A maioria das pessoas que trabalha com música – no palco e nos bastidores – vivem cada vez mais disso, sem ter que se equilibrar entre outros bicos e empregos.

Há uma lenta transição que também mostra a criação de um novo mercado que pode se tornar autossustentável em alguns anos, quando a internet é usada mais para divulgação da obra de um artista e eventos com a presença deles irão pagar suas contas. O mercado também amadurece à medida em que você tem várias máquinas de entretenimento trabalhando de costas para a mídia tradicional e fazendo as gravadoras multinacionais correr atrás do novo sucesso, que depende de cenas e artistas que já formaram seu público.

Por mais que você possa desgostar do sucesso do forró universitário, do novo sertanejo, do funk paulista e do hip hop, é inegável que seu sucesso é fruto de seu próprio trabalho – e não da única máquina que antes alimentava rádios e lojas de discos. Se você nunca ouviu “10%” de Maiara e Maraisa, “Malandramente” do produtor Dennis com Nandinho e Nego Bam ou “Bumbum Granada” dos MCs Zaac e Jerry – três dos maiores hits de 2016 no Brasil – não é sinal que você é desinformado ou que vive numa bolha, mas que o que antes era a principal corrente do mercado não é uma tsunami única como era até o final do século, mas várias ondas diferentes – algumas gigantescas, mas nunca reunidas em uma só, que, inevitavelmente, dominavam o espectro musical coletivo. Lembre da onipresença do axé, do sertanejo e do pagode nos anos 90 (e como você, mesmo sem gostar ou conhecer, sabe de letras inteiras deste período) e compare com o que acontece no mainstream atual. E se você ainda perceber que estes artistas movem-se por conta própria, sem o auxílio de uma máquina de mídia que elegia os ungidos, dá para ver o quanto a música brasileira mudou nestes últimos quinze anos.

E mudou também para aqueles que exploram outras fronteiras da música brasileira. O ano viu a consolidação de um movimento novo na música brasileira deste século, cujo ápice aconteceu no ano passado – a volta do inquietação. Dois discos sintetizam estas duas frentes diferentes de um mesmo movimento em 2016. O Tropix de Céu, melhor disco da carreira da cantora paulistana, aponta transformações políticas e estéticas sob uma camada de despretensão pop. E o impressionante Duas Cidades, do grupo baiano BaianaSystem, bota o dedo na ferida do apartheid brasileiro, fundindo pontos de vistas e gêneros musicais modernos e ancestrais, urbanos e rurais.

Os dois discos fundem-se a um cenário desenhado no ano anterior por discos como Transmutação, Dancê, Fortaleza, De Baile Solto, Selvática, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, Frou Frou, Mulher do Fim do Mundo, Rá!, Violar, Manual, Pedaço Duma Asa e Terceira Terra, que este ano ganhou aliados como MM3 do Metá Metá, os discos póstumos de Sabotage e Serena Assumpção, o Brutown dos The Baggios, o Melhor do Que Parece d’O Terno, o Golpe de Vista de Douglas Germano, o Arco e Flecha de Iara Rennó, o Monstro do DeFalla, o Ivete de Wado e o primeiro disco de Mahmundi, além de obras novíssimas de veteranos como João Donato, Letieres Leite, Odair José e Arthur Verocai. Isso sem contar a grande revolução estética transgênero, em que artistas como Liniker e os Caramellows, As Bahia e a Cozinha Mineira, Jaloo e Rico Dalasam desafiam classificações sexuais para expandir o horizonte cultural do país, modernizando-o na marra.

Há, contudo, um enorme abismo entre estes dois Brasis: um verdadeiramente popular, outro verdadeiramente desafiador. Dois levantes populares distintos, que se dividem esteticamente e retratam um país também separado pela política. Mas enquanto o cisma ideológico parece cada vez mais profundo e doloroso, a separação cultural parece mais fácil de se resolver. Artistas das duas vertentes já começam a flertar uns com os outros e nomes como Tiê, Karol Conká, Emicida, Tropkillaz, Kondzilla, Tiago Iorc, Anitta, Marcelo Jeneci e Mano Brown já lançaram os primeiros sinais de aproximação entre metades brasileiras que não se conversavam – e pode ser que estes primeiros flertes comecem a render frutos à medida em que a situação política do país vai por água abaixo. Esta talvez seja a boa notícia deste 2017 que já começa em transe e em crise – e o inimigo comum possa nos restituir a glória de ser uma só nação.